Strasbourg

Strasbourg – onde o chucrute encontra o croissant

22 de outubro de 2014

Este é o último post da viagem a Strasbourg. Espero voltar para lá em breve e escrever mais sobre a cidade. Aqui vou colocar todas as atrações que visitei, mas não é um texto para impor regras. Ao contrário, espero que ele te ajude a montar seu roteiro, mas do jeito que você quiser.

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De trem, Strasbourg está situada a cerca de 2 horas de Paris. Embora muita gente faça bate e volta, eu não aconselho, pois tem muita coisa para ver. Para começar a cidade é linda: ela é banhada pelo Ill (escreve-se ILL), um afluente do rio Reno. O centro histórico fica bem numa espécie de ilhota formada por esse curso d´água. Um charme! E desde 1988 faz parte da lista de Patrimônios Mundiais da Unesco É muito fácil visitá-la a pé ou de bicicleta e pelo caminho você vai ver vários traços da tumultuada história da cidade, que vou contar agora.

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Embora no Musée Archéologique a gente veja objetos pré-históricos encontrados na região, a primeira menção sobre Strasbourg data do ano de 12 a.C., quando o local era um campo militar de legionários do Império Romano e se chamava Argentoratum. Mas não há traços visíveis na superfície da cidade que datam desta época.

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Em 451, depois de sofrer várias invasões dos povos “bárbaros”, ela é devastada pelos Hunos. Alguns anos depois, em 496, a então Argentoratum é anexada por Clóvis, considerado o primeiro rei francês.

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No século VI, ela já tem o nome de Strasbourg (Strateburgum – cidade das rotas), pela posição estratégica que ocupa. Em 842, um fato importante acontece: o juramento de fidelidade entre Charles Le Chauve e Louis le Germanique. Era parte de um pacto para se unir contra outro irmão, Lothaire, nas disputas pelas terras do império deixado pelo avô Charlemagne (Carlos Magno).

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É que quando o imperador morreu somente um de seus filhos era vivo. Então, o herdeiro, Louis le Pieux, conservou o império intacto, mas à sua morte é que começaram os problemas, pois ele tinha quatro filhos e naquela época o reino era dividido e todos herdavam. A região onde fica Strasbourg ficou com Louis le Germanique (870) e passou a fazer parte do Santo-Império Romano Germânico. Esse juramento entre os netos de Carlos Magno é o primeiro documento conhecido redigido em francês e alemão.

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Ainda na idade média, no século XIII, Strasbourg já é próspera e autônoma, mesmo ainda fazendo parte do império. É governada pelos bispos, mas os artesãos e comerciantes tomam o poder (1262). Restos da muralha desta época ainda são visíveis pela cidade. Boa parte do traçado urbano também data deste período, embora a maioria das construções que vemos hoje seja dos séculos XVI e XVII.

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A Reforma de Martinho Lutero encontra muitos seguidores na cidade a partir de 1518. Em 1529, por votação do Conselho, Strasbourg passa a ser protestante, inclusive a catedral. Mas isso só dura 20 anos, pois o imperador Carlos Quinto, em 1549, limita a autonomia da região e o culto católico volta a ser instaurado. Desde então, as duas religiões convivem bem.

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Em 1681, a cidade é novamente da França como consequência do tratado de Westphalie. No século seguinte, ela passa por trabalhos de embelezamento com forte influência francesa. É nessa época que data o Palais Rohan, inspirado nos palacetes parisienses. O estilo Rocaille (se você falar Rococó minha professora especialista no assunto te mata) se espalha pelas ruas, principalmente na decoração das casas.

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Detalhe das construções
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Palais Rohan

A Revolução Francesa não faz tantos estragos em Strasbourg, embora, em 1789, a prefeitura tenha sido saqueada. Mas a cidade vai sofrer mesmo é com a guerra entre a França e a Prússia, pois ficava bem na fronteira. Ela é bombardeada em 1870 e, com a derrota dos franceses, cai no domínio dos prussianos e torna-se a capital da Terre d’Empire d’Alsace-Lorraine. O novo governo decide, então, reconstruí-la e o novo plano de urbanismo é – quem diria – inspirado no inimigo: a reforma urbana empreendida pelo prefeito Haussmann em Paris pouco mais de duas décadas antes.

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A primeira metade do século XX é muito difícil para a cidade. Em novembro de 1918, após a abdicação do Kaiser Wilhelm II (Guilherme II), a cidade é tomada pelas tropas francesas e volta a fazer parte da França. Mas ainda não acabou.

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Um pouco antes da Segunda Guerra, em 1939, grande parte da população é transferida para o sudeste da França para fugir da ameaça alemã. Mas um ano depois, em 18 de junho de 1940, as tropas alemãs invadem a cidade. Ela é anexada ao Reich e os moradores retornam.

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A dominação dura até novembro de 1944, quando é libertada pelos franceses. A cidade é bem bombardeada e tem várias construções danificadas, como o Palais Rohan, por exemplo, que é reconstruído de maneira idêntica depois do conflito.

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Em 1949, o Conseil de l’Europe decide ter sua sede em Strasbourg. Trinta anos depois, em 1979, acontece a Primeira Sessão do Parlamento Europeu, que se fixa definitivamente na cidade em 1992. Já a Cour Européenne des Droits de l’Homme se fixa em 1995

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Algumas atrações de Strasbourg

Se você for ver tudo o que a cidade tem a oferecer, serão necessários ao menos três dias. Mas isso depende de cada pessoa. Eu fiquei quatro dias, mas meu ritmo é lento. Gosto de ver tudo com calma e visitar museus. Então, vou colocar aqui o que visitei nessa viagem, lembrando que não é uma lista exaustiva. Tem muito lugar que não menciono aqui porque não deu tempo de ir (aí vem a desculpa para voltar).

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A catedral Notre-Dame de Strasbourg – Ela foi construída em. e representa a transição dos estilos Românico e Gótico. Além da igreja, você pode visitar a plataforma, e ter uma linda visão a cidade, e o relógio astronômico. Esse monumento é tão importante para a cidade que fiz um post só sobre ele aqui.

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Perto da catedral, está aquela que era a mais antiga farmácia da França, a Pharmacie du Cerf, citada desde 1264. Hoje ela abriga a Boutique Culture, um espaço mantido pela prefeitura para a venda e promoção de atividades culturais.

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À direta da foto, na esquina, a Pharmacie du Cerf. Hoje funciona no local a Boutique Culture

Outra construção emblemática é a Maison Karmmerzell, com suas 75 janelas decoradas. O térreo dessa casa é em pedra e data do século XV. Os três andares seguintes são em enxaimel e foram construídos a partir de 1587, por um comerciante de queijos, Martin Braun. O nome Karmmerzell vem do proprietário que a comprou no século XIX, Philippe-François Karmmerzell. Porém, desde 1879, o local pertence a cidade. Hoje um restaurante funciona ali.

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Maison Karmmerzell

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A Petite France – É um bairro marcado pelo curso do Ill. É um dos locais mais bonitos de Strasbourg e, tendo a chance de ficar hospedada nele, pude passear ali durante o dia e à noite. É lindo! Porém, o nome não tem nada de bonito: é por causa de um hospital que havia no local no século XVI, onde as doenças venéreas, chamadas de mal francês por terem sido propagadas pelos militares franceses, eram tratadas.

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Ali havia pontes cobertas, construídas com a muralha do século XIII. Eram de madeira e ligavam as torres de vigilância. Mas elas hoje não existem mais, as pontes atuais são de pedra e datam de 1860-1870. Já as torres eram mais de 80, hoje são quatro: três estão bem alinhadas e uma um pouco mais ao longe.

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As três torres alinhadas
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E a torre mais afastada

Outra coisa interessante é que o bairro é banhado por quatro canais. Três levam o nome dos moinhos dos quais faziam parte: Zornmühle, Dinsenmühle e Spitzmühle. O quarto era usado para a navegação. Pontes metálicas nas eclusas situadas na junção dos quatro se abrem para a passagem dos barcos de turismo.

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O bairro tem uma praça linda, a Place Benjamin Zix, construída em 1876. Ali era o ponto de partida para o fosso dos tanneurs (tanneur é quem trabalha processando o couro). Todo o bairro era habitado por esses trabalhadores. Se você observar as casas, vai ver que o último andar é aberto: ele servia para secar as peles dos animais. A atividade durou até o século XIX, quando o fosso foi coberto e várias construções foram restauradas. Um exemplo é a Maison des Tanneurs, sede da corporação de mesmo nome, de 1572, e que hoje abriga um restaurante.

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Caminhando na Petit France, perto da última torre, está a sede da École Nationale d’Administration, ENA. Ela funciona desde 1995 no local onde havia a commanderie dos cavaleiros de Saint-Jean de Jérusalem, de 1371. Em 1520, a ordem mantém um hospital. Da antiga construção resta a fachada pintada em 1547.

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3) Barragem Vauban – Fica também na Petite France. Quando em 1681, Strasbourg volta a ser francesa, Vauban, um general do rei, decide construir uma barragem-eclusa perto das pontes cobertas (elas só deixaram de ser cobertas no século XVIII). A ideia era inundar os fossos da cidade no caso de um cerco inimigo. A construção, que começou em 1686 e terminou em 1700, é composta por 16 arcos munidos com portas de ferro.

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No século XVIII, três desses arcos foram elevados para que as árvores passassem mais facilmente em caso de inundação. Entre 1865 e 1870, com a ameaça da Prússia, um novo andar foi construído. Em 1966, a Barragem foi aberta ao público e um terraço panorâmico foi criado. Hoje, o lugar abriga algumas estátuas que faziam parte da catedral e que foram substituídas nas restaurações. Também há exposições temporárias e podemos subir no terraço.

Horários: todos os dias, das 9h às 19h30.
Gratuito

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Uma das vistas do terraço

4) Quartier Centre-République, o Bairro Alemão – Quando a Prússia anexa Strasbourg, em 1871, a cidade torna-se capital do II Reich de Alsace-Lorraine. Um novo plano de urbanismo começa a ser pensado, mas não no centro antigo da cidade e sim em um novo bairro. O projeto tem como inspiração as reformas feitas em Paris pelo prefeito Haussmann, baseadas na construção de grandes eixos, em formas de avenidas muito largas. É assim que nasce o chamado Bairro Imperial Alemão (Quartier Germanique).

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O destaque para essa área vai para a Place de la République e os prédios em estilo Neoclássico que a cercam. São eles: o Palais du Rhin (Palácio do Reno) é o antigo palácio do chefe de governo. Foi construído a partir de 1884 por Hermann Eggert, que se inspirou no Renascimento Italiano e no Barroco. Porém, o imperador Wilhelm I (Guilherme I) não vai ver a conclusão do palácio, pois morre em 1888, alguns meses antes da construção ficar pronta. Por isso, é inaugurado por Wilhelm II, seu neto e sucessor.

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Desde 1919 é sede da Commission centrale pour la navigation du Rhin (Comissão central para a navegação do Reno), o mais antigo organismo europeu em atividade (data de 1815). Por isso o nome de Palais du Rhin. Também abriga a secretaria de cultura. Somente o saguão pode ser visitado.

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O Palais du Rhin em perspectiva com a Place de la République

Antigos ministérios da Alsace-Lorraine. Foram construídos por Ludwig Levy, entre 1907 e 1911. Hoje um abriga a Direção Regional de Finanças Públicas da Alsácia e o outro, a prefeitura da região do Bas-Rhin.

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Direção Regional de Finanças Públicas da Alsácia
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Prefeitura do Bas-Rhin

A Bibliothèque Nationale-Universitaire – Construída por Auguste Hartel e Skjold Neckelmann , em 1895, por iniciativa do governo imperial, após a destruição da antiga biblioteca em 1871. É a segunda maior da França, perdendo apenas para a BNF em Paris, com um acervo de 3 milhões de obras. Por isso, fora a biblioteca da capital francesa, é a única que ostenta o título de Nacional. Durante a minha viagem, ela estava em restauração.

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Antigo Palais du Landtag d’Alsace-Lorraine. Construída em 1899, também por Hartel e Neckelmann, foi originalmente sede do Parlamento da Alsácia-Lorraine. Em 1918, passou a abrigar o conservatório de música e representações teatrais. Bombardeado na Segunda Guerra, foi reconstruído em 1952. Hoje é o Teatro Nacional de Strasbourg.

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A Place de la République é marcada pelo Monumento aos Mortos, construído por Léon-Ernest Drivier em 1936. A obra mostra uma mãe com dois filhos mortos: um pela França, outro pela Alemanha. E olha que o contexto ainda era o da Primeira Guerra Mundial.

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Andando pelo bairro, vemos de tudo: não somente o Neoclássico, mas outros estilos, incluindo até o Art-Nouveau. Chama atenção a beleza da igreja Saint-Paul, construída em estilo Neogótico em 1889. Inicialmente foi destinada como paróquia protestante para os militares da cidade. Infelizmente, estava em restauração e só pude passar perto. A universidade também é linda! Criada em 1871, Goethe estudou lá, mas não tive tempo de visitá-la.

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Igreja Saint-Paul

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5) Quartier Européen (Bairro Europeu) – É onde ficam as sedes das Instituições da União Europeia na cidade. A primeira construção foi o Palais de l’Europe (Palácio da Europa), que abriga o Conseil de l’Europe. Foi construído em 1976 por Henry Bernard.

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O Palais de l’Europe visto por trás, a partir de um barco

Palais des Droits de l’Homme (Palácio dos Direitos do Homem). A sede definitiva da Corte Europeia dos Direitos do Homem foi criada em 1995 por Richard Rogers. A construção possui formas arredondadas, como as de um navio, que se encaixam perfeitamente com a forma do canal Ill.

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Parlement Européen – Em 1992, o Parlamento Europeu é fixado definitivamente em Strasbourg. Em 1998 começou a construção da sede, que possui uma fachada majestosa e circular, além de uma torre de 60 metros de altura. Dentro do palácio, há um semicírculo com 750 lugares, destinado às sessões do parlamento. Já a torre abriga 1133 gabinetes. No bairro também há quatro imóveis (chamados de IPEs) destinados aos parlamentares.

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O Parlamento é enorme

6) As praças da cidade – Strasbourg tem inúmeras praças, uma mais charmosa do que a outra. A mais importante é a Place Kléber. Concebida no século XVIII, tinha o nome de Place d’Armes e era usada para manobras militares. No centro, uma estátua do general Kléber, nascido na cidade, obra de Philippe Grass, de 1840. Abaixo da escultura, as cinzas do herói. Destinada aos pedestres desde 1994, é um lugar super movimentado a qualquer hora do dia e onde sempre tem uma manifestação artística acontecendo.

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Place Gutenberg – Fica perto da Catedral. É margeada pela Câmara do Comércio, uma construção de 1582, que era um anexo da prefeitura. No centro da praça, uma estátua de Gutenberg, que viveu na cidade de 1434 e 1444. Embora a imprensa não tenha sido criada na Alsácia, Strasbourg foi uma das capitais da edição nos séculos XV e XVI. A estátua de Gutenberg é do famoso escultor David d’Angers.

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Place du Marché-aux-Couchons-de-Lait – Outra praça para pedestres e foi a que mais gostei. As construções que a cercam vão da Idade Média até o século XVIII. Uma curiosidade, no número 1, no telhado, há um catavento em forma de sapato. Segundo a lenda, o imperador Sigismund, ao ser levado por mulheres a um baile, mal teve tempo de calçar os sapatos. Com os pés machucados, teria parado ali para descansar.

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O sapato de Sigismund
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A casa de número 1 da praça

Place Broglie – Ali era um terreno vazio até 1730, quando o governo decide fazer uma praça no local. Entre as construções que abriga, está o Hôtel de Ville (prefeitura da cidade), onde Rouget de Lisle cantou pela primeira vez La Marseillaise para o prefeito De Dietrich, em 26 de abril de 1792. A música, que se tornaria o Hino Nacional Francês, leva esse nome por ter sido difundida em Paris pelos soldados que lutaram em Marseille.

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O Hôtel de Ville (Prefeitura municipal)

Outro edifício famoso da praça é a Opéra National du Rhin (Ópera Nacional do Reno), construída em 1820, no lugar da antiga sede, destruída por um incêndio alguns anos antes. Em frente ao teatro, um obelisco dedicado ao general Leclerc, que libertou a cidade das mãos dos nazistas em 1944.

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O Teatro da Ópera

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7) Aubette – No século XVIII, o arquiteto Jean-François Blondel constrói um palacete para abrigar regimentos militares na então Place d’Armes (hoje Place Kléber). Em 1870, o lugar é restaurado e torna-se um conservatório de música. É desta época que datam os medalhões de grandes músicos da fachada.

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Em 1929, o Aubette vira um centro de lazer, com salão de chá, cinema dançante, sala de baile, etc. A decoração é confiada a Hans Arp, Sophie Taeuber e Théo Van Doesburg que, inspirados pelo movimento holandês De Stijl, procuram fazer uma pintura de modo que o homem se sinta parte dela. Considerada muito avançada para a época, a maior parte da obra é destruída ainda nos anos 1930. Mas em 2006, a prefeitura restaura algumas salas, que são abertas à visitação e também recebem manifestações artísticas. A entrada é feita pelo centro comercial que funciona no restante do prédio.

Endereço: 31 Place Kléber
67000 Strasbourg
Horários das salas históricas: de quarta a sábado, das 14h às 18h
Já o centro comercial abre de segunda a sábado, das 10h às 20h.
Gratuito

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8) Cave Historique des Hospices de Strasbourg – Foi criada em 1395 dentro dos domínios do hospital. Na época, era os religiosos que cuidavam dos pacientes, pobres e peregrinos e ofereciam a eles, além de abrigo, comida e vinho. A bebida vinha de vinhedos do próprio hospital e era estocada na cave, junto com grãos e cereais.

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No século XVII, com o progresso da medicina e da cirurgia, a quantidade de vinho distribuída aos pacientes cai bastante. Com a Revolução Francesa, a igreja perde seus bens e o agora “Hôpitaux Universitaires de Strasbourg” não produz mais a bebida. Já as caves deixam de ser utilizadas em 1994, e os tonéis começam a estragar.

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Em 1996, como comemoração dos 600 anos da Cave Historique, três tonéis foram restaurados e são usados para elaborar um Pinot Blanc e um Gewurztraminer Mambourg (Sigolsheim) ali mesmo. A experiência dá tão certo, que outros tonéis são recuperados. Os viticultores da região ajudam no restante da restauração e também deixam seus vinhos ali na cave para maturação. Uma curiosidade: durante a visita vemos três tonéis “históricos”: de 1472, 1519 e 1525. E o mais antigo ainda contém a bebida que, em 1994, foi degustada pelos enólogos que puderam constatar que, mesmo após 500 anos, o que tinha ali ainda se tratava de vinho.

Endereço: 1 Place de l’Hôpital
67000 Strasbourg
Você entra pelo portão do hospital e segue as placas.
Horários: de segunda a sexta, das 8h30 às 12h e das 13h30 às 17h30. Sábado, das 9h às 12h30.
Visita gratuita. Há uma lojinha de vinhos. Vistas comentadas só em grupo fechado. Para saber mais, clique aqui

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Os tesouros da cave
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Mais de 500 anos de vinho aí dentro

Perto do hospital está uma das duas portas da muralha medieval. Nela está pintada uma Crucificação muito interessante.

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9) Église Protestant Saint-Thomas – Ali havia uma antiga igreja fundada no século VI. A atual foi construída do século XII ao século XIV, por monges irlandeses, por isso tem elementos românicos e góticos. É a primeira a adotar o culto protestante, em 1529, sendo hoje a mais importante paróquia luterana da Alsácia. No interior, as ogivas são altas e tanto as da nave central, quanto das laterais possuem a mesma altura.

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A igreja chama atenção pelo grande número de sepulturas e monumentos comemorativos de todas as épocas. O destaque vai para o Mausoléu do Marechal de Saxe, militar a serviço de Louis XV construído em 1776 por Jean-Baptiste Pigalle, um dos escultores franceses mais famosos de todos os tempos.

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Na entrada do templo, está o teclado do grande órgão, com o qual Mozart realizou alguns concertos em 1778.

Endereço: 11, rue Martin Luther,
67000 – Strasbourg
Horários: da segunda quinzena de fevereiro até dezembro, de segunda a sábado, das 10h às 17h (fechamento às 18h de abril a setembro).
Visitas guiadas para grupos fechados. Mais informações aqui

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Mozart tocou aqui

10) Os museus de Strasbourg – A cidade tem vários museus. Consegui visitar seis, pois a Aubette, de que falei acima, é considerada um museu. Dos outros cinco, falei nesse post.

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Place du Château, onde estão localizados alguns museus da cidade

11) Passear na Grand’Rue – É um calçadão cheio de restaurantes e lojas. Ali tem a igreja Saint-Pierre-Le-Vieux, mencionada desde o século X, mas reconstruída no século XIV e modificada no XVII. Até hoje, metade do templo é usado para culto católico e metade para o protestante. Queria visitá-la, mas não consegui pegá-la aberta.

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12) Passeio de barco – Acontece durante o ano todo, mesmo no inverno. Dura 1h10, é comentado em várias línguas e mostra os pontos mais importantes da cidade. Uma das partes mais legais do passeio é quando o barco passa pelas eclusas da Petite France. O número de partidas varia durante o ano. A empresa organizadora é a Batorama

Local de embarque: Place du Marché aux Poissons,
67000 – Strasbourg
Horários: Variam durante o ano. Para saber mais, veja no site da empresa
Preço: 12,50 euros. Tarifa para crianças de 4 a 12 anos: 7,20 euros. Gratuito para os pequenos até 4 anos. O passeio está incluído no Strasbourg Pass
Há outro passeio de 45 minutos, mas que não passa no Quartier Européen e não funciona no verão. Ele custa 9,50 euros.

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Bairro Europeu visto do barco

13) Passeios de bicicleta – Olha, nunca vi tantas bicicletas em um município francês quanto em Strasbourg. E a cidade é praticamente plana e bem sinalizada, com cerca de 560 km de ciclovias. Há vários lugares e serviços para você alugar uma bicicleta, como Vélhop, da prefeitura.

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Ache o ciclista da foto

Nesse serviço, você pode pegar a bike e alugar sozinho (em uma das estações de bicicletas) ou pode ir a uma loja. Há várias opções de alugueis: ocasionais e permanentes. No caso do primeiro, a tarifa é 1 euro por hora; 5 euros por 12 horas ou 15 euros por uma semana. Mais informações aqui
Outra empresa que aluga bicicletas é a Esprit Cycles

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E também comprando o Strasbourg Pass, você ganha uma locação de bicicleta de 12 horas.

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Aliás, se você pretende ver várias atrações, recomendo comprar Strasbourg Pass. Com ele, você tem um museu grátis e 50% de desconto no segundo, fora outras visitas e passeios gratuitos, além de descontos em vários lugares. O valor do passe adulto é 16,90 euros e o Junior (até 18 anos) custa 8,40 euros. Mais informações com o Office de Tourisme de Strasbourg

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Como ir a Strasbourg
A partir de Paris, na Gare de l’Est, você pega o TGV (trem de alta velocidade). A viagem dura pouco mais de duas horas, no caso de trens diretos. Mais informações no site da SNCF (Companhia de trens francesa).

É muito fácil se locomover pela cidade a pé ou de bicicleta, mas ela tem um excelente sistema de transporte público. Cheguei a usar alguns tranways lá e gostei muito. Paguei 1,60 o bilhete unitário e ele vale por 1 hora. Veja mais aqui

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Aproveito para agradecer à assessoria de imprensa de Strasbourg, principalmente à Géraldine Amar. Ganhei deles o Strasbourg Pass e uma pasta com tudo sobre a cidade. E Géraldine ainda ficou um tempão comigo, explicando tudo sobre a região. Atendimento mais do que simpático.

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Mais vestígios da muralha medieval

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Renata Rocha Inforzato

Sou de São Paulo, e moro em Paris desde 2010. Sou jornalista, formada pela Cásper Líbero. Aqui na França, me formei em História da Arte e Arqueologia na Université Paris X. Trabalho em todas essas áreas e também faço tradução, mas meu projeto mais importante é o Direto de Paris. Amo viajar, escrever, conhecer pessoas e ouvir histórias. Ah, e também sou louca por livros e animais.

Comentários (21)

  • Paula Brum Responder    

    22 de outubro de 2014 at 19:33

    Sou adepta dos textos longos e das postagens fotográficas e, quando vem cheio de dicas, melhor ainda. Não conheço a cidade e, na verdade, nem está na minha lista, mas fiquei encantada. Acho que plantaste a sementinha. Favoritei para reler, com calma, pois quero curtir os detalhes arquitetônicos de algumas de suas imagens, belíssimas, por sinal. BjO!

    • Renata Inforzato Responder    

      22 de outubro de 2014 at 20:14

      Oi Paula. Fiquei muito feliz com seu comentário. Obrigadão! Vc que gosta de arquitetura, vai adorar a cidade. Tem muita coisa diferente, muitos estilos misturados, muitas fotos que não coloquei no post porque iria ficar enorme. Enfim, cada bairro ali é como se fosse um mundo novo. Um beijão

  • Andréa de Azevedo Freitas Responder    

    23 de outubro de 2014 at 10:54

    Acompanho suas andanças desde o ano passado e fico sempre encantada com suas palavras. Informações preciosas e fotos incríveis. Parabéns!

    • Renata Inforzato Responder    

      24 de outubro de 2014 at 16:32

      Oi Andrea, obrigada mesmo pelo seu apoio. É um estímulo e tanto para continuar. Um beijão

  • Maria Esther Responder    

    6 de fevereiro de 2015 at 14:19

    Renata

    Que pena que visitei a maravilhosa Strasbourg antes de conhecer seu blog.
    Pena mesmo, pois certamente teria aproveitado melhor o passeio.
    Fui em dezembro do ano retrasado(2013) depois de passar o Natal na linda Colmar.
    Fiquei com a forte impressão que a qualidade de vida desta cidade é muito boa.
    Peguei um tram e fui até as regiões mais afastadas do centro da cidade. Gosto de fazer isto, sair do centro para ver como a cidade é tratada fora do eixo turístico, e confesso que gostei do que vi.
    Fiz o mesmo em Salzbourg, outra cidade encantadora !!!
    O bom de tudo é que eu conheci seu blog, agora não desgrudo mais dele!
    Abraços
    Maria Esther

    • Renata Inforzato Responder    

      6 de fevereiro de 2015 at 20:26

      Oi Maria Esther. Também adoro pegar o transporte público nas cidades e ver os bairros mais afastados. Salzbourg está nos meus planos, assim como Viena. Obrigadão pelo comentário e espero que você volte sempre. Um abração

  • Ana Responder    

    14 de fevereiro de 2015 at 6:00

    Renata,
    Estou encantada com o seu trabalho.
    Moro em Stras ha 10 anos e me emocionei ao ler sua materia tao bem escrita e com uma riqueza impressionante de detalhes tao valiosos!!!
    Parabens e continue nos saboreando com suas escritas!!!
    Parabens!!!!!!!

    • Renata Inforzato Responder    

      15 de fevereiro de 2015 at 22:43

      Oi Ana! Nossa, muito obrigada mesmo pelo seu comentário. Você não imagina como fiquei feliz e emocionada. Um beijo e aproveite muito essa cidade linda.

  • Sílvia Pinto Responder    

    31 de julho de 2015 at 0:33

    Renata,
    Excelente seu relato sobre a maravilhosa Strasbourg.
    Tive a felicidade de conhecê-la em 2013, meu filho fez intercâmbio universitário e fui visitá-lo.
    Strasbourg é um charme, pois harmoniza arquitetura de diferentes épocas, costumes de diferentes regiões e é estrategicamente localizada.
    Agora que conheci seu blog vou sempre consultá-lo quando for viajar!!!
    Ah!! Pretendo voltar a Strasbourg!!
    Beijos. Felicidades!!
    Sílvia

    • Renata Inforzato Responder    

      31 de julho de 2015 at 12:29

      Oi Silvia! Obrigadão pelo seu comentário, me deixou muito feliz. Espero que volte logo para Strasbourg e para onde quiser. Beijos e felicidades pra vc tb

  • Luiz Responder    

    21 de outubro de 2015 at 10:49

    Que blog incrível. Relato fantástico. Pelo que lí,vale muito a pena visitar Strasbourg. Estive em Amsterdam recentemente e pelas fotos de stras parece-me que é uma cidade que rivaliza em beleza com a holandesa pela presença de muitos canais. Com certeza vou dar um jeito de esticar de Munich até lá na minha próxima incursão pela Europa.

    • Renata Inforzato Responder    

      21 de outubro de 2015 at 14:08

      Oi Luiz. Strasbourg não tem tantos canais quanto Amsterdam, mas é uma cidade que tem uma característica toda especial, uma mistura de França com Alemanha. Aliás, se você puder tirar uns dias pra conhecer uma parte da Alsácia, te aconselho muito. Obrigada pelo comentário

  • Bada Aguilar Responder    

    29 de outubro de 2016 at 7:01

    Obrigada por ter descrito tão ricamente esse lindo texto sobre sua visita à Strasbourg! Vou utiliza-lo pra “vender” a minha cidade aos amigos que vem visita-la.
    Strasbourg é uma cidade que me encanta há 10 anos, e até hoje descobro mais tesouros nessa ville tão rica de história!
    Seu texto é gostoso de ler e você tão didaticamente o redigiu. Servirá para qualquer turista utilizar como roteiro. Parabéns!

    • Renata Rocha Inforzato Responder    

      5 de novembro de 2016 at 12:47

      Oi Bada, nossa, ganhei meu dia com seu comentário. Obrigada! Esse feedback é super bom e ainda mais vindo de alguém que mora e conhece bem a cidade. Obrigada mesmo, um beijo

  • Fernanda - Blog Tá indo pra onde? Responder    

    11 de novembro de 2016 at 16:23

    Quero muito conhecer Strasbourg! Meus pais estiveram lá um tempo atrás e desde que vi as fotos da viagem deles, fiquei louca pra conhecer a cidade e toda a Alsácia pra falar a verdade. Só hj descobri que vc tem posts de lá e já vou já devorar todos eles!

    • Renata Rocha Inforzato Responder    

      27 de novembro de 2016 at 22:16

      Oi Fernanda, é a região que mais gostei até agora e já estou doida para voltar. Você vai adorar, disso eu tenho certeza. Parece conto de fadas. um beijo

  • Wallace Oliveira Responder    

    21 de março de 2017 at 13:35

    Olá Renata,

    Seu post foi simplesmente maravilhoso. Amei a riqueza de detalhes e as fotografias.

    Muito obrigado

  • Andréa Corrêa Lagareiro Responder    

    2 de maio de 2017 at 3:13

    Parabéns pelo relato tão completo e rico na história desta belíssima cidade!
    Gostaria de saber, em média, quanto gastarei para ir de Paris até Strasbourg e se é possível ir de Strasbourg até Londres e se vale a pena, ou se é melhor voltar para Paris e pegar outro trem.
    Muito obrigada! <3

    • Renata Rocha Inforzato Responder    

      16 de maio de 2017 at 11:17

      Oi Andréa, o valor que você vai gastar entre Paris e Strasbourg depende da antecedência na compra do bilhete de trem. Eu até aconselho a comprar com no mínimo dois meses de antecedência. Já para ir a Londres, é melhor voltar a Paris, pois você tem que pegar o Eurostar, que é a forma mais rápida. Obrigada

  • Direto de Paris - Jornalismo em Paris Responder    

    4 de agosto de 2017 at 13:33

    […] conta os feitos do exército francês na Batalha d’Austerlitz, desde a entrada de Napoleão em Strasbourg até a volta triunfal a […]

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