Amboise

Château du Clos Lucé – a última casa de Leonardo da Vinci

11 de abril de 2018

O château do Clos Lucé é um dos mais visitados do Vale do Loire. Ele é mais conhecido por ser a última residência de Leonardo da Vinci e tem muita coisa legal para se ver, principalmente as atrações ligadas ao mestre.

Leonardo da Vinci

Para entender o que é o castelo hoje, nada melhor do que retraçar a história dele. E ela começa lá na Idade Média. Nessa época, em 1214, a família de Amboise doa algumas terras para as freiras cistercienses da Abadia de Moncé, ali perto. No final do século XV, por volta de 1477, um funcionário de confiança do rei Louis XI, chamado Étienne le Loup, constrói o então Château de Cloux, ao adquirir as terras das religiosas.

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Era uma residência de acordo com o gosto da época, ou seja, medieval, com grandes salas, uma pequena torre servindo de escada, entre outros elementos. Tinha um terreno enorme, com vinhas, jardins, viveiros. Enfim, uma casa senhorial cercada por fortificações digna de um alto funcionário da Corte.

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Em 1490, o rei francês Charles VIII compra a propriedade pela quantia de 3500 écus de ouro. Ele já conhecia o lugar, pois, quando criança ia passear ali. E a primeira coisa que o novo proprietário faz é transformar o lugar.

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Ventos novos sopravam. O Renascimento chegava ao Vale do Loire. Inclusive, Charles VIII foi o primeiro rei francês que trouxe artistas renascentistas italianos para trabalhar no vale. Assim, o castelo se torna uma residência de campo e adquire a aparência que vemos hoje, com seus tijolos vermelhos contrastando com a brancura da pedra de tuffeau – tipo de rocha encontrada na região – e dando o charme à construção.

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Um dos cômodos dessa época é a capela que o rei manda construir para a esposa, a rainha Anne de Bretagne. Conhecida por ser uma mulher culta e inteligente, ela costumava passar dias no Clos Lucé e era onde ia se refugiar nos momentos tristes, como, por exemplo, na época da morte de seus filhos, todos ainda crianças. Já o rei, dizem, quando estava ali, adorava tirar um cochilo entre as árvores.

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Com a morte de Charles VIII no castelo de Amboise, a rainha é obrigada a se casar novamente, desta vez com o novo rei, Louis XII (veja a história no texto sobre o Château de Langeais). Por isso, ela deixa o Clos Lucé e se muda para o castelo de Blois.

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A propriedade vai, então, para Louis de Luxembourg, conde de Ligny e de Saint-Pol. Quando ele morre, o herdeiro do lugar é o primo, o duque de Alençon, que é marido de Marguerite, irmã do futuro rei François I. A nova proprietária é uma das mulheres mais inteligentes e notáveis do Renascimento francês. Escritora, foi no Clos Lucé que ela escreveu seu livro mais famoso, o Heptaméron.

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E é aí que entra Leonardo da Vinci, pois é Marguerite quem ajuda o irmão, já rei, a trazer o mestre para o Clos Lucé. O artista e também inventor – entre outras atividades – já tinha trabalhado para o rei Louis XII quando este dominou Milão, em 1506.

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O encontro com o novo rei, François I, acontece depois da batalha de Marignan, quando os franceses vencem os milaneses e voltam a tomar a cidade. Leonardo estava em Bolonha com a delegação do papa Léon X, que tinha ido encontrar o monarca francês para negociar a paz. François, que já admirava Da Vinci, convidou-o para ir morar na França. Leonardo tinha 64 anos na época.

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O gênio não demora muito para se decidir. Na Itália, ele não tinha tanta popularidade quanto Michelângelo e Rafael. Na França, ele teria a amizade e admiração da pessoa mais importante do reino: o próprio rei. Assim, o convite foi feito em dezembro de 1515 e ele parte já na primavera seguinte, ou seja, no primeiro trimestre de 1516.

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A viagem da Lombardia até o Vale do Loire dura três meses, passando pelos Alpes, Lyon, até chegar em Amboise. Acompanhando o mestre, uma pequena comitiva formada por seus alunos, Gian Giacomo Caprotti, conhecido como Salai, e Francesco Melzi, além de um empregado, Battista de Villanis.

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A catapulta de Leonardo

Leonardo leva tudo, inclusive três obras-primas: Sainte Anne (Santa Ana), Saint Jean-Baptiste (São João Batista) e a Joconde (Monalisa). Foi assim que essas preciosidades, atrações do Louvre, chegaram à França. O pintor é acolhido com grandiosidade pelo rei, no castelo de Amboise. Ele se torna o artista número um da Corte.

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A vida de Da Vinci no Clos Lucé é feliz e produtiva. Ele recebe de François I uma pensão anual de 700 écus de ouro. Uma empregada, chamada Mathurine, é colocada à serviço do artista. Também arquiteto, engenheiro, inventor, alquimista, etc, Leonardo trabalha como nunca em suas anotações e invenções.

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Também faz vários projetos para o rei, tais como: canais ligando as residências reais; uma cidade ideal em Romorantin e, dizem, o projeto de um castelo, Chambord. Embora a maior parte desses projetos não tenha sido realizada, como, por exemplo, os canais e a cidade ideal, eles serviram de inspiração para os futuros reis franceses.

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Leonardo também organiza festas suntuosas para o monarca francês: uma delas foi em ocasião do nascimento do herdeiro do trono, François. Já, em junho de 1518, é a vez do mestre receber a Corte no Clos Lucé. Dizem que, na ocasião, ele teria criado uma cúpula de tela pintada com estrelas, planetas e símbolos do zodíaco, iluminada por 40 velas, para abrigar uma representação teatral que homenageava o céu.

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Quando não estava trabalhando para François I ou em suas próprias anotações, Leonardo da Vinci passeava pelo parque, plantava árvores e trabalhava em seus quadros. Estudos mostraram que o Saint Jean-Baptiste foi terminado na época do Clos Lucé. Eles concluíram igualmente que o artista trabalhava também nas duas outras obras que trouxe para a França consigo, embora a Sainte Anne tenha permanecido inacabada.

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Enquanto isso, sob sua orientação, seu aluno, Melzi, fazia belas perspectivas do castelo de Amboise, visível do Clos Lucé, ou realizava os afrescos da capela de Anne de Bretagne. Salai havia voltado para a Itália. Assim, embora a saúde de Leonardo declinasse – ele tinha reumatismo, que afetava sua mão direita, e problemas de visão – sua atividade continuava a todo o vapor.

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A torre e a capela Saint-Hubert do Château de Amboise vistas do Clos Lucé

O rei o adorava. Sempre que podia, ia até o Clos Lucé conversar com Leonardo, a quem chamava de meu pai. E era realmente um amor sincero, já que François I ficou órfão de pai aos dezoito meses. Ele escutava muito os conselhos do mestre, como se este fosse um ministro informal. Dizem que do subsolo do Clos Lucé partia uma passagem secreta e subterrânea que levava até o Château de Amboise. Ela teria sido construída para que o rei pudesse visitar o amigo sem chamar atenção.

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A Corte também gostava muito de Leonardo, principalmente os artistas italianos. Era bom encontrar um conterrâneo em um país estrangeiro, ainda mais sendo Da Vinci. Um de seus amigos era Dom Pacello, paisagista e jardineiro do rei, que morava ali do lado, no Château Gaillard.

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Leonardo também recebia visitas ilustres vindas do exterior. Como, por exemplo, a do cardeal Louis de Aragão. Um dos assistentes do religioso escreveu as memórias desta visita. Segundo ele, Leonardo da Vinci teria dito ao cardeal ter dissecado mais de 30 corpos, de homens e mulheres de todas as idades, para seus estudos de anatomia. Na obra, o assistente do cardeal também relata que Da Vinci trabalhava no retrato de uma dama de Florença, encomendado pelo “magnífico” Juliano de Médicis (será a Monalisa?), e nos seus manuscritos.

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Sentindo a morte se aproximar, em 23 de abril de 1519, o artista manda chamar Guillaume Boreau, notário da Corte, para redigir seu testamento. No documento, ele deixa seus bens às pessoas próximas, como Melzi, Salai e até para a empregada Mathurine, dentre outros.

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Também dá instruções para seu enterro, no qual seu corpo deveria ser carregado pelos capelães da igreja de Saint-Florentin, que fica no castelo de Amboise, acompanhados por sessenta pobres levando uma tocha cada um. Ele determina mesmo o número de missas e doações a serem realizadas. Para François I, ele deixa as três obras-primas que trouxe consigo da Itália (outros pesquisadores dizem que o rei comprou as obras).

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E, logo em seguida, Leonardo morre no Clos Lucé, em dois de maio de 1519, cercado pelo seu pessoal. Ao contrário da lenda, o rei não estava com ele. François I estava no castelo de Saint-Germain-en-Laye, na região parisiense, por causa do nascimento de seu segundo filho, o futuro rei Henri II.

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No quarto de Leonardo, há a cópia da obra de Jean-Auguste-Dominique Ingres – François I reçoit les derniers soupirs de Léonard de Vinci. Porém, esta cena não aconteceu

O corpo do gênio só foi enterrado em 12 de agosto, na Collégiale Saint-Florentin, como ele queria. Porém, no século XIX, a igreja foi destruída. Então, os restos mortais do mestre, de acordo com alguns pesquisadores, foram encontrados em 1863 e transferidos para a Capela Saint-Hubert, também no castelo de Amboise.

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Após a morte do artista, o Château de Clos Lucé e a própria cidade de Amboise ficam adormecidos por cinco séculos. Durante este tempo, o castelo muda algumas vezes de mãos. Algum tempo depois da partida de Leonardo, o château vai para Philibert Babou de la Bourdasière, cuja mulher era uma das favoritas de François I.

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Algumas décadas mais tarde, o castelo vira propriedade de Michel du Gast, capitão da guarda do rei Henri III e, por isso, envolvido no assassinato dos irmãos Guise, em 1588. (veja esta história no texto sobre o Château de Blois). Porém, o novo proprietário nem aproveita a nova casa, já que ele mesmo será assassinado no Clos Lucé em circunstâncias misteriosas.

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Então, o lugar passa para a família de Amboise, muito poderosa na região. O castelo é organizado em estilo clássico no século XVIII. A influência dos novos donos evita que a propriedade seja desapropriada ou até mesmo destruída durante a Revolução Francesa. Para defender o Clos Lucé, a família chega a mostrar a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão.

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Já no século XIX, em 1854, o castelo é adquirido por André Téodore Saint Bris, família que detém a propriedade até hoje. O filho dele, Auguste Georges Saint Bris algum tempo depois herda o lugar.

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Ainda no século XIX, a lembrança de Leonardo da Vinci começa a ser valorizada na propriedade. A geração do Romantismo promoveu uma redescoberta da época medieval e renascentista em todo o país e o passado glorioso do Clos Lucé não poderia ficar de fora. Assim, aos poucos foram resgatadas as lembranças da passagem do gênio.

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Em 9 de junho de 1952, Madeleine Saint Bris promove uma homenagem a Leonardo e conta com a presença de Mgr Roncalli, Núncio Apostólico de Paris, que mais tarde seria eleito papa com o nome de João XXIII.

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Logo depois o Clos Lucé passa para o sobrinho dela, o conde Hubert Saint Bris. Ele abre o castelo para a visitação pública em 1954 e, pouco depois, começa uma restauração para devolver à construção a aparência que possuía nos tempos de Da Vinci. Os trabalhos duram mais de 60 anos, terminando com a reconstituição dos ateliês do artista em 2016. Tudo é realizado com trabalhadores especializados nas técnicas e materiais dos séculos XV e XVI, o que torna esta viagem no tempo ainda mais autêntica.

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A visita

Visitar o Clos Lucé é entrar na vida e obra de Leonardo da Vinci. Além da reconstituição das salas e ateliês o mais fiel possível à época do mestre, várias de suas invenções foram recriadas e explicadas aos visitantes. É o tipo de passeio em que aprendemos enquanto nos divertimos.

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O Poliedro

O castelo tem um aspecto sóbrio. Em todas das fachadas, o tijolo rosa faz um belo conjunto e contraste com o tuffeau, uma pedra típica da região que é conhecida por ser fácil de trabalhar. Em um dos lados, vemos um São Sebastião e as armas da França, da Savoie e de Angoulême, estas duas últimas regiões da família de François I. Acima da lanterna, dois nichos com as esfinges de Charles VIII e Anne de Bretagne.

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O São Sebastião

Apesar de reconstruído por Charles VIII, um elemento da época medieval ainda existe. É a Tour de Guet (torre em forma quadrada).. Logo em seguida, vem a Galerie (Galeria), que é coberta e foi construída na época do Renascimento.

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A Torre e a Galeria

1) Chambre de Léonard (Quarto de Leonardo da Vinci) – Era aqui que o mestre dormia e foi aqui também que ele morreu. Este cômodo foi reconstituído com a decoração da época do gênio. E há algumas obras que fazem referência a ele, como, por exemplo, a reprodução do quadro de Ingres, sobre a morte de Leonardo.

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O leito, em estilo da época, é esculpido com quimeras, anjos e animais marinhos. Em um dos dias em que fui lá, um gato dormia tranquilamente na cama, sem se importar com os visitantes e sendo muito bem tratado pelo pessoal do castelo. Nada mais natural, já que o gato era o animal preferido de Leonardo. Outro destaque do quarto é a bela chaminé com as armas da França.

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2) Chambre de Marguerite de Navarre (Quarto de Marguerite de Navarre) – era aqui que a irmã de François I ficava antes da residência ser destinada a Leonardo da Vinci. Após ficar viúva do Duque de Alençon, Marguerite de Angoulême se casou com o rei de Navarra e se mudou para lá. No cômodo, um belo retrato dela realizado por Jean Clouet, um dos pintores mais importantes da Corte de François I.

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Jean Clouet – Marguerite d’Angoulême, 1527

3) Grande Salle (Grande Sala) – Onde Leonardo recebia os visitantes. A decoração aqui é, principalmente renascentista. Uma curiosidade desta sala é o contrato da compra do Clos Lucé pelo rei Charles VIII em 1490. Vemos também uma cópia do famoso busto de François I.

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4) Chapelle (Capela) – É uma joia de estilo gótico construida por Charles VIII para a esposa, Anne de Bretagne. Ali também estão três afrescos que provavelmente foram realizados por Francesco Melzi, aluno de Leonardo da Vinci, na época em que o mestre viveu no castelo. Uma das obras representa a Anunciação, a segunda mostra o Fim do Mundo e a terceira a Virgem das Luzes, Virgo Lucis. Dizem que foi por causa desta última que o nome do château passou a ser Clos Lucé no século XVII.

Leonardo da Vinci

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Virgo Lucis

Na pedra angular no centro do arco, vemos três Flores-de-Lis, que representam a monarquia francesa e mostram bem que o castelo foi propriedade da realeza. Vários objetos religiosos dos séculos XIV, XV e XVI mostram a devoção dos diferentes proprietários do lugar. Destaque para a iluminura realizada por Jean Fouquet, um dos maiores artistas do século XV.

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5) Cuisine (Cozinha) – Era aqui que Mathurine, a cozinheira de Leonardo, fazia as refeições do mestre. Dizem que, nos dias frios, ele vinha aqui aquecer as mãos perto do calor do fogo. Pendurados no teto, vemos dois ganchos, que era onde a carne, dada pelo rei, era pendurada. Uma curiosidade é que somente o pessoal do castelo comia a iguaria, pois Leonardo da Vinci era vegetariano.

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Além dos móveis, a decoração recria uma cozinha da época do Renascimento, com pratos decorando as paredes. Duas tapeçarias, uma de Tournai, na Bélgica, e outra de Amboise, também enfeitam o cômodo.

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6) Salles des Maquettes (Salas das Maquetes) – Agora descemos ao nível inferior e entramos no pensamento e engenhosidade de Leonardo. Nas próximas salas, encontramos 40 maquetes que reproduzem as principais invenções do gênio. Elas são uma iniciativa dos proprietários do castelo junto com a IBM e foram realizadas a partir de 80 desenhos originais do mestre.

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São obras que mostram todo o conhecimento de Leonardo da Vinci em aeronáutica, hidráulica, ótica e várias outras áreas do saber, provando que ele foi uma das mentes mais polivalentes da História Mundial.

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Várias de suas invenções ou projetos anteciparam máquinas que seriam inventadas séculos depois. É o caso do tanque de guerra, do planador, de um protótipo de helicóptero e de bicicleta. Todas as maquetes são acompanhadas por comentários científicos. É em uma dessas salas que vemos a entrada do subterrâneo que ligaria o Clos Lucé ao Château de Amboise.

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7) Les Ateliers de Léonard (Os Ateliês de Leonardo) – Foram inaugurados em 2016, depois de dois anos de pesquisas e trabalhos e a participação de uma equipe de 30 pessoas das mais diversas especialidades. Eles são constituídos por três salas: o ateliê propriamente dito, a biblioteca e o gabinete de trabalho do mestre.

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Situadas no térreo e numa área de 100 metros quadrados, estas salas têm o objetivo de mostrar ao visitante como era a rotina de trabalho de Leonardo da Vinci. Elas foram reconstituídas nos mínimos detalhes, com técnicas e materiais da época do Renascimento. Até os móveis e objetos de decoração foram criados a partir de desenhos do período. Vamos a elas:

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7.a) L’atelier de Léonard de Vinci (O Atelier de Leonardo da Vinci) – É a reconstituição de um ateliê típico do Renascimento. O que se sabe é que Leonardo procurou reproduzir no Clos Lucé o ambiente que sempre caracterizou seus ateliês: um lugar animado, de troca e de aprendizado.

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Encontramos aqui pigmentos e instrumentos de pintura, desenhos de arquitetura e cópias dos croquis do mestre. Vemos também os projetos de uma estátua de cavalo, encomendada por François I, mas que não foi realizada. Há também um cavalete com uma cópia do quadro Sainte Anne, realizada em 1855 e emprestada pelo museu da cidade de Chambéry, na França.

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7.b) La Bibliothèque (Biblioteca) – Vemos aqui várias cópias de obras antigas fornecidas pelo Institut de France, que nos fazem imaginar como era a biblioteca do artista. O cômodo também abriga um gabinete de curiosidades. Nos séculos XVI e XVII era comum que nobres e intelectuais colecionassem e guardassem vários tipos de objetos: as curiosidades.

Leonardo da Vinci

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Aqui no de Leonardo encontramos astrolábios, mapas-mundi, herbários, esqueletos, conchas, etc. Essa reunião de objetos mostra muito sobre a personalidade e interesses do gênio.

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7.c) Le Cabinet de Travail (Gabinete de Trabalho) – Aqui temos uma experiência viva da presença de Leonardo. Através de hologramas e efeitos especiais, assistimos ao encontro do mestre com o Cardeal de Aragon, em outubro de 1517. Voltando 500 anos no tempo, é como se nós também visitássemos o artista.

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Além do castelo, a propriedade do Clos Lucé tem várias atrações exteriores, que fazem a alegria principalmente da criançada. São elas:

8) Jardin Renaissance (Jardim Renascentista) – Logo ao lado do castelo, temos um jardim de estilo italiano, mais precisamente inspirado na época de Leonardo da Vinci. Em torno de um tanque, pinheiros centenários, ciprestes e taxus fazem uma bela paisagem de fundo para os arbustos cheios de rosas vermelhas, não por acaso chamadas de Mona Lisa.

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Ali do lado, uma Epicerie Italienne, onde podemos comprar vários produtos de inspiração italiana, mas fabricados na região, e até tomar um café.

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9) Jardin de Léonard (Jardim de Leonardo) – Foi criado em 2008, em uma superfície de 1 hectare. Para a composição do jardim, foram realizadas dois anos de pesquisas em todos os trabalhos do mestre em relação à natureza.

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Encontramos pinheiros, ulmeiros, salgueiros e ciprestes, além de nascentes, grutas, rochedos, mirantes e cascatas. Ou seja, os elementos presentes na paisagem dos quadros e desenhos de Leonardo da Vinci. Nos arredores do lago, vemos até a bruma, que representa o efeito do sfumato, que caracteriza tão bem a obra do artista.

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Aprendemos ao mesmo tempo em que visitamos o jardim, pois as pesquisas e pensamentos do gênio são detalhados em painéis escritos em quatro línguas: francês, inglês, alemão e italiano. Ao final do passeio, passamos pela ponte à double travée (duplo tramo), em carvalho maciço, com 20 metros de altura. Imaginada e desenhada por Leonardo, é a primeira vez que ela é construída em tamanho natural e com material e técnicas da época do mestre.

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Para completar ainda mais a experiência, há também uma horta e um galinheiro. Como deveria ser na época do artista.

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10) Parc Léonard de VInci (Parque Leonardo da Vinci) – É uma área enorme, arborizada e que, além de linda, possui um percurso educativo. Os temas aqui são as obras e as descobertas do artista, que foi também engenheiro, inventor e tantas outras coisas.

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Ao longo do parque, há várias maquetes em tamanho natural de suas invenções, que podem ser manipuladas à vontade pelos visitantes. As crianças adoram.

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Podemos entrar no tanque e girá-lo
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A metralhadora de múltiplas direções faz até barulho

Também encontramos pelo caminho telas translúcidas, de 3 a 4 metros, que mostram os projetos das invenções, desenhos e quadros de Leonardo. Vemos retratos, os desenhos de anatomia, os desenhos das invenções e até os esboços da cidade ideal. Além disso, oito pontos sonoros, também em quatro línguas, mostram as ideias do gênio, como se este estivesse conversando com seu aluno, Francesco Melzi.

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11) Pigeonnier (Pombal) – Esta é uma construção que data do período medieval do castelo. Na Idade Média, era sinal de riqueza possuir pombos. E os proprietários da época tinham muitos, tanto que construíram este pombal que pode abrigar até 500 aves. O mais incrível é ele ainda estar de pé depois de tanto tempo.

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12) Exposições sobre Leonardo da Vinci – Na propriedade, encontramos a Halle Muséographique, que é o lugar onde são realizadas exposições sobre o mestre e a França. Outra exposição bem interessante nas dependências da propriedade é a Léonard de Vinci ingénieur, que mostra, em miniaturas realizadas a partir dos desenhos do gênio, seus diferentes conhecimentos em Engenharia.

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Vale ficar de olho também nos diversos eventos e ateliês que acontecem no Clos Lucé ao longo do ano. Mais informações no site do castelo.

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Ali do meio do parque, fica o antigo Prieuré (Priorado) onde há um restaurante com decoração e menu inspirados no Renascimento. Vale a pena conhecer.

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Enfim, com cerca de 350 mil visitantes ao ano, sendo 35% estrangeiros, o Clos Lucé é um dos monumentos franceses mais frequentados. Com tantas atrações, sugiro passar ao menos a manhã ou a tarde toda lá, principalmente se você vai com crianças.

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Château du Clos Lucé
2, rue du Clos Lucé
37400 Amboise
Horários: aberto todos os dias, menos 25 de dezembro e 1 de janeiro. Em janeiro, das 10h às 18h, De fevereiro a junho e de setembro a outubro, das 9h às 19h. Julho e agosto, das 9h às 20h. Novembro e dezembro, das 9h às 18h.
Tarifas: de 1 de março a 15 de novembro de 2018 – 15,50 euros. Crianças de 7 a 18 anos: 11 euros. Estudante: 11,50 euros. Preços diferentes para famílias (ver site acima). Crianças até 7 anos não pagam.
De 16 de novembro a 28 de fevereiro – 13,50 euros. Crianças de 7 a 18 anos: 10,50 euros. Estudante: 10,50 euros. Preços diferentes para famílias (ver site acima). Crianças até 7 anos não pagam.

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Como ir a Amboise: De Paris, da Gare d’Austerlitz, pegar o trem para Amboise. A viagem dura em torno de 2 horas. Depois ir a pé até o Clos Lucé, mais ou menos uns 20 minutos de caminhada. Para saber mais sobre os horários e preços dos trens, consulte o site da SNCF, a companhia francesa de trens.

Se você preferir, pode consultar um dos parceiros do blog. A França entre Amigos, para passeios privados ao Clos Lucé, ou a PARIScityVISION, para excursões.
Para ir de carro, consulte o caminho pelo Via Michelin.

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Renata Rocha Inforzato

Sou de São Paulo, e moro em Paris desde 2010. Sou jornalista, formada pela Cásper Líbero. Aqui na França, me formei em História da Arte e Arqueologia na Université Paris X. Trabalho em todas essas áreas e também faço tradução, mas meu projeto mais importante é o Direto de Paris. Amo viajar, escrever, conhecer pessoas e ouvir histórias. Ah, e também sou louca por livros e animais.

Comentários (6)

  • Marcia Picorallo Responder    

    5 de maio de 2018 at 18:36

    Parabéns, super completo o post, fotos lindas, não sabia que podia fotografar lá dentro. Fiz de Amboise nossa base no Loire, e adorei a cidadezinha, mas não consegui visitar a última morada de Leonardo da Vinci, só seu túmulo no castelo.

  • Luciana Rodrigues Responder    

    7 de maio de 2018 at 16:39

    Interessante ler sobre o percurso de Leonardo. 1506 é o ano em que o Papa Julio II coloca a pedra fundamental para a construção da Basílica de São Pedro. Também tinha encomendado seu túmulo a Michelangelo. Acho que naquele momento ali, realmente, as atenções do Papa estavam voltadas para outras prioridades e Leonardo fez bem em “picar a mula” para onde seu trabalho era mais valorizado.

  • rui batista Responder    

    7 de maio de 2018 at 19:39

    Lugar maravilhoso… confesso que desconhecia. Vou tomar nota para futura visita!

  • Viajento Responder    

    7 de maio de 2018 at 21:19

    Maravilhoso conhecer em detalhes a história desse local e da vida do artista. Fiquei maravilhado com as fotos!

  • Tina Wells Responder    

    10 de maio de 2018 at 5:47

    Que maravilhoso poder visitar a última morada do gênio Da Vinci e ver algumas de suas invenções. Adorei saber como a Monalisa foi parar na França! Muito interessante a fidelidade da recosntrução! Lindas fotos!

  • Edson Amorina Jr Responder    

    10 de maio de 2018 at 7:57

    O interessa de visitar esses lugares é ter um pouco da experiência das influências e ambiente de trabalho do artista, né? Mesmo sendo sua última casa…

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