Cheverny

Cheverny – O castelo dos cãezinhos e do Tintin

22 de janeiro de 2018

O Château de Cheverny é um dos mais conhecidos e visitados do Vale do Loire. Ele é lindo e tem várias atrações para a família toda. Este texto é um guia para ajudar você na sua visita ao castelo.

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Para entender melhor um lugar ou um monumento, é preciso ao menos ter alguma noção da história dele. E a de Cheverny começa no final do século XIV, quando Jean Hurault compra uma propriedade composta por uma casa, um lagar (onde as uvas são prensadas) e vinhedos. Em 1490, Jacques Hurault, que era alto funcionário da Coroa Francesa, adquire a senhoria (direitos feudais sobre uma área) de La Grande e de Cheverny.

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Quando ele morre, em 1519, é o filho Raoul que herda o lugar. Ele, que também era funcionário do rei, obtém de François I o direito de erguer uma nova construção e fortificá-la. Porém, alguns anos depois, o rei decide banir – e até executar – seus intendentes de finanças. O sogro de Raoul, Beaune de Semblançay, cai em desgraça, assim como o genro, que fica arruinado. Sem saída, Raoul Hurault vai lutar nas Guerras da Itália e morre em Nápoles.

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Sua viúva vende a propriedade a outro funcionário do rei Henri II, que, em 1551, a revende para Diane de Poitiers, amante do soberano. Após ficar quinze anos com Cheverny, ela o vende, em 1566, aos filhos de Raoul, Jacques e Philippe. Este último é quem fica com o domínio. Chanceler dos reis Henri III e Henri IV, ele ganha o título, respectivamente, de visconde e conde de Cheverny.

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Com a morte de Philippe Hurault, em 1599, a propriedade vai para seu filho Henri. E é aí que entra a parte mais interessante da história. Dez anos antes, Henri havia se casado com Françoise Chabot, de apenas 11 anos e que era filha de um conde. Quando ela atinge 18 anos, vai morar junto com o marido. Nessa época, apesar do pai ainda vivo, Henri vai morar em Cheverny com a esposa.

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Porém, o jovem era militar e, com isso, ficava muito tempo fora de casa. Assim, Françoise começou a enganá-lo e toda a Corte sabia disso. Um dia, em 1602, por uma indiscrição do rei Henri IV, Henri Hurault fica sabendo da infidelidade da esposa. Furioso, ele vai para casa, ou seja, para Cheverny, onde mata o amante e obriga a mulher a cometer suicídio. Aí ele volta para o trabalho como se nada tivesse acontecido.

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Como o rei se sentia culpado por ter sido indiscreto, determinou como punição para Henri Hurault o exílio em suas terras. Em 1604, ainda exilado, ele se casa de novo, desta vez com Marguerite Gaillard de la Morinière, com quem terá sete filhos. Para esquecer o palco de tragédia, Henri, junto com a mulher, decide demolir a antiga construção e edificar um castelo de acordo com as normas da época.

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Os trabalhos começam em 1625 com a direção de Jacques Bougier. Por ter trabalhado muito em Blois, inclusive ajudando na construção do castelo da cidade, Bougier era conhecido como Boyer de Blois. Para a decoração, foi chamado o pintor Jean Mosnier. A construção termina em 1634. Porém, a condessa Marguerite morre em 1635, antes do final da decoração do castelo.

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Em 1648, é a vez do conde Henri Hurault morrer. O domínio fica então com uma de suas filhas, Élisabeth, que também era marquesa de Montglas. É ela que termina de decorar o interior do castelo. Depois de inaugurado, ele é palco de várias reuniões e festas, onde até mesmo Anne-Marie-Louise d’Orléans, filha de Gaston d’Orléans e sobrinha do rei Louis XIII, era uma das convidadas mais frequentes. Ela, que era conhecida como La Grande Mademoiselle, dizia que o castelo era encantado.

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É o filho de Élisabeth, Louis de Clermont, que herda a propriedade. Ele se interessa pouco pelo lugar e, quando morre, o deixa à esposa, que vende tudo ao primo, Clermont d’Amboise. Acontece que, depois de anos sem cuidados, o castelo e o parque precisavam de reformas. Só que o novo dono não tinha meios – ou interesse – em gastar para recuperar a propriedade. Assim, em 1755, Clermont d’Amboise vende Cheverny para o conde de Harcourt, que era Capitão em Blois. Porém, por causa da saúde da esposa, este último queria viver na Suíça e vender Cheverny.

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Mas o troca-troca ainda não parou por aqui. Em 1764, Jean-Nicolas Dufort de Saint-Leu compra o lugar. Funcionário da Corte de Louis XV e amigo de Madame de Pompadour, favorita (amante) do rei, Dufort havia conseguido autorização para comprar o que era de Harcourt. Assim, em 1764, ele adquire não somente o cargo militar, mas também as terras, o castelo e o título de Conde de Cheverny. Era necessário realizar os trabalhos para recuperar a propriedade. De acordo com uma narrativa do próprio Dufort, de todo o castelo, somente cinco cômodos eram habitáveis e o jardim e o parque estavam em estado lastimável.

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Os trabalhos de restauração duram doze anos. E durante todo o tempo em que foi proprietário do lugar, o novo conde recebia vários amigos e intelectuais, vindos da região do Vale do Loire e até de Paris, e dava festas luxuosas. Quando a Revolução Francesa chega, em 1789, Cheverny é poupado graças às boas relações de Dufort, embora ele tenha sido preso algumas vezes. Porém, em 1799, o filho morre e o conde decide partir e vender a propriedade a um banqueiro parisiense chamado Germain.

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Tintin – Musée Tintin

O filho de Germain, que tinha o criativo nome de Germain Fils (Germain Filho), o revende a Messieius Guillot. Quando este último morre, o filho herda. E é nesse momento que Cheverny volta à família de origem, pois é vendido, em 1825, a Anne-Victor-Denis Hurault, marquês de Vibraye. Assim, após setenta anos em mãos de outras famílias, o castelo volta para a família que o construiu. E com ela está até hoje.

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Musée Tintin

Em 1922, Philippe, marquês de Vibraye, abre o castelo para o público. Durante a Segunda Guerra Mundial, várias obras de arte pertencentes ao Estado foram escondidas em Cheverny. Alguns anos depois, em 1968, Philippe de Vibraye, sem filhos, adota o sobrinho-neto, Charles-Antoine de Singalas, que, assim, passa a ser o herdeiro do castelo. Em 1976, Philippe morre e Charles-Antoine se torna oficialmente Marquês de Vibraye e dono de Cheverny. Hoje, ele vive com a mulher e os três filhos no castelo, que recebe, em média, 400 mil visitantes por ano.

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Visitando Cheverny
O castelo que vemos hoje é praticamente igual ao de 1634, ano de sua inauguração. Graças aos documentos de arquivo, podemos saber como Cheverny era nos séculos anteriores, o que ajudou muito em suas restaurações.

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A construção possui uma unidade e seria a precursora do que seria chamado, tempos depois, de Classicismo Francês. O aspecto defensivo dos castelos já tinha completamente desaparecido no século XVII. Agora, o motivo principal de se construir um era o prazer da vida de castelão, com uma propriedade que mostrasse o status de seu proprietário.

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A entrada da propriedade se faz por uma porta cochère, que permitia a entrada das carruagens e data da época da construção do castelo. Aí passamos as dependências – a descrição delas será feita depois – e chegamos ao Château pela frente. O que chama a atenção em Cheverny é a “pureza” de suas linhas, ou seja, sua arquitetura é sóbria, sem excessos. A cor branca se deve ao uso da pedra de Bourré, que, ao longo do tempo, fica mais dura e esbranquiçada. Essa smplicidade, por assim dizer, foi a grande inovação do arquiteto Jacques Bougier, o responsável pela construção.

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Façade Sud (Fachada Sul) – É formada por três formas de pavilhões: Ao centro, o pavilhão central, posicionado levemente à frente dos demais. Ele tem a forma retangular, estreita, e tem três andares, uma janela por andar. Em cima, um andar com sótão em mansarda e claraboias. Nos dois lados, um de cada lado, dois pavilhões semelhantes, com dois andares e três janelas por andar e mansarda. Tudo sob um telhado à francesa, que abrigam lucarnas que emolduram um tipo de abertura conhecido como oeils-de-boeuf (olhos-de-boi). Logo em seguida, nas extremidades do conjunto, o terceiro tipo de pavilhão: duas torres retangulares, que se alinham à fachada. Cada uma delas tem três andares com três janelas por andar e, assim como o pavilhão central, um nível em mansarda. Tudo encimado por um domo – com dois olhos-de-boi – que, por sua vez, é encimado por um belvedere.

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As janelas dos pavilhões são menores no terceiro andar. Toda a largura da fachada é marcada por bossagens horizontais e, separando cada andar, molduras compostas. Já a cornija é decorada por cabeças de leões. Outros elementos de decoração estão presentes nos frontões: forma de arcos com rostos de mulheres no térreo e volutas nos outros andares.

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Uma característica dessa fachada são os doze nichos na altura do primeiro andar, que abrigam bustos à moda da Antiguidade romana. São os doze césares. O frontão da entrada leva as armas da família Hurault. No telhado, outro nicho também com um busto à moda da Roma Antiga. Desta vez, poderia ser a representação do rei, o César do século XVII.

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Façade Nord (Fachada Norte) – É um pouco diferente do que a fachada principal. Cunhais de pedra emolduram uma construção feita por cascalho rebocado. Aqui, os grandes pavilhões laterais estão em posição mais avançada, o que faz os três pavilhões mais ao centro parecerem em recuo. Esses pavilhões laterais possuem duas janelas por andar, além de duas lucarnas na mansarda. Nos pavilhões ao lado do central, são três janelas por andar, também com lucarnas no nível de mansarda. Já o pavilhão central abriga duas aberturas por nível, sendo quatro níveis e uma mansarda, este com uma lucarna. A decoração das duas fachadas – sul e norte – é semelhante, embora a da fachada principal, a sul, seja, em alguns lugares, um pouco mais complexa.

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Aqui vemos uma ponte de quatro arcos, que sai do pavilhão central e atravessa o fosso. Isso diferencia ainda mais a aparência da fachada norte em relação à fachada sul.

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O interior do castelo

A distribuição dos cômodos é bem parecida com a do século XVII, época em que Cheverny foi construído. Em duas ocasiões, algumas alterações foram feitas: na época de Dufort de Saint-Leu e no século XIX, quando o château já havia retornado às mãos dos Hurault. Mas, nos dois episódios, houve uma preocupação em mexer o menos possível e preservar o máximo que pudessem.

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Já os móveis, objetos e obras de arte foram sendo colecionados pela família ao longo dos séculos e representam o que há de melhor do que foi produzido em cada época. Essa variedade de estilos e seu estado de conservação se explicam também pelo fato do castelo ter sido sempre habitado.

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A visita do interior
Entrada – O pavilhão central do castelo é ocupado no térreo pelo hall, que tem o chão revestido por damas pretas e brancas da época, e pela escadaria em pedra branca de inspiração italiana. Em cada andar, assim que subimos as escadas, um “hall”, semelhante ao primeiro, tem papel de distribuir o acesso aos cômodos.

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1) Salle à manger (Sala de jantar) – A partir do hall, entramos à direita e chegamos à sala de jantar através de uma das três portas de uma galeria. Logo que entramos no cômodo, a chaminé chama a atenção. Ela ocupa o lugar de uma antiga, destruída no século XIX. A que vemos hoje é uma reconstituição inspirada nas chaminés de estilo renascentista. O busto do rei Henri IV ocupa o centro, perto das armas da família Hurault e de outros elementos decorativos que pertenciam à antiga chaminé.

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Os lambris da sala, e também da galeria que dá acesso a ela, apresentam painéis contando a história de Dom Quixote. São 34 painéis e muitos datam da época da construção do castelo e são obras de Jean Mosnier. Outros foram reconstituídos de maneira idêntica aos originais. O teto e seus elementos também foram reconstituídos a partir das pinturas de Mosnier. Já os móveis são do século XIX e foram feitos por um artesão de Blois.

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Busto de Henri IV
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Um dos painéis com a história de Dom Quixote

2) Escalier d’Honneur (Escadaria) – É de inspiração italiana e foi construída com o mesmo tipo de pedra utilizado no castelo. Ela chama atenção com suas abóbodas em forma de berço. Entre todos os elementos decorativos da escada – guirlandas, atributos e deuses -, encontramos as iniciais C de Cheverny, H de Henri e M de Marguerite, o casal que construiu o castelo que vemos hoje.

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3) Chambre des Naissances (Quarto do bebê) – Era onde as mães apresentavam seus recém-nascidos. Há um belo berço em mogno do começo do século XIX.

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4) Boudoir Rouge (Boudoir Vermelho) – Era onde as mulheres se reuniam depois das refeições, enquanto os homens iam para o Fumoir.

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5) Chambre d’Enfant (Quarto de criança) – É bem interessante ver nesse quarto os brinquedos de meados do século XIX, como, por exemplo, os cavalinhos de madeira.

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6) Chambre de Mariés (Quarto dos casados) – O destaque aqui vai para o vestido de casamento da atual Marquesa de Vibraye, criado em 1994. Há também uma bela penteadeira do século XVIII. Ao lado, um pequeno banheiro, com uma banheira do século XIX em cobre, que servia para conservar o calor.

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7) Salle à Manger Familial (Sala de jantar familiar) – Esta sala de jantar é mais íntima. O destaque aqui é o serviço de jantar “Un automne à Cheverny”, com louças criadas especialmente para a família Vibraye. Até a toalha de mesa combina com o serviço. Há também coleções de cristais e porcelanas. Mas o que achei mais legal foram as panelas e formas em cobre para fazer diversos pratos e bolos típicos franceses, como o kouglof (bolo da região da Alsácia), por exemplo.

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8) Petit Salon (Pequeno Salão) – Também usado para reuniões mais íntimas. Vemos aqui um retrato de Anne-Victor Hurault de Vibraye, que readquiriu Cheverny no século XIX. Ele trabalhava para o rei Charles X, que também é representado na sala.

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9) La Salle des Armes (Sala de Armas) – É o maior cômodo do castelo. A decoração está intacta desde a época da construção de Cheverny. Assim, todas as pinturas são de Jean Mosnier. A chaminé aqui também é da época, é claro. Sua decoração é inspirada no Renascimento, mais precisamente nas decorações das chaminés do castelo de Fontainebleau. O destaque na sua decoração é a morte de Adônis, um dos raros quadros pintados por Mosnier.

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O teto à francesa tem decoração de arabescos, flores e iniciais e emblemas da família Hurault. E ela combina com a decoração das portas e janelas. Já os lambris são decorados por alegorias, divindades e musas, com inspiração na Antiguidade. Em cada painel há uma bandeirola com uma mensagem em latim relacionada à Mitologia. Todas essas pinturas são obra de Mosnier.

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Para completar, uma tapeçaria do século XVII, da Manufatura de Gobelins, que representa o rapto de Helena de Tróia, com desenho de François Franck d’Anvers. Ao lado, uma coleção de armaduras dos séculos XV, XVI e XVII. Também vemos no cômodo uma mala de couro de Córdoba que pertenceu ao rei Henri IV, entre outros objetos e móveis.

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10) La Chambre du Roi (Quarto do Rei) – Praticamente todo castelo, mesmo sem ser propriedade do rei, tem um quarto para ele. Isso porque era uma honra para a nobreza hospedar o soberano, embora muitos castelos nunca tivessem recebido a visita de um monarca. Mas, segundo consta, Cheverny hospedou o rei Henri IV, que dormiu nesse quarto.

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A decoração tem as cores dourada, azul e vermelha, que representam a família Hurault. Ela também é da época da construção do castelo e foi realizada por Jean Mosnier. O destaque aqui vai para as pinturas do teto, com a história de Perseu e Andrômeda, e dos lambris, que representam o romance de Thèagène e Clariclée, escrito por Heliodoro e muito em moda no século XVII.

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Nas paredes, vemos tapeçarias baseadas nos desenhos de Simon Vouet, um dos maiores pintores franceses, e contam a história da Odisséia. Elas foram realizadas nos Ateliers de Paris. A cama é do século XVI e leva bordados persas. Os móveis deste quarto datam dos séculos XVI e XVII.

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11) La Chapelle (Capela) – Fica no segundo andar. Apesar de estar prevista desde a época de construção de Cheverny, a capela só foi terminada no século XIX. Até então somente a abóboda havia sido realizada.

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12) Le Vestibule (Vestíbulo) – Voltamos ao térreo pela grande escadaria e chegamos ao vestíbulo. Nele, vemos uma das seis tapeçarias do século XVII, realizadas de acordo com os desenhos de David Teniers, um dos grandes pintores flamengos da época. Ela mostra o retorno de um barco ao porto, com o desembarque da pesca do dia. Há, também, troféus de caças (cabeças de cervo), que mostra como a caça era popular e muito praticada em Cheverny.

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13) Le Grand Salon (Grande Salão) – Este cômodo foi restaurado e reconstituído no século XIX, em uma decoração inspirada na obra de Jean Mosnier. Ele abriga uma série de retratos de membros da família Hurault. Dentre eles, vemos Philippe Hurault, chanceler de Henri III e Henri IV, e sua esposa Anne de Thou. Eles são pais do construtor de Cheverny.

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Há também retratos da família real: do rei Louis XIII, da rainha Anne d’Autriche, de Gaston d’Orléans, irmão do soberano, e de Anne d’Orléans, filha de Gaston e conhecida como La Grande Mademoiselle. Ela era frequentadora do castelo.

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Vemos, ainda, várias obras-primas, como, por exemplo, um retrato de Cosme I de Médicis, Grande Duque da Toscana, obra de Ticiano. E também um quadro realizado no atelier de Rafael, retratando Jeanne d’Aragon, neta de Ferdinando I. O mais impressionante é que esta obra foi encontrada cobrindo um poço na cidade de Montereau. Os móveis são, em sua maioria, do século XVIII.

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Retrato de Marie Johanne de
la Carre Saumery, Condessa de Cheverny, obra de Pierre
Mignard

14) La Galerie (Galeria) – Aqui vemos ainda mais retratos. Philippe de Hurault e Anne de Thou são retratados novamente, desta vez por François Clouet, que ficou famoso por seus retratos da nobreza no século XVI. É dele também o retrato de Jacques Hurault, irmão de Philippe. Há também outros retratos da família dos séculos XVIII e XIX. Destaque para o retrato de Louis XVI vestido para a Coroação.

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No meio,retrato de Louis XVI vestido para a coroação

Jeanne d’Albret, rainha de Navarra e mãe do rei Henri IV, é representada pela mão de Miguel d’Oñaté, pintor espanhol muito apreciado no final do século XVI. Destaque neste cômodo também para o autorretrato de Hyacinthe Rigaud, pintor oficial de Louis XIV. São dele também três outras obras expostas ali: os retratos do L’Abbé de Rancé (abade de Rancé) e de dois altos funcionários de Louis XIV, o Monsieur Darlus e Monsieur de la Porte.

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Retrato de
Jeanne d’Albret

Há também um documento assinado por George Washington declarando que Charles de Loménie de Brienne, ancestral dos proprietários de Cheverny, pertencia à ordem dos Cincinnati. Esta ordem reunia os oficiais e generais que haviam lutado pela independência dos Estados Unidos e fora criada por Washington. Os móveis e objetos desta galeria são do século XVIII.

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15) Le Petit Salon (Pequeno Salão) – Encontramos mais alguns retratos de família expostos neste cômodo. Um deles é de Henri Hurault, que constrói Cheverny. E um pastel atribuído a Maurice Quentin de La Tour, um famoso retratista do século XVIII, representando Anne Renée de Frémont d’Auneuil, marquesa de Vibraye. Outra obra retrata a fundação da Ordre du Saint-Esprit (Ordem do Espírito Santo), por Henri III. Nela, vemos Philippe Hurault entregando o livro da ordem a um candidato. Dentre os móveis, destaque para uma mesa com mármores de Carrara.

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16) La Bibliothèque (Biblioteca) – Não importa o tamanho, mas sempre fico admirada com as bibliotecas de palácios e castelos. A de Cheverny tem dois mil livros, que vão do Renascimento até hoje. Com lambris verdes, um belo piano e uma escrivaninha do século XIX, o cômodo é bem iluminado.

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17) Le Salon des Tapisseries (Salão das Tapeçarias) – Último cômodo da visita. Vemos ali cinco tapeçarias do século XVII, baseadas nos desenhos de David Teniers, o jovem. Elas retratam cenas do cotidiano na região de Flandres (atual Bélgica e uma parte do Norte da França).

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Dentre vários móveis dos séculos XVII e XVIII, destaque para um régulateur, um relógio do século XVIII, que servia de “hora referência” para outros relógios e pêndulos do castelo. Ele marca as horas, minutos, segundos, o dia, mês e ano e as fases da lua. E ainda funciona!

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A visita externa

18) Salle des Trophées (Sala dos Troféus) – Perto da entrada, uma sala das dependências do castelo abriga os troféus de caça de Cheverny. As florestas do Vale do Loire há muitos séculos são usadas pelos caçadores, inclusive, na época da Monarquia, pelos reis. Cheverny adquiriu prestígio nessa área. A sala abriga, ainda, um vitral contemporâneo de Jacques Loire. Realizado no ateliê de Chartres, ele representa uma caça.

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19) Chenil (Canil) – Criado em 1850, ele abriga uma centena de cães tricolores, marcados com o V de Vibraye (a marca é feita com tesoura, cortando os pêlos). Lavado todos os dias, o canil segue as normas de Saúde Pública e de respeito aos animais. A matilha ainda sai para caçar duas vezes por semana, de outubro a março. Uma coisa que os visitantes adoram é ver a alimentação dos cães, que ocorre todos os dias às 11h30 (menos nos dias de caça). Eu não tive a sorte de ver este momento em nenhuma das minhas visitas ao castelo. Enfim, independentemente da opinião sobre a atividade da caça (eu não gosto), é bem legal ver os cãezinhos.

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20) Musée Tintin (Museu Tintin) – Cheverny foi usado como inspiração pelo desenhista Hergé, que criou o personagem Tintin em 1929. Em 1942, ele usou as três alas principais do castelo para desenhar o Château de Moulinsart, propriedade do capitão Haddock, amigo de Tintin. E hoje, ali nos domínios de Cheverny, podemos visitar o museu dedicado a Tintin e seus amigos. Inaugurado em 2001, nele temos uma experiência interativa, como se estivéssemos dentro dos diversos cômodos de Moulinsart. As crianças adoram.

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21) Orangerie – Quase todo o castelo tem uma Orangerie, que é onde as árvores frutíferas ficam guardadas durante o inverno. A de Cheverny data do século XVIII e forma uma bela perspectiva com o castelo. A decoração é clássica e com elementos inspirados na Antiguidade, como o portal, o frontão triangular e os nichos entre as janelas. Durante a Segunda Guerra, várias obras de arte – dizem que até a Monalisa – foram escondidas ali, para que não fossem destruídas pelos nazistas. Restaurada em 1979, hoje a Orangerie recebe eventos privados. De abril a novembro, ela abriga também um café/salão de chá.

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22) Le Parc et la rivière (Parque e Rio) – O parque de Cheverny é grande e nem sequer visitamos uma parte dele. A parte perto dos castelos apresenta gramas e canteiros, inspirados no projeto original. Ela se abre para o parque propriamente dito, à inglesa, com árvores de vários tipos, muitas delas raras, plantadas no século XIX. Há vários animais, como, por exemplo, esquilos e diversas espécies de pássaros.

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Le Courpin é o nome do riacho que nasce ali no parque e depois deságua no Conon, que também passa pela propriedade. É bem bonito ver o espelho d’água que ele forma. Há uma opção de passeio, onde você percorre o parque em um veículo coletivo e depois dá uma volta em barco elétrico pelo riacho. Ele pago à parte (preço no final do texto).

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 Cheverny

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23) Jardins – Cheverny tem vários jardins. Um deles é o Jardin des Apprentis, entre o castelo e a Orangerie, que foi criado em 2006.

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Jardin des Apprentis
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Jardin des Apprentis

Outro jardim fica ao longo do parque, entre o gramado perto do castelo e Le Courpin. É o Jardin des Tulipes. Na primavera, 120 mil bulbos de tulipas de várias cores florescem e o efeito que elas provocam é simplesmente lindo.

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Jardin des Tulipes
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Jardin des Tulipes

E um terceiro jardim é o Jardin Potager-Bouquetier. Ele fica perto da Salle de Trophées e é de onde saem as flores que enfeitam o castelo. Como o nome potager, que significa horta, indica, ali também são plantadas verduras e legumes.

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Jardin Potager-Bouquetier
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Jardin Potager-Bouquetier

Enfim, vale demais a pena visitar Cheverny e, se possível, passar boa parte do dia nele. Mas se você não tem tempo, pode contratar serviços de passeios privados ou excursões. O Direto de Paris tem parceria com duas empresas: a PARISCityVISION e a França entre Amigos.

Cheverny

Château de Cheverny
Avenue du Château
41700 Cheverny
Horários: aberto todos os dias. De 1º de abril a 30 de setembro, das 9h15 às 18h30. De 1º de outubro a 31 de março, das 10h às 17h.
Tarifas – Visita do castelo e dos jardins: 11,50 euros. Tarifa reduzida (crianças até 14 anos, estudantes até 25 anos e famílias numerosas): 8,20 euros. Gratuito para crianças até 7 anos.
Visita do castelo, jardins e museu de Tintin: 16 euros. Tarifa reduzida: 12,10 euros. Gratuito para crianças até 7 anos.
Visita do castelo, jardins e passeio em veículo pela floresta e de barco: 16,50 euros. Reduzida: 12,30 euros. Crianças até 7 anos: 4 euros.
Visita completa (com todas as opções acima): 21 euros. Reduzida: 16,20 euros. Crianças até 7 anos: 4 euros.

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Como ir a Cheverny – De Paris, na Gare d’Austerlitz ou Montparnasse, pegar o trem para Blois. A duração da viagem depende do trem. Veja os horários e preços aqui. Depois em Blois, na alta temporada, pegar o ônibus que vai para os castelos (veja este post aqui). Há também a linha 4 do transporte público da região que funciona o ano todo e você pode pegar também na estação de Blois. O trajeto dura uns 45 minutos. Mas, atenção: são poucos horários por dia e em alguns desses horários não há paradas em Cheverny. Para saber mais, clique aqui.

Na alta temporada, há também os ônibus da companhia Flixbus que fazem o trajeto Paris – Cheverny. Mais informações neste link. E para passeios privados ou excursões de um dia, vindos de Paris, veja os parceiros do blog. Para ver o caminho de carro, consulte o Via Michelin.

Vale lembrar também que o Château de Cheverny abriga vários eventos o ano todo e também possui apartamentos que podem ser alugados. Mais informações, consulte o site oficial do castelo.

Cheverny

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Renata Rocha Inforzato

Sou de São Paulo, e moro em Paris desde 2010. Sou jornalista, formada pela Cásper Líbero. Aqui na França, me formei em História da Arte e Arqueologia na Université Paris X. Trabalho em todas essas áreas e também faço tradução, mas meu projeto mais importante é o Direto de Paris. Amo viajar, escrever, conhecer pessoas e ouvir histórias. Ah, e também sou louca por livros e animais.

Comentários (4)

  • rui batista Responder    

    28 de janeiro de 2018 at 1:13

    Com tanta maravilha, nem sei por onde começar… Aprecio muito a natureza e todos os palácios mágicos surgidos da fantasia do Homem… bela partilha 🙂

  • Francisco Agostinho Responder    

    28 de janeiro de 2018 at 9:32

    Uau que monumento fantástico e que post tão completo. Esses tentos são qualquer coisa…passa se muito bem aí um dia sem dúvida e que história recambolesca teve esse edifício. Nunca mas nunca os monumentos são “coisas estáticas” e sem vida, contam histórias e história!

  • Ana Responder    

    28 de janeiro de 2018 at 20:13

    Que castelo! E que história longa e complicada que esse lugar tem! E apesar de um exterior bem simples, o seu interior é muito rico e cheio de pormenores. Gostei muito de conhecer, este post está tão completo que nos leva numa autêntica viagem pelo castelo!

  • Carla Mota Responder    

    7 de fevereiro de 2018 at 8:56

    Os castelos do Vale do Loire são mesmo deslumbrantes. Visite-os há muito anos. Gostaria muito de voltar.

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