Histórias de viagem

Um encontro inusitado em Tours

30 de dezembro de 2021

Last Updated on 30 de dezembro de 2021 by Renata Rocha Inforzato

Este é um texto diferente. Desta vez vou contar um episódio muito legal, um encontro que aconteceu comigo uns anos atrás. Então, se você gosta de histórias de viagens, não saia daqui.

Encontro

Já escrevi uma crônica aqui antes sobre a minha viagem à Île de Groix. Como teve gente que me escreveu dizendo que gostou, aí resolvi contar esta. Ela aconteceu uns anos antes, na cidade de Tours, no Vale do Loire. As fotos deste texto, aliás, são de lá.

Tours

Foi uma das minhas primeiras viagens aqui na França. O ano era 2010. Sempre gostei de História e de castelos, então, o Vale do Loire era o lugar perfeito para uma viagem em setembro, fora da época de férias e com tempo bem agradável. Escolhi um hostel barato, limpo e com quarto individual, bem no centro da cidade. Perfeito demais para ser verdade. Aliás, tão perfeito que não existe mais. Mas a estadia foi ótima.

encontro
Hôtel de Ville, a prefeitura de Tours

Já sabia tudo o que queria visitar na cidade. Tours é um lugar bem histórico, geralmente usado como um dos pontos de partida para visitar a região. Mas vale a pena dedicar um ou mais dias para a cidade, pois há várias atrações interessantes. E era o que eu estava fazendo.

ruas da França

Naquele dia, já havia visitado a catedral e tinha parado para comer. Normalmente, durante o dia como algo rápido e deixo para comer com calma na janta. Mas é que à tarde tinha uma visita guiada que queria fazer e, enquanto esperava, resolvi ir almoçar. Parei em um restaurante que servia muitos frutos do mar. Escolhi um peixe grelhado e comia tranquilamente, enquanto checava o meu guia Routard do Vale do Loire.

Encontro
Espetáculo de Som e Luz na catedral de Tours

Nisso, uma senhora, de uns 60 e poucos anos, que comia um imenso prato de frutos do mar em uma mesa perto da minha, se aproximou e perguntou se eu era turista. Nessa época, eu ainda estudava francês, entendia bem, mas não falava aquelas maravilhas. Respondi que sim, que era brasileira e que havia me mudado havia alguns meses para a França.

Praça Tours

Então, ela perguntou se eu queria passear com ela, logo que terminássemos de comer. Hesitei, ainda não havia pago a visita guiada que teria com o escritório de turismo da cidade, mas queria fazer a visita com eles. Só que fiquei sem graça de falar não e aceitei. Terminamos de comer, ela na mesa dela e eu na minha, pagamos a conta e saímos.

Roda gigante

Ainda bem que disse sim para esse encontro inusitado. A senhora, que se chamava Corinne, contou, então, que era historiadora aposentada e que gostava de mostrar Tours e sua história às pessoas que ela sentia que iriam gostar. E eu não gostei: Eu adorei. Foi uma visita guiada particular com uma mulher carismática, didática e que conhecia a cidade, a história e as atrações como a palma de sua mão.

Encontro
Musée de Beaux-Arts (Museu de Belas-Artes)

Me guiava pelas ruas do centro histórico e ia me apresentando às pessoas das lojas que ela conhecia. Entramos na estação e ela me explicou a história do lugar, a arquitetura e as obras que ali estão. Me levou em padarias e confeitarias e me fazia provar os pães e doces típicos de Tours. E não me deixava pagar nada.

Encontro

No final da visita, sentamos em um café e Corinne me contou um pouco de sua vida e família. Quando nos despedimos, ela me passou seu telefone, pois não tinha e-mail. Também não quis tirar fotos. Deveria ter passado meu número de telefone a ela, mas nem pensei. E ela não pediu. Até mandei mensagens para ela depois, já em Paris. Porém, passadas algumas semanas, perdi o meu celular (sou especialista em perder telefones) e, com isso, perdi o contato dela. E isso me doeu, pois sabia que Corinne não estaria na internet, apesar de tê-la procurado.

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Renata Rocha Inforzato

Sou de São Paulo, e moro em Paris desde 2010. Sou jornalista, formada pela Cásper Líbero. Aqui na França, me formei em História da Arte e Arqueologia na Université Paris X. Trabalho em todas essas áreas e também faço tradução, mas meu projeto mais importante é o Direto de Paris. Amo viajar, escrever, conhecer pessoas e ouvir histórias. Ah, e também sou louca por livros e animais.

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