Newsletter Direto de Paris #12

Newsletter 12
Foto da cidade de Amboise, no Vale do Loire. Uma das próximas matérias do site será sobre ela

 

Olá! Feliz Ano Novo! Nem acredito que chegamos a 12a edição da nossa Newsletter. O tempo realmente passou muito rápido. Se você chegou até aqui é porque optou por receber o link da Newsletter por email. Se quiser sair, é só clicar no último link do email ou me mandar uma mensagem para contato@diretodeparis.com, colocando o assunto para não ir para a caixa de spam. Se quiser ler as edições anteriores, clique aqui.

Espero que seu 2023 seja ótimo e que tudo tenha corrido bem durante as festas, seja em família, entre amigos ou mesmo sem ninguém. Desejei “Feliz Ano Novo” ali em cima, embora já tenha passado quase uma semana desde o  reveillon. Mas isso é normal nessas terras francesas. Sabe por quê? É que aqui as pessoas não desejam Bonne Année (Feliz Ano Novo) antes de primeiro de janeiro. Fui ao mercado no dia 31 de dezembro e só me deram “bonne soirée” (algo como “tenha uma boa noite”). Em compensação, ontem voltei ao mesmo mercado e recebi vários “Feliz Ano Novo”. E isso vai até 31 de janeiro. No dia 06, ou no domingo seguinte, é a vez de comemorar a Epifania (expliquei abaixo como é a festa por aqui) e de desmontar as decorações de Natal. Muita gente aqui compra árvores naturais para o Natal e neste começo de janeiro as prefeituras indicam os lugares para as pessoas deixarem as árvores. Aqui perto de casa tem um e está cheio já. Muita gente já me perguntou se o uso de árvore de Natal natural é prejudicial à natureza. A resposta é não: as árvores são cultivadas em plantações específicas para isso, em solos que normalmente não são bons para a agricultura tradicional. E depois de usadas e descartadas, elas são recicladas. Assim, o impacto ambiental é bem reduzido.

 

O dia de reis na França

 

Assim como em vários lugares do mundo, o dia 06 de janeiro é o dia dos reis ou da Epifania. Mas como isso é celebrado na França? Quais são as tradições? Vou fazer um apanhado geral sobre a festa por aqui. Os franceses gostam muito da data, principalmente as crianças, porque é a ocasião de comer algo bem gostoso: a galette des rois.

Mas o que é a Epifania? Segundo a tradição cristã, é o dia em que os três Reis Magos visitam o pequeno Jesus na Gruta de Belém, se ajoelham diante dele e o adoram. E levam os presentes, que são ouro, incenso e mirra. Ainda segundo os cristãos, a atitude dos Reis Magos diante de Jesus marca a primeira manifestação de que Jesus é o Filho de Deus e a Salvação da Humanidade. 

Aqui na França o modo de festejar a Epifania tem origem pagã. No dia 6 de janeiro ou no domingo seguinte (caso o 6 de janeiro caia na semana, como acontece esse ano), o pessoal compra, nas padarias ou mesmo no supermercado, a galette des rois, uma espécie de torta. As pessoas da casa se reúnem em torno da mesa e cortam a guloseima em fatias, óbvio que o número de fatias é de acordo com o de pessoas. Um dos pedaços é contemplado com a fève (fava), um objeto que pode ser um doce, de plástico, de porcelana, etc. Quem pegar este pedaço é o rei do dia (em algumas casas até da semana). Junto com as galettes vem uma coroa, geralmente de papel, para coroar o sortudo que encontrou a fava.

 

Adoration
Jan Brueghel l’Ancien, Adoration des Mages (Adoração dos Magos), 1594, Galleria Colonna, Roma.

 

Mas, por que a origem pagã? É que a tradição da galette e fava vem dos romanos. Durante a Antiguidade, eles organizavam banquetes onde escondiam um objeto em um bolo. Nos banquetes mais ricos, o objeto era de ouro. Nos mais pobres, a prenda era um feijão. Aquele que tinha a sorte de encontrar o “corpo estranho” em seu pedaço, era o rei da festa. Muitas fontes dizem que esta tradição romana acontecia nas Saturnálias, festa dedicada ao deus Saturno, e que, na celebração, se dividia um bolo e um dos pedaços tinha a fava, e aquele que a encontrava era o rei. Normalmente, a festa era uma inversão de papéis: os escravos eram convidados a participar e se algum deles tirava o objeto tinha seus desejos realizados pelo seu senhor e se tornava o “Príncipe das Saturnálias”.

Na França, na época da Monarquia, a festa dos reis era comemorada na Corte. Segundo alguns historiadores, não havia rei do dia, a não ser que fosse uma mulher que encontrasse o objeto. Aí sem problemas dela ser a “rainha do dia”, pois o soberano de verdade não iria se incomodar. Já a verdadeira rainha é outra história… Porém, Louis XIV teria acabado com a prática, mas o pessoal, mesmo na Corte, continuava “virando rei” por diversão e até nomeava ministros. Dizem que a forma redonda da galette também teria sido instituída pelo Rei-Sol.

A Galette des Rois pode ser de maçã, do tipo brioche, ou de frangipane. Já vi vários tipos nesses anos todos. Esta última é a mais tradicional. Ela é feita com massa folhada e o creme de amêndoas, a frangipane. Mas de onde vem este creme, que é uma delícia? Bom, existem várias versões sobre sua origem. A primeira delas é que a frangipane teria sido criada pelo conde Cesare Frangipani e ele teria dado a receita à rainha Catherine de Médicis para ser usada no casamento dela, em meados do século XVI. 

 

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Jean-Baptiste Greuze, Le Gâteau des Rois (O Bolo de Reis), 1774, Musée Fabre, Montpellier.

 

A segunda versão diz que um botânico italiano, Mutio Frangipani, havia descoberto uma árvore nas Antilhas no final do século XV, o frangipanier. E o creme de amêndoas teria recebido o nome de frangipane porque tinha o mesmo cheiro da árvore. Porém, foi o botânico francês Charles Plumier que descobriu esta árvore e o nome científico dela é Plumeria Alba. A terceira versão diz que o marquês Pompéo Frangipani, marechal da Corte de Louis XIII (começo do século XVII) teria desenvolvido o perfume de frangipane para esconder o cheiro forte de couro das suas luvas e sapatos. E aí o creme de amêndoas tinha o mesmo odor (do perfume, não do couro) e passou a se chamar frangipane.

Bom, independentemente das versões, o fato é que aqui na França cerca de 30 milhões de galettes são vendidas em janeiro e 94% dos franceses ou moradores da França compram a iguaria. Eu comprei a minha, mas vamos reparti-la no domingo de manhã. Para terminar o texto uma curiosidade: o Presidente da França recebe a galette, mas, para evitar toda polêmica, ela é chamada de Galette de l’Égalité (da Igualdade), que é o nome que a torta tinha na época da Revolução Francesa. E nos pedaços da torta servida ao Presidente, não tem a fava. Vai que o próprio chefe do Executivo é premiado e resolve virar rei para sempre. Melhor prevenir, né?

 

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Para quem gosta de ler!

 

Três mulheres fortes (Trois femmes puissantes), Marie Ndiaye.
Editora Cosac & Naify (11 de março de 2013).
304 páginas

Este é um livro que saiu na França há uns 14 anos e o tema continua atual. Ele traz a história de três mulheres: são três personagens cujas histórias são contadas separadamente e que não se relacionam, não se conhecem. O que elas têm em comum? São todas negras e com raízes senegalesas. Mas não é só isso: as três são obrigadas a enfrentar os demônios do passado ou da tradição de suas culturas. A primeira, Nora, é uma advogada, casada, bem-sucedida, que, quando menos espera, é obrigada a reencontrar seu pai e seu sentimento de rejeição. A segunda história mostra Fanta, e o verbo mostra é bem colocado aqui, já que a personagem só aparece através dos pensamentos e visões atormentadas do seu marido e vemos até que ponto os sentimentos e traumas do homem afetam a alegria de viver de sua mulher.

A terceira história conta a vida de Khady. Viúva, é mandada embora pela família do marido com uma missão: ir para a França e mandar dinheiro para eles. Acompanhando a história da jovem, vemos os meandros da imigração clandestina e o desespero das pessoas para chegar até a Europa. A escrita de Marie Ndiaye é cativante, nos tira o fôlego, mas também é crua e um tanto cruel, como a vida de suas protagonistas. A autora é ela mesma francesa de raízes senegalesas, e há muito dela mesma nestas três mulheres poderosas. O livro ganhou o prêmio Goncourt em 2009, o mais importante da Literatura Francesa. O irmão da escritora, Pap Ndiaye, é o atual Ministro da Educação da França.

 

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Personagem

Colette – a escritora livre por excelência

 

Colette é uma das maiores escritoras francesas. Com uma vida cheia de reviravoltas, não hesitou em transcrever sua liberdade e independência no papel. Dona de uma escrita rica e fluída, suas obras celebram a beleza e o amor.

Sidonie-Gabrielle Colette nasce em 28 de janeiro de 1873, na cidade de Sauveur-en-Puisaye, na região da Bourgogne, na França. Caçula de quatro filhos, ela passa uma infância feliz e confortável. Sua mãe, Sidonie Landoy, conhecida como Sido, era uma mulher fora do comum para sua época, pois era ateia, feminista e intelectual, e incentivou a filha a ler os clássicos da literatura e a ser observadora. Seu pai era Joseph Colette, militar que havia perdido uma perna na batalha de Melegnano, pela independência da Itália, em 1859, e que trabalhava como cobrador de impostos. Ele era outro que incentivava a educação literária e laica dos filhos. Como a família enfrenta dificuldades financeiras pelo seu modo luxuoso de vida, é obrigada a se mudar para Châtillon-sur-Loing, perto do Vale do Loire.

Colette era ainda uma adolescente quando encontra Henry Gauthier-Villars, quatorze anos mais velho do que ela e que tinha fama de sedutor. Eles se casam em 15 de maio de 1893 e vão morar em Paris, em um apartamento em cima da editora Gauthier-Villars, a empresa da família dele. Willy, como é conhecido, é influente no meio literário e autor de várias obras. Mas, na verdade, ele paga para que outras pessoas escrevam os textos e depois assina as obras, ou seja, recorre ao que hoje a gente chama ghost writer ou escritor fantasma.

 

Colette
Colette em torno de 1890, autor desconhecido. Domínio público

 

Assim, Colette é introduzida aos círculos literários e leva uma vida social bem agitada ao lado de Willy.  Ela faz sucesso por causa da sua beleza e de seu sotaque da Borgonha. Ao notar o talento de escritora da esposa, Willy começa a utilizá-la como escritora fantasma. Para escrever suas obras, Colette utiliza, além da imaginação, vários fatos de sua própria vida. É assim que nasce, em 1895, a série de livros Claudine, baseada em suas lembranças de infância. O primeiro deles,Claudine à l’école, publicado em 1900, faz tanto sucesso que mais três livros foram publicados em sequência, todos escritos por Colette e assinados por Willy.

A jovem escritora também é adepta da moda. Em 1902, ela foi uma das primeiras a usar o cabelo curto, no estilo melindrosa. Em 1905, o casamento acaba: Colette estava cansada das traições do marido e do fato dele assinar as obras que ela escrevia. No mesmo ano, ela publica Dialogues de bête, assinando ela mesma a obra, com o nome de Colette Willy. Adquirindo os direitos da série Claudine, ela publica, em 1907, La retraite Sentimentale, o último livro da série. 

A partir de 1906, Colette começa no mundo dos espetáculos de pantomima, que são peças baseadas em expressões faciais e mímicas. As apresentações da jovem fazem escândalo, pois ela usa roupas bem leves, com a cor da pele, o que a faz parecer nua. Nesta mesma época, Colette aumenta ainda a polêmica, se envolvendo com mulheres. Seu caso mais conhecido é com Mathilde de Morny, chamada de Missy, que vinha da nobreza e era sua companheira de palco. Elas vivem sua relação livremente, se refugiando na villa  Rozven, na região da Bretanha, que Missy compra em 1910 usando o nome de Colette. É que a proprietária se recusa a vender a casa para a aristocrata, pois esta se “veste de homem”. Ali, Missy e Colette fazem várias festas e reuniões, durante o verão, que atraem vários artistas e intelectuais. E Colette passa temporadas no lugar até 1924.

 

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Colette fotografada por Henri Manuel, fotógrafo francês, em torno de 1910. Domínio público

 

Colette nunca deixa de escrever, e publica várias obras com traços autobiográficos, tais como Les Vrilles de la vigne, de 1908, La Vagabonde, 1910, ou L’Envers du music-hall, publicado em 1913 com textos que ela escreveu para o jornal Le Matin. Em 1912, ela se casa com Henry de Jouvenel, jornalista e político, que era o diretor deste jornal. No ano seguinte, nasce a única filha da escritora, Colette de Jouvenel. Porém, o casamento começa a desmoronar: Henry é infiel e Colette acaba por se envolver com o enteado, Bernard de Jouvenel, que tem somente 16 anos. Já no plano profissional, ela tem mais sucesso: em 1919 se torna diretora do Le Matin e continua a publicar suas obras, das quais a mais conhecida é Chéri, de 1920.

Em 1919, ela contrata Léopold Marchand, dramaturgo e crítico de teatro, para escrever uma coluna no jornal. É o começo de uma longa parceria profissional: Marchand vai adaptar para o teatro algumas obras de Colette e ela vai escrever críticas das peças dele. Nesta mesma época, entre 1919 e 1925, ela escreve junto com Maurice Ravel a obra lírica  “L’enfant et les sortilèges” . Em 1923, sai o divórcio entre Colette e Henry. No começo de 1925, ela conhece Maurice Goudeket, que será seu terceiro e último marido.

Nos anos 1930, Colette passa um tempo na Côte d’Azur. Em 1932, abre um instituto de beleza em Paris, que não tem muito sucesso e fecha. Também nessa época e no começo da Segunda Guerra, ela publica textos em alguns veículos mais conservadores. Na verdade, não é por escolha. Os escritores publicavam suas obras em jornais, como uma antecipação, antes de publicá-las com as editoras. E como Colette vivia na zona ocupada da França, os jornais mais progressistas, publicados na zona livre, eram proibidos de circular. Ela passa quase toda a duração da guerra em Paris, exceto durante alguns meses onde vai para a casa da filha, na região da Corrèze, no sudoeste do país.

 

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Colette em 1912, fotografada por Henri Manuel. Domínio Público

 

Em dezembro de 1941, seu marido, Maurice Goudeket, que era judeu, é preso pela Gestapo. Ele é transferido para o campo de Compiègne, no norte da França, onde fica até fevereiro do ano seguinte, sendo libertado graças à influência de Colette. Após a Segunda Guerra, ela começa a escrever para revistas femininas, como Elle e Marie Claire. Nesta altura da vida, Colette, já na maturidade, gozava de uma carreira sólida e de grande prestígio, apesar de todas as polêmicas, mas as consagrações maiores viriam nos anos seguintes, já no final da vida.

Em 1945, ela é eleita por unanimidade para a Academia Goncourt, que é responsável pelo Prêmio Goncourt, o mais importante prêmio literário francês. Em 1949, Colette se torna presidente desta mesma academia, sendo a primeira mulher a ocupar este cargo. Ainda em 1945, Maurice, o marido de Colette, cria a editora Le Fleuron para publicar as obras completas da esposa. Foi uma tarefa difícil conseguir a autorização de todas as editoras onde ela antes havia publicado, mas ele conseguiu. Em 1952, é a vez da carreira de atriz de cinema nascer: Colette interpreta ela mesma em um documentário que lhe é dedicado por Yannick Bellon e que se chama Colette. Foi o único filme em que ela apareceu.

Uma outra grande consagração acontece em 1953, quando a escritora recebe a medalha de Grande-Oficial da Legião de Honra (Légion d’Honneur). Mas sua saúde piora cada vez mais por causa da artrite, que a imobiliza e prejudica seu trabalho. Até que, em 3 de agosto de 1954, Colette morre, aos 81 anos, em seu apartamento perto do Palais-Royal, em Paris, onde ela vivia já há alguns anos. Por causa da sua vida “libertina”, a Igreja lhe recusa um enterro religioso. Então, a República Francesa se encarrega do assunto e Colette se torna a primeira mulher a ter um funeral de Estado. Em 2018, o diretor inglês Wash Westmoreland realiza um filme sobre a vida da escritora, com Keira Knightley no papel de Colette.

 

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Colette. Data desconhecida. Prod. DB ©DRCOLETTE

 

Para Passear

Paris – seguindo os passos de Colette

 

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Placa em homenagem a Colette nos jardins do Palais-Royal

 

Em Paris, não há um museu sobre Colette e nem podemos visitar os lugares onde ela morou. Mas, para mim, já é interessante ao menos passar na frente deles e ter uma ideia de como a escritora viveu na Cidade Luz, no final do século XIX e boa parte do XX. Começamos pelo Palais-Royal. Colette viveu ao lado, em um apartamento nas galerias, de 1927 até 1930. Depois voltou em 1938 e ficou até 1954, quando morreu ali mesmo. O ambiente calmo e ao mesmo tempo “literário” do lugar com certeza foi um deleite e inspiração para a escritora. Usei a palavra “literário” porque Colette teve como vizinho o poeta Jean Cocteau, que chega ali em 1941. Então, imagine os papos entre eles.

Ali, no lugar do seu apartamento há uma placa comemorativa. É uma boa pedida andar pela galeria, vendo suas lojas e restaurantes bem charmosos, depois flanar pelos jardins e fazer uma pausa, sentando em uma das cadeiras que tem no lugar. E, por fim, ver o próprio Palais-Royal, admirar sua arquitetura e as obras de arte contemporâneas que ficam ali. Com certeza, vai ter turistas subindo ou sentando nas colunas de Daniel Buren. Veja os textos que fiz aqui no site sobre o complexo do Palais-Royal. Outro lugar em Paris que guarda a memória de Colette é, é claro, o seu túmulo. Parece meio mórbido citar, mas aqui em Paris os cemitérios são verdadeiros panteões de personalidades e vários túmulos são verdadeiras obras de arte. O de Colette é simples e fica no Père-Lachaise, o mais famoso cemitério de Paris, onde estão enterrados também Balzac, Oscar Wilde, Jim Morrison, entre outros. Veja o texto aqui do site sobre o Père-Lachaise.

 

Túmulo colette

 

Colette em  Saint Sauveur-en-Puisaye – Bourgogne-Franche-Comté

 

A cidade natal de Colette, Saint-Sauveur-en-Puisaye, na região da Bourgogne-Franche-Comté, abriga dois lugares importantes relacionados à vida da autora. Primeiro, é a casa onde ela nasceu e viveu. Visitar este lugar é como visitar a escritora. Tanto o exterior quanto o interior da residência foram restaurados e reconstituídos como no tempo em que ela viveu ali. E os próprios textos de Colette, além de documentos, foram usados para fazer esta reconstituição. Na Maison Natale de Colette também são realizados eventos, como conferências, festivais, leitura de obras ou ateliês, por exemplo. A segunda atração na cidade ligada à vida da autora é o Musée Colette. Este museu  foi aberto em 1995, por iniciativa da filha da escritora, Colette Renée de Jouvenel.O edifício escolhido para abrigar o museu foi um castelo reconstruído no século XVII, mas que possui uma torre da Idade Média, que fica bem no centro da cidade. Colette mesmo nunca viveu neste castelo, mas ela o menciona em sua obra Claudine à l’école. É um lugar vivo, onde a voz e o olhar de Colette acompanham o visitante na descoberta de seu universo e de sua vida. Para saber mais sobre estes lugares e também sobre as outras atrações da cidade e dos arredores, veja o site oficial do turismo em Saint-Sauveur-en-Puisaye.

 

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A Maison Natale de Colette

 

Alguns eventos interessantes pela França

Janeiro é, em teoria, um mês mais calmo em terras francesas. Digo em teoria porque ainda assim acontece bastante coisa. Então, vamos ver alguns eventos do mês de janeiro por aqui.

 

1) Traversée de Paris Hivernale – Paris

Este foi um dos eventos mais legais de que já participei. No domingo, vários carros antigos fazem um cortejo por Paris, passando pelos principais pontos turísticos. Depois, eles se reúnem ao lado do Château de Vincennes, que é também o ponto de partida. É muito legal ver os carros antigos desfilando, são muitos. É como uma viagem no tempo. E quem não tem carro e quiser participar, pode comprar um lugar em um dos ônibus antigos. Foi neles que andei. A travessia (traversée) já é tradicional por aqui, este ano é a 23a edição e será em 15 de janeiro a edição de inverno. E uma outra acontece no verão. Mais informações aqui. E veja a matéria que escrevi com a minha experiência na Traversée de Paris.

 

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2) Fête de la Truffe – Sarlat-la-Canéda – Nouvelle-Aquitaine

Sarlat é uma das cidades mais lindas da França e fica em uma região cheia de produtos típicos maravilhosos. Um deles é a trufa de inverno. Esta iguaria preciosa e cara é o astro de todo um final de semana na cidade. Além de eventos relacionados à trufa, como cardápios especiais nos restaurantes, mercado de trufas, ateliês de cozinha, etc, há também degustações e ateliês sobre vinhos, visitas guiadas, enfim, todo um ambiente festivo que atrai moradores e turistas. Dias 14 e 15 de janeiro de 2023. Para mais informações, clique aqui.

 

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3) Festival International de la Bande Dessinée d’Angoulême – Angoulême – Nouvelle-Aquitaine

 

Bande dessinée em francês significa história em quadrinhos. E a cidade de Angoulême é a capital deles aqui na França. E este festival reúne autores do mundo todo em uma série de eventos, como lançamentos, prêmios e muito mais. Em 2023, será a 50a edição e com certeza será especial. De 26 a 29 de janeiro de 2023. Mais informações, como preços, horários e programação, veja no site oficial.

 

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Termino aqui a nossa Newsletter do mês de janeiro. Espero que tenham gostado desta primeira edição de 2023 e a 12a desde o lançamento. Em fevereiro, vai fazer um ano que comecei a escrever as Newsletters. E já estou preparando o conteúdo da próxima. Então, se você tiver alguma sugestão, basta escrever nos comentários ou enviar um email para contato@diretodeparis.com, com o assunto sugestão ou algo assim para que a mensagem não caia na caixa de spam.

O Direto de Paris é um projeto que une jornalismo e turismo e busca levar ao leitor de Língua Portuguesa informações sobre a França, focadas principalmente na cultura e história do país. O site tem como objetivo não somente auxiliar quem vem para a França, mas também aquela pessoa que não pretende viajar, mas ama ler sobre a cultura francesa. Se você gosta deste projeto e quer ajudar, basta contribuir com qualquer valor no PayPal (email: diretodparis@gmail.com) ou no Pix (email: contato@diretodeparis.com). Agradeço desde já pelo apoio e companhia. Um grande abraço e até breve!

 

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Renata Rocha Inforzato

Sou de São Paulo, e moro em Paris desde 2010. Sou jornalista, formada pela Cásper Líbero. Aqui na França, me formei em História da Arte e Arqueologia na Université Paris X. Trabalho em todas essas áreas e também faço tradução, mas meu projeto mais importante é o Direto de Paris. Amo viajar, escrever, conhecer pessoas e ouvir histórias. Ah, e também sou louca por livros e animais.

Comentário (1)

  • Monica Responder    

    8 de janeiro de 2023 at 14:44

    Feliz 2023 pra você! Continue escrevendo sobre essas mulheres francesas. Até breve 🙂

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