Atrações

Passage du Grand-Cerf – A passagem coberta mais alta de Paris

31 de março de 2017

Aqui está mais um post sobre as galerias e passagens cobertas de Paris. Agora é a vez de saber mais sobre a Passage du Grand-Cerf, que não é tão visitada pelos turistas, mas que não deixa nada a dever às outras em matéria de curiosidade e beleza. E é a mais alta passagem coberta da cidade.

passagem coberta

Não há muitas informações sobre esta passagem. O que se sabe é que no lugar onde ela foi construída havia um hotel e um terminal de diligências. Pertencentes à companhia Les Messageries Royales, criada pelo rei Henri III em 1576 para levar pessoas, mercadorias ou correspondências, o veículos da rue Saint-Denis eram responsáveis por atender a região leste da França. Ao lado do terminal havia o hôtel du Grand-Cerf, administrado por um certo Suzet, onde os condutores das diligências se hospedavam, entre outros hóspedes.

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Mas, com a Revolução, as Messageries Royales passam a se chamar Messageries Nationales e, antes mesmo do final do período revolucionário, são extintas. É que, na mesma época, o governo havia quebrado o monopólio estatal, permitindo que qualquer empresa pudesse trabalhar no setor de transporte de mercadorias e pessoas.

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Assim, o hotel, que era dos Hospices de Paris no começo do século XIX, é comprado pelo banco Devaux-Moisson, em 1825. Então, o novo proprietário começa a demolir as antigas construções e manda fazer uma passagem coberta, ligando as ruas Saint-Denis e a des Deux-Portes, hoje rue Dussoubs. No ano seguinte, a passagem é vendida para Isidore Monier.

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Não se sabe muitos detalhes da construção. Alguns relatos dizem que, em 1827, durante as revoltas populares que sacudiram Paris, a passagem foi usada pelos rebeldes, assim como outras do bairro. Aliás, este pedaço da capital em volta da rue Saint-Denis era conhecido por ser um bairro popular e industrial, cheio de pequenas fábricas e ateliês de pequenos artesãos. Não se sabe se a Passage du Grand-Cerf já estava pronta quando foi usada nas revoltas.

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No meio da decoração, encontramos algumas coisas insólitas

O que se sabe é que em 1835 ela já está terminada. Construída no estilo Neoclássico, também não dá para saber quem foi o arquiteto. Porém, é certo que a sua arquitetura foi um marco nas passagens cobertas realizadas depois dela, tanto de Paris quanto da Bélgica e da Itália. Isso porque na sua construção foram usados elementos metálicos, o que era novo até então.

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Essa estrutura em metal possibilitou dois andares inteiramente em vidro, assim como seu grande teto. O que confere uma luminosidade excepcional para a passagem. O estilo desta cobertura em vidro é mais recente do que o resto da galeria, embora, mais uma vez, não se sabe quando ela foi realizada.

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Com a popularidade crescente de passagens cobertas mais luxuosas, como a Galerie Vivienne, a Passage du Grand-Cerf é pouco a pouco abandonada. E isso se vê nos cronistas da época, que quase não falam nela, o que contribui para a falta de dados para retraçar sua história. Não sabemos nem que tipo de lojas havia naqueles anos.

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Em 1862, os herdeiros da família Monier deixam a passagem para a Assistance Publique, entidade que substitui os Hospices de Paris na administração dos hospitais da cidade. Aí começa um período de abandono ainda maior: ela chega a ser fechada por correr o risco de desmoronar e tem sua estrutura reforçada em ajustes improvisados.

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No final do século XIX, a Assistance tenta vender a passagem, conforme mostra um documento de 1896. Nesta época, os aluguéis das lojas mal cobriam o que era gasto com manutenção. Porém, Passage du Grand-Cerf somente vai encontrar comprador quase cem anos depois, em 1985, quando um certo senhor Schwartz, representante da sociedade PII, adquire a passagem. Ele começa uma reforma em 1988. A ideia era respeitar os projetos originais e devolver à galeria a beleza de antes.

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Mais decoração diferente

E o desafio é concluído com muito sucesso. Só que com a crise de 1990 no setor imobiliário, a comercialização dos espaços para as lojas sofre um atraso. Porém, logo que é terminada, a Passage du Grand-Cerf torna-se um endereço muito estimado pelos parisienses e pouco a pouco começa a ser conhecido pelos turistas.

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A visita
Localizada no 2º arrondissement de Paris, a Passage du Grand-Cerf tem 117 metros de comprimento e 3 metros de largura. Da sua espetacular cobertura em vidro até o chão são 11,80 metros de altura, o que faz dela a mais alta das passagens cobertas parisienses.

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Ela possui duas entradas: uma mais imponente na rue Saint-Denis. Nesta, a entrada possui até mesmo um frontão, com um navio no centro, uma variação do brasão de Paris. Já a outra entrada fica na rue Dussoubs e é mais simples.

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Entrada da rue Saint-Denis

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Entrada da rue Dussoubs

Logo depois das entradas, o teto apresenta uma decoração em estuque. Em seguida, começa a bela cobertura em vidro. Ela só é interrompida, de tempos em tempos, quando uma espécie de passarela liga os dois lados da galeria. Nestas partes, a decoração também é em estuque.

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Uma das passarelas

Ao longo da galeria, a decoração é simples. A estrutura em ferro acentua a leveza da cobertura de vidro e a madeira de cor clara das lojas dá um ar de refinamento. Há duas alegorias: uma representando o comércio, com o caduceu de Mercúrio (deus do comércio) e a outra a agricultura, com a cesta da abundância.

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À esquerda, o Comércio e, à direita, a Agricultura

O piso é em mármore, com motivos em cinza, preto e branco. Uma coisa bem legal é as tabuletas das lojas, antigas e novas. Encontramos também elementos diferentes que fazem parte da decoração. Destaque para um cervo, que representa bem a passagem. Após os dois níveis envidraçados, em forma de vitrines, há um terceiro composto por residências.

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Tabuletas de uma ótica

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O segundo nível com vitrines e, no último, as janelas menores, que são apartamentos

Hoje, a Grand-Cerf abriga lojas de artesanato, decoração, cosméticos, joias e bijuterias, design, ateliês de artistas, ótica, restaurante e até um escritório de comunicação. Achei bem interessante uma loja de decoração que fez objetos úteis com garrafas pets. Também adorei a que vende linhas e lãs.

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Porta-trecos feitos com garrafas de plástico

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Enfim, a Passage du Grand-Cerf é bem interessante como atração turística. Andar ali olhando as vitrines, admirando a decoração da galeria ou mesmo parar para tomar um café é bem agradável. É um lugar para se visitar tanto nos dias frios quanto no calor.

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Passage du Grand-Cerf
Entradas: 145 rue Saint-Denis e 10 Rue Dussoubs
75002 Paris
Horários: de segunda a sábado, das 8h30 às 20h30.
Metrô Étienne Marcel – linha 4.

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Renata Rocha Inforzato

Sou de São Paulo, e moro em Paris desde 2010. Sou jornalista, formada pela Cásper Líbero. Aqui na França, me formei em História da Arte e Arqueologia na Université Paris X. Trabalho em todas essas áreas e também faço tradução, mas meu projeto mais importante é o Direto de Paris. Amo viajar, escrever, conhecer pessoas e ouvir histórias. Ah, e também sou louca por livros e animais.

Comentários (6)

  • Ana Responder    

    8 de abril de 2017 at 18:29

    Que passagem tão bonita, com todas as galerias e o topo em vidro! Já estive em Paris mas admito que não passei por esta. É destas coisas que fazem com que Paris seja encantadora!

  • Michela Borges Nunes Responder    

    9 de abril de 2017 at 23:57

    Que lugar bonito e novo para mim. Não conheço, nem nunca tinha ouvido falar. Fogo do trivial, do basicão, e isto é muito legal. Parabéns pelo post e pela sugestão.

  • Verá Martins Responder    

    15 de agosto de 2017 at 0:11

    Muito interessante, bonito endereço! Vontade de correr para Paris! Obrigada pela bela reportagem!

  • Vera Martins Responder    

    15 de agosto de 2017 at 0:15

    Corrigindo: meu nome é Vera, sem acento! Desculpe.

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