Atrações

Apresentando o Hôtel de Lamoignon – Sede da Bibliothèque Historique de la Ville de Paris

26 de agosto de 2013

O Marais é um dos bairros mais antigos de Paris. O que antes era um pântano, tornou-se, no século XVI, um bairro com vários palacetes aristocráticos, os chamados hôtels particuliers. Alguns ainda existem e podem ser visitados atualmente. O hôtel de Lamoignon é um deles. Ele abriga a Bibliothèque Historique de la Ville de Paris.

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A Biblioteca Histórica é uma das bibliotecas especializadas da cidade. A maioria de seu acervo é composta por obras de História de Paris e da Île de France. Fazendo uma inscrição, podemos utilizá-la sem problemas. Mas a visita completa e comentada é feita por ocasião das Journées du Patrimoine, que ocorrem em setembro.

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Ano passado, foi uma das visitas guiadas que fiz e valeu muito a pena. O hôtel de Lamoignon, onde ela está instalada, é um dos mais antigos do Marais. No final do século XVI, Diane de France, duquesa de Angoulême, filha legítima do rei Henry II, compra o terreno que pertencia ao convento Sainte-Catherine e constrói ali, entre 1585 e 1590, um palacete: o hôtel d’Angoulême.

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Livros do acervo que contam a história do palacete

A construção era composta por um edifício principal, com um lado jardim e o outro lado para o pátio. Nos frontões, os símbolos de Diana, a deusa da caça: o cachorro, o cervo, a lua e a cabeça de animais em forma de troféus.

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No frontão, cabeças de animais em forma de troféus

Com a morte da primeira proprietária, em 1619, o palacete é herdado por seu sobrinho, Charles de Valois, filho ilegítimo do rei Charles IX e amigo do rei Herny IV, que o torna Marechal da França. Em 1624, o novo proprietário acrescenta uma ala norte à construção.

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A torre na esquina das ruas Pavée e Des Francs-Bourgeois, data do mesmo período. Com vocação mais decorativa do que defensiva é uma das poucas que ainda existem no Marais.

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A partir de 1650, ano da morte de Charles de Valois, Guillaume de Lamoignon, primeiro presidente do Parlamento de Paris, torna-se o novo locatário. Ele instala no hôtel um salão de ideias muito frequentado pela elite da época, entre eles a “vizinha” Madame de Sévigné. Em 1688, a família adquire o palacete, que passa a se chamar Hôtel de Lamoignon, o nome atual. A partir de então, algumas modificações são feitas na construção.

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Um pórtico é acrescentado: nele figuram dois personagens: um segurando um espelho, símbolo da Verdade; e o outro com uma serpente, símbolo da Prudência. A fachada do lado do jardim é modificada e as sacadas ganham grades de estilo Luis XV, com o símbolo dos Lamoignons: um arminho dentro de um losango. A família se muda do hôtel, em 1750, quando Guillaume II, neto do primeiro, torna-se chanceler.

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o pórtico, com os símbolos da Verdade e da Prudência

Alguns anos depois, Antoine Moriau, procurador do rei, aluga o lugar para instalar ali sua biblioteca particular sobre a História de Paris. No seu testamento, ele doa a coleção à cidade e ela continua no mesmo lugar até 1773. É um prenúncio da vocação do hôtel como biblioteca.

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Em 1774, o palacete é comprado pelo arquiteto Jean-Baptiste Le Boursier. Mas, vinte anos depois, em 1794, ele é revendido. A partir do século XIX, ele abriga diversos locatários, mas também lojas e ateliês. O escritor francês Alphonse Daudet viveu ali entre 1867 a 1876.

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Como o leque é uma parte importante da vestimenta da mulher no século XIX e inspiração para artistas e escritores, a biblioteca possui uma coleção deles

E assim continua até que, em 1928, o hôtel de Lamoignon é comprado pela cidade de Paris, que começa a restaurá-lo. Em 1937, é classificado como Monumento Histórico. Uma ala moderna é criada, no alto da escadaria do pátio, e dois níveis no subsolo são construídos para abrigar a Biblioteca Histórica, que, nessa época, estava no Hôtel Peletier de Saint-Fargeau (que hoje faz parte do Museu Carnavalet. A nova sede da Bibliothèque Historique de la Ville de Paris é aberta ao público em 1969.

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Cartazes de exposições que ocorreram na biblioteca

Uma curiosidade é que as sepulturas com as efígies dos dois primeiros proprietários, Diane de France e Charles de Valois, datados do século XVII, foram colocadas ali, no pavilhão mais moderno no pátio e podem ser visitadas durante as Journées du Patrimoine. Elas estavam na igreja de Minimes, que ficava na Place des Vosges, e foi destruída durante a Revolução.

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Túmulo de Diane de France
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Túmulo de Charles de Valois

A Biblioteca Histórica possui uma rica coleção sobre a história da região parisiense: são livros, manuscritos, mapas, desenhos, etc, que abordam todas as áreas, incluindo literatura e teatro. Há várias curiosidades, como, por exemplo, jogos e publicidade infantis do final do século XIX e começo do XX.

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Um banco imobiliário parisiense e antigo?

Um dos destaques é a sua coleção de fotografia: são mais de 500 mil fotos e um grande número de negativos e placas de vidro. Ela começou a ser composta logo em 1872, pois os responsáveis pela biblioteca já viam a fotografia como uma boa fonte de documentação de uma época. Em 1874, eles encomendam 400 fotos a Charles Marville. De lá para cá, a coleção só cresceu, inclusive com a compra de arquivos de várias publicações da imprensa francesa. Periodicamente, a Biblioteca Histórica expõe uma parte do acervo de fotografias ou contribui para exposições externas. Mas raramente são as originais, pois, desde 1983, as fotos são restauradas e duplicadas.

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Cartaz de uma das exposições de fotos

A Bibliothèque Historique de Paris pode ser visitada e até mesmo usada para consultas. E qualquer pessoa pode se inscrever: basta levar um documento de identidade – que, no caso de um turista, é o passaporte – e uma foto recente. A carteirinha dá direito a outras bibliotecas especializadas da cidade.

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Hôtel de Lamoignon – Bibliothèque Historique de la Ville de Paris
24 rue Pavée
75004 – Paris
Horários:de segunda a sábado, das 10h às 18h
Metrô: Saint Paul, linha 1

Para saber mais sobre as Journées Europeénnes du Patrimoine, clique aqui

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Renata Rocha Inforzato

Sou de São Paulo, e moro em Paris desde 2010. Sou jornalista, formada pela Cásper Líbero. Aqui na França, me formei em História da Arte e Arqueologia na Université Paris X. Trabalho em todas essas áreas e também faço tradução, mas meu projeto mais importante é o Direto de Paris. Amo viajar, escrever, conhecer pessoas e ouvir histórias. Ah, e também sou louca por livros e animais.

Comentários (7)

  • Fernanda Biar Responder    

    28 de agosto de 2013 at 12:24

    Adorei a matéria Rê! Me senti lá dentro! Queria tanto poder chamar essa biblioteca de minha… hehehehehe

    • Renata Inforzato Responder    

      6 de setembro de 2013 at 19:08

      Oi Fê, venha visitá-la quando estiver aqui e a chame de sua 🙂 Ela é super acessível para pesquisa. Um beijão e obrigada

  • Andréa de Azevedo Freitas Responder    

    29 de agosto de 2013 at 22:47

    Vou anotar no meu caderninho pra minha próxima viagem, em maio/2014. Não vou deixar escapar nenhuma das suas dicas, pode acreditar… Bise

    • Renata Inforzato Responder    

      6 de setembro de 2013 at 19:05

      Oi Andréa, obrigada pela confiança… Espero até maio escrever bastante coisa. Um bejão

  • Gislaine Responder    

    30 de agosto de 2013 at 19:05

    Mais uma dica de ouro Renata! Andei tanto a pé nessa região e não sabia…Parabéns pelo texto!!

    • Renata Inforzato Responder    

      6 de setembro de 2013 at 19:02

      Oi Gi! O Marais tem muitos tesouros e é aos poucos que a gente vai descobrindo… Um beijão e obrigada

  • Jorge Corrêa Responder    

    3 de março de 2018 at 21:46

    Boa sugestão, vou passar lá em Maio 2017

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