Les Andelys

Les Andelys – A cidade que é vigiada por um castelo

29 de janeiro de 2015

Hoje vou falar para vocês de uma cidade que quis conhecer por causa de um livro. Se você já leu a série Os Reis Malditos, de Maurice Druon, vai reconhecer na hora o lugar. Se ainda não leu, recomendo que o faça. São livros deliciosos e que contam a história da França como se fosse uma aventura. Bem legal! Bom, a cidade da vez aqui no blog é Les Andelys, onde fica o Château Gaillard, a fortaleza que chegou a ser a mais segura da Normandia.

Les Andelys

Les Andelys fica a 92 quilômetros de Paris. É um dos lugares mais bonitos do Vale do Sena (Vallée de la Seine). Tem cerca de 8 mil habitantes, sendo considerada uma cidade pequena. O nome é assim no plural porque o lugar é formado por duas partes: o Grand Andely (Grande Andely), que remonta à época Galo-Romana; e o Petit Andely (Pequeno Andely), que teve origem principalmente na época da construção do château Gaillard.

Les Andelys
Château Gaillard – de qualquer parte da cidade podemos vê-lo

Uma das histórias mais antigas da cidade data do século VI, quando Clotilde, a primeira rainha da França, escolheu o lugar para construir uma das primeiras abadias da Normandia, infelizmente destruída no século X durante as invasões dos normandos.

Les Andelys

No final do século XII, o rei da França, Philippe Auguste, e Richard Coeur de Lion (Ricardo Coração de Leão), duque da Normandia, assinam um tratado que diz que Les Andelys faz parte da arquidiocese de Rouen. A cidade é, portanto, um lugar neutro, onde não pode haver muralhas, nem construções militares. Por ser duque da Normandia, Ricardo era vassalo do rei da França, apesar de ser, também, rei da Inglaterra. Ou seja, uma posição não muito confortável para ele. Assim, ao construir Château Gaillard, ele desobedece ao monarca francês.

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No século XVIII, Les Andelys depende do ducado de Gisors. Em 1785, é fundado na cidade o hospital Saint-Jacques, que existe até hoje (é um centro de saúde e asilo). O criador é o duque de Penthièvre, também duque de Gisors e neto de Louis XIV.

Les Andelys
Hospital Saint-Jacques

Por causa do castelo, ao longo dos séculos, Les Andelys sempre atraiu reis, como Louis IX (São Luis), e artistas. Nicolas Poussin, um dos maiores pintores franceses, nasceu ali. O lugar serviu de inspiração para Lawrence da Arábia, Camille Pissarro, Paul Signac e outros.

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Durante a Segunda Guerra Mundial, o centro da cidade, que fica no Grand Andely, foi bombardeado e destruído. Anos depois, foi inteiramente reconstruído e guarda o mesmo aspecto de antes do conflito.

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O que ver em Les Andelys

Petit Andely – Formou-se por causa da construção do castelo, para abrigar os trabalhadores e artesãos da obra. É um lugar muito bonito, com as torres da igreja Saint Saveur dando um charme antigo à paisagem. Mas quem domina mesmo o horizonte é o château.

Les Andelys

Les Andelys

1) Château Gaillard – Les Andelys fazia parte da fronteira oriental do ducado da Normandia. Essa era uma das regiões mais cobiçadas da Coroa Francesa e uma das poucas que não estavam ainda sob seu domínio. Então, para evitar que o rei Philippe Auguste tomasse a região, principalmente Rouen, Ricardo Coração de Leão decide construir uma fortaleza militar. Ele havia acabado de voltar da Terceira Cruzada e estava inspirado pelas fortalezas que viu na Palestina.

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A construção começa em 1197 e movimenta somas consideráveis, além de um exército de operários e artesãos. O lugar escolhido não poderia ser melhor: do alto de uma falésia dominando todo o vale e o Sena. Assim, impediria qualquer aproximação francesa. Em pouco mais de um ano, o castelo fica pronto e Richard teria exclamado: “Como é bela essa minha filha de um ano! É um castelo vigoroso”. Daí o nome Gaillard, que quer dizer vigoroso, forte em francês.

Les Andelys
No caminho para o castelo, um pequeno jardim medieval

Além dessa defesa natural da falésia, do outro lado o château era protegido por nada mais nada menos do que dois fossos, duas muralhas, várias torres e uma torre de menagem (principal). Inclusive a configuração desta última fazia com que, em um ataque, os projéteis atirados dali do alto batessem na base da torre e continuassem a trajetória sem o que o inimigo visse de onde eles saíam. Assim, o castelo era considerado invencível.

Les Andelys
Chegando

Porém, em 1199, Richard morre. Seu herdeiro tanto no ducado quanto no trono da Inglaterra é seu irmão John Lackland (João sem Terra). Philippe Auguste se aproveita da situação e decide tomar o château, em 1203. Ele cerca e isola a fortaleza por meses. Mas, ao descobrir que os defensores do local têm comida por ainda um ano, resolve atacar de forma mais agressiva. Diz a lenda que os soldados franceses entraram no castelo pelas latrinas. Outros dizem que foi pela janela da capela. Mas, de todo modo, em 6 de março de 1204, Château Gaillard cai nas mãos da França. E três meses depois é a vez de Rouen. É o fim do ducado da Normandia. Por isso que o rei João, da Inglaterra, é conhecido por “sem terra”.

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Com o tão sonhado castelo em mãos, Philippe Auguste, faz algumas modificações na construção, para apagar os traços dos Plantagenetas, os antigos proprietários. No século XIV, château Gaillard volta ao centro da história francesa: é ali que as irmãs Marguerite e Blanche de Bourgogne, noras do rei Philippe IV, são presas por adultério. Blanche, depois de sete anos presa ali, acaba indo para um convento, onde morre. Já Marguerite é assassinada em 1315 no castelo mesmo, estrangulada, a mando do seu marido, que se torna rei com o título de Louis X. Aliás, o assassinato da rainha é um dos pontos altos da série Os Reis Malditos.

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Durante a Guerra dos Cem Anos a fortaleza ainda é utilizada como prisão e defesa. Porém, no reinado de Henri IV ela começa a ser destruída, o que o cardeal Richelieu termina de fazer. As pedras do château acabam sendo usadas no palácio episcopal da cidade de Gaillon, ali do lado. Mas suas ruínas continuam imponentes e atraindo turistas durante o ano todo. E a vista lá de cima é linda. O castelo é classificado como Monumento Histórico desde 1862.

Endereço: Chemin de château-Gaillard
27700 Les Andelys
Horários: aberto de 4 de abril a 1º de novembro, de quarta a segunda, das 10h às 13h e das 14h às 18h.
Tarifa: 3,20 euros. Tarifa reduzida: 2,70. Gratuito para crianças até 10 anos. Bilhete com o Musée Poussin: 5 euros.
Visitas guiadas em francês: segunda e de quarta à sábado, às 16h30. Domingos, às 11h30 e 16h30. Valor: 4,50 euros.
Porém as primeiras partes das ruínas são acessíveis o ano todo e de graça.

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2) Église Saint Sauveur – É uma igreja gótica construída no começo do século XIII. Tem a forma de uma cruz grega e possui um dos órgãos mais antigos ainda em atividade na França. A torre foi destruída por uma tempestade em 1973, mas reconstruída como a original.

Endereço: Place Saint Sauveur
27700 Les Andelys
Horários: todos os dias, das 9h às 18h.
Para visitas guiadas em grupo: contact@lesandelys-tourisme.fr

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3) Margens do Sena – Atrai turistas o ano todo. É muito bonito ver as falésias, as construções típicas normandas e a curva que o Sena faz ali. Uma boa pedida para relaxar depois do almoço ou da visita ao castelo.

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Grand Andely – É a parte mais antiga da cidade, que vem da época dos romanos, e onde fica o centro e as ruas de comércio. Chegou a ser destruído durante os bombardeios aliados na Segunda Guerra Mundial, mas foi reconstruído de forma idêntica. É também um lugar muito bonito, que mistura ruas calmas – onde o tempo parece ter parado – e uma zona comercial.

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4) Colegial Notre-Dame – Ela domina o Grand Andely. Começou a ser construída em 1215, no local do monastério construído pela rainha Clotilde. Foi terminada um século mais tarde. Depois da Guerra de Cem Anos, é reformada, os trabalhos indo até 1570.

Les Andelys

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Na verdade, é assim: o interior é gótico, mas os vitrais são do século XVI. Já o exterior possui a parte gótica, no sul, e a parte Renascimento, no norte. A torre central é do século XV. Apesar deste contraste, a igreja é harmoniosa, principalmente a fachada e seus três portais. Outro destaque é o grupo de esculturas La Mise au Tombeau (Sepultamento de Jesus), realizado no século XVI, e que está na capela de entrada.

Endereço: 10, rue de Fontanges Collégiale Notre-Dame
27700 Les Andelys
Horários: De outubro a março, das 9h às 17h30. De abril a setembro, das 9 às 19h.
Gratuito.
Para visitas guiadas em grupo: contact@lesandelys-tourisme.fr

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5) Musée Nicolas Poussin – É o museu da cidade, que leva o nome do seu filho mais ilustre e fica numa casa do século XVIII. Nicolas Poussin nasceu ali, em 1594, em um distrito perto do centro da cidade, e se mudou para Paris com 18 anos. Ao longo de sua vida, voltou a Les Andelys apenas uma vez, para tratar de uma doença antes de ir para a Itália. Mas um dos maiores pintores da História francesa é o orgulho da cidade. No museu estão duas de suas obras, Le Coriolan supplié par sa mère (1653) e Saint Denis l’aéropagite couronné par un ange (1620, embora não se tenha certeza de que esta pintura é dele). O lugar guarda ainda diversos objetos e documentos que pertenceram ao artista.

Les Andelys
À esquerda: Coriolan supplié par sa mère (de Nicolas Poussin). À direita Saint Denis couronné par un ange (atribuído ao artista)

Mas não só de Poussin vive o musée: o acervo também conta a história de Les Andelys, incluindo mosaicos da época galo-romana (quando os romanos dominaram a Gália, que hoje é a França) e outros objetos encontrados em escavações arqueológicas.

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Uma outra parte interessante são os móveis do século XVIII, como os que vieram do hospital Saint-Jacques e que pertenceram ao duque de Penthièvre. Há também quadros de outros artistas normandos, como Eugène Clary, pintor impressionista que viveu em Les Andelys.

Endereço: Rue Sainte-Clotilde
27 700 Les Andelys
Horários: aberto de 1º de março a 30 de novembro, de quarta a segunda, das 14h às 18h.
Fechado de dezembro a fevereiro, exceto por visitas guiadas e grupos.
Tarifa: 3,20 euros. Crianças de 10 a 18 anos, estudantes e pessoas com mais de 60 anos: 1,60 euros. Bilhete junto com o Château Gaillard: 5 euros.
Para ver o site do museu, clique aqui

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Eugène Clary (1856-1930) – Bord de Seine avec Château-Gaillard et l’ancien pont des Andelys

6) La Fontaine de Saint Clotilde – Clotilde é a mulher de Clóvis, primeiro rei francês. Reza a lenda que foi graças a ela que o marido – e por consequência toda a França – tornou-se católico. Já viúva, a partir de 511 ela começa a construir igrejas e monastérios na região da Normandia. Um dia, fazia muito calor enquanto os operários construíam a abadia de Les Andelys e a rainha tinha medo de que eles abandonassem a obra.

Les Andelys

Então, a santa reza por eles e a água de uma fonte ali perto se transforma em vinho por um tempo, como nas Bodas de Canãa. A abadia fica pronta em 514, mas é destruída pelos normandos no século X. Porém, a fonte se torna local de peregrinação e as águas ganham a fama de milagrosas. Apesar de estar um pouco abandonado, é interessante ver o local hoje.
Endereço: Esquina da rue Sainte-Clotilde com o boulevard Néhou.
Horários: todos os dias, das 10h às 18h.
Gratuito

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7) Beffroi des Andelys (A torre do relógio) – Foi construída na primeira metade do século XIX. Ela abriga ainda o mecanismo de relógio da igreja Sainte Madeleine, destruída durante a Revolução Francesa. Já a parte em madeira vem do antigo convento dos capuchinhos. Uma curiosidade: os números são em algarismos romanos, mas o quatro está marcado como IIII e não como IV, como seria de ser esperar.

Endereço: Na esquina da ruelle de l’Horloge e da rue de la Sous-Préfecture.

Les Andelys

Como ir a Les Andelys:
Não tem estação na cidade. Mas você pode pegar o trem em Paris, na estação Saint Lazare, e descer em Gaillon-Aubevoye. A viagem dura cerca de 1 hora e quinze. Depois, tome um taxi até Les Andelys. A corrida custa em torno de 21 euros e dura uns 15 minutos. Para reservar um, veja aqui

Se em vez de pegar taxi, quiser ir de ônibus, atenção: há várias linhas, mas não funcionam domingos e têm horários espaçados. Para mais informações, clique aqui . Para saber mais sobre o trem e preços de passagem, consulte o site da SNCF. Se quiser ir de carro, veja o itinerário no Via Michelin

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Renata Rocha Inforzato

Sou de São Paulo, e moro em Paris desde 2010. Sou jornalista, formada pela Cásper Líbero. Aqui na França, me formei em História da Arte e Arqueologia na Université Paris X. Trabalho em todas essas áreas e também faço tradução, mas meu projeto mais importante é o Direto de Paris. Amo viajar, escrever, conhecer pessoas e ouvir histórias. Ah, e também sou louca por livros e animais.

Comentários (20)

  • Carlos Responder    

    29 de janeiro de 2015 at 1:32

    Olá Renata novamente muito boa a história sobre essa cidade que nos remete a imaginação de tempos remotos. Parabéns pela matéria como sempre perfeita

  • Carlos Responder    

    29 de janeiro de 2015 at 1:33

    Um grande abraço

  • Bóia Responder    

    2 de fevereiro de 2015 at 11:17

    Oi, Renata. Tudo bem? 🙂

    Seu post foi selecionado para o #linkódromo, do Viaje na Viagem.
    Dá uma olhada em http://www.viajenaviagem.com

    Até mais,
    Bóia – Natalie

  • Rosana Cruz Pereira Responder    

    3 de fevereiro de 2015 at 10:54

    Renata

    Acompanho sempre seu blog e sempre tenho gratas surpresas com as matérias e opções de visitas quando em Paris.

    Li e reli Os Reis Malditos umas 3 vezes, realmente é uma coleção primorosa e a tenho em minha estante.

    Beijo grande
    Rosana

    • Renata Inforzato Responder    

      3 de fevereiro de 2015 at 22:43

      Oi Rosana, Obrigada pelo seu comentário. Eu adoro os Reis Malditos, tb li e guardei todos. Dá uma olhada no post sobre Brie-Comte-Robert que lá tem o castelo da terceira esposa de Charles IV (O filho do Rei de ferro), o último rei da dinastia dos Capétiens. Um beijão

  • Francine Responder    

    5 de fevereiro de 2015 at 10:48

    ai ai ai…
    agora indo providenciar Os Reis Malditos pra leitura.

    😉

    Obrigada,
    Francine

    • Renata Inforzato Responder    

      5 de fevereiro de 2015 at 20:20

      Ahahahah, Francine. Vai ser uma viagem e tanto, pois são 7 livros 🙂 Obrigadão pelo comentário e um beijo

  • Andrea Raminelli Responder    

    9 de fevereiro de 2015 at 20:46

    Renata, que relato legal! Deu vontade de visitar também!

    • Renata Inforzato Responder    

      10 de fevereiro de 2015 at 0:14

      Oi Andrea, é uma cidadezinha linda, vale a pena. Obrigadão pelo comentário. Um beijão

  • Dois restaurantes em Les Andelys | Direto de Paris Responder    

    17 de fevereiro de 2015 at 9:26

    […] em Les Andelys, uma pequena e charmosa cidade da região da Normandia. Sobre a cidade eu conto aqui. Agora vou falar dos restaurantes em que fui, e que me renderam boas […]

  • Marilda Teixeira Responder    

    29 de abril de 2015 at 23:12

    Oi Renata.
    Fico sempre encantada com as histórias q vc nos conta sobre essas deliciosas cidadezinhas da França. Viajo junto com vc em seus relatos. Obrigada por mais essa descoberta!
    Bjs

    • Renata Inforzato Responder    

      3 de maio de 2015 at 22:32

      Oi Marilda, obrigadão por sempre “viajar comigo”. Vou tentar ser mais frequente nesses relatos. Um beijão e saudades

  • Les Andelys Hôtel – dica de hospedagem na Normandia | Direto de Paris Responder    

    2 de maio de 2015 at 22:27

    […] cidade mais próxima (estação Gaillon-Aubevoye) e depois pega um ônibus ou táxi (como expliquei aqui). Nos decidimos pelo táxi e, por coincidência, o dono do hotel, Monsieur Lanos, era taxista. O […]

  • Flávia Responder    

    8 de maio de 2015 at 13:37

    Oi Renata,
    Estou programando uma viagem para a França e adorei os seus posts.
    Parabéns

  • Leticia Responder    

    8 de outubro de 2015 at 17:28

    Olá, Renata!!!
    Adorei o post!! Les Andelys parece ser maravilhosa.

    Estarei em Paris a partir do dia 20 de novembro. Você acha que é uma época muito ruim para ir a Les Andelys?

    Obrigada!!!

    • Renata Inforzato Responder    

      9 de outubro de 2015 at 23:02

      Oi Leticia, o castelo, que é a principal atração, é fechado nessa época. O último dia de visita deste ano de 2015 é 1 de novembro. Mas dá para subir até a entrada do castelo e admirar a vista lá de cima (o lugar antes da entrada é aberto e de livre circulação). É uma época onde o frio já está chegando e pode ter chuvas. Então, fica de olho na previsão do tempo. bjs

  • Direto de Paris - Jornalismo em Paris Responder    

    9 de junho de 2017 at 10:44

    […] um taxi ou um ônibus até Les Andelys. Para saber mais sobre a cidade e como ir, veja o post sobre Les Andelys aqui no […]

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