Igrejas

Saint-Eustache – a igreja do ventre de Paris

29 de setembro de 2015

Para quem anda ali na região de Les Halles, no centro de Paris, não tem como não notá-la. Ela é enorme, imponente e marca uma época em que nobreza e comerciantes andavam pelo bairro e frequentavam a mesma paróquia. Um lugar super interessante, a igreja Saint-Eustache é ainda pouco visitada pelos brasileiros. No entanto, ela é linda.

Saint-Eustache

No século XIII, o lugar onde hoje fica a igreja fervia. O bairro Les Halles atraía comerciantes de várias regiões e eles eram cada vez mais numerosos, pois ali ficava o mercado central de Paris (halles). Mas não havia igrejas na proximidade. A mais perto era a Saint-Germain-L’Auxerrois e não era propriamente ao lado. Então, em 1213, decidiu-se construir ali no bairro uma pequena capela, dedicada a Sainte-Agnès, mártir romana.

Saint-Eustache

Só que a população cresce. Além disso, a capela era frequentada por quem vinha da Île de la Cité e de Montmartre. Então, após várias reformas e ampliações, ficou decidido que a capela seria demolida e uma igreja maior construída no lugar.

Saint-Eustache

A primeira pedra foi colocada em 19 de agosto de 1532, no reinado de François I. Não se sabe o nome do arquiteto e nem de seus colaboradores. A construção – como em muitas igrejas na França – é longa, dura mais de 100 anos. Mas, apesar do tempo, ela conserva uma unidade arquitetônica, o que talvez mostre que o projeto inicial não sofreu grandes mudanças.

Saint-Eustache

A Saint-Eustache é consagrada em 1637, já com o nome do santo, cujas relíquias a igreja passou a abrigar. Mas a tranquilidade não durou muito: em 1665, Jean-Baptiste Colbert, ministro de Louis XIV, que frequentava a paróquia, decide construir duas capelas sob as torres da fachada, o que compromete a estrutura. Assim, a fachada e o primeiro tramo da nave e das naves laterais são demolidos.

Saint-Eustache

E ainda não acabou. Só em 1754, o duque de Chartres, Philippe, coloca a primeira pedra dessa fachada. O projeto, realizado por Jules-Hardouin Mansart de Jouy, continua inacabado até hoje.

Saint-Eustache

Igreja frequentada tanto pelos comerciantes do mercado quanto pela nobreza, é chamada de “Paróquia Real”. O número de personagens ilustres que ali passaram é de impor respeito. Só para citar alguns: Louis XIV fez sua primeira comunhão ali. Saint-Eustache foi também o lugar onde Richelieu, Molière e Madame de Pompadour (favorita de Louis XV) foram batizados. A missa de obséquios da mãe de Mozart também aconteceu nessa igreja. E Colbert está enterrado em uma de suas capelas.

Saint-Eustache

Com a Revolução, a Saint-Eustache é fechada. Em 1793, torna-se Templo da Agricultura. Em 1795, é parcialmente cedida aos Théo-philanthropes, seita bem vista pelos revolucionários. Em 1844, sofre um grande incêndio. Assim, tanto a igreja quanto seu mobiliário já estão muito danificados.

Saint-Eustache

No século XIX é um período de muitas restaurações e valorização do patrimônio histórico na França. Assim, Saint-Eustache é alvo de um ambicioso projeto de restauração e reconstrução. O diretor é o arquiteto Victor Baltard, famoso por construir os pavilhões de Halles (do mercado) na mesma época. Ele também desenha a caixa do órgão, o púlpito e o altar principal. Tudo o que estava degradado é refeito, como, por exemplo, as pinturas.

Saint-Eustache

A restauração sofre um pouco com os acontecimentos de 1870/1871 (guerra contra a Prússia e Comuna de Paris). Logo em seguida, o teto, os contrafortes e a fachada sul são reparados. Em 1928, a fachada principal foi revista e estabilizada.

Saint-Eustache

Em 1969, o mercado parte para a região de Rungis, na periferia ao sul de Paris. Então, a prefeitura cria no bairro a grande estação do RER Châtelet-Les Halles, (ligando as duas estações de metrô Châtelet e Les Halles), em 1977; um centro comercial, o Forum Les Halles, em 1979; e centros de atividades culturais. Assim, o público da igreja muda. Já não havia mais as famílias nobres desde a Revolução, agora também não haveria mais os comerciantes do mercado.

Saint-Eustache

Em 1990, o órgão é restaurado. Depois, é a vez de a igreja sofrer uma nova restauração, que dura até hoje.

Saint-Eustache

E isso nós podemos ver quando visitamos a Saint-Eustache. Uma parte dela está novinha, super iluminada. As fotos nem ficam tão boas de tanta luz. Já a outra parte, é bem escura, e por isso difícil de fotografar, e a gente vê as degradações do tempo e o quanto ainda precisa ser restaurado. Mas nada disso tira a beleza da igreja.

Saint-Eustache

Saint-Eustache
Essa é a pintura mais danificada e que será restaurada em breve

As proporções da igreja impressionam: ela mais parece uma catedral. No interior, a decoração é do Renascimento Francês e as medidas são: 100m de comprimento, 43 metros de largura e 33 metros de altura. Basta caminhar ali dentro e nos damos conta do quanto ela é alta, mas a sensação é de leveza.

Saint-Eustache

Algumas obras-primas de Saint-Eustache

O altar principal – desenhado por Victor Baltard, um dos mais importantes arquitetos franceses do século XIX. Ainda no coro, os vitrais, de Antoine Soulignac, são mais antigos, do século XVII.

Saint-Eustache

Saint-Eustache

Saint-Eustache

Chapelle de la Vierge (Capela da Virgem) – Era decorada com mármore, madeira e tinha quadros. Tudo desapareceu na Revolução. Restaurada em 1802, no altar há uma bela estátua de Maria, obra-prima de Jean-Baptiste Pigalle, um dos mais importantes escultores franceses, que viveu no século XVIII (veja o post sobre a Saint-Sulpice).

Saint-Eustache

Saint-Eustache

É consagrada em 28 de dezembro de 1804, pelo Papa Pio VII, que estava em Paris para a sagração de Napoleão I. Os afrescos da capela foram feitos por Thomas Couture, um dos principais pintores do século XIX, e narram o poder de intercessão de Maria.

Saint-Eustache

Chapelle de Charcutiers, também chamada de Chapelle Saint-André ou du Souvenir – Situada logo após a porta de entrada (vá à esquerda logo após entrar), lembra a época em que várias corporações do mercado tiveram suas capelas. É uma das mais antigas, de 1230. No século XVII, foi da comunidade de pintores e escultores de Paris, antes de passar para a Corporação de Charcutiers (Salsicheiros), no final do mesmo século.

Saint-Eustache

Saint-Eustache

Recentemente, uma sociedade de Charcutiers, chamada Le Souvenir, retomou esse costume e financiou a reconstrução da capela Santo André, que havia sofrido com um incêndio. Eles chamaram um artista suíço, John Admeler, que concebeu uma obra contemporânea, inaugurada em 2000. Em uma das paredes, a pintura de Isidore Pils, do século XIX, mostra uma jovem que é empurrada por um soldado romano quando tentava recolher o sangue de Santo André martirizado.

Saint-Eustache
Um dos painéis de John Armleder, 2000

O Mausoléu de Colbert – Fica à esquerda da Chapelle de la Vierge. Foi concebido por Antoine Coysevox, junto com o Charles Le Brun, este último primeiro pintor da corte de Louis XIV. O poderoso ministro do rei morre em 1683. Como sua família, assim como várias famílias nobres da paróquia, tinha uma capela na Saint-Eustache, decidiu-se construir um verdadeiro mausoléu no lugar.

Saint-Eustache

Na efígie feita por Coysevox, Colbert aparece em posição de oração. Ao lado dele, duas alegorias femininas: à esquerda, a Fidelidade (que pode ser entendida como à Igreja e ao Reino da França), também obra de Coysevox. E à direita, a Abundância ou a Fé, realização de Jean-Baptiste Tuby. A obra, tipicamente barroca, é incompleta. No projeto original, um anjo desceria e uma arcada com a Bíblia em mãos.

Saint-Eustache
A Fé ou a Abundância – Jean-Baptiste Tuby

Chapelle de la famille d’Epernon – Fica ao lado da capela de Colbert e o nome é por causa de uma família nobre, que mantinha o lugar. Aqui uma obra-prima, o quadro de Rubens, retratando os discípulos de Emaús, de 1611. A obra mostra toda a virtuosidade do artista: as expressões dos personagens, a perfeição ao retratar a natureza morta (algo muito característico dos pintores do Norte da Europa). Pena que a falta de iluminação não deixa as fotos mostrarem muita coisa.

Saint-Eustache
Les Disciples d’Emmaüs – Peter Paul Rubens, 1611

Chapelle Saint-Vicent de Paul – Fica um pouco depois da capela de Epernon. Ela leva esse nome porque o santo viveu na área e frequentava a paróquia, entre 1613 e 1623. Aqui a curiosidade é uma obra contemporânea: La vie du Christ, de Keith Haring, de 1990. O artista foi voluntário em diversas cidades do mundo, defendendo causas como a AIDS, que o mataria no mesmo ano da obra. Doada a Paris, em 2003, por vontade do próprio Haring, ela foi colocada na Saint-Eustache porque a igreja acompanha muitas pessoas que sofrem da mesma doença. No centro das obras do artista há sempre uma criança, símbolo da inocência no nosso mundo violento. Aqui, o menino é Jesus.

Saint-Eustache
Triptyque La Vie du Christ – Keith Haring, 1990

Chapelle Sainte-Geneviève – Fundada em 1542, por Jehan Brice, comerciante burguês, teve vários nomes até ser consagrada em 1803 à santa. Nela está um quadro do pintor florentino Santi di Tito, chamado Tobia e l’Angelo. O que é curioso aqui é que a obra faz parte dos tesouros de guerra de Napoleão I.

Saint-Eustache
Santi di Tito – Tobia e l’Angelo, 1575

Chapelle Saint-Louis – É uma das mais antigas da construção do edifício atual. As pinturas são de Felix Barrias, do século XIX, e retratam a vida do rei, desde quando ele coloca a Coroa de Espinhos na Sainte-Chapelle até sua morte. Já os vitrais mostram sua infância e as ogivas retratam a chegada aos céus depois da morte.

Saint-Eustache
A infância de São Luis – A educação do futuro rei em presença de sua mãe, Blanche de Castille

Chapelle Saint-Eustache – Dizem que guardava as relíquias do santo e de sua família. Tudo foi destruído na Revolução, mas o relicário em forma de cruz grega ainda está ali. As pinturas murais mostram a lenda do santo, que teria sido um soldado romano que, convertido ao Cristianismo, é martirizado com mulher e filhos, após a família negar-se a abandonar a nova religião. O autor da obra, de 1855, é Alphonse François Le Hénaff.

Saint-Eustache

Chapelle Pélerins d’Émaüs – Leva esse nome por causa das pinturas, que retratam esse episódio. Muitos atribuem essas obras a Simon Vouet, outro pintor muito importante no século XVII. Dizem que foi ele também que fez as obras da Chapelle Saint-Vicent de Paul, mas não se sabe ao certo. Aqui uma coisa interessante é a obra Le départ des fruis et legumes du coeur de Paris (Tradução literal: a Partida das frutas e legumes do coração de Paris), de Raymond Mason. Ela faz uma alegoria da mudança do mercado do centro de Paris para Rungis, em 1969.

Saint-Eustache
Le départ des fruits et légumes du coeur de Paris le 28 février 1969 – Raymond Mason

Chapelle Saint-Jean-Baptiste – Era dedicada a Saint-Denis, porque, em 1619, a abadessa de Montmartre, Marie de Beauvilliers, teria doado à igreja um pedaço das relíquias do santo e dos companheiros. Depois mudou para Saint-Jean-Baptiste por causa do batistério do século XX (São João Batista é sempre lembrando quando se fala em batismo). Aqui, há uma cópia do século XVIII do quadro de Rubens, L’Adoration des Mages.

Saint-Eustache

Le Martyre de Saint-Eustache – Simon Vouet – Fica acima de uma das portas do fundo da igreja. Foi encomendado por Richelieu para o altar principal da igreja. Era completada, na parte de cima, por outra cena, do mesmo autor: L’Apothéose du Saint Martyr. Mas, infelizmente, a obra foi tirada da igreja e separada. A parte da apoteose foi enviada ao Musée de Nantes, no interior da França, e ainda está lá. A outra metade, a do martírio, depois de entrar na coleção de um cardeal, é doada por um tal de Moret, em 1855, à prefeitura de Paris, que o devolve à Saint-Eustache. Por que ela é tão importante? Porque Simon Vouet é um gênio da pintura francesa do século XVII e essa é uma das obras-primas dele.

Saint-Eustache
Le Martyre de Saint-Eustache – Simon Vouet

Saint-Eustache

Le Banc d’Oeuvre – É o lugar onde ficavam sentados os membros mais nobres da paróquia. O de Saint-Eustache é um dos mais bonitos da França e foi realizado em 1720 por Pierre Lepautre. Ele tem a forma de um pórtico sustentado por quatro colunas. Nele, está a estátua de Saint-Agnès, a padroeira da capela primitiva.

Saint-Eustache

Em frente ao Banc d’Oeuvre, está o Púlpito desenhado por Baltard, no século XIX. Outra obra-prima da igreja.

Saint-Eustache

Entre a porte de entrada e a Chapelle de la Vierge, uma capela apresenta uma escada e uma porta. Ela leva para uma outra capela, dedicada a Sainte-Agnès e às sala de catecismo e outras reuniões.

Saint-Eustache

A fachada Inacabada de Jean-Hardouin Mansart de Jouy – Na parte exterior da igreja, na rue du Jour, nós podemos ver a fachada inacabada do famoso arquiteto. Frequentador da paróquia – foi, inclusive, batizado na Saint-Eustache -, aceitou fazer a obra como voluntário. Mas, em 1755, ele abandona a carreira. Após alguns anos de pausa, a fachada é confiada a Pierre-Louis Moreau-Desproux. Mas a Revolução para de vez os trabalhos.

Saint-Eustache

Assim como outras igrejas de Paris, a Saint-Eustache recebe vários concertos de música clássica e sacra. Há uma pequena audição, gratuita, aos domingos, 17h30. Se tiver a oportunidade de ir, não perca. A acústica ali é perfeita.

Saint-Eustache

Saint-Eustache

Igreja Saint-Eustache
2 impasse Saint-Eustache
75001 – Paris
Metrô: Les Halles, linha 4
RER A: Chatêlet-Les Halles
Horários: de segunda a sexta, das 9h30 às 19h. Sábados, das 10h às 19h. Domingos, das 9h às 19h.

Saint-Eustache

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Renata Rocha Inforzato

Sou de São Paulo, e moro em Paris desde 2010. Sou jornalista, formada pela Cásper Líbero. Aqui na França, me formei em História da Arte e Arqueologia na Université Paris X. Trabalho em todas essas áreas e também faço tradução, mas meu projeto mais importante é o Direto de Paris. Amo viajar, escrever, conhecer pessoas e ouvir histórias. Ah, e também sou louca por livros e animais.

Comentários (14)

  • Angela Responder    

    29 de setembro de 2015 at 16:21

    Boa tarte, Renata
    Parabéns pelo texto, adorei.
    E visitei a Saint Eustache em 2006. Ela estava em obras e mesmo assim fiquei maravilhada e agora que voltar, culpa do seu excelente texto.
    Obrigada por nos enriquecer

  • Luciana Ribeiro Responder    

    27 de outubro de 2015 at 22:49

    Me deparei com essa igreja em um passeio descompromissado por aquela região e fiquei embasbacada! Fui pesquisar a respeito e encontrei seu blog, que tem sido meu grande guia para informações em português! Obrigada Renata, suas postagens são excelentes! E obrigada a Saint Eustache, pois graças a ele te enontrei!

    • Renata Inforzato Responder    

      27 de outubro de 2015 at 23:42

      Nossa, Luciana, muito obrigada. Ganhei meu dia agora…. Um beijão e obrigada pela visita

  • Paris – um novo centro comercial em um antigo mercado de bairro - Direto de ParisDireto de Paris Responder    

    28 de outubro de 2015 at 7:36

    […] pavilhões que ele construiu ficavam no bairro Les Halles, perto da igreja de Saint-Eustache. Outro deles foi construído em 1868, ali no meio do caminho entre o Canal de Saint-Martin e o Parc […]

  • Ronaldo Responder    

    28 de outubro de 2015 at 20:40

    Havia lido este post recentemente e na última semana aproveitei para visitar a igreja. Foi uma ótima indicação do blog, pois o prédio é realmente muito bonito, além dos aspectos religiosos e históricos que possui. Parabéns pelo relato detalhado!

    • Renata Inforzato Responder    

      28 de outubro de 2015 at 22:50

      Oi Ronaldo, eu que te agradeço pelo comentário. É muito bom saber quando alguém visita o lugar depois de ler o texto. Esse feedback ajuda muito. Um abraço

  • Wanice Bon'ávígo Responder    

    19 de março de 2016 at 22:52

    Renata, quando eu chego em Paris, preciso fazer duas coisas: ir às margens do Rio, beeem pertinho da água; ir na Saint Eustache. Amo! Obrigada pelo belo post! Bjs

  • Felipe Antunes de Proença Responder    

    1 de novembro de 2016 at 16:39

    Renata, excelentíssimo texto! e demais tudo que escreveu, estou apaixonado por teu blog, e o indico a todos que vão a Europa. em fevereiro estarei por ai, com amigos.

  • Marcia kantz Responder    

    27 de março de 2017 at 17:34

    . Vou a Paris e apesar de não ser a primeira vez, não tinha passado por essa região. Como descobri essa igreja pesquisando um guia, queria conhecê-la e suas informações serão especiais para entender o que vou ver. Obrigada por passar seu conhecimento. Muito bom.

  • Direto de Paris - Jornalismo em Paris Responder    

    1 de junho de 2017 at 17:50

    […] a partir de 1824. E a segunda a partir de 1853, por Victor Baltard, o mesmo que restaurou a Saint-Eustache. Em 1862, a igreja é classificada como Monumento […]

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