Blois

Château de Blois – o castelo que abre as portas do Vale do Loire

11 de Fevereiro de 2017

O Château de Blois é um dos castelos mais importantes do Vale do Loire. Residência real durante mais de um século, foi fundamental em vários acontecimentos da história francesa. Este texto é um guia para todos aqueles que gostariam ou vão visitá-lo.

Château de Blois

Mas, antes mesmo de ter sido elevado ao posto de residência dos reis da França, o castelo de Blois já era importante. Sua história começa na Idade Média, quando a construção ainda tinha ares de fortaleza medieval. Ela pertencia aos Condes de Blois, que, no começo, eram nomeados pelos reis franceses, mas que, a partir do século IX, adquirem cada vez mais poderes e autonomia. É nesta época também que o condado passa a ser hereditário.

Château de Blois

Desde esta época, de acordo com escavações arqueológicas, já existia no local um castelo, com uma muralha, que era fortaleza e residência senhorial ao mesmo tempo. A altura do lugar, dominando o rio Loire, favorecia a segurança do conde. Ao longo dos séculos seguintes, os condes de Blois aumentam suas terras, conquistando outros condados. Em 1023, Eudes II conquista a região da Champagne, tornando-se também conde de Champagne, controlando, assim, as cidades de Provins e Troyes, que eram prósperas. Nessa época, ele constrói uma grande torre de pedra no Château de Blois.

Château de Blois

O castelo passa por várias ampliações, de acordo com o poder dos condes. Até que, com a morte do conde Thibaut VI, em 1218, as suas possessões de Blois passam para outra família nobre: a de Châtillon. Thibaut foi o último conde de Blois que dominou a região de Champagne.

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As terras do condado ficam com esta família até 1391. É quando o último conde, Guy II de Châtillon, ao ver que vai morrer logo e sem herdeiros, vende o título e propriedades a Louis de France, que seria, mais tarde, o primeiro Duque d’Orléans. Nessa época, o castelo de Blois já era um dos mais belos da França, de acordo com Jean Froissart, escritor medieval.

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Louis era filho do rei francês Charles V e irmão de Charles VI, que era louco. A influência que exercia sobre este último atraiu vários inimigos para o duque d’Orléans. Por isso, ele reforçou as defesas do château de Blois em 1404 e 1405. Mas, nada disso adiantou: Louis I (este número porque foi o primeiro Duque d’Orléans) foi assassinado em 1407 por Jean sans Peur, duque de Bourgogne. Sua viúva, Valentina Visconti, filha do duque de Milão, se retira para o castelo, onde morre em 1408.

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Charles d’Orléans, herdeiro de Blois, é feito prisioneiro pelos ingleses em 1415, na batalha de Azincourt. Ainda durante a Guerra dos Cem Anos, em abril de 1429, Joana d’Arc reúne ali no castelo o seu exército para a libertação de Orléans. Dizem que ela teria feito benzer sua bandeira na collégiale Saint-Sauveur – igreja que fazia parte do château desde a Idade Média e que seria destruída na Revolução. Esse evento marca o começo da carreira militar de Joana.

Château de Blois
Vista da cidade de Blois a partir do terraço do castelo

O duque de Orléans, ainda prisioneiro dos ingleses, resiste a 25 anos de cativeiro graças ao seu talento de poeta. Em 1440, é libertado e vai morar no castelo de Blois. Ele faz algumas modificações na propriedade e reúne ali uma corte de artistas e intelectuais.

Château de Blois

É no château de Blois que, em 1462, sua esposa, Marie de Clèves, 36 anos mais nova, dá a luz a Louis, herdeiro do título e das propriedades, incluindo o castelo. Três anos depois, o duque Charles morre e a criança se torna o novo duque d’Orléans com o nome de Louis II.

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Mas a história não acaba por aí. Em 1498, o rei da França, Charles VIII, morre acidentalmente no castelo de Amboise, sem deixar descendentes. Então, quem herda o trono? Ele mesmo: o Louis II, duque d’Orléans, que agora se torna rei com o título de Louis XII. Assim, o castelo de Blois vira uma residência real.

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No ano seguinte, o rei se casa com Anne de Bretagne. Ela já era rainha da França, pois era casada com Charles VIII. O acordo para casá-la novamente foi selado ainda na época do primeiro casamento da moça. Como Anne era duquesa da Bretagne (Bretanha), a intenção era que ela continuasse rainha para que a região seguisse anexada à França, através dos herdeiros que ela teria com o novo rei. Para saber mais sobre este arranjo que envolveu dois casamentos com a mesma mulher, veja este texto sobre o Château de Langeais, palco da primeira cerimônia.

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Desde a sua ascensão ao trono até o final do seu reinado, Louis XII praticamente reconstruiu o château, tirando o seu aspecto defensivo e fazendo dele um palácio luxuoso, propício a festas e recepções. Ele, inclusive demoliu a torre principal e construiu alas inspiradas no Renascimento, mas ainda com certas características góticas.

Château de Blois
Ala Louis XII

Sendo uma mulher de cultura excepcional e à frente do seu tempo, a rainha Anne de Bretagne fez do castelo de Blois um centro não só de poder, como de cultura. Ela foi mecenas de vários artistas. No château, acontecem festas e encontros diplomáticos que entram para a história através dos cronistas da época. Só para citar alguns eventos, foi ali que aconteceu o casamento de Cesar Borgia, em 1499. E Maquiavel passa várias temporadas no castelo, entre 1501 e 1510.

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Em 1514, Anne de Bretagne morre nos seus aposentos do castelo. Pouco depois, Louis XII dá a propriedade e as terras de Blois à sua filha, Claude, que se casaria com François d’Angoulême. Este último sobe ao trono em 1515, com o nome de François I, pois Louis XII não teve filhos do sexo masculino. Assim, o Château de Blois continua como residência real.

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O novo rei faz do castelo o seu primeiro canteiro de obras. Assim como a rainha Claude, que passou a infância no lugar, François I também era bisneto de Louis I (o primeiro duque d’Orléans, lembra?) e tinha imenso carinho pela propriedade. Então, ele constrói no château uma ala onde vai testar recursos que depois serão aplicados na sua mais famosa obra: Chambord. O rei supervisionava cada etapa dos trabalhos em seus castelos.

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Ala François I

Em 1524, a rainha Claude morre, aos 25 anos. Logo em seguida, François I passa um ano prisioneiro na corte de Charles Quint, imperador do Sacro Império Romano-Germânico. Ao voltar, em 1526, ele prefere ficar na região de Paris. Apesar de transferir vários móveis e a biblioteca para o castelo de Fontainebleau, o rei não deixa de cuidar de Blois e festas continuam acontecendo ali, com a presença da corte.

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Embora não tanto quanto Louis XII e François I, o novo rei Henri II (filho de François), não deixa de realizar melhorias no château de Blois. Por exemplo, ele arruma o interior do Logis Neuf (Logis Novo), como chamavam a ala construída por seu pai. O castelo continua a receber festas e recepções. Ele e a rainha, Catherine de Médicis, visitam sempre o château, onde educam os filhos.

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E Blois continua ocupando um lugar especial no coração das rainhas da França. É no castelo que outra delas passa a infância: trata-se de Marie Stuart, rainha da Escócia, que é também rainha da França por seu casamento com François II, filho do rei Henri II. O novo soberano passa boa parte do seu breve reino, que dura pouco mais de um ano, no castelo, embora não faça nenhuma reforma significativa na construção.

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Quando François II morre, é seu irmão Charles IX que assume o trono. Mas, como o novo rei é muito jovem, é a rainha-mãe, Catherine de Médicis, que assume a regência. Blois continua residência real, abrigando a corte, que se divide em católicos e protestantes em plena Guerra de Religião. O castelo é palco de outro importante evento: o noivado de Henri de Navarre com Marguerite de Valois (a rainha Margot). É no casamento deles, realizado em Paris em 24 de agosto de 1572, que ocorre o massacre de Saint-Barthélemy.

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O castelo continuou importante durante o reinado de Henri III. Em 1588, ele reúne ali pela segunda vez – a primeira havia sido em 1576, também no château – os États Généraux (Estados Gerais), uma reunião com os nobres mais poderosos, para discutir as Guerras de Religião, que há anos devastava a França. Um dos chefes dos católicos era o duque de Guise, rival do rei. O soberano, ao não conseguir neutralizar a influência do adversário, resolve, então, matá-lo. E o assassinato ocorre, em 23 de dezembro de 1588, ali mesmo no château, no quarto de Henri III.

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Moeda de prata representando Henri III – Toulouse, 1581

Fingindo reconciliar-se com Guise, o rei o chama ao seu gabinete. Para chegar ao cômodo, o duque deve atravessar o quarto do monarca. É quando ele é atacado por vinte espadachins da guarda pessoal do rei. Após vagar pelo cômodo, ele cai morto aos pés da cama de Henri III. Dizem que o soberano, ao sair do gabinete e ver o duque morto, teria exclamado: “Meu Deus, como ele é grande! Ele parece ainda maior morto do que vivo.” No dia seguinte, o irmão do duque, o cardeal de Guise, que estava preso, também seria assassinado a mando de Henri III.

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Este assassinato, que pioraria a guerra e provocaria o próprio assassinato do rei, em Saint-Cloud oito meses depois, contraria Catherine de Médicis. A rainha-mãe, com 75 anos, uma idade avançada para a época, morre em 03 de janeiro de 1589, no castelo de Blois, apenas alguns dias depois da morte do duque de Guise.

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Com a morte de Henri III, que não tinha herdeiros, Henri de Bourbon, rei de Navarre, sobe ao trono com o título de Henri IV. O novo monarca passa temporadas no castelo entre 1589 e 1599. Ele tem projetos para o château e o começa com a construção de uma galeria nos jardins. Só que com seu assassinato em 1610, a grande reforma não é concretizada e, hoje, mesmo esta galeria não existe mais. No reinado seguinte, de Louis XIII, Blois perde de vez o status de residência da corte e passa a ser um lugar de exílio.

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A rainha-mãe, Marie de Médicis, viúva de Henri IV, ao tentar impor seu favorito, Concino Concini, a Louis XIII, é exilada no castelo a partir de 1617. Ela começa a construção de um pavilhão no lugar, mas, dois anos depois, entediada com o exílio, acaba fugindo com a ajuda de alguns nobres. Dizem que ela teria escapado pela janela através de uma escada de cordas. O que se sabe é que ela se aproveitou do canteiro da obra do pavilhão que construía para escapar. O episódio serviu de tema para um dos quadros realizados por Rubens para a série La Vie de Marie de Médicis, destinado ao Palais du Luxembourg e que hoje está no Louvre. Após esta peripécia, Louis XIII e a mãe se reconciliam, mas temporariamente.

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Alguns anos depois, um novo exílio no castelo. Desta vez de Gaston d’Orléans. Irmão do rei e duque de Orléans, ele era então herdeiro do trono e vivia em conflito com o soberano. Após mais um complô, o rei decide exilá-lo em Blois, em 1634, depois de ter dado a propriedade para ele.

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Maquete com o castelo encomendado por Gaston d’Orléans

Então, o duque resolve fazer uma grande reconstrução no château e começa os trabalhos com a construção de uma ala em estilo clássico a partir de 1635. O arquiteto contratado é um dos maiores da época: François Mansart. Porém, três anos depois, com o nascimento de Louis XIV, em 1638, Gaston deixa de ser herdeiro do trono e atrasa o pagamento dos trabalhadores. Assim, a obra é deixada inacabada e, felizmente, o projeto não foi adiante, pois ele previa a destruição das alas construídas por Louis XII e François I.

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Ala Gaston d’Orléans

Novamente exilado em Blois em 1652, Gaston decide viver na ala François I e não continuar com a reconstrução. Ele começa uma coleção de curiosidades da natureza, antiguidades e medalhas, que instala no castelo. Com a sua morte, em 1660, a propriedade volta para a Coroa, assim como as suas coleções.

Château de Blois

Durante o reino de Louis XIV, o castelo é pouco visitado pela corte. O rei prefere ir a Chambord. Mas, por outro lado, várias personalidades visitam o château de Blois, como, por exemplo, La Fontaine. Durante o século XVIII, a propriedade acolhe novos exilados, principalmente poloneses. Um deles é o rei da Polônia, Stanislas Leszczynski, sogro de Louis XV, e que passa alguns dias no castelo, em 1725, antes de ir para Chambord. Depois, ele seria exilado em Nancy e se tornaria duque de Lorraine. Nos anos seguintes, o château de Blois seria dividido em apartamentos destinados à guarda oficial e aos nobres com dificuldades econômicas.

Château de Blois

Em 1788, o rei Louis XVI coloca vários castelos à venda, com o objetivo de suavizar as despesas do Reino. E autoriza os compradores a demolirem as propriedades. Mas, felizmente, o Château de Blois fica sem comprador e é, então, dado ao Exército. A propriedade é ainda uma caserna quando Napoleão resolve cedê-la para a cidade de Blois, em 1810.

Château de Blois
Vista de Blois a partir do terraço do castelo

Em 1840, o Château de Blois é inscrito na primeira lista dos Monumentos Históricos da França. Três anos depois, em 1843, o município pede ajuda ao Estado para restaurar o castelo. A intenção era instalar um museu na ala François I. O arquiteto Félix Duban é nomeado para a tarefa e, assim, tem início uma das primeiras e mais fascinantes histórias de restauração de um monumento na França. O castelo está em um estado lamentável, com a ala Gaston d’Orléans inacabada e as alas Louis XII e François I divididas. Fora as esculturas e símbolos reais que haviam sido destruídos na Revolução Francesa.

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A Façade des Loges – Ala François I

Os trabalhos vão de 1845 até 1870, com uma pequena interrupção de quatro anos por causa da Revolução de 1848. Félix Duban se apóia em gravuras e relatos antigos sobre o castelo e sobre os monumentos góticos e renascentistas franceses em geral. Ele tenta fazer uma restauração o mais fiel possível, sendo um dos primeiros a reconhecer a importância dos monumentos históricos. Também é um dos primeiros a usar a fotografia como suporte para seus trabalhos de restaurador.

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Porém, Duban morre durante a restituição do interior do castelo. Quem o substitui é Jules de La Morandière, amigo e aluno. Ele supervisiona os anos finais de trabalhos.

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Vista de Blois a partir do castelo

Uma segunda onda de restauração acontece de 1880 a 1913. A missão é confiada a Anatole de Baudot, arquiteto e inspetor dos Monumentos Históricos, que termina a restauração das fachadas. Ele é sucedido por Alphonse Goubert, que se encarrega da restauração e finalização da ala Gaston d’Orléans, de acordo com o projeto de Mansart.

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Desde 1990, uma nova restauração vem sendo feita no Château de Blois. Ela começou com a ala François I e agora trabalhos vêm sendo feitos em outras partes do castelo.

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A visita
O Château de Blois é praticamente a porta de entrada do Vale do Loire. Ele é muito fácil de ser visitado, pois fica dentro da cidade de mesmo nome. Mas, muitas excursões não contemplam a visita, focando nos castelos que ficam fora das áreas urbanas. Então, a melhor forma de conhecê-lo é de maneira independente, indo de trem até a cidade de Blois.

Château de Blois

O Château é composto por três alas que são um resumo da arquitetura francesa dos séculos XV ao XVIII. A ala Louis XII é um resumo do final da Idade Média e começo do Renascimento. A ala François I tem os principais elementos do primeiro Renascimento e inovações que vemos também no castelo de Chambord, construído alguns anos depois. Já a ala Gaston d’Orléans tem as características da arquitetura clássica francesa, que vemos mais tarde em castelos construídos principalmente por Louis XIV.

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1) Aile Louis XII (Ala Louis XII) – Foi construída no estilo Gótico Flamboyant entre 1498 e 1501, pelo rei Louis XII. Apesar do estilo ainda medieval, caracterizado pelo telhado em ardósia e a presença lucarnas, vemos nela os primeiros sinais da influência italiana do Renascimento, como, por exemplo, a repartição das salas do interior e as galerias. Os materiais usados são tijolo e pedra, que dão uma constituição sólida e de muito bom gosto à construção. As cores dos tijolos (pretos e vermelhos) combinadas com as cores do teto em ardósia dão um belo colorido à ala, típico do final da Idade Média.

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A fachada que dá para a Place du Château (entrada do castelo), é ritmada por tramos de janelas altas coroadas por lucarnas, onde vemos os brasões e iniciais dos soberanos: L de Louis e o A de Anne de Bretagne. Sabemos onde eram os quartos do rei e da rainha por causa da presença das sacadas.

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Acima do portal, há um nicho com a estátua esquestre de Louis XII. O soberano está vestido com uma armadura e em uma pose solene, e o cavalo levanta as duas patas do mesmo lado, o que reforça a ar de poder da escultura. A original foi destruída durante a Revolução Francesa. Esta que vemos hoje é uma cópia de 1857, obra de Charles Seurre, feita durante as restaurações de Duban.

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No lado interno, a fachada é mais leve e forma no térreo um pórtico aberto e no primeiro andar uma galeria fechada, que alterna pilares esculpidos com candelabros e colunas que levam os emblemas reais. Nas duas extremidades, torres que abrigam escadas em caracol. A da esquerda abriga a escadaria de honra. Os elementos góticos, como as lucarnas em forma de pináculo e elementos decorados com personagens e animais se misturam com decorações típicas do Renascimentos, como, por exemplo, guirlandas, candelabros ou golfinhos.

Château de Blois

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Lucarnas

Várias locais da ala estão decoradas com um porco-espinho coroado, que era o emblema de Louis XII e o arminho, símbolo de Anne de Bretagne. As salas desta parte do castelo hoje são ocupadas pelo Musée de Beaux-Arts, sobre o qual falaremos mais tarde. Até hoje não se sabe quem foi o arquiteto da ala Louis XII. Mas algumas pesquisas apontam para Colin Biart, que, na época, havia declarado ter participado da construção do castelo e cujo nome consta nos registros da cidade de Blois.

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2) Aile François I (Ala François I) – Como o nome diz, ela foi construída sob as ordens do monarca seguinte, François I, logo no começo do seu reinado, em 1515. A inspiração da ala é claramente renascentista: o soberano era um apaixonado pela Itália e, assim como seus predecessores, trouxe para a França artistas italianos para trabalhar em suas construções.

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Não se sabe ao certo o arquiteto da ala. Mas, como François I era conhecido como o “roi bâtisseur” (rei construtor), ele supervisionou cada etapa da obra e deve ter dado instruções precisas para a construção. O que se sabe é que a realização foi confiada a Jacques Sourdeau, mestre de obras na cidade de Blois, desde 1502. O material usado é a tufa calcária, pedra típica da região.

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A Salamandra, símbolo de François I

Considerada obra-prima do Renascimento na França, a ala François I foi construída em parte do antigo castelo defensivo e se apóia mesmo em uma parte da parede da construção medieval. Ela apresenta aspectos diferentes entre a fachada para a rua, que é a que vemos quando chegamos da estação, e a que dá para o pátio.

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No lado do pátio, a fachada é mais maciça, com alguns elementos ainda medievais, como os altos telhados e a presença de gárgulas e lucarnas. Ela é servida por uma torre de escadaria de forma poligonal. É nessa escadaria e na decoração da fachada que as inovações, inspiradas na Itália, estão presentes. A presença de conchas e puttis (crianças nuas) como elementos decorativos é tipicamente do Renascimento e se inspira na Antiguidade. Também encontramos candelabros, também influência renascentista, na decoração.

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A escadaria em caracol é marcada por aberturas em forma de loggia, também inspiração italiana, assim como sua decoração. Esses terraços permitem ver e ser visto. Então, tanto as pessoas poderiam ver, desde o pátio, o rei subir as escadas; quanto elas também poderiam, a partir dos terraços da escadaria, ver as festas organizadas lá embaixo, no pátio. Tanto na fachada quanto na escadaria, emblemas reais: a salamandra, de François I, além do monograma F, do rei, e C, da rainha Claude. A escadaria originalmente ocupava o centro da fachada, mas com a destruição da parte oeste por Gaston d’Orléans, ela parece mais à esquerda.

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A facade des Loges (Fachada de Loges) – É a fachada da ala François I que fica voltada para a rua, que fica mais abaixo. Na verdade, ela era voltada para os jardins, criados por Louis XII e que hoje não existem mais. Ela tem esse nome porque se inspira nos Loges do Palácio do Vaticano, construídos por Bramante. No entanto, em Blois, os terraços não têm regularidade e não se comunicam entre si. Nos andares inferiores, a decoração dos parapeitos é composta por emblemas do rei; da sua mãe, Louise de Savoie; e de sua esposa, Claude. Já na parte superior, na guarita, a decoração é em alto relevo e mostra os trabalhos de Hércules.

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Os trabalhos de Hércules

Térreo
a) Salle des États (Sala dos Estados) – Foi construída no começo do século XIII, pelo conde Thibaut IV. Com 30 metros de comprimento por 18 metros de largura, é uma das maiores salas góticas que ainda restam na França. Apesar de medieval, ela leva esse nome porque foi ali que os nobres se reuniram duas vezes por ocasião dos États Généraux, convocados por Henri III, em 1576 e 1588.

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Ela é composta por duas naves cobertas por abóbadas cilíndricas decoradas, separadas por seis arcos, recebidos por cinco colunas com capitéis ricamente esculpidos. Somente a pequena janela é original. As outras, maiores, foram construídas no século XV.

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A Salle des États foi restaurada por Félix Duban entre 1861 e 1866. A decoração da sala foi obra dele, apoiada em estudos sobre a época medieval. Ou seja, o que vemos hoje, como as pinturas das paredes, as flores de Lis pintadas nos lambris, a escadaria, os vitrais com emblemas de Louis XII e Anne de Bretagne e o pavimento em terracota colorida, foram obras realizadas por artesãos do século XIX sob a batuta de Duban. É uma decoração próxima à usada na restauração da Sainte-Chapelle, também realizada pelo arquiteto. A estrutura de madeira do telhado é original e foi sua análise que tornou possível saber o ano exato de construção da sala: 1214.

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b) Salles d’Interpretation du monument – São salas dedicadas a mostrar a evolução do château. Com a ajuda de maquetes, mesas interativas, vídeos, painéis, etc., podemos entender a história e arquitetura do castelo. Ao sairmos destas salas, encontramos uma fonte monumental de mármore, com os emblemas da Louis XII e Anne de Bretagne. Ela foi construída em 1503, em Tours, por artesãos italianos.

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c) Musée Lapidaire – Desde 1921, funciona no lugar das antigas cozinhas do castelo. Hoje essas salas são chamadas principalmente Salles d’Architecture (Salas de Arquitetura). São compostas por esculturas monumentais retiradas das fachadas na época das várias restaurações do castelo, e também por moldes de gesso dessas esculturas ou de outros detalhes decorativos, usados antes da restauração para fazer as cópias ou para estudos.

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Primeiro andar
A partir deste andar ficam os apartamento reais, isto é, os aposentos usados pelo rei e a rainha. A arrumação que vemos hoje foi estabelecida durante a restauração do século XIX, com base em documentos e gravuras. A pintura decorativa das paredes foi baseada em iluminuras – pinturas ou desenhos que decoravam os textos em manuscritos – do Renascimento. Com as diversas transformações que o castelo sofreu a partir do final do século XV, não se sabe bem como eram os cômodos antes disso.

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d) Salle du Roi (Sala do Rei) – Até a restauração desta ala, em 1845, esta sala era dividida em duas. Este era o cômodo de aparato do soberano, isto é, onde ele recebia os visitantes e realizava audiências. Também era onde o monarca fazia as refeições.

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As duas chaminés e a porta são da época de construção da ala por François I, em 1515. É uma sala que lembra o poder, por isso a presença do trono decorado com uma flor de lis, símbolo da monarquia francesa. Móveis, objetos preciosos e tapeçarias, tudo lembra o poder real. E como naqueles tempos, a corte viajava de castelo em castelo, um dos móveis mais importantes era o baú. E aqui na sala tem um da época, feito em Toledo, na Espanha. Vários obras de arte retratam François I, todas do século XIX.

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O baú do século XVI

e) Salle des Valois (Sala dos Valois) – Valois é o nome da dinastia francesa no poder do século XIV até o XVI. Era a família que reinou na França durante o Renascimento, por isso, esta sala é uma celebração ao período. Nela, uma sequência de bustos mostra os soberanos do século XVI, começando por Louis XII e terminando com Henri IV, este último já na dinastia dos Bourbons.

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O cômodo mostra o papel de François I no Renascimento: homem letrado, era um amante das artes e foi mecenas de vários artistas. Um exemplo foi o apoio que deu a Leonardo Da Vinci, trazendo-o para a França, onde o artista viveu os últimos anos de vida. Para ressaltar este fato, a sala abriga uma réplica do São João Batista de Da Vinci, executada no século XVII. Como o rei era também um amante da Antiguidade, réplicas de estátuas antigas ficam em vários lugares do cômodo.

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f) Galerie de la Reine (Galeria da Rainha) – Ela data do século XVI e liga os espaços públicos aos cômodos mais privados. Mas não é um cômodo simplesmente para passagem. Ele abrigava, também, festas e recepções. Os quadros dessa peça mostram os costumes festeiros da Corte e são também do século XVI.

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Uma curiosidade da sala é a coleção de retratos, vindos do castelo de Beauregard, ali perto. Eles mostram homens e mulheres ilustres no mundo da Arte e Literatura, da Antiguidade até a Renascença. Este tipo de pintura conhece um verdadeiro sucesso na época do Renascimento.

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g) Garde robe de la Reine (Guarda-roupa da Rainha) – O nome dá ideia de um cômodo de serviço. Mas, no século XVI, ele servia também para receber convidados e era o principal espaço privado dos apartamentos reais, no caso aqui, era o da rainha.

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A sala mostra várias rainhas que passaram pelo castelo: Anne de Bretagne, Claude de France, Marie Stuart, Marguerite de Valois (a rainha Margot) e Marie de Médicis.

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Busto da rainha Claude, esposa de François I – cópia baseada no seu túmulo na Basílica de Saint-Denis

h) Chambre de la Reine (Quarto da Rainha) – Segundo a tradição, foi aqui que morreu Catherine de Médicis, em 05 de janeiro de 1589. Na verdade, a soberana morreu aqui no castelo de Blois, em seu quarto, mas não se sabe ao certo se o quarto ficava exatamente neste lugar. Em todo o caso, ele é retratado fielmente como na época da rainha.

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Monogramas do casal real decoram as paredes: o H do rei Henri II, marido de Catherine, e os dois Cs da rainha, entrelaçados. Mas a curiosidade do cômodo é um quadro de Lavinia Fontana retratando Antonietta Gonzalez. Nascida nas Canárias, a menina sofria de uma doença congênita que lhe cobria o corpo e rosto de pelos. Criada na Corte de Henri II, ela vivia entre os nobres como um objeto de curiosidade, assim como os anões na época.

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Lavinia Fontana – Portrait d’Antonietta Gonzalez, 1595

i) Oratoire (Oratório) – A religião ainda ocupava um espaço muito grande na sociedade no século XVI. Os soberanos assistiam à Missa na capela, mas também possuíam um cômodo que lhes servia de oratório particular. Este é o de Catherine de Médicis.

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Há o Triptyque de deuil (Tríptico de Luto), que mostra a rainha rezando diante do altar. Esta é uma peça de grande valor, pois alguns elementos são época da soberana. Já os vitrais são do século XIX, e foram encomendados por Duban na época da restauração do castelo. Eles são obra de Claudius Lavergne, feitos a partir dos desenhos de Michel Dumas. Eles retratam santos padroeiros das mulheres da família Valois, como, por exemplo, Sainte Catherine.

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j) Studiolo – Este cômodo é de inspiração italiana. Ele servia para guardar as coleções dos reis e nobres, mas também era destinado à leitura, ao trabalho, à poesia, à meditação, entre outros usos. Este foi criado em 1520, por François I, e é o único que ainda existe na França.

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Porém, anos mais tarde, ele foi integrado aos apartamentos da rainha Catherine (nora de François I) e, assim, usado por ela. Então, a restauração do cômodo foi feita considerando o uso do studiolo pela soberana. Por isso é também chamado de Gabinete da Rainha e a decoração leva os emblemas dela e do marido, o rei Henri II.

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É bem interessante observar a peça: ela é decorada por 180 painéis de carvalho esculpidos, coloridos, que escondem vários armários secretos. Catherine de Médicis foi uma rainha culta e astuta. Ela governou na minoridade de Charles IX e foi conselheira dos três filhos enquanto reis. Mas era uma mulher de personalidade forte e uma lenda negra foi difundida em torno da personagem. Assim, muitos acreditavam e ainda acreditam que ela escondia venenos nos armários do studiolo. Mas na verdade, ele servia para guardar joias, obras de arte e coleções da rainha. Podemos abrir estes armários e ver alguns destes objetos.

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Segundo andar

Uma escada em caracol permite chegar ao segundo andar da ala François I. É a continuação dos apartamentos reais, mas, desta vez, os aposentos fazem referência a Henri III. Outras salas são dedicadas à restauração do castelo. A disposição dos cômodos é a mesma que no andar inferior.

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k) Chambre du Roi (Quarto do Rei) – A restauração de Félix Duban respeitou completamente a disposição dos aposentos reais. Assim como nos outros cômodos, um mobiliário da época, ricamente trabalhado, foi reunido ali.

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Foi neste aposento que aconteceu o assassinato do duque de Guise (que foi contado no começo deste texto), em 23 de dezembro de 1588. Um quadro com os três irmãos Guise, feito enquanto ainda estavam vivos, está ali para lembrar o evento. Há também um retrato do rei, realizado em 1817, obra de Pierre Castan.

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Artista desconhecido – Les Trois Guise – 1588. No meio, o duque de Guise; à esquerda, Charles de Guise, duque de Mayenne; e á direita, o cardeal de Guise.

l) Cabinet des Guerres de Religion (Gabinete das Guerras de Religião) – Esse conflito entre católicos e protestantes devastou a França durante boa parte do século XVI, provocando o assassinato de vários nobres e até de reis, como o próprio Henri III e seu sucessor Henri IV. Este aposento tem algumas armas de fogo expostas, que mostram a violência presente nesta guerra. Há também espadas e lanças, que lembram as armas empregadas, respectivamente, no assassinato do duque de Guise e no do seu irmão, o Cardeal de Guise.

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m) Cabinet de l’Etiquette (Gabinete da Etiqueta) – Henri III foi um monarca considerado excêntrico. Ele instituiu uma série de usos e costumes para controlar o acesso dos súditos à sua pessoa. O intuito era reforçar a autoridade real. Estes códigos de etiqueta mais tarde seriam utilizados como modelo para Louis XIV, ao implantar o seu modelo de Absolutismo.

Château de Blois
Foto cedida pelo Château Royal de Blois. (c)F. Lauginie

n) Belvédère des Jardins (Mirante dos Jardins) – Era uma antiga torre medieval, que foi transformada em gabinete no século XVI. Hoje a vista dá para a cidade, mas, na época, eram os grandes jardins do castelo que podiam ser admirados a partir do cômodo. Esta sala está em restauração e vai ser reaberta em 1 de maio de 2017.

Château de Blois
Está vendo aqueles arbustos? O jardim do castelo passava por ali e ia até onde hoje é a estação

o) Salle du Conseil (Sala do Conselho) – Na época dos reis, era ali que o Conselho, formado por alguns nobres e o rei, se reunia algumas vezes por semana, quando o soberano estava no castelo. Hoje, a sala abriga vários quadros invocando as Guerras de Religião, principalmente a parte final, que vai de 1585 a 1598 e que envolve os reinos de Henri III e Henri IV.

Château de Blois

As Guerras de Religião e o assassinato do duque de Guise foram fontes de inspiração para vários artistas. Na sala, há uma obra famosa: L’Assassinat du Duc de Guise, de Paul Delaroche, do século XIX. Já no começo do século XX, o cinema, que nascia, também utiliza o tema. Podemos ver extratos do filme La Mort du duc de Guise, de 1908, realizado por André Calmettes e Charles Le Bargy. Esta foi a primeira obra da Société du film d’art.

Château de Blois

p) Cabinet Neuf (Gabinete Novo) – Ele leva este nome porque é uma lembrança da presença de Gaston d’Órleans no castelo, já no século XVII. Assim como no restante do château, a reconstituição do cômodo foi realizada com o máximo de fidelidade possível por Félix Duban. Um retrato de Gaston criança, realizado por Frans Pourbus Le Jeune, decora o gabinete. Um trabalho de restauração tem sido feito e a sala ficará pronta agora na primavera de 2017.

Château de Blois
Detalhes do teto

Era nesta sala que o nobre guardava suas coleções, principalmente de História Natural. Hoje, vemos uma coleção de relógios fabricados em Blois nos séculos XVI e XVII. É neste cômodo que Gaston d’Órleans morre, em 02 de fevereiro de 1660.

Château de Blois

q) Galerie Duban (Galeria Duban) – Como o nome indica, aqui o tema tratado é a restauração do castelo no século XIX. Na verdade, este cômodo foi uma criação do arquiteto, para repetir no segundo andar a galeria presente no primeiro.

Château de Blois

A decoração é diferente dos outros cômodos. O gabinete de trabalho de Félix Duban é reconstituído aqui. Várias vitrines mostram e explicam as pesquisas que ele fez para restaurar o castelo da forma mais fiel possível à época em que ele era habitado pela realeza. Há, inclusive, fotografias do château de Blois realizadas antes e na época da restauração do monumento. Assim como os aparelhos de fotografia usados na época.

Château de Blois

Château de Blois

r) Salle Néo-Renaissance (Sala Neorrenascimento) – Este cômodo mostra a redescoberta do Renascimento no século XIX e como ele influenciou as artes na época, principalmente na fabricação de móveis, cerâmicas, faianças e porcelanas.

Château de Blois

Em 1862, Ulysse Besnard abriu em Blois uma fábrica de louças, que segue esta moda de inspiração no Renascimento. Exemplares de várias peças desta coleção decoram a sala. Grande parte dos móveis e objetos apresentados aqui foram premiados nas Exposições Universais realizadas no século XIX e em 1900.

Château de Blois

3) Aile Gaston d’Orléans (Ala Gaston d’Orleáns) – Como vimos na história do Château de Blois, Gaston d’Orléans foi exilado no castelo por causa de conspiração contra o rei e seu irmão, Louis XIII. Ele havia recebido a propriedade como presente algum tempo antes. Então, ele resolve destruir o château e construir um novo. Para isso, ele contrata François Mansart, arquiteto da Coroa e um dos mais famosos da época.

Château de Blois

Felizmente, ele não consegue seguir seu plano até o final, mas uma ala é construída entre 1635 e 1638, em estilo clássico e de aspecto monumental. Dois largos pavilhões emolduram uma construção central em avançamento (avant-corps em francês). Nesta parte voltada para o pátio, a fachada é ritmada ainda pelas ordens dórica, iônica e coríntia, que se sobrepõem.

Château de Blois

Além da sobreposição de colunas, a fachada tem dois frontões. Todos esses elementos decorativos levam o olhar para acima do segundo frontão, onde está um busto monumental de Gaston d’Orléans. Este que vemos hoje é uma réplica do século XIX, pois o original foi destruído na época da Revolução Francesa.

Château de Blois

A parte de trás da fachada, que dá para o exterior, é mais sóbria e simples. Neste lado, não há o andar de ordem dórica devido a uma diferença de nível em relação ao pátio. Ele é substituído por uma plataforma elevada.

Château de Blois
A parte da maquete que mostra como seria a parte de trás completa do castelo de Gaston d’Orléans

O vestíbulo é o cômodo mais avançado. O tratamento é suntuoso, embora a decoração tenha permanecido inacabada. Ela é inspirada em elementos da Antiguidade, como guirlandas, troféus, máscaras, etc. e foi realizada pelos maiores escultores da época.

Château de Blois

O cômodo é encimado por uma dupla abóbada: a primeira com uma abertura que deixa ver a segunda, esta última em forma oval. Este sistema cria um jogo interessante de luz e sombra. Outro destaque é a grande escadaria principal, que foi terminada somente em 1932, seguindo os planos originais de Mansart.

Château de Blois

4) Chapelle Saint-Calais (Capela Saint-Calais) – Construída no mesmo período da ala Louis XII (final do século XV) e consagrada em 1508, a capela era formada por um peristilo no térreo e por uma galeria no primeiro andar. Porém com os trabalhos do século XVII e XIX, ela perdeu a nave e vários outros elementos. Hoje, só resta o coro.

Château de Blois

A fachada atual, com emblemas de Louis XII e Anne de Bretagne, foi obra da restauração de Duban. Ele usou elementos do Gótico Flamboyant. O interior possui uma abóbada também do mesmo estilo, com uma rica decoração em pintura. Junto com o pavimento, são os únicos vestígios da decoração de Félix Duban.

Château de Blois

Acontece que, além das amputações devidas aos trabalhos dos séculos anteriores, a capela também foi atingida, em 1944, por bombardeios na Segunda Guerra Mundial. Assim, em 1957, vitrais de Max Ingrand substituem os antigos, que haviam sido destruídos. Eles contam a história de Blois.

Château de Blois

Ainda no interior, há uma bela Pietà, do século XV, além de um quadro de Charles Michel, realizado em 1901. Ele mostra Joana d’Arc mandando benzer sua bandeira na Collégiale Saint-Sauveur, igreja que ficava ali na frente do castelo e foi destruída na Revolução.

Château de Blois
Charles-Henri Michel – Jeanne d’Arc faisant bénir son étendard à Blois , século XIX

5) La Tour du Foix et la Terrasse du Foix (A Torre e o Terraço do Foix) – É uma das torres do antigo castelo medieval, do século XIII, quando era ainda a época dos condes. Ela tem quatro andares e em três deles as salas têm abóbadas.

Château de Blois

No século XVII, Gaston d’Orléans manda construir um cômodo no topo da torre, que utiliza como observatório astronômico. Para chegar até ali, ele manda construir também uma pequena torre em madeira apoiada na Tour du Foix para servir como escadaria.

Château de Blois

Já o terraço oferece uma bela vista da cidade de Blois e do rio Loire. Alguns bancos foram colocados ali e é uma delícia descansar em um deles após uma visita ao castelo. Também estão dispostos no lugar alguns elementos do antigo castelo.

Château de Blois

6) Musée des Beaux-Artes (Museu de Belas Artes) – Fica no primeiro andar da ala Louis XII (que descrevi mais acima). A distribuição dos cômodos é a mesma na época do monarca, mas a decoração foi toda realizada na restauração de Félix Duban.

Château de Blois

O museu foi criado em 1869 e abriga obras importantes que vão do século XV ao XX. Esta coleção foi sendo aumentada desde então de acordo com doações e compras. Há quadros, tapeçarias, esculturas e até decorações de antigos palacetes de Blois. Há obras de artistas conhecidos, como Rubens, Van Loo, Daubigny e de outros menos conhecidos.

Château de Blois

Uma grande parte do acervo é dedicada à arte realizada na cidade nos tempos em que os reis franceses moravam no Château de Blois. Outra parte é composta por obras executadas por artistas nascidos na região, em diferentes épocas.

Château de Blois
Louis Leconte de Roujou – Vue de Blois, 1850

7) Espetáculo Son et Lumière – Durante o ano todo, vários eventos acontecem no castelo, voltados a todas as idades. Mas, o mais longo e importante deles é o espetáculo de Son et Lumière (som e luz). Ele acontece de abril a setembro, logo que o sol se põe.

Château de Blois

Durante 45 minutos, as fachadas do Château de Blois são iluminadas por projeções de luz e efeitos especiais, enquanto a história do castelo é contada. O som original é em francês, mas podemos pegar audioguias em outras línguas, incluindo o português com sotaque brasileiro.

Château de Blois

É um espetáculo impressionante. Uma super equipe de especialistas em diversas áreas técnicas é responsável pela sua realização e cada desenho projetado na fachada leva mais de um ano para ficar pronto. O som deve estar em perfeita sincronia com as imagens, por isso, antes e depois de cada exibição é feito um teste onde cada “quadro” é exibido e testado junto com o respectivo som. Eu fiquei ao final de uma exibição para ver os testes e saí do castelo às duas da manhã. Fora que a sincronia entre as projeções (quadros) e o som também deve estar presente nas línguas dos audioguias. Então, imagine o trabalho que dá.

Château de Blois

Assim, se você estiver na cidade e for visitar o Château de Blois, entre abril e setembro, aconselho mesmo a ficar para o espetáculo de Son et Lumière. É uma experiência incrível.

Château de Blois

Château de Blois
6 Place du Château
41000 Blois
Horários: Aberto o ano todo. De 02 de janeiro a 31 de março e de 06 de novembro a 31 de dezembro, das 10h às 17h. De 1º de abril a 30 de junho e de 1º de setembro a 5 de novembro, das 9h às 18h30. De 1º de julho a 31 de agosto, das 9h às 19h.
Tarifas: adulto, 10,50 euros. Reduzida: 8 euros. Crianças de 6 a 17 anos: 5 euros. Gratuito para menores de 6 anos.
Audioguia para visita do castelo: 4 euros.
Há vários tipos de visita guiada, com diferentes preços. Para saber mais, acesse a página do Château de Blois.
Há também um passe que permite a visita de vários castelos sem pegar fila. É o Pass’Châteaux, que possui 15 fórmulas de visita. O passe vale por um ano para pessoas com mais de 26 anos. Você pode comprar online no site do Office de Tourisme de Blois-Chambord, na própria sede do Office de Tourisme ou em alguns castelos. Saiba mais aqui neste site

Château de Blois
Mais uma vista da cidade de Blois a partir do castelo

Espetáculo Son et Lumière
De 1º de abril a 24 de setembro de 2017. Menos 21 de junho e 13 de julho.
Horários: em abril, maio e setembro, às 22 horas. Em junho, julho e agosto, às 22h30.
Tarifas: adultos, 5,80 euros. Reduzida: 7 euros. Crianças de 6 a 17 anos, 5 euros. Crianças até 6 anos, gratuito.
Combinado com a entrada do castelo: adultos, 16 euros. Reduzida: 12 euros. Crianças de 6 a 17 anos: 7 euros. Gratuito para menores de 6 anos.
Audioguia em nove línguas, incluindo o português (sotaque brasileiro): gratuito. Mas leve fone de ouvido, senão, os fones custam 2 euros (e você fica com eles).

Château de Blois
O Rio Loire fica pertinho do castelo

Para ir ao Château de Blois
Em Paris, na Gare d’Austerlitz, pegar o trem para a estação Blois-Chambord. A viagem dura entre uma hora e meia (trens diretos) ou duas horas (com uma troca de trem). Também dá para sair da Gare Montparnasse. Nesse caso, os trens não são diretos e a viagem dura cerca de 2 horas. Saiba mais sobre as opções e preços no site da SNCF, a companhia de trens francesa.

Château de Blois

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Renata Rocha Inforzato

<p>Sou de São Paulo, e moro em Paris desde 2010. Sou jornalista, formada pela Cásper Líbero. Aqui na França, me formei em História da Arte e Arqueologia na Université Paris X. Trabalho em todas essas áreas e também faço tradução, mas meu projeto mais importante é o Direto de Paris. Amo viajar, escrever, conhecer pessoas e ouvir histórias. Ah, e também sou louca por livros e animais.</p>

Comentários (14)

  • Natalie Responder    

    13 de Fevereiro de 2017 at 16:47

    Oi, Renata. Tudo bem? 🙂

    Seu post foi selecionado para o #linkódromo, do Viaje na Viagem.
    Dá uma olhada em http://www.viajenaviagem.com

    Até mais,
    Bóia – Natalie

  • Fernanda - Blog Tá indo pra onde? Responder    

    15 de Fevereiro de 2017 at 20:19

    A louca dos castelos aqui pirou!!! hahahaha Vc tá querendo muito que tire a ideia da viagem pro Vale do Loire do papel né? rs Cada vez que entro aqui, descubro ou lembro de mais um motivo pra ir logo!!! rs

  • Francisco Agostinho Responder    

    1 de Abril de 2017 at 17:05

    Fantástico! Já tenho posto o olho aqui ou ali em revistas acerca do Vale do Loire. Gostave de ir um dia, espero em breve! Obrigado pelo seu post!

  • Danielle Bispo Responder    

    1 de Abril de 2017 at 18:14

    Renata que post completíssimo! Adoro a França em geral e o Vale está nos meus planos de futuro retorno ao país. Obrigada por compartilhar tanto conhecimento.
    bjs
    Dani Bispo
    abolonhesa.com

  • Ana Responder    

    2 de Abril de 2017 at 10:55

    Este post é uma autêntica viagem pela história do Chatêau de Blois! Ainda não conheço, na verdade ainda nem sequer estive nessa zona de França, mas fiquei bem interessada em conhecer. Adoro sítios com história!

  • Analuiza (Espiando Pelo Mundo) Responder    

    2 de Abril de 2017 at 13:18

    Adoro lugares assim, que carregam o peso de um passado repleto de histórias de assassinatos, traições, resistência, nascimentos e renascimentos, amores, vidas e arte… Imagine só estar em um lugar por onde passou Joana d’Arc?! Sensacional!

  • Poliana Fabíula Cardozo Responder    

    3 de Abril de 2017 at 14:12

    Uau, post super detalhadinho, obrigada por compartilhar!
    Adorei as vistas do terraço e os pisos do castelo. Quanta lindeza 🙂

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