Avignon

Avignon – a antiga cidade dos papas e do teatro

21 de julho de 2018

Avignon é um dos principais destinos turísticos da França. Localizada na Provence, a cidade ficou famosa por ter sido residência dos papas durante cem anos. Hoje, podemos visitar as atrações ligadas a esta época e muitas outras, que serão mostradas neste texto.

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A história de Avignon é muito rica. A ocupação da cidade data de mais de cinco mil anos, tornando-a uma das cidades mais antigas da Europa. Mais ou menos em 2000 a.C. houve uma verdadeira cidade neolítica, que era composta por centenas de cabanas em uma área que corresponde ao centro da cidade atual. Entre a Idade do Bronze e a Idade do Ferro, o lugar se torna um importante centro comercial.

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Mais tarde, a localidade se torna a capital do Cavares, um povo gaulês que se implantou pela área onde hoje é o departamento de Vaucluse, ao qual pertence Avignon. Com a chegada dos romanos, ela se torna uma das cidades mais opulentas da então província Narbonnaise. Mas, somente no século II d.C é que ela recebe o status de colônia romana, dado, provavelmente, na época do imperador Adriano.

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Pouco se pode reconstituir dessa época, porque, ao contrário de cidades próximas, como Arles, por exemplo, Avignon quase não possui edifícios visíveis ou bem conservados vindos da Antiguidade. Tudo o que se sabe hoje veio através de várias escavações arqueológicas ao longo dos anos. Elas encontraram restos de construções, mosaicos e objetos diversos. Porém, a importância do lugar no período romano é atestada pela presença do Fórum, centro administrativo, localizado onde hoje está a Place de l’Horloge, uma das principais da cidade.

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Na Idade Mèdia, lá no século XI, a região da Provence faz parte do Saint-Empire-Romain-Germanique. Porém, apesar de pertencer ao imperador, Avignon é governada por um visconde e o cargo tem caráter hereditário. Ao longo dos anos, o bispo exerce cada vez mais influência, inclusive política. No final do século, ele toma o poder do visconde. Nessa época, a cidade se desenvolve economicamente, se tornando um dos principais entrepostos comerciais da Provence.

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Nos séculos seguintes, Avignon continua crescendo. A população começa a ocupar áreas fora da muralha construída na Antiguidade. O fato de possuir a única ponte sobre o rio Rhône (Ródano em português) entre Lyon e o mar faz a importância da cidade aumentar ainda mais no século XII.

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A partir de 1215, começa um episódio que vai agitar a cidade. Ela é governada pela Commune, que é a associação de moradores de Avignon presidida pelo bispo. Ela tem autorização para ter um selo, um castelo e até a fazer a própria moeda. E fazer Justiça e guerras também.

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Nesta época ocorre a Guerra Albigeoise, ou seja, o conflito entre os Cátaros e a Igreja. Os cátaros eram considerados hereges porque exerciam uma religiosidade que ia contra as normas da Igreja Católica. Então, o papa convoca os reinos e feudos aliados a combaterem os “hereges”. O reino da França apoia a Igreja. Já o poderoso conde de Toulouse apoia os cátaros. E Avignon se alia ao conde.

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Assim, por participar ao lado do conde Raymond VI nos combates, Avignon é excomungada em 1218. Em 1226, a população da cidade empresta dinheiro ao novo conde, Raymond VII. E à chegada do exército do rei francês, Louis VIII, à cidade, eles fecham as portas das muralhas e sustentam um cerco de três meses, de junho a setembro.

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Porém, a cidade perde e é obrigada a aceitar as condições impostas: destruir as muralhas e algumas construções, tirar o apoio ao conde de Toulouse e devolver o poder ao bispo, devolver os prisioneiros, pagar 7 mil marcos em dinheiro e enviar 30 cavaleiros para a cruzada.

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Algumas décadas depois, o conde de Provence e o de Toulouse morrem. Os sucessores deles são, respectivamente, Charles d’Anjou e Alphonse de Poitiers, filhos do rei da França, Louis VIII. Assim, os dois irmãos exercem seus direitos de senhores feudais e a cidade perde sua independência, sendo administrada pelos agentes dos novos condes. Porém, quando Alphonse morre sem herdeiros, Avignon passa a ser comandada somente pelo conde de Provence.

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Detalhe de uma construção

Mas, a calma dura pouco. No começo do século XIV, Avignon é uma cidade que apresenta muitas vantagens. É um importante centro comercial, tem posição estratégica e uma faculdade de Direito criada em 1303. Além disso, é governada por Charles II d’Anjou, conde de Provence e vassalo do papa, e é vizinha do Comtat Venaissin, território da igreja desde 1229. Ou seja, bem atraente para um papa que não quer ficar em Roma.

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Cité Administrative

Clément V (Clemente V), eleito em 1305, não se sentia seguro na Cidade Eterna, que estava devastada por lutas entre facções rivais. Então, tendo convocado um Concílio em Vienne, hoje cidade francesa, em 1312, ele resolveu esperar pela abertura do evento passando uma temporada em Avignon. Assim, ele ficaria longe de Roma e, ao mesmo tempo, fora do território francês, já que a cidade provençal não pertencia à França. É que Philippe IV, o soberano francês, gostava de exercer sua influència na Igreja. Aliás, o próprio papa já havia sido coroado em Lyon por “sugestão” do rei.

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O que era para ser temporário, vira permanente. Nada menos do que sete papas residem, sucessivamente, na cidade. É a transformação de Avignon em capital da Cristandade. Até o começo do século XV, a cidade conhece uma onda de prosperidade sem igual.

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A Corte Papal, que por si só é composta por um número entre 450 e 650 pessoas, de acordo com o papado, atrai inúmeros imigrantes, principalmente banqueiros e comerciantes. Igrejas e monastérios são encomendados e artistas e arquitetos são contratados para embelezar essas construções. Sem contar o Palais des Papes, suntuosa residência do pontífice construída a partir de 1334.

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Em 1348, esse enraizamento papal atinge o ápice. O então papa, Clément VI compra a cidade de Avignon da rainha Jeanne, que era também condessa de Provence. O valor da transação foi de 80 mil florins. A partir de 1355, torna-se necessário construir uma nova muralha, já que era preciso proteger o pontífice de eventuais ataques, assim como a população. É que a prosperidade de Avignon atraía também malfeitores.

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Porém, no final do século, Roma já oferece um contexto mais favorável ao retorno do papa para lá. Urbain V (Urbano V) é o primeiro a ensaiar essa volta, mas ele é obrigado a retornar a Avignon por causa da retomada da Guerra dos Cem Anos, entre a França e a Inglaterra. Ele queria acabar com o conflito. Então, é o sucessor, Grégoire VI (Gregório VI), em 1376, que faz o retorno definitivo a Roma.

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Só que, quando ele morre, em 1378, o Colégio de Cardeais se divide e elege dois papas: Urbain VI, que reina em Roma, com o apoio de alguns reinos, entre eles a Inglaterra; e Clément VII, que reina em Avignon, com apoio também de alguns soberanos, dentre eles o rei da França. É o Grande Cisma do Ocidente, quando a Igreja tem dois papas. Normalmente, o de Avignon é chamado de Antipapa, mas ambos os pontífices têm apoios, que mudam de acordo com o interesse de cada senhor feudal e monarca.

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O último papa a viver em Avignon é Benoît XIII (Bento XIII), eleito em 1394, que foge da cidade em 1403, recusando a abdicação. O Cisma dura quase 40 anos, terminando em 1417 com a eleição de Martin V.

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Após a partida do papa, a população da cidade cai pela metade: de 30 mil pessoas em 1370, para 15 mil cem anos depois. Mas a peste e catástrofes naturais também contribuem para essa redução. Porém, Avignon continua sendo um importante centro comercial, pois os banqueiros e comerciantes continuam ali mesmo depois da saída Corte papal.

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A cidade continua a ser administrada pela Igreja, através de cardeais. No plano artístico, as encomendas continuam a todo o vapor. Avignon se torna ponto de encontro de influências vindas da Itália, da França e dos Países Baixos. Na época da Contra-Reforma, século XVII, novos edifícios religiosos são construídos ou reformados, o que demanda ainda mais a presença de artistas.

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Já no final do século, a economia da cidade, que teve altos e baixos, começa a declinar. A principal atividade é a seda, mas ela enfrenta a concorrência de Lyon. Apesar de pertencer à Igreja, Avignon não paga impostos, mas favorece uma elite aristocrática. Assim, o povo vai, aos poucos, se voltando para a França. Em 1660, Louis XIV é aclamado em sua estadia na cidade. Sem contar que, por divergências contra a Igreja, por duas vezes Avignon é anexada ao reino francês: de 1662 a 1664 e de 1668 a 1669.

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No século XVIII, Avignon se parece mais com uma cidade francesa do que da Igreja. Em 1768, Louis XVI toma o lugar. O rei francês exige a expulsão dos jesuítas da cidade. Quando o papa cede, em 1773, ela é devolvida.

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Esse sentimento pró-francês presente na população, agravado pela crise econômica e por um sentimento de isolamento, vão levar a população da cidade a pedir reformas. Em 1790, em plena Revolução Francesa, o povo impõe ao papa um novo regime municipal. Como o representante do pontífice não aceita, a população, então, pede a anexação da cidade à França. Em 14 de setembro de 1791, os Estados Pontificais, que incluem o Comtat Venaissin e Avignon, são anexados ao território francês. O Papa Pie VI (Pio VI) renuncia definitivamente a estes territórios pelo Tratado de Tolentino, de 19 de fevereiro de 1797.

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No século XIX, a prosperidade econômica é reencontrada. Novas pontes sobre o rio Rhône e o Durance são construídas, feiras são reestabelecidas. Com a chegada da estrada de ferro, em 1854, Avignon intensifica seu papel comercial. Na segunda metade do século, acontece uma mudança no urbanismo, inspirada na que ocorreu em Paris. Novas ruas são abertas, novas construções, inclusive públicas, são realizadas e a cidade se desenvolve além-muros. O lado ruim dessa mudança é a destruição de muitos edifícios históricos. E muitos edifícios religiosos, confiscados na Revolução, acabam virando casernas para militares.

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Avignon passa incólume pela Primeira Guerra Mundial. Porém, no conflito seguinte tem a sua parte sul bombardeada entre maio e agosto de 1944. Nas últimas décadas, com o crescimento da cidade, aumentou a necessidade de preservar sua parte histórica. Restaurações e escavações arqueológicas têm esse objetivo. Em 1995, o centro histórico de Avignon entra para a lista de Patrimônios Mundiais da UNESCO. Em 2001, 147 construções são inseridas e classificadas como Monumentos Históricos pelo governo francês e esse número não para de aumentar.

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A visita

Como uma das mais importantes cidades francesas, Avignon guarda muitas atrações. Vou listar aqui o que visitei, mas claro que a prioridade de cada viajante é diferente.

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1) Palais des Papes – É a atração mais famosa e visitada de Avignon. O palácio começou a ser construído em 1334 pelo papa Benoît XII (Bento XII), a partir da destruição progressiva das salas do antigo palácio episcopal, que o seu antecessor, Jean XXII (João XXII), ocupava. O objetivo era construir uma moradia digna de um papa.

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Em 1342, Clément VI remodela a construção, dobrando a superfície do palácio. Assim, vemos praticamente dois estilos de construção: um mais sóbrio e austero, de acordo com a personalidade de Benoît XII; e outro mais luxuoso e decorado, de acordo com as preferências de Clément VII. Os papas seguintes não fizeram grandes trabalhos, pois estavam mais preocupados em voltar para a Itália. Depois, nos séculos XVI e XVII, foi transformado no Palais da Vice-Légation (do representante do papa) e caserna no século XIX.

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Hoje podemos visitar várias salas, tanto do Palais Vieux (a parte de Benoît XII) quanto do Palais Neuf (a parte de Clément VII). Elas estão em ótimo estado e mostram muito da arquitetura medieval do sul da França. Em breve, vou fazer um texto só sobre o Palais des Papes para detalhar a visita.

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Palais des Papes
Place du Palais
84000 Avignon
Horários: de 1 de setembro a 1 de novembro e de 1 de abril a 30 de junho, das 9h às 19h. De 2 de novembro a 29 de fevereiro, das 9h30 às 17h45. Em março, das 9h às 18h30. Julho, das 9h às 20h. E em agosto, das 9h às 20h30. Audioguia em português, grátis.
Tarifas: 12 euros. Reduzida (crianças de 8 a 17 anos e pessoas com mais de 60 anos): 10 euros. Entrada com a Pont Saint Bénezet: 14,50 euros. Reduzida, 11,50 euros. Crianças até 8 anos não pagam.

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2) Place du Palais – A praça onde está o Palais des Papes merece uma visita e até uma parada para tomar ou comer algo. É, na minha opinião, o conjunto arquitetônico mais bonito da cidade. E o mais curioso é que foi formado mais ao acaso que de propósito. À leste, ela é dominada pelas belas fachadas do Palais des Papes e pela Catedral.

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À oeste, o que se destaca é a imponente fachada do Hôtel des Monnaies, que foi construído durante o légation (o governo do representante do papa) do cardeal Scipione Boghese, no começo do século XVII. Esse palacete foi a primeira construção civil barroca de Avignon. Ao sul, está o Hôtel Calvet de la Palun, construído em 1789, nos últimos anos de domínio da Igreja na cidade. E, ao norte, o destaque vai para o Petit Palais, com sua fachada que foi uma das primeiras referências do Renascimento por estas bandas.

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À direita, o Hôtel des Monnaies
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Ao fundo, o Petit Palais

3) Cathédrale Notre-Dame-des-Doms – A construção do edifício atual começou no século XII. Ela é de estilo Românico Provençal, mas boa parte da sua decoração é de séculos posteriores. A sua fachada austera harmoniza perfeitamente com o Palais des Papes vizinho. Em cima do campanário, uma estátua da Virgem em chumbo dourado, realizada em 1859. Ela é visível em várias partes de Avignon. Darei mais detalhes sobre esta e outras igrejas da cidade em um post só sobre o assunto.

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Cathédrale Notre-Dame-des Doms
Place du Palais
84000 Avignon
Horários: de setembro a junho, de segunda a sábado, das 7h às 12h30 e das 14h às 18h30. Domingos, das 14h às 18h30. Julho e agosto, de segunda a sábado, das 7h às 18h30. Domingos, das 14h às 18h30.

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4) Petit Palais ou Palais des Archevêques – Foi construído na segunda década do século XIV e tem esse nome, Petit Palais, em referência ao poderoso vizinho, o Palais des Papes. Em 1335, o papa Benoît XII compra a construção e instala ali a sede da diocese. Em 1411, no final do Grande Cisma do Ocidente, o palácio estava em um estado lamentável. Então, é restaurado por dois de seus ocupantes: o bispo Alain de Coëtivy e por Giuliano della Rovere, seu sucessor e futuro papa, que chega em Avignon em 1474. É desta época que são as fachadas renascentistas da construção.

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Desde 1976, abriga um museu dedicado à arte italiana e também de Avignon, da Idade Média até o Renascimento. Vale demais a visita. Vou falar mais deste e de outros museus em um texto separado.

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Petit Palais
Place du Palais
84000 Avignon
Horários: de quarta a segunda, das 10h às 13h e das 14h às 18h.
Tarifa: 6 euros. Reduzida (jovens de 12 a 18 anos e pessoas com mais de 65 anos): 3 euros. Gratuito para crianças com menos de 12 anos.

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5) Pont Saint-Bénezet – É a famosa ponte de Avignon. É uma atração curiosa, pois é uma ponte pela metade. Mas há uma explicação para isso. Aliás, a história dela é cercada de lendas. A versão não-fantástica é de que havia ali uma ponte da época romana. Daí, em 1177, resolveram aproveitar as fundações desta ponte e construir uma nova. As pilastras eram de pedra, mas a plataforma era de madeira.

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Já a versão fantástica contou com muitos adeptos já no século XIII, graças aos participantes da Confrerie de l’Oeuvre du Pont, que precisava de fundos para manter a construção. A lenda conta que Bénezet era um jovem pastor, da região do Ardèche, que, em 1177, teria ouvido a voz do Cristo para construir uma ponte sobre o rio Rhône.

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Guiado por um anjo, ele chega à margem direita do rio e o atravessa em um barco, dando suas últimas moedas ao barqueiro. Ele vai, então, falar com o bispo de Avignon, que não acredita na história e o manda ao juíz. O magistrado, para testar o pastor, manda que ele erga uma enorme pedra, dizendo que se conseguisse o feito seria capaz de construir a ponte.

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Bénezet pega a pedra e a coloca no rio, no lugar indicado por Cristo para a construção da ponte. Ele morre em 1184 e é enterrado em uma capela construída numa das pilastras da ponte, a Chapelle Saint-Bénezet. Acima dela, é construída outra capela, a de Saint-Nicolas.

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Em 1186, foi autorizada a implantação de pedágio ali. Com 22 arcos e mais de 900 metros, a ponte era um ótimo negócio, pois era a única sobre o rio Rhône, de Lyon até o mar. No começo, a gestão da construção ficava a cargo da Confrerie de Oeuvre du Pont, fundada por Bénezet, e, a partir do século XIII, passou a ser feita pela cidade de Avignon.

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No cerco de 1226, a ponte foi destruída e reconstruída totalmente em pedra. Mas, a violência do rio e as constantes inundações faziam com que ela precisasse ser sempre reparada. Isso aconteceu até 1668, quando desistem de vez de consertá-la. Assim, os arcos foram desaparecendo ao longo dos anos. Atualmente vemos apenas quatro arcos e as capelas

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Hoje a Pont Saint-Bénezet é famosa por causa do seu “fundador”, que nunca foi santo oficialmente, mas é considerado como tal desde o século XIII. Sabemos muito pouco sobre ele, exceto que houve um bispo chamado Bénezet. A ponte também inspirou uma famosa canção infantil “Sur le Pont d’Avignon”, cuja origem ao certo também ninguém sabe. A cantiga foi popularizada por Adolphe Adam, em 1853, ao colocá-la como música para a opereta Le Sourd ou L’Auberge pleine.

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Chapelle Saint-Nicolas

A visita à ponte é bem interessante. Há uma sala com explicações detalhadas sobre sua história e podemos visitar a Chapelle Saint-Nicolas. Há também salas que mostram as pesquisas arqueológicas e de restauração do monumento, tendo até um filme de alguns minutos de duração. Além disso, a vista do rio e dos arredores a partir da ponte é bem bonita e a sensação de estar ali, ainda mais se estiver ventando, é muito gostosa, de liberdade.

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Pont Saint-Bénezet
Boulevard de la Ligne
84000 Avignon
Horários: Horários: de 1 de setembro a 1 de novembro e de 1 de abril a 30 de junho, das 9h às 19h. De 2 de novembro a 29 de fevereiro, das 9h30 às 17h45. Em março, das 9h às 18h30. Julho, das 9h às 20h. E em agosto, das 9h às 20h30.
Tarifa: 5 euros. Reduzida (crianças de 8 a 17 anos e pessoas com mais de 60 anos): 4 euros. Com o Palais des Papes: 14,50 euros. Reduzida: 11,50 euros. Crianças até 8 anos não pagam.

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6) Les Remparts (As muralhas) – Alguns documentos mostram que havia uma muralha no século XI em Avignon, mas não há vestígios desta época. Entre os séculos XII e começo do XIII, foi edificada uma proteção reforçada, cujo único fragmento ao ar livre podemos ver na rue Saint-Charles. Em 1226, quando a cidade ficou contra o rei Louis VIII, as muralhas foram destruídas e o povo ficou proibido durante cinco anos de construir outra. Em 1234, uma nova muralha é erguida, que, por sua vez, é desmanchada em 1251.

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Porém, o crescimento da população além dos limites dos antigos muros atrai problemas de segurança para a cidade. Assim, em 1355, durante o papado de Innocent VI, é decidida a construção de uma nova muralha que incluísse a proteção para os novos bairros. Os trabalhos duram dez anos, mas ela oferece pouca segurança, pois é, em grande parte, feita de madeira.

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Então, em 1359, é substituída por uma obra em pedra. Os trabalhos duram décadas e a cada ataque elas são reparadas ao longo dos anos. Algumas partes são demolidas, outras restauradas ou reforçadas ou até mesmo reconstruídas ou mudadas de lugar. Até que, em 1860, são restauradas por Viollet-le-Duc.

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Um exemplo é a Porte Saint-Lazare, fortificada em 1568, por onde passava a maioria das entradas solenes em Avignon. Como a da rainha Marie de Médicis, em 1600. Outras portas foram construídas nos séculos seguintes e podemos vê-las pela cidade. Há também várias poternas, que são pequenas aberturas ou portas de menos importância.

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7) Rocher des Doms – Um dos lugares mais antigos de Avignon, pois foi ocupado desde o período Neolítico. Foi uma fortaleza na época romana e até a Alta Idade Média. Abrigou também cemitérios, capelas, calvários e até moinhos.

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Em 1831, decidem transformar o lugar em jardim. Mas a grande transformação somente vai acontecer durante o Segundo Império, em meados do século, com a criação de um lago e um novo desenho paisagístico, com o plantio de novas espécies de árvores e plantas.

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No começo do século XX, esculturas são adicionadas ali. Podemos ver a “Le Vénus aux Hirondelles”, a estátua de Jean Althen, e os bustos de Félix Gras, Paul Saïn e Paul Vayson. Em 1924, é a vez do Monument aux Morts, obra de Bottinelli, ser inaugurada ali.

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Estátua de Jean Althen, agrônomo armênio do século XVIII, refugiado em Avignon e que contribuiu para o desenvolvimento da Agronomia na cidade

Cinquenta anos depois, uma esplanada é construída no Jardim. Ela cobre os reservatórios de água de Avignon e oferece uma bela vista dos arredores da cidade. Em dias claros, é possível ver até o Mont Ventoux, uma das montanhas mais altas da Provence.

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Jardin du Rocher des Doms
Place du Palais, Montée des Doms
84000 Avignon
Horários: dezembro e janeiro, das 7h30 às 17h30. Fevereiro e novembro, das 7h30 às 18h. Março, das 7h30 às 19h. Abril, maio e setembro, das 7h30 às 20h. Junho, julho e agosto, das 7h30 às 21h. Outubro, das 7h30 às 18h30.
Tarifa: grátis.

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8) Place de l’Horloge – Se a Place des Papes é impressionante do ponto de vista arquitetônico, é na Place de l’Horloge que está o coração da cidade. Na época dos romanos, ela abrigava o Forum, que era a parte central de uma cidade romana. Na Idade Média, foi o lugar da feira mais importante de Avignon.

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A primeira ampliação da praça aconteceu em 1447, quando a Maison Commune, onde ficavam os Cônsules que dirigiam a cidade, é instalada ali perto. Mas até o século XIX, ela estará sempre em obras. Em 1791, em plena Revolução Francesa, ela é chamada Place de la Révolution e é em meados do século XIX que adquire a forma que vemos hoje.

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A Place de l’Horloge é o ponto mais animado de Avignon. Ela abriga o Hôtel de Ville – onde fica a administração da cidade -, o Teatro Municipal e vários restaurantes. É nela que ocorre, na época do Natal, o Marché de Noël de Avignon.

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Mais uma da praça enfeitada para o Natal

9) Hôtel de Ville – Como disse acima, é a sede da administração da cidade. É nesse palacete que trabalha o prefeito. Em 1447, os Cônsules, que governavam Avignon, compram dos beneditinos o convento Saint-Laurent e constróem a Maison Commune. Em meados do século XIX, é decidida a construção de uma sede mais de acordo com a importância da cidade na época. O projeto é do arquiteto Joseph-Auguste Joffroy. Apesar de ter sido terminado somente em 1856, foi inaugurado antes, em 1851, pelo então presidente da República, Louis-Napoléon Bonaparte, futuro imperador Napoleão III.

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10) Tour du Jacquemart – Também fica na Place de l’Horloge. É o antigo beffroi (torre civil) que fazia parte do convento Saint-Laurent, no século XIV, e da Maison Commune, no XV. De acordo com brasões na abóbada, ela foi construída a mando do cardeal Audouin Aubert, sobrinho do papa Innocent VI, entre 1352 e 1363. Na época da construção do Hôtel de Ville, esta torre acabou sendo englobada no projeto, o que foi criticado pelos defensores do patrimônio. A instalação do relógio e de um primeiro Jacquemart – o bonequinho que dá as horas – é de 1471. O Jacquemart atual e sua esposa são de 1856 e a cada hora é legal vê-los em ação. Foi este relógio que batizou a torre (Tour du Jacquemart) e a praça (Place de l’Horloge), pois Horloge é relógio em francês.

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11) Théâtre Municipal (Teatro Municipal) – No século XIX, é decidida a construção de um teatro ainda no terreno do antigo convento Saint-Laurent. Os trabalhos terminam em 1825, mas, vinte e um anos depois, é destruído em um incêndio. Alguns meses antes, Franz Liszt havia tocado ali. Um ano depois ele é reconstruído com projeto dos arquitetos Théodore Charpentier e Léon Feuchères. Destaque ao lado da escadaria para as estátuas dos dramaturgos Molière e Corneille. As originais foram substituídas no começo do século XX por cópias realizadas por Jean-Pierre Gras.

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12) Rue de la République – Em meados do século XIX, a chegada da estrada de ferro transforma a vida em Avignon. A administração, então, decide pela construção de uma longa via que saísse de perto da estação, atravessasse as muralhas e chegasse à Place de l’Horloge. Os trabalhos começam em 1853 e vão até 1867. Por causa da abertura da rua, uma nova porta foi construída na muralha, a Porte de la République. Ela foi encomendada por Viollet-le-Duc e, como várias obras do arquiteto, tem um aspecto medieval.

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A realização dos imóveis foi feita depois da abertura da rua. Destaque para o Hôtel Danieli, obra do arquiteto Valentin, terminada em 1874. Este famoso hotel ocupa o mesmo edifício que o Ho36, em que fiquei hospedada. Hoje, a Rue de la République é a mais importante da cidade e é cheia de lojas. Esta vocação comercial é presente ali desde o começo do século XX.

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A construção onde fica o Hotel Danieli e o Ho36

13) Square Agricol Perdiguier – Na Idade Média, uma abadia beneditina ficava ali. É possível ainda ver suas ruínas. Depois foi o lugar da igreja Saint-Martial, desativada na Revolução Francesa. No começo do século XIX, torna-se um jardim botânico por iniciativa de Esprit Requien, botanista e conselheiro municipal.

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Porém, com as mudanças urbanas de meados do século XIX, o jardim é diminuído pela metade. Em 1990, três arquitetos redesenham o lugar. Hoje, ele guarda uma coleção de flora mediterrânea e as ruínas do claustro gótico foram integradas à paisagem. É um bom lugar para descansar das caminhadas e comer algo gostoso no café que tem ali.

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Square Agricol Perdiguier
41 Cours Jean Jaurès
84000 Avignon
Horários: Aberto todos os dias do ano. De 1 a 28 de fevereiro e de 1 a 30 de novembro, das 7h30 às 18h. De 1 a 31 de março, das 7h30 às 19h. De 1 de abril a 31 de maio e de 1 a 30 de setembro, das 7h30 às 20h. De 1 de junho a 31 de agosto, das 7h30 às 21h. De 1 a 31 de outubro, das 7h30 às 18h30. De 1 de dezembro a 31 de janeiro, das 7h30 às 17h30.
Tarifa: Gratuito.

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14) Place de la Préfecture – Em volta dela estão reunidos os palacetes que abrigam serviços administrativos do Departamento de Vaucluse, onde Avignon está situada. Como, por exemplo, o Hôtel de Forbin de Sainte-Croix, de 1718, que foi adquirido em 1822 para abrigar a prefeitura do departamento de Vaucluse.

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Outro palacete da praça é o Hôtel Desmarets de Montdevergues. Construído em 1710, abriga desde a segunda metade do século XIX o Conseil Général (Conselho Geral) de Vaucluse. E ali perto, na rue Dorée, há ainda o Hôtel de Sade, do século XVI, que também abriga o Conselho Geral.

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Hôtel Desmarets de Montdevergues

15) Place Crillon – Tem esse nome por causa de Louis Des Balbes de Berton de Crillon, capitão do século XVII morto em Avignon. Até 1900, havia ali uma porta na muralha. Hoje vemos uma brecha que dá para o rio Rhône. Essa praça também já foi chamada Place de la Comédie. Isso porque abrigava uma sala de espetáculos construída na primeira metade do século XVIII e que foi usada até a construção do Teatro Municipal. Hoje, só resta a fachada desta antiga sala, reconstituída há pouco tempo. Em volta da praça há também alguns restaurantes e cafés, com mesas ao ar livre.

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16) Outras praças charmosas da cidade: a Place Saint-Didier, que abriga uma igreja de mesmo nome. Tem também a Place Pio, construída a partir de 1562 e que tem esse nome por causa do Papa Pie VI (Pio VI). Desde sua construção até hoje, essa praça tem a vocação de acolher o mercado da cidade.

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Place Saint-Didier

Há ainda a Place des Carmes onde acontece, aos domingos de manhã, um tradicional mercado das pulgas. Ela abriga a igreja Saint-Symphorien, única construção sobrevivente do antigo Couvent des Carmes (Convento dos carmelitas). Destaque também para a Place des Corps Saints, onde havia um cemitério na época romana, e que hoje é repleta de bares e restaurantes. E a Place Cloitre Saint Pierre, onde fica a igreja Saint-Pierre. Só para citar algumas praças.

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Place des Carmes
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Place Cloître Saint-Pierre

17) Marché des Halles (Mercado coberto) – Fica na Place Pio. Apesar da vocação da praça para trocas comerciais ser antiga, o primeiro mercado com estrutura de ferro é construído em 1864. Mais tarde, ele é demolido para a construção de um maior, inaugurado em 1899. Este, por sua vez, dá lugar para a estrutura atual, erguida de 1972 a 1974. Hoje, o mercado coberto acolhe quarenta comerciantes, a maioria especialista em produtos provençais. Aos sábados, às 11 da manhã, acontecem demonstrações culinárias com chefs locais.

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Marché des Halles
Place Pie
84000 Avignon
Horários: de terça a sexta, das 6h às 13h30. Sábados e domingos, das 6h às 14h.

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18) As ruas do centro histórico de Avignon são igualmente charmosas. Um exemplo é a Rue Joseph-Vernet, com palacetes aristocráticos dos séculos XVII e XVIII e que segue o traçado da antiga muralha dos séculos XII e XIII. Há também a Rue Peyrolerie, construída em um rochedo. Já a Rue du Vieux-Sextier foi aberta em 1754 pelos arquitetos da região, Jean-Baptiste e Jean-Pierre Franque. Eles constróem ali açougue, triparia e peixaria, construções que são decoradas por cabeças de animais e pelos instrumentos dessas profissões. Enfim, todas as ruas do Centro Histórico de Avignon merecem um passeio.

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Rue Peyrolerie

Mas a que achei mais curiosa foi a Rue des Teinturiers. Ela segue o curso de um braço do rio Sorgue, que podemos ver acionando várias rodas de pás. No século XVIII, era ali que era realizada a fabricação de chita. No século XIX, o local é restaurado e abriga outras atividades.

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É nessa rua que fica a Chapelle des Pénitents Gris, construída no século XIV, e a Maison du Quatre de Chiffre, de 1493, uma das últimas residências góticas visíveis na cidade.

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19) Clocher des Augustins – É uma torre construída entre 1372 e 1377 e que constitui o único vestígio do Couvent des Augustins, destruído na Revolução Francesa. O primeiro relógio instalado no Clocher data de 1497. Está situado na Rue Carreterie.

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20) Palais de Justice ( Palácio da Justiça) – Fica na Rue du Général Leclerc. Era o antigo seminário Sainte-Garde, instalado ali em 1752. Já a capela, construída em 1769 por Jean-Baptiste Lambertin, foi a última construção religiosa do Antigo Regime. Na primeira metade do século XIX, o conjunto foi transformado em Palais de Justice, e a capela virou sala de audiência. O tribunal funcionou ali até o ano 2000, quando foi transferido para um edifício mais moderno.

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21) Le Rhône (Rio Ródano) – Não dá para ir a Avignon sem dar uma volta pelas suas margens. Ele foi essencial para a cidade desde a Pré-História, pois, sendo a ligação entre a Europa do Norte e o Mediterrâneo, exercia um importante papel no comércio da região. Uma curiosidade é que as pedrinhas (galets) do Rhône foram usadas, desde a Idade Média, como calçamento para as ruas do Centro Histórico.

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22) Île de la Barthelasse – Foi anexada a Avignon no final do século XIX. Com mais de 700 hectares, é a maior ilha fluvial da França. Ela pode ser alcançada a partir de Avignon por uma travessia rápida em um barco (navette fluviale) ou a pé mesmo, pela ponte Édouard Daladier. Bem preservada, é um passeio agradável, com uma flora e fauna rica, e de onde temos uma bela vista de Avignon e da Pont Saint-Bénezet.

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Navette Fluviale
Horários: de 16 de fevereiro a 31 de março e do 1 de outubro a 31 de dezembro, quartas, das 14h às 17h15, e sábados, domingos e feriados, das 10h às 11h45 e das 14h às 17h15. De 1 de abril a 30 de junho e de 1 a 30 de setembro, todos os dias, das 10h às 12h15 e das 14h às 18h15. De 1 de julho a 31 de agosto, todos os dias, das 11h às 20h45. Fechado de 1 de janeiro a 15 de fevereiro.
Também é possível chegar à ilha atravessando a ponte Édouard Daladier.

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23) Festival de Avignon – O maior festival de teatro da França. Foi criado em setembro de 1947, por Jean Villar, ator, cenarista e diretor de teatro, para acompanhar uma exposição de pinturas e esculturas contemporâneas no Palais des Papes. Hoje, o festival acontece em julho e dura um mês. Durante esse tempo, a cidade vira um centro cultural gigante. Além das peças em vários teatros e edifícios históricos espalhados por Avignon – tem representações até no Palais des Papes -, há várias manifestações na rua, nem todas oficiais. É um clima de festa por toda a cidade, que fica bem lotada. Em 1968, é criado o Festival OFF, com espetáculos de jovens companhias que não estão na programação oficial.

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Esse ano, o Festival de Avignon acontece de 6 a 24 de julho e está na sua 72a. edição. Para consultar a programação oficial, veja aqui. Para ver a programação do OFF, clique neste site.

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24) Petit Train (Trenzinho) – Durante a temporada, um trenzinho sai da Place du Palais e faz um trajeto de 45 minutos, percorrendo os principais pontos turísticos em uma visita comentada em várias línguas. O preço é de . Eu sempre faço esses passeios. Primeiro para me localizar na cidade e ver as atrações que são perto umas das outras. Segundo, porque acho divertido.

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Petit Train
Place du Palais
84000 Avignon
Horários: de 15 de março a 30 de outubro, todos os dias, das 10h às 18h. Julho e agosto até às 20h. Saídas a cada meia hora.
Tarifas: 9 euros. Reduzida (crianças de 4 a 12 anos): 6 euros. Gratuito para os menores de 4 anos.

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Como ir a Avignon – Em Paris, a partir da Gare de Lyon, pegar o trem e descer em Avignon Centre. A viagem dura entre 3 horas e 3 horas e meia. Para saber mais, veja no site da Oui.SNCF, a companhia de trem francesa. Mais informações sobre Avignon, consulte o site do Office de Tourisme da cidade

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Renata Rocha Inforzato

Sou de São Paulo, e moro em Paris desde 2010. Sou jornalista, formada pela Cásper Líbero. Aqui na França, me formei em História da Arte e Arqueologia na Université Paris X. Trabalho em todas essas áreas e também faço tradução, mas meu projeto mais importante é o Direto de Paris. Amo viajar, escrever, conhecer pessoas e ouvir histórias. Ah, e também sou louca por livros e animais.

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