Museus

Marmottan-Monet – um museu eclético em Paris

12 de agosto de 2019

Já pensou você doar sua casa para uma instituição, para virar um museu depois da sua morte, e anos depois ela se tornar uma referência em um estilo que você detestava? Pois foi isso o que aconteceu com o Musée Marmottan-Monet, um dos principais museus de Paris.

Marmottan-Monet

Vou explicar direito a história desde o começo. Na segunda metade do século XIX, os terrenos que ficavam nos arredores do Jardin du Ranelagh, no 16ème arrondissement (distrito) de Paris, são muito procurados por pessoas com dinheiro. Uma dela é François Christophe Edmond Kellermann, duque de Valmy.

Iluminures

Em 1863, o aristocrata, que era diplomata, compra um dos lotes por 137 577 francos. Pelo contrato, ele deveria construir uma residência de, no mínimo, 600 metros quadrados em até dois anos. Bom, em vez de uma, o duque constrói três palacetes. Os dois primeiros ele vende. Já o terceiro, bem maior, acaba ficando com o próprio duque, que faz ali sua residência.

Marmottan-Monet

Após a morte de Kellermann, em 1868, a mulher e a filha não têm condições de manter a propriedade. Elas, então, a vendem, em 1882, a Jules Marmottan por 260 mil francos. Formado em Direito, o novo proprietário havia feito carreira recuperando uma empresa em Bruay, depois como prefeito da cidade, no norte da França, e tendo administrado várias empresas de energia e transporte. Amante das artes, Jules colecionava obras do final da Idade Média e começo do Renascimento.

Salle à Manger

Porém, em 1883, um ano após ter adquirido o palacete, Jules Marmottan morre aos 53 anos. Seu filho único, Paul, herda então o imóvel e a coleção de arte do pai, além de uma bela fortuna. Assim como Jules, Paul era formado em Direito, mas detestava a carreira burocrática. Sua paixão era a História da Arte, principalmente a do período do Consulado e Império (final do século XVIII e começo do XIX), estilos pouco apreciados na época. Com a morte de Jules Marmottan, Paul larga sua carreira na Administração – ele era conselheiro da prefeitura da região do Eure, no centro da França – e passa a se dedicar à sua paixão, isto é, à Arte.

Portrait d'Hortense de Beauharnais
François-Pascal-Simon Gérard, Portrait d’Hortense de Beauharnais, Reine d’Hollande, 1806

Ele estuda o período artístico de 1789 a 1830 e publica várias livros e artigos, principalmente sobre o Consulado e o Império. É graças ao seu conhecimento, que, assim como o pai, ele passa a colecionar obras de arte. Para abrigar as peças adquiridas, ele reforma o palacete no estilo Império, isto é, do começo do século XIX. Várias salas são modificadas, principalmente as do térreo. Em 1910, ele compra os terrenos vizinhos e aumenta a residência.

Marmottan-Monet

Os móveis são também de sua época preferida. Ele adquire várias peças que vêm das residências de Napoleão, como o Palais des Tuileries (hoje destruído), ou das casas da família do imperador, como o Castelo de Portici, em Nápoles, decorado por Carolina Bonaparte, irmã de Napoleão.

Marmottan-Monet

Uma curiosidade: como já era de se esperar, a coleção de Paul Marmottan foca na época do Consulado e do Império, objeto de seus estudos. Uma parte dela é de paisagistas da época Pós-Revolucionária. Ele reúne, também, vários retratos de Louis Léopold Boilly, pintor da segunda metade do século XVIII e primeira do XIX, do qual era especialista. Pois, em 1913, uma nova rua é aberta do lado do palacete de Marmottan. E o nome dela é Louis Boilly. Isso dá uma ideia do prestígio de Paul Marmottan na sociedade do começo do século XX.

Retrato de Louis Boilly
Henri-Nicolas Van Gorp, Portrait du Peintre Louis Boilly

Assim, ao longo dos anos, Paul foi aumentando sua coleção e fazendo da sua residência um museu, que mostrava com orgulho aos amigos. Divorciado e sem filhos, no final da vida toma uma decisão importante. Talvez inspirado por Nélie Jacquemart, que havia doado suas coleções e palacete para a abertura de um museu, Paul Marmottan resolve também doar seus bens.

Marmottan-Monet

A instituição escolhida é a Académie des Beaux-Arts, que herda a sua fortuna, coleção e residência para fazer dali um museu dedicado ao Consulado e Império, bem acessível ao público. Quando Paul Marmottan morre, em 15 de março de 1932, os seus desejos começam a ser atendidos. Ele também doa consideráveis somas de dinheiro a vários museus franceses.

Marmottan-Monet

E aí vem mais uma ironia: Descendente da Académie Royale de Peinture et de Sculpture, fundada em 1648, a Académie des Beaux-Arts, criada em 1803, é a responsável pelo ensino de arte e pelos salões de exposição de artistas reconhecidos. Ou seja, aqueles mesmos salões que rejeitaram os impressionistas. Mas, logo, já contarei essa parte.

Obras de Berthe Morisot
Obras de Berthe Morisot

Assim, vários trabalhos são realizados para a abertura do Musée Marmottan. Vários cômodos pequenos ou de serviço são demolidos para a criação de salas amplas para facilitar a exposição de grandes obras e o fluxo dos visitantes. A inauguração do museu acontece em 21 de junho de 1934 e é celebrada pela sociedade e imprensa parisienses.

Marmottan-Monet

A partir de então, várias doações vão enriquecer o acervo do Marmottan e fazer dele um dos museus mais importantes de Paris. Em 1938, a filha de William Adolphe Bouguereau doa os desenhos do pai, artista da segunda metade do século XIX e membro da Academia. Logo em seguida, os estudos do pintor naturalista Jules Bastien-Lepage são dados ao museu por seu irmão. Mas essas doações ainda estão na tradição que Paul Marmottan e a Académie defendiam.

Marmottan-Monet

A grande mudança começa na década de 1940, com a doação de Victorine e Eugène Donop de Monchy. Sem filhos, ela decide dar ao museu uma parte da coleção do pai, Georges De Bellio. São itens, tais como, objetos de arte asiática, desenhos, pinturas, etc. Acontece que De Bellio era médico e atendia seus amigos artistas, dentre eles, Édouard Manet, Claude Monet, Camille Pissarro e outros. Ele, inclusive, foi um dos primeiros apoios dos Impressionistas e, por muito tempo, foi um dos poucos a comprar suas obras.

Auguste Renoir
Auguste Renoir, Portrait de Mademoiselle Victorine De Bellio

Assim, o Musée Marmottan recebe várias obras-primas do Impressionismo, uma das modernidades tanto criticadas por Paul Marmottan. E mais: o quadro Impression, Soleil Levant entra nessa doação de Victorine. Para se ter uma ideia, foi essa obra, realizada por Monet na cidade de Havre, na Normandia, em 1872, que batizou o movimento. Ele foi um dos quadros escolhidos pelo artista para a primeira exposição impressionista em 1874 no atelier do fotógrafo Nadar, em Paris. Para poder figurar no catálogo da exposição, Monet a chamou de Impression. E um assistente do evento sugeriu o resto: Soleil Levant (Sol nascendo).

Claude Monet, Impression, Soleil Levant, 1872
Claude Monet, Impression, Soleil Levant, 1872

Ao ver a obra de Monet, o crítico Louis Leroy, do jornal Charivari, teria dito que realmente a obra “era só impressão”, ou seja, não era um verdadeiro quadro. Ernest Hoschedé, negociante de arte e amigo de Monet, compra a tela em 1874. Mas ele vai à falência, sua coleção é leiloada e é aí que o doutor De Bellio a compra.

Marmottan-Monet
Claude Monet, Le Pont de l’Europe. Gare Saint-Lazare, 1877

E Paul Marmottan também criticava o movimento. No prefácio do seu livro École Française de Peinture (1789-1830), de 1886, ele condenava a arte de seus contemporâneos, os Impressionistas. Segundo Paul, “hoje não se desenha mais, rascunha. Não se pinta mais, esboça”. E junto com ele, a Académie des Beaux-Arts era uma das mais ferrenhas críticas dos Impressionistas. Tanto é que eles nunca conseguiram expor nos Salões de Arte que ela promovia.

Claude Monet, Les Tuileries, 1876 – Outro quadro da coleção De Bellio

Pois ao receber Impression, Soleil Levant e mais dez outras telas impressionistas, a Académie finalmente reconhecia o valor desses artistas e, ainda por cima, teria seu museu, o Marmottan, como um dos mais importantes do Impressionismo no mundo. Além das obras de Monet, a doação também incluiu telas de Pierre Auguste Renoir, Alfred Sisley, Camille Pissarro e Auguste Guillaumin.

Alfred Sisley
Alfred Sisley, Printemps aux Environs de Paris. Pommiers en Fleurs, 1879

Mas a transformação da vocação do Musée Marmottan é ainda mais acentuada com a doação de ninguém menos do que Michel Monet. Único filho sobrevivente de Claude Monet – o irmão Jean morreu durante a Primeira Guerra -, ele herda, com a morte do pai em 1926, a propriedade de Giverny e toda a coleção que ela contém. Uma parte dela é composta por obras que Monet adquiria de seus amigos e mestres. Nessa parte, encontramos Eugène Delacroix, Eugène Boudin, Gustave Caillebotte, Renoir, Berthe Morisot, entre outros.

Gustave Caillebotte
Gustave Caillebotte, Chrysanthèmes Blancs et Jaunes. Jardin du Petit Gennevilliers, 1893.

Mas a coleção ainda comporta as obras executadas pelo próprio Claude Monet. Há quadros mais íntimos, como os que retratam a vida em família. Há também as viagens do mestre, como para a Noruega e Holanda, por exemplo. Mas o destaque desta coleção é o conjunto de telas monumentais que Monet realizou sobre o tema das Nymphéas. O artista doou uma seleção para a França. Faz parte dela os painéis que podemos ver no Musée de l’Orangerie.

Acervo Claude Monet

Porém, uma grande parte ficou com o próprio Monet e, consequentemente, foi herdada por Michel. Sem filhos, ele decide deixar toda essa coleção do pai, ou seja, todos os tipos de obras mencionadas acima, para o Musée Marmottan. É o que acontece em 1966, ano de sua morte. Então, o museu passa a abrigar as obras que Monet possuía em Giverny. Desse modo, o Musée Marmottan se tornou o maior acervo de Claude Monet no mundo. São mais de cem obras do artista.

Quadros de Monet

Outras doações viriam tornar o museu ainda mais importante. Em 1981, Daniel Wildenstein doa ao Marmottan a coleção de 322 iluminuras que o pai, Georges, colecionava desde que tinha 16 anos. É um conjunto com obras das escolas Flamenga, Italiana, Francesa e Inglesa, que vão desde a época medieval até o Renascimento. E que foram executadas pelos maiores artistas do ramo na época, como Jean Fouquet, Giulio Clovio, entre outros.

Pentecoste século XV
Maître de San Michele a Murano (Mestre de San Michele em Murano), La Pentecôte, primeira metade do século XV

Em 1985, Nelly Sergeant-Duhem, filha adotiva de Henri Duhem, artista do Pós-Impressionismo, dá ao museu várias obras que pertenciam ao pai. Destaque para En Promenade près d’Argenteuil, de Claude Monet, e Bouquet de Fleurs, de Paul Gauguin.

Monet e’Argenteuil
Claude Monet, En Promenade près d’Argenteuil, 1875

E outra grande doação acontece em 1993, através da família Rouart. À primeira vista, o nome não nos diz nada. Porém, Denis Rouart é filho de Julie Manet, que, por sua vez, é filha de Berthe Morisot. Assim, Denis e sua esposa Anne, ambos historiadores de arte, dedicam suas vidas à memória de Berthe Morisot e à valorização de sua obra. Eles organizam exposições, estudos e catálogos sobre a avó artista. Denis Rouart era também conservador no Musée des Beaux-Arts de Nancy. Então, ao morrer, Anne, viúva, realiza o desenho do marido e doa todas as obras que guardavam ao museu.

Berthe Morisot, Paule Gobillard Peignant, 1887
Berthe Morisot, Paule Gobillard Peignant, 1887

E aí entra não somente o maior conjunto de telas de Berthe Morisot, como também algumas obras de seus amigos, como Edgar Degas e Renoir. E, como não poderia deixar de ser, do cunhado Édouard Manet. Berthe era casada com o irmão dele, Eugène Manet. Mas a doação também coloca em evidência Julie Manet. Artista de talento, ela pintou principalmente aquarelas. Algumas eram cópias, já outras eram inspiradas nas obras dos mestres com os quais ela convivia. Assim, Julie, que nunca expôs em vida, hoje tem suas obras como parte do acervo do Marmottan.

Julie Manet, Portrait d'Annie Conan
Julie Manet, Portrait d’Annie Conan
Uma curiosidade é que Annie será, alguns anos depois, sua nora e uma das doadoras do museu

Ao longo dos séculos, outras doações vieram enriquecer a coleção do lugar. Na década de 1990, o museu passa a se chamar Musée Marmottan-Monet. Ou seja, o nome do pai do Impressionismo passa a fazer companhia ao nome de um dos seus críticos. Esse é um dos paradoxos mais atraentes da história do museu.

Marmottan-Monet

A visita

Como vocês puderam perceber, o acervo do museu é bem eclético. Há obras medievais, do começo do Renascimento, do começo do século XIX, dos Impressionistas e até mais modernas. Tudo isso com o toque dos móveis de Paul Marmottan, que são, na maior parte, da época do Império de Napoleão I. Várias salas foram modificadas por ele nos anos 1910 e outras foram aumentadas quando o palacete se tornou museu, por vontade do próprio Paul.

Acervo Monet

1) Rotonde (Rotunda) – É a primeira sala da visita. Na época de Paul Marmottan, já fazia papel de vestíbulo. É decorada por nichos com estátuas, como era moda na época do Império (começo do século XIX). Nas paredes, obras de Guillaume Romny, Étienne Joseph Bouhot e Alexandre Pau de Saint-Martin, todas da coleção de Paul. Vemos também um busto de Claude Monet, de Paul Paulin, realizado em 1910. Em relação aos móveis, destaque para as poltronas realizadas por Jacob, um dos maiores artesãos do início do século XIX.

Marmottan-Monet

2) Corridor (Corredor) – Uma espécie de corredor separa a Sala de Jantar dos espaços de exposições temporárias. Ali há quadros do começo do século XIX, com destaque para Promenade de Napoléon 1er et de Marie-Louise à Fontainebleau, de Jean-Joseph-Xavier Bidauld e Louis-Léopold Boilly, este último artista estudado por Paul Marmottan. Ainda exaltando a memória do Imperador, vemos em cima de uma porta um medalhão com o perfil de Napoleão e, em cima da outra, o da Imperatriz Joséphine. As duas obras foram realizadas por Luigi Manfredini.

Marmottan-Monet

3) Salle à Manger (Sala de Jantar) – É a sala de jantar de Paul Marmottan, como podemos ver pelos móveis da época do Império. Dentre eles, se destaca o belo Surtout de Table, de 1810, em cima da mesa. Os quadros desta sala são quase totalmente impressionistas. Há obras de Renoir, como o retrato de Julie Manet; Caillebotte, dentre elas, o famoso Rue de Paris. Temps de Pluie; Sisley, Pissarro e outros.

Salle à Manger

Vemos também telas de Jean-Baptiste Camille Corot, que fazia parte da École de Barbizon e foi uma das influências do Impressionismo. Como a coleção Impressionista é grande e muitas vezes as obras partem para exposições temporárias em outros museus, os quadros deste cômodo podem mudar. Mas os artistas são os mesmos. Para mim, é a sala mais bonita do museu.

Renoir Portrait de Julie Manet
Auguste Renoir, Portrait de Julie Manet, 1894

4) Petit Corridor (Pequeno Corredor) – Este corredor minúsculo liga a Sala de Jantar às próximas salas. Nele estão expostos dois bustos femininos, de autoria anônima. Há, ainda, oito quadros de Louis Carrogis e uma obra de François Pascal Simon Gérard, Portrait d’Hortense de Beauharnais, reine d’Hollande, de 1806, que é o retrato da filha da Imperatriz Joséphine.

Marmottan-Monet

5) Sallon 1 de Paul Marmottan – No folheto do museu, as duas próximas salas estão marcadas como Salons Paul Marmottan. Mas, para facilitar a visita, vou identificá-las como Sallon 1 e 2 (a identificação dos corredores também é por minha conta). Nesta primeira, o gosto de Paul Marmottan pela vida de Napoleão continua.

Marmottan-Monet

Dos vários quadros da sala, um dos mais bonitos é La Toilette avant le Sacre, de 1865, de Jean-Louis-Victor Viger du Vigneau. Vemos também duas obras anônimas do começo do século XIX, que são dois retratos de Napoléon-Charles Bonaparte, sobrinho do Imperador. Em uma vitrine, há vários pequenos quadros representando figuras importantes da época Napoleônica. Os móveis também são do período. Em cima da lareira, há, inclusive, um busto de Elisa Bonaparte, a mãe de Napoleão.

Vigneau
Jean-Louis-Victor Viger du Vigneau, La Toilette avant le Sacre

6) Sallon 2 de Paul Marmottan – E aqui continuamos a ver a paixão do antigo proprietário pelo Império. Dentre as obras, estão duas gravuras de Philibert Louis Debucourt, ambas de 1810: Illumination de la Cascade de Saint-Cloud e Feu d’Artifice sur la Place d’Étoile, que comemora o segundo casamento de Napoleão. Há, também, um retrato de perfil do futuro Imperador, quando ele ainda era Cônsul: a obra Napoléon Bonaparte, Premier Consul, de Piat-Joseph Sauvage. Em relação aos móveis, se destaca uma mesa, que pertenceu a Joachim Murat, general, rei de Nápoles e cunhado de Napoleão.

Marmottan-Monet

Illumination de la Cascade de Saint-Cloud
Phlibert-Louis Debucourt, Illumination de la Cascade de Saint-Cloud

7) Hall – É separado do Corredor (item 2) por duas estátuas de Pierre Nicolas Beauvallet, chamadas Deux Antinoüs-Osiris, de 1807. Outro destaque deste cômodo é o Pendule Géographique, realizado entre 1813 e 1821, pela Manufatura de Sèvres. Este relógio demorou tanto para ser feito porque ele deveria levar referências a Napoleão, mas, durante o tempo da fabricação do objeto, o Império caiu.

Hall do museu

8) Palier (Patamar) – Assim que subimos as belas escadas do palacete, chegamos ao Palier, que abriga várias obras de arte interessantes. Dentre elas, uma obra de Alexandre-Hyacinthe Dunouy, chamada Jean-Jacques Rousseau dans de Parc de Rochecardon. Um quadro que chama atenção por mostrar a Cidade Luz é Vue du Pont-Neuf, de Joseph-Eusèbe Prévot. Entre os móveis, uma curiosidade: uma cômoda do começo do século XIX que pertenceu à Berthe Morisot.

Marmottan-Monet

Vue du Pont-Neuf
Joseph-Eusèbe Prevot, Vue du Pont-Neuf, 1845

9) Corridor (Corredor) – É a continuação do Palier, que leva às outras salas. Nas paredes, três quadros de Louis Gauffier. Vemos, também, um Portrait de Jeune Femme, de 1804, retrato realizado por Adèle de Romance; além de muitas outras obras. Os móveis e objetos são do estilo Império, inclusive uma mesinha que foi de Berthe Morisot.

Marmottan-Monet

10) Salle des Enluminures – Aqui ficam as iluminuras medievais doadas por Daniel Wildenstein. Hoje seria considerado um crime arrancar folhas de livros da Idade Média e do começo do Renascimento para vender, mas, na época em que Georges as colecionava, isso era considerado normal. Então, vemos obras-primas do período, realizadas pelos mestres que faziam os devocionários da nobreza e até das famílias reais, como, por exemplo, Jean Fouquet, artista da Corte francesa no século XV. São folhas magníficas e muito delicadas.

Marmottan-Monet

Na sala estão, também, estátuas religiosas do começo do século XVI, como várias versões da Virgem Maria e esculturas de Santa Agnès e Santa Bárbara. Além da presença de retábulos medievais. E, para finalizar, alguns exemplos de vitrais da história de Saint-Blaise, realizados no século XIII.

Estátua Virgem Maria
École de Malines, La Vierge et L’Enfant Jésus, 1500

11) Corridor (Corredor) – Este pequeno corredor liga a Salle des Enluminures à Chambre de Paul Marmottan. Apesar do tamanho, ele é magnífico no número de obras do final da Idade Média que abriga. Destaque para os painéis da porta retratando Saint Pierre (São Pedro) e Saint Bernard (São Bernardo).

Pentecoste século XV
Maître de San Michele a Murano (Mestre de San Michele em Murano), La Pentecôte, primeira metade do século XV

12) Chambre de Paul Marmottan (Quarto de Paul Marmottan) – O quarto de um apaixonado pela época de Napoleão não poderia abrigar outro tipo de obra. Há várias pinturas do período, inclusive vários retratos da família de Napoleão, como, por exemplo, Portrait de Joséphine de Beauharnais, de Jean-Louis-Victor Viger du Vigneau. Mas o grande destaque aqui é a cama do Imperador, que Paul Marmottan adquiriu e que ficava no Palais Impérial de Bordeaux, onde hoje está a prefeitura da cidade. No quarto, há duas vitrines com porcelanas do começo do século XIX, época do Império.

Quarto de Paul Marmottan

cama de Napoleão

13) Sallon Rond (Sala Redonda) – Fica ao lado do quarto de Paul. Aqui vemos vários bustos da família de Napoleão, como o Busto de Joachim Murat, obra inspirada na do escultor Antonio Canova. Um grande móvel chama atenção nessa sala: uma Psyché (um toucador com espelho) que era de Berthe Morisot.

Bustos família Napoleão

Busto Joachim Murat
Inspirado em Antonio Canova, Joachim Murat

14) Bureau de Paul Marmottan (Escritório de Paul Marmottan) – Passando pelo Corredor (item 9), chegamos a esta pequena sala, que, como o nome diz, era onde Paul trabalhava e fazia seus estudos de arte. Aqui o que atrai o olhar é a coleção de pequenos retratos de figuras importantes e anônimas do começo do XIX, realizados por Louis Boilly. Marmottan era especializado no artista e havia adquirido muitas de suas obras. Outra curiosidade da sala é o quadro Le Ranelagh, de 1818, de Jean-Victor-Louis Faure. É que Ranelagh é o jardim ali pertinho do museu. Os móveis são do final do século XVIII e começo do XIX.

Marmottan-Monet

Louis-Léopold Boilly, Portrait de Madame Campan
Louis-Léopold Boilly, Portrait de Madame Campan

15) Salle de Berthe Morisot – Na verdade, são duas salas. Na primeira, estão as obras dela, em grande formato, com os temas caros à artista, que foi a grande dama do Impressionismo. Há retratos da filha Julie, das sobrinhas Paule e Jeannie e cenas do cotidiano da família, paisagens e jardins. O Marmottan guarda o maior acervo de Berthe Morisot e, por isso, é claro que a maior parte das telas não está exposta.

Coleção Berthe Morisot

Berthe Morisot, Bois de Boulogne, 1893

A segunda sala é menor e abriga, além de mais algumas obras e objetos de Berthe, os quadros que ela possuía de seus amigos, como Renoir, Degas, Manet, Corot, e as aquarelas de Julie Manet, que são expostas aqui pela primeira vez.

Obras de Julie Manet e objetos de Berthe Morisot
Obras de Julie Manet e objetos de Berthe Morisot

16) Corridor (Corredor) – Mais um corredor, mas neste aqui está a coleção de Roger e Marie Hauser, doada ao museu a partir de 1979 . O conjunto é riquíssimo, com obras de vários artistas, entre eles, Eugène Boudin, Pissarro, Degas, Paul Signac e Henri de Toulouse-Lautrec.

Marmottan-Monet

Paul Signac
Paul Signac,, Le Départ des Terres-Neuves, 1928

17) Salle des Membres de l’Académie (Sala dos Membros da Academia) – Do primeiro andar, voltamos ao térreo e passamos pela loja. Lá, vemos uma escada que vai nos levar à sala de Monet. Quando descemos essa escada, chegamos a uma sala com o retrato de vários membros da Académie des Beaux-Arts e as respectivas espadas, que eles ganhavam na cerimônia de posse. São belos objetos que vão desde o começo do Instituto, no início do século XIX, até os anos atuais. Como expliquei acima, é a Académie des Beaux-Arts a proprietária do Musée Marmottan-Monet.

Marmottan-Monet
Espada de Léon Cogniet, começo do século XIX

18) Salle Monet (Sala Monet) – Continuando a descer as escadas, chegamos ao subsolo. E aqui é o sonho absoluto para os amantes da obra de Claude Monet. Este imenso espaço foi criado em 1970 para abrigar as obras da doação de Michel Monet, muito grandes para o espaço exíguo das salas do museu. E o efeito do espaço com as obras de Monet é lindo. É aqui que está exposta a maior parte das telas e painéis do mestre. Vemos os quadros que ele pintou em suas viagens, de Paris e arredores, da sua intimidade em família, alguns exemplares de suas séries, como a da Catedral de Rouen e outros temas.

Obras de Monet

Mas o grande destaque aqui é o que pintou em seu jardim de Giverny, principalmente a coleção de Nymphéas. É o maior conjunto reunido sobre o tema. Há os exemplos mais antigos, do final do século XIX, e também os mais recentes, quando Monet já estava muito afetado pela catarata e realizava estudos para os painéis que hoje estão no Musée de l’Orangerie. É impossível não sentir a presença do gênio e de Giverny. A maior parte do acervo desta sala é composta pela doação de Michel Monet, mas vemos também as obras do artista que pertenceram ao doutor De Bellio, a Denis Rouart (o neto de Berthe Morisot) e as que vieram de outras doações.

Nymphéas
Claude Monet, Nymphéas, 1914-1917

Outro ponto alto da sala é a presença de Impression, Soleil Levant, de 1872, que foi a obra que batizou o movimento. É muito emocionante vê-la de perto. E no meio das telas de Monet, há esculturas de Rodin, que também foram herdadas por Michel Monet.

Marmottan-Monet
Outra foto de Impression, Soleil Levant

Essa é mais ou menos a disposição das salas do Musée Marmottan-Monet. Várias delas não têm nome, então, fui chamando-as pela sua forma, como, por exemplo, os corredores. A intenção é de ajudar na localização de cada uma delas para que você possa aproveitar melhor a sua visita. O museu acolhe, também, exposições temporárias, que acontecem em salas do térreo ou do subsolo, destinadas especialmente para essas ocasiões.

Marmottan-Monet

Pode acontecer de alguma obra mencionada aqui não estar presente quando você for visitar o museu. Acontece que, pela importância do acervo, o museu empresta muitas para exposições temporárias de dois ou três meses. Mas, pode ter certeza de que, no lugar da que está ausente, estará outra obra-prima de imenso valor.

Conjunto Nymphéas, Monet

Musée Marmottan-Monet
2, rue Louis Boilly
75016 Paris
Metrô: La Muette – linha 9
Boulainvilliers – RER C.
Horários: de terça a domingo, das 10h às 18h.
Quinta até às 21 horas.
Fechado em 1 de janeiro, 1 de maio e 25 de dezembro.
Tarifa: 12 euros. Reduzida: 8,50 euros. Gratuito para menores de 7 anos. Bilhete junto com a Fondation Monet Giverny: 21,50 euros. Reduzida: 14 euros. Gratuito para crianças até 7 anos.
Para saber mais, acesse o site do museu.

Quadro de Monet
Claude Monet, Bras de Seine à Giverny, 1885

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Renata Rocha Inforzato

Sou de São Paulo, e moro em Paris desde 2010. Sou jornalista, formada pela Cásper Líbero. Aqui na França, me formei em História da Arte e Arqueologia na Université Paris X. Trabalho em todas essas áreas e também faço tradução, mas meu projeto mais importante é o Direto de Paris. Amo viajar, escrever, conhecer pessoas e ouvir histórias. Ah, e também sou louca por livros e animais.

Comentários (3)

  • Renata Campos Responder    

    12 de agosto de 2019 at 18:03

    Adorei o post! Saber todos esses detalhes históricos faz toda a diferença!
    Deu até vontade de visitar esse museu. Já entrou na minha lista pra uma próxima visita à cidade! 🙂

  • Raianne Fernandes Responder    

    14 de agosto de 2019 at 15:57

    Gostei de saber da história e também do museu em si, já fui 3x em Paris e nenhuma nesse Museu, mas depois do seu post já está na minha lista para minha próxima viagem.

  • Marilda Teixeira Responder    

    15 de agosto de 2019 at 3:27

    Maravilhoso seu texto (e fotos) do Marmottan! Visitei apenas uma vez e não vi tudo. Preciso voltar. Como sempre, suas informações são preciosas. Parabéns!

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