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Vaux-le-Vicomte – o castelo que é o “pai” de Versailles

25 de maio de 2016

Vaux-le-Vicomte é um desses lugares tão lindos, tão perfeitos, que a gente acaba tendo medo de tentar descrever e não fazer justiça a tanta beleza. Por isso que eu, mesmo tendo visitado esse castelo tantas vezes, demorei tanto para escrever sobre ele. E tenho certeza que o meu texto ficará bem aquém do que vemos e sentimos nesse lugar mágico.

Vaux-le-Vicomte

Esse château é conhecido por ser aquele que inspirou Louis XIV a construir Versailles do jeito que o conhecemos hoje. Mas a história de Vaux-le-Vicomte é muito mais do que isso, é cheia de detalhes interessantes e de reviravoltas. E saber essa história nos ajuda muito a entender o que vemos na visita.

Vaux-le-Vicomte

De uma família nobre, Nicolas Fouquet entra no Parlamento com 20 anos e logo se torna Procurador Geral dessa instituição. Em 1641, logo após perder a primeira esposa, ele compra uma propriedade modesta, situada a alguns quilômetros a sudeste de Paris, a meio caminho de dois castelos reais, Vincennes e Fontainebleau.

Vaux-le-Vicomte

Alguns anos passam e, em 1648, eclode a Fronde, uma revolta contra a realeza. É nessa época que Fouquet se aproxima do cardeal Mazarin, que era Primeiro-Ministro e padrinho do jovem rei Louis XIV, que tinha apenas 10 anos. E, assim, Nicolas Fouquet adquire a confiança do então todo-poderoso do reino que, em 1653, o nomeia Superintendente de Finanças, um dos cargos mais altos da corte. A intenção era recuperar o tesouro real dizimado após o conflito, que havia terminado um ano antes.

Vaux-le-Vicomte

Nessa época, o Superintendente já era Visconde de Vaux e havia se casado de novo, desta vez com Marie-Madeleine de Castille-Villemereuil, e, devido a sua nova posição, decide fazer um castelo digno do seu poder: Vaux-le-Vicomte (Vicomte é Visconde em francês).

Vaux-le-Vicomte

Aí que muitos livros dizem ser o começo da ruína de Fouquet. Mas não! Era normal que nobres construíssem castelos de sonho. Vale lembrar que nem todos os châteaux da França eram de propriedade do rei.

Vaux-le-Vicomte

Para construir Vaux, inicialmente Fouquet chama o jovem arquiteto Daniel Gittard. A construção se inicia a todo vapor. Nada menos do que três vilarejos são destruídos, o terreno, já com 35 hectares, é nivelado, uma plataforma é construída para o castelo e os jardins e um rio é desviado. Um primeiro jardim é criado, já com cascatas e espelhos d’água.

Vaux-le-Vicomte

Algum tempo depois, Fouquet chama o trio que tornaria o castelo famoso: o arquiteto Louis Le Vau, o pintor-decorador Charles Le Brun e o paisagista André Le Nôtre. Aí é que há outro equívoco quando se conta a história de Vaux: este trio não era composto por artistas desconhecidos. Le Vau, por exemplo, já havia realizado vários palacetes na Île Saint-Louis. Le Brun foi um dos fundadores da Académie Royale de Peinture. E Le Nôtre era jardineiro-chefe do Jardin des Tuileries.

Vaux-le-Vicomte

Fouquet dá carta branca para os trabalhos. Para construir Vaux-le-Vicomte são empregados 18 mil trabalhadores e o grosso da construção dura cinco anos. O modelo é o hoje finado château de Raincy, que por sua vez era inspirado nos palácios italianos. Vários outros artistas e artesãos renomados são encarregados de decorar o castelo.

Vaux-le-Vicomte

E o resultado é magnífico. Tão magnífico que Mazarin pede a Fouquet para receber convidados importantes em Vaux, o que o fiel colaborador faz com prazer. Começa a reputação do Superintendente. Inclusive La Fontaine, do qual Fouquet era mecenas, compõe poemas à glória de Vaux-le-Vicomte.

Vaux-le-Vicomte

Só que, em 1661, o cardeal morre. E é aí que começa de verdade a ruína de Nicolas Fouquet. Tanto ele quanto Colbert ambicionavam o cargo de Primeiro Ministro. Só que o jovem rei Louis XIV decide centralizar os poderes. E mais: ele pede a Fouquet que chame Colbert para trabalharem juntos. O que, certamente, não vai dar certo. Colbert, que era conselheiro do rei, almejava cuidar das finanças, que era o que Nicolas Fouquet fazia.

Vaux-le-Vicomte

Assim, o então conselheiro do rei faz uma campanha contra o Superintendente de Finanças, acusando-o de desordens financeiras, corrupção e complô. Não se sabe até que ponto eram verdadeiras as acusações, dizem que provas foram fabricadas. Porém, era muito comum que altos funcionários do rei desviassem o tesouro real, e com certeza Colbert, o acusador, também não era inocente.

Vaux-le-Vicomte

O rei vê nas acusações uma oportunidade de exercer seu poder absoluto pela primeira vez e, em maio de 1661, decide prender Fouquet. E diz ao Superintendente que ele adoraria visitar de novo Vaux-le-Vicomte para ver os trabalhos de decoração tanto elogiados pela corte. Então, Fouquet, sem saber de nada, aproveita a estadia de Louis XIV em Fontainebleau, em agosto de 1661, e resolve dar uma festa em honra ao soberano, com a decoração do castelo ainda inacabada.

Vaux-le-Vicomte

É aí outro erro de vários textos que falam de Vaux: o rei não mandou prender Fouquet por causa da suntuosidade da festa. Quando a recepção ocorre, a prisão do Superintendente já estava decidida. Só faltavam alguns detalhes para que ela fosse executada.

Vaux-le-Vicomte

Chega o grande dia: 17 de agosto de 1661. Toda a Corte reunida. O rei chega a Vaux-le-Vicomte acompanhado da rainha-mãe, Anne d’Autriche. Diante da belíssima entrada do castelo, ele fica sem palavras. E aí tem certeza de que as acusações de Colbert são verdadeiras.

Vaux-le-Vicomte

A festa havia sido preparada pelos mais prestigiosos profissionais da época. François Vatel era o responsável pela comida, que incluía até chocolate para os 600 convidados, um luxo para a época. O serviço da mesa do rei era em ouro maciço. No jardim, mais de 120 fontes e cascatas divertiam os convidados, que puderam assistir, também, à peça Les Fâcheux, criada por Molière especialmente para a ocasião.

Vaux-le-Vicomte

Perto de tanto luxo e ostentação, as festas do rei pareciam mais gincanas, ao menos aos olhos deste. Alguns livros dizem que a vontade do soberano era prender Fouquet ali mesmo, mas que a rainha o impede. O rei, com certeza, era jovem e impetuoso. Mas também imagino que era também um pouco sádico e devia encontrar alguma satisfação em ver que Fouquet se esforçava em agradá-lo e em mostrar o próprio poder, sem saber que, dali a alguns dias, seria preso. Eu imagino os pensamentos, do tipo: “Ah, você não perde por esperar”.

Vaux-le-Vicomte

E foi o que aconteceu: três semanas depois, em 05 de setembro de 1661, Fouquet é preso em Nantes por d’Artagnan, capitão dos Mosqueteiros. O Superintendente é levado para um tribunal constituído especialmente para a ocasião e não tem nem direito a um advogado. Ele mesmo se defende.

Vaux-le-Vicomte

Após três anos de processo, Fouquet é condenado ao exílio, mas o rei muda a pena para prisão perpétua. Seus bens são sequestrados e ele vai para a prisão de Pignerol nos Alpes, onde morre 19 anos depois, em 23 de março de 1680, sem nunca mais ter voltado ao seu castelo.

Vaux-le-Vicomte

Logo após a prisão de Fouquet, Louis XIV toma ou compra boa parte dos objetos e da decoração de Vaux-le-Vicomte. Ele também emprega os artistas que trabalharam no castelo, que vai servir de inspiração para construir Versailles.

Vaux-le-Vicomte

Mas em 1673, Vaux é devolvido para Madame Fouquet. Até que, em 1705, é comprado por Hector de Villars, um marechal do exército de Louis XIV e do futuro Louis XV, que havia se tornado duque naquele ano.

Vaux-le-Vicomte

A propriedade, que agora se chama Vaux-Villars, volta aos tempos de glória, sendo mobiliada de novo e tendo os jardins recuperados. O Marechal e sua esposa fazem dele um lugar de encontro com amigos ilustres, como Voltaire. O novo proprietário tem, inclusive, autorização especial do rei para ter um pelotão particular na propriedade, onde coloca também os canhões que tomou dos inimigos.

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Mas Villars morre em 1734 e seu filho não se interessa por Vaux. Ele cede a propriedade, em 1764, para Cesar Gabriel de Choiseul, duque de Praslin e Ministro de Louis XV. O nobre faz modificações no primeiro andar, para dar o conforto exigido pelos novos tempos, e instala uma biblioteca no térreo. O château muda de novo de nome, desta vez para Vaux-Praslin.

Vaux-le-Vicomte

Durante a Revolução Francesa, por pouco o castelo não é demolido. Em 1793, a ordem de evacuação é dada para a demolição. Mas a então duquesa de Praslin pede um tempo maior para poder retirar as pinturas e painéis de Le Brun e poder doá-los à Nação. No final, o governo decide pela conservação de Vaux.

Vaux-le-Vicomte

Mas, no século XIX, os tempos são difíceis e o castelo sofre. Os jardins praticamente desaparecem e uma parte deles é alugada para agricultores. Até que o quinto duque de Praslin, Théobald, ao se tornar mais rico ainda pelo casamento com Fanny Sébastiani, filha de um general, faz um projeto para devolver a Vaux o esplendor de antes. Só que em 1847, em um ataque de loucura, ele mata a esposa e se suicida.

Vaux-le-Vicomte

Novamente o castelo cai no esquecimento. Mas tudo vai mudar em 1875, quando Gaston de Choiseul, o herdeiro, decide leiloar a propriedade. Um único comprador aparece: Alfred Sommier, um rico industrial e amante das artes, que, durante uma visita, se apaixona pelo castelo. É o começo do renascimento de Vaux-le-Vicomte. Aliás, uma das suas primeiras medidas é devolver o nome original ao lugar.

Vaux-le-Vicomte

Ele começa um grande trabalho para ressuscitar o castelo: a construção é restaurada, os jardins são recuperados, os cômodos são mobiliados com peças da época, sobretudo, de Nicolas Fouquet. E Sommier tem uma visão inovadora: abrir Vaux-le-Vicomte para visitas.

Vaux-le-Vicomte

E quando o proprietário morre, é seu filho Edme Sommier que continua a missão: ele adquire mais móveis e contrata o paisagista Achille Duchêne para fazer os arbustos desenhados dos jardins, como os vemos hoje.

Vaux-le-Vicomte

Vaux-Le-Vicomte tem, ainda, um lugar importante na Primeira Guerra Mundial. Durante o conflito, ali funciona um hospital militar, que é dirigido por Germaine Sommier, esposa de Edme. Nos quatro de guerra, o castelo chega a receber 1123 feridos. Nos anos seguintes, é a vez do château virar uma colônia de férias para crianças pobres.

Vaux-le-Vicomte
Foto da grande sala dos feridos

Em 1945, Edme morre sem herdeiros e é o sobrinho, Jean de Vogüé, que herda a propriedade. Mas Germaine administra o lugar até morrer, em 1967. No ano seguinte, Vaux-le-Vicomte é aberto ao público e até hoje continua na mesma família.

Vaux-le-Vicomte

Visitando Vaux-le-Vicomte

A ordem que vou descrever os cômodos nesta parte não é aquela da disposição deles em térreo e primeiro andar, e sim a do sentido da visita.

A primeira “ousadia” na construção de Vaux vemos já no fato do castelo ser em pedra. Isso porque naquela época, século XVII, os castelos eram construídos em pedra e tijolo. Já aqui em Vaux-le-Vicomte, apenas os “Communs”, ou seja, as dependências do castelo é que são feitos assim. O teto das construções é em ardósia.

Vaux-le-Vicomte

Vaux-le-Vicomte
As dependências do castelo

O château já é imponente à primeira vista, pois é construído sobre um pedestal, cercado de um fosso cheio de água. Assim, ele reina absoluto no lugar. Logo na entrada, oito bustos em pedra, obra de Matthieu Lespagnandelle.

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As Fachadas – A fachada norte, a voltada para a entrada, é decorada por um peristilo com três arcadas, aberto de um lado a outro do castelo. Essas aberturas continuam dentro do castelo e até na fachada sul, onde podemos até ver os jardins. A fachada norte tem uma estátua de Apolo, que significa arte e grandeza, e de Reia, a deusa-mãe e protetora da fertilidade. Assim, ao mesmo tempo em que traz inovações, Louis Le Vau, o arquiteto, também dá ao castelo referências à Antiguidade. O autor dessas obras é Michel Anguier, um dos mais importantes escultores da época. Outra coisa que vemos na fachada é o esquilo, símbolo de Nicolas Fouquet. Isso porque fouquet é um antigo nome em francês para esquilo.

Vaux-le-Vicomte

A fachada sul, que é voltada para o jardim, abriga, acima das arcadas, quatro virtudes, também de Anguier. Há também La Renommé, obra de Thibaut Poissant. O conjunto é dominado pela cúpula.

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Vestibule (Vestíbulo) – Louis Le Vau decide elevar bastante o térreo para que os apartamentos nobres do primeiro andar tivessem uma vista perfeita para os jardins. O vestíbulo tem forma quadrada e é sustentado por doze colunas de ordem dórica. Para entrar no cômodo, passamos por três arcadas, que se repetem na saída dele para o Salão Oval e deste para os jardins. Assim, o eixo principal, que começa no portão de entrada, corta as principais alamedas dos jardins até o fundo do parque, passa também pelo castelo. Estátuas antigas, como um busto de Sétimo Severo, enfeitam o lugar.

Vaux-le-Vicomte

Há mais cômodos no térreo, mas os visitamos depois. No vestíbulo, há duas escadarias simples, que levam às peças do primeiro andar.

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L’Antichambre de Nicolas Fouquet (Antecâmara) – Na época de Fouquet, os apartamentos das famílias ricas tinham três cômodos: Antecâmara, gabinete e quarto. E aqui em Vaux-Le-Vicomte não é diferente.

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Embora lembre a forma de um quarto, este primeiro cômodo é bem uma Antecâmara, ou seja, um dos cômodos que precede o quarto. Acontece que, em 1767, o duque de Praslin fez alguns ajustes na peça, colocando uma alcova e uma espécie de dois tambores (tambores são colunas formadas por blocos sobrepostos) de acesso.

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Hoje, os tambores abrigam estantes com obras que restaram da biblioteca de Fouquet, encadernadas com luxo e os brasões do Superintendente. Há também obras preciosas que pertenceram a outros nobres, mesmo em épocas posteriores, como, por exemplo, as duas mais belas edições das Fábulas de La Fontaine: uma do século XVIII, ilustrada por Jean-Baptiste Oudry e com os brasões do duque de Aumont; e a outra do século XIX, ilustrada por Gustave Doré e que pertenceu a Georges Hachette.

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Le Cabinet de Nicolas Fouquet (O Gabinete de Nicolas Fouquet) – O gabinete de trabalho de Fouquet tem a forma quadrada. A beleza dos móveis chama atenção: uma escrivaninha em marchetaria do século XVII e o gabinete em ébano atribuído ao ateliê de Jean Maé, muito prestigiado na época.

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Enfeitando o cômodo, estão também várias obras de arte. Uma delas é o retrato de Marie-Madeleine de Castille, segunda esposa de Fouquet. Ela é representada como a Beleza cortando as asas do amor para que ele não voe, alegoria que representa a fidelidade conjugal. Quem realizou a obra foi o ateliê de Le Brun, de acordo com o original do próprio mestre.

Vaux-le-Vicomte
A obra do ateliê de Le Brun é essa da direita

Em um canto, um Orant, homem em oração. A história desta escultura é interessante. Fouquet amava muito as obras da Antiguidade e tinha uma coleção delas. No dia da sua prisão, já sentindo que o castelo e os objetos seriam confiscados, um dos empregados do Superintendente salvou a obra. Porém, a que está em Vaux-Le-Vicomte é apenas uma réplica, pois a original passou pelas mãos de vários soberanos e príncipes e hoje está no Pergamonmuseum, em Berlim.

Vaux-le-Vicomte
A escultura entre as janelas

La Chambre de Nicolas Fouquet (Quarto de Nicolas Fouquet) – A decoração original deste cômodo foi conservada ao longo dos séculos. É ali que o Superintendente passa as últimas noites em liberdade antes de ser preso em Nantes.

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O teto do quarto, obra de Jean Cotelle, é lindo. Na parte da alcova, simula uma cúpula, cercada por duas cenas mitológicas: a Aurora (lado janela) e o Crepúsculo. Na parte principal, mostra Apolo levando a luz do mundo. A cena é cercada por quatro medalhões representando, cada um, um deus do Olimpo: Júpiter, Juno, Netuno e Cibele. Ainda na decoração, quatro cenas mitológicas com fundos dourados: Diana e Actéon, Apolo esfolando Marsyas, Diana e Calisto, e Apolo matando a serpente Python.

Vaux-le-Vicomte
A cena principal do teto, com Apolo levando a luz ao mundo. Ao lado, os medalhões e cenas mitológicas

Assim como vários cômodos em Vaux-Le-Vicomte, o quarto abrigava muitas tapeçarias. É que para decorar o castelo, Charles de Brun abriu um ateliê ali perto que, após a prisão de Fouquet, seria transferido a Paris, tornando-se, mais tarde, a Manufacture des Gobelins. Louis XIV confisca as tapeçarias do château, havia mais de 120. Muitas foram destruídas com o tempo, mas ele autorizou a manufatura, agora fornecedora das peças da realeza, a fazer cópias de várias das tapeçarias de Vaux.

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As cinco tapeçarias que vemos no quarto foram realizadas pela Gobelins e pertenceram ao conde de Toulouse, filho legitimado de Louis XIV. As outras obras que decoram o quarto têm motivos religiosos e mostram a fidelidade de Fouquet ao catolicismo.

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Le Cabinet de Madame Fouquet (O Gabinete de Madame Fouquet) – Originalmente este cômodo era decorado com vários espelhos, mas nada sobrou. Alguns especialistas apontam que foi esta decoração original que inspirou a Galerie des Glaces, em Versailles.

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Já a decoração das paredes é original: nos cantos, aparece uma torre, emblema de Marie-Madeleine de Castille, esposa de Fouquet, junto com o esquilo, símbolo do marido. No teto, as pinturas, que alternam paisagem e mulheres aladas, também são originais do cômodo. Já o céu foi pintado depois.

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Acima da chaminé, um quadro de Charles Le Brun: um anjo anuncia a Manoá que sua esposa vai ter um filho, Sansão. Os outros móveis e objetos do gabinete são do século XVII, mas não originais do castelo.

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Charles Le Brun – Un ange annonce à Manué que sa femme va donner le jour á un fils, Samson

Le Cabinet de Jean de La Fontaine (Gabinete de Jean de La Fontaine) – Este cômodo foi criado durante as obras realizadas no século XVIII. Ele é dedicado a La Fontaine, que foi um dos amigos mais leais de Nicolas Fouquet. O Superintendente foi seu mecenas por vários anos e em troca o escritor dedicou-lhe algumas obras, incluindo Élégie aux Nymphes de Vaux, escrita para pedir clemência ao rei. O busto de La Fontaine, que decora o cômodo, é obra de Jean-Antoine Houdon. Junto dele um biombo com ilustração de cinco das Fábulas de La Fontaine, obra de Oudry e Pierre-Joseph Perrot.

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La Chambre Louis XV (Quarto Louis XV) – Esta peça também foi reformada no século XVIII. Ela leva esse nome não porque o rei Louis XV dormia ali e sim porque os móveis que a decoram são, quase todos, da época dele. Nas paredes dois retratos: o da princesa Palatine, cunhada de Louis XIV, e o do marechal de Villeroy, um dos tutores do mesmo rei.

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La Chambre Louis XVI (Quarto Louis XVI) – O motivo do nome aqui é o mesmo do cômodo anterior. Aqui também é um resultado das reformas do século XVIII, quando o duque de Praslin encomenda ao arquiteto Jean-Baptiste Berthier que diminua os aposentos do século XVII, a fim de torná-los mais confortáveis e fáceis de serem aquecidos.

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No quarto, há o retrato do duque, que era Ministro da Marinha e das Relações Estrangeiras de Louis XV. A obra é réplica de uma pintura de Alexandre Roslin.

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Outro resultado dessa transformação dos aposentos em cômodos menores é a existência de peças destinadas ao guarda-roupa, por exemplo, ou para os empregados, que, assim, dormiam perto de seus senhores.

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Le Dôme – Nesta parte da visita, subimos ao Domo. O acesso a ele é pago à parte e você, claro, não é obrigado a ir. Mas aconselho a visita, porque a vista lá de cima é linda. E o lugar é bem interessante.

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Ele tem 36 metros de altura e está situado bem no centro do castelo. Possui uma cúpula, a estrutura em madeira e uma lanterna, esta última colocada no século XIX. A estrutura de madeira é composta por vigas de carvalho, pensando 25 toneladas.

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Na época da construção do castelo, o segundo andar abrigava os aposentos dos empregados dos convidados dos castelos. No século XIX, tornaram-se quartos permanentes para trinta empregados. Hoje, essas peças são fechadas e o segundo andar serve só de acesso para a lanterna.

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Depois de visitar o Domo, voltamos ao térreo. Nos corredores e escadas, em praticamente todo o castelo, vários retratos mostram as pessoas que foram importantes para Vaux-Le-Vicomte.

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L’Antichambre ou Grande Chambre Carrée Antecâmera ou o Grande Quarto Quadrado) – O teto desde grande cômodo tem vigas aparentes e elas são decoradas. É o único assim em Vaux-Le-Vicomte. A pintura central mostra um cortejo triunfal de guerreiros romanos, tendo no centro o esquilo, símbolo de Fouquet, e a torre, emblema da esposa. Há uma longa frisa pintada em dourado com fundo azul. Dos quatro lados originais, três foram restituídos em 1968. A obra é atribuída a Le Brun.

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Vaux-le-Vicomte

As cinco tapeçarias, que têm como tema a história de Diana, não são originais do castelo. Acima da chaminé, um retrato de Fouquet, obra de Charles Le Brun. Perto da janela, três bustos: o de Louis XIV, inspirado no de Bernini, de Richelieu e de Mazarin (os dois últimos cardeais-ministros). As duas mesas ovais em mármore pertenceram à Nicolas Fouquet e fazem parte dos poucos móveis remanescentes da decoração feita pelo Superintendente.

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Busto de Louis XIV
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Charles Le Brun – Portrait de Nicolas Fouquet

Le Salon des Muses (Salão das Musas) – O cômodo tem esse nome por causa das musas pintadas no teto por Charles Le Brun. No centro da pintura, Clio, musa da História, ao lado da Prudência e Fidelidade, alusão às qualidades de Nicolas Fouquet. Perto delas, uma inscrição com seu lema Quo non ascendet (Tradução literal: O quão alto ele vai subir). As outras musas estão nos cantos do teto, cercando baixo-relevos pintados em trompe l’oeil (ou seja, dão a ilusão de serem esculpidos). Cada um deles representa um tipo de poesia da época: lírica, satírica, heróica e rústica.

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Vaux-le-Vicomte
Clio, musa da História

O fundo do salão forma uma alcova e o teto é pintado com a alegoria da noite. Essa parte do cômodo é elevada por um degrau e serviu de palco para as encenações das peças de Molière, no tempo de Fouquet, e de Voltaire, no tempo do Marechal de Villars. Acima da chaminé, está o busto do primeiro.

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Allégorie de la Nuit

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Le Cabinet des Jeux (Gabinete de jogos) – É o cômodo mais intimista de Vaux-le-Vicomte, banhando em tons dourados. No teto, uma obra-prima de Le Brun: Le Sommeil. Outra curiosidade do teto é que o emblema de Fouquet, o esquilo, é apresentado zombando de uma espécie de cobra d´água. Detalhe que esta última é o emblema de Jean-Baptiste Colbert, o rival de Nicolas Fouquet.

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Charles Le Brun – Le Sommeil

L’Antichambre d’Hercule (Antecâmara de Hércules) – Charles Le Brun escolhe a história de Hércules para decorar o teto do cômodo. A intenção era comparar Fouquet ao herói mitológico. O centro da obra mostra a apoteose de Hércules, sendo acolhido no Olimpo por Júpiter, Diana e Juno. Cercando a cena, quatro cartuchos monocromáticos também com cenas mitológicas: Juno, Amor e Psiquê, o Rapto de Proserpina e o Rapto de Amphitrite.

Vaux-le-Vicomte

Vaux-le-Vicomte
Charles Le Brun – L’Apothéose d’Hercule

Nos cantos, medalhões representam os trabalhos de Hércules. Vários elementos do teto são tratados com a técnica de trompe l’oeil (elementos ilusionistas). Vemos, ainda, os dois F entrelaçados, que representam Fouquet, e a torre, que é símbolo da esposa.

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Le Salon Oval (Salão Oval)– Este é o salão que prolonga o vestíbulo e leva para o jardim. Em estilo italiano, ele tem 16 pilastras de ordem coríntia. A sua altura total equivale aos dois andares do castelo: no térreo, possui arcadas e na altura do primeiro andar, vemos janelas quadradas. As cariatides que separam essas janelas são obras de François Girardon, um dos maiores escultores franceses do século XVII. Elas representam os signos do zodíaco e as quatro estações.

Vaux-le-Vicomte

Vaux-le-Vicomte

Acima das janelas, começa a cúpula. A pintura do teto, um céu azul com uma águia, foi feita em 1840. Na época da prisão de Fouquet, a decoração do salão estava inacabada e assim ficou.

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Os bustos que estão no alto das colunas ao lado das portas norte e sul, são da época do Superintendente. Já os doze bustos em mármore de imperadores romanos e personagens da Antiguidade foram colocados ali no século XIX, por Alfred Sommier. São obras do século XVII, vindas da Itália.

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Busto do Imperador Vespasiano

L’Antichambre du Roi (Antecâmara do Rei) – No teto, mais uma obra de Le Brun, alternando pinturas e decoração em relevo. Na curva dos arcos, são pintadas cenas mitológicas. E, como relevo, molduras e amores em estuque, cercando os dois F de Foquet, ao lado da Torre, emblema da esposa. A pintura central foi realizada no século XIX, já que o projeto original de Charles Le Brun ficou inacabado.

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A decoração original do teto
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A parte do teto que foi pintada no século XIX

Dentre os móveis, uma escrivaninha em ébano, uma das mais belas criadas pelo famoso André-Charles Boulle. O cômodo foi transformado em biblioteca no final do século XVIII, pelo duque de Praslim.

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La Chambre du Roi (Quarto do rei) – Embora o rei nunca tenha dormido em Vaux-le-Vicomte, era comum em todos os castelos que o proprietário deixasse sempre um dos quartos reservado ao soberano. Mais uma vez, Le Brun faz uma obra-prima no teto, com todos os elementos do Barroco e que vai se tornar modelo para várias decorações por toda a Europa.

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No centro, a representação do Triunfo de Verdade sustentada pelo Tempo. Nas laterais, quatro deuses fazendo metáfora com as virtudes de Fouquet: Vertumno ou a Abundância, Júpiter ou o Poder, Mercúrio ou a Vigilância e Marte ou o Valor. Nos cantos, medalhões monocromáticos representam mais cenas mitológicas. Boa parte dos elementos decorativos em estuque foi feita por Girardon e Nicolas Légendre, sob o comando de Le Brun.

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Charles Le Brun – Le Triomphe de la Verité soutenue par le Temps
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Júpiter

O dossel da cama possui os mesmos tons e desenhos da decoração da parede. A estátua equestre de Louis XIV é uma miniatura em bronze da obra de Girardon, que estava na Place Vendôme e foi destruída na Revolução. Já o retrato do rei, também equestre é obra de René-Antoine Houasse.

Vaux-le-Vicomte

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Le Cabinet du Roi (Gabinete do Rei) – Este cômodo é inacabado. Provavelmente também seria decorado por Le Brun, mas a obra foi interrompida pela prisão de Nicolas Fouquet. Duas telas decoram a peça: um retrato de Louis XV atribuído ao ateliê de Carlo Van Loo e uma representação alegórica da duquesa de Villars, realizada por Charles Coypel. Esta peça pode ser chamada também de Gabinete da Duquesa de Villars.

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O teto inacabado

Le Cabinet des Bains (Gabinete de Banho) – Foi decorado perto dos anos 1840, por Louis Visconti, arquiteto de um dos duques de Praslin. Ele abriga objetos que faziam parte dos banheiros do século XVIII, como, por exemplo, a chaise percée, que é o ancestral do nosso vaso sanitário.

Vaux-le-Vicomte

Vaux-le-Vicomte
O teto decorado por Louis Visconti

Les Appartaments du Maréchal de Villars (Apartamentos do Marechal de Villars) – Aqui há vários elementos de referência ao exército, como, por exemplo, duas telas com temas militares e bustos com importantes comandantes de tropas do século XVIII, entre eles, o do próprio Marechal.

Vaux-le-Vicomte

No cômodo ao lado, no pequeno gabinete quase sem mobília, que era usado pelo Marechal

Vaux-le-Vicomte

La Chambre du Maréchal (Quarto do Marechal) – A alcova cercada por duas colunas em madeira pintada chama a atenção e torna este quarto diferente. A cama, desde a colcha até o dossel, é decorada com a história de Psique. O crucifixo e o genuflexório são do século XVIII.

Vaux-le-Vicomte

La Salle des Buffets (Sala dos Bufês) – Aí vem mais uma inovação de Vaux-Le-Vicomte. Até o século XVII, não havia uma sala de jantar: as refeições eram feitas nas antecâmaras ou nos quartos, em mesas que eram montadas e desmontadas. A daqui de Vaux é uma das primeiras salas inteiramente dedicadas às refeições.

Vaux-le-Vicomte

A decoração, também de Charles Le Brun, é mais sóbria, sem dourados, mas não menos bela e trabalhada. No teto, o tema central é A Paz levando à Abundância, retratado em pequenas cenas, e cercado pelas Quatro Estações (em medalhões monocromáticos em cinza) e os Quatro Elementos (água, fogo, terra e ar, relacionados aos deuses mitológicos) em ocre-dourado.

Vaux-le-Vicomte

Como ornamento das paredes, medalhões ocres retraçam a história de Io. Painéis com fundo branco decorados com arabescos lembram as decorações realizadas por Rafael para a Loggia no Vaticano.

Vaux-le-Vicomte

Um arco decorado com naturezas mortas e uma porta levam a um pequeno cômodo, com consoles onde ficavam os pratos que chegavam da cozinha. A decoração segue o mesmo estilo.

Vaux-le-Vicomte

Vaux-le-Vicomte

Aqui descemos as escadas para o subsolo. No caminho, referências à prisão de Fouquet, a fortaleza de Pignerol, que hoje se situa em território italiano. O Superintendente só tem direito a ter contato com o governador da prisão e com um valete a seu serviço. Nessa mesma fortaleza, chega, em 1669, um prisioneiro enigmático, mascarado. É o homem da máscara de ferro, preso com o nome de Eustache Dauger.

Vaux-le-Vicomte

Na verdade, o prisioneiro mascarado existiu, porém, vários fatos da sua vida foram aumentados, como, por exemplo, a máscara ser de ferro. Na verdade, vários nobres presos usavam máscaras para não serem reconhecidos pelas visitas dos outros prisioneiros. No caso de Eustache, o enigma é em descobrir qual sua verdadeira identidade e o porquê dele estar sempre mascarado. Mas Isto é assunto para outro post.

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Les cuisines (Cozinhas) – O subsolo comporta 18 cômodos, entre os aposentos do pessoal e os refeitórios. Todos recebiam iluminação natural. Como parte da cozinha, havia salas dedicadas à confecção de geléias e fabricação de pães, por exemplo. Havia, também, duas cozinhas e duas despensas. Elas funcionaram até 1954.

Vaux-le-Vicomte

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Hoje, ao visitar a cozinha, vemos como era disposição da pia, do fogão, armários, etc. Vemos também vários utensílios, como panelas, garrafas e uma coleção de formas de bolo do século XIX. Uma mesa mostra como era a refeição dos empregados de Vaux-le-Vicomte.

Vaux-le-Vicomte
A coleção de formas de bolo do século XIX

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Musée des Équipages – Na verdade, este museu fica na parte dos Comuns, antes de entrar no castelo. Ele reúne objetos como selas, arreios, além de carruagens dos séculos XVIII e XIX. Várias dessas carruagens são montadas e representadas com bonecos vestidos de acordo com suas épocas.

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Les Jardins – Os jardins de Vaux-le-Vicomte são imensos e eu acho uma pena quando as pessoas vêm correndo e não veem quase nada. Então, se você tem tempo, aconselho a vir passar o dia aqui, visitando o castelo e depois com calma os jardins.

Vaux-le-Vicomte

Vaux-le-Vicomte é considerado o fundador dos “jardins à la française”, isto é, o jardim francês, que é bem arrumadinho, com canteiros e arbustos desenhados, onde nada parece fora do lugar. André Le Nôtre, o paisagista do castelo, é o responsável pela criação e difusão deste tipo de jardim, e os daqui de Vaux foram o seu laboratório.

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Quando Alfred Sommier compra Vaux-Le-Vicomte, os jardins estavam abandonados. Ele começa a restauração e seus descendentes continuam. Por exemplo, os canteiros desenhados foram restaurados em 1907 por Achille Duchêne, paisagista que promoveu o renascimento do jardim francês na Europa e nos Estados Unidos. Para reconstituir o jardim, os restauradores se orientam por gravuras antigas, principalmente de Israël Silvestre.

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Na verdade, seria mais apropriado chamar a área verde do château de parque, por causa do seu tamanho. O eixo principal, norte-sul – que vai do portão de honra do castelo até o Hércule Fanèse, a última estátua – tem 1200 metros de comprimento. Isso é muita coisa, e o mais incrível é que, ao entrarmos ou mesmo quando estamos no castelo, não imaginamos que o parque vá tão longe.

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Junto com o arquiteto Le Vau, Le Nôtre empregou nos jardins elementos decorativos, como construções e estátuas, e a abundância de fontes e jatos d’água, o que faz a admiração dos convidados de Vaux desde a época de Nicolas Fouquet.

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Perto do château, os canteiros são coloridos e os arbustos desenhados. Esses canteiros são dispostos de dois em dois, um de cada lado do eixo principal. É o jardim francês propriamente dito. Já lá no final do parque, o que predomina são os gramados e o pessoal pode até fazer piqueniques.

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As fontes – Elas foram restauradas a partir da época de Alfred Sommier. Hoje há 16 a menos que nos tempos de Fouquet, mas ainda assim o resultado é impressionante. Conforme elas vão se afastando do castelo, vão ficando maiores até chegar ao Miroir Carré. Uma das fontes mais lindas é o Bassin de la Couronne, onde o jato de água sai de uma coroa.

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Rond d’eau – Continuando o caminho em direção ao fundo do jardim, chegamos a um espelho d’água redondo, perpendicular ao eixo principal, com um chafariz. Os dois leões face a face foram feitos por Georges Gardet no século XIX. O Rond d’Eau separa o jardim em duas partes: o jardim francês e a parte que é mais inclinada, que começa aqui.

Vaux-le-Vicomte

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Grand Miroir Carré – Também chamado Arpent d’Eau, é um grande espelho d’água quadrado. Até chegarmos nele, pensamos que é o último da visita. A alameda central depois dele, separa o jardim em dois gramados, cada um com uma fonte. Uma das fontes tem a estátua de um Tritão e a outra de uma Náiade, obras de Émile Peynot. Nas bordas desta alameda, vemos vasos, mas na época de Fouquet existia uma fonte no lugar de cada vaso.

Vaux-le-Vicomte

Vaux-le-Vicomte
Já pensou: uma fonte no lugar de cada vaso?
Vaux-le-Vicomte
Émile Peynot – Náiade

Le Confessional – Se nesta altura do passeio, você olhar à esquerda, vai ver uma construção com três arcadas e um terraço. Subindo o terraço, há uma alameda de árvores. Você pode se perder por ali sem medo.

Vaux-le-Vicomte

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Mais para a frente, um vale aparece com um grande canal, que forma um eixo perpendicular de 1 quilômetro ao eixo principal do jardim. Ele é alimentado pelo rio Anqueuil, que foi desviado na época da construção de Vaux-le-Vicomte por Fouquet. Nessa parte, não é possível atravessá-lo sem contorná-lo. O canal é chamado de Poêle, porque uma das duas extremidades tem a forma arredondada. Ali perto, há uma ponte que atravessava o rio antes mesmo da construção do castelo.

Vaux-le-Vicomte

Grottes – As grutas edificadas na borda de um espelho d’água central. Elas abrigam diversas esculturas de Atlantes e, nas extremidades, duas estátuas de deuses-rios, obras de Lespagnandelle: o Tibre e o Anqueuil. Subindo as escadarias, guardadas por leões de pedras, ou as rampas, chegamos a um terraço, onde tem mais uma fonte.

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Aí começa uma subida, de gramado, onde é possível fazer piqueniques. A vista para o castelo vai ficando mais linda conforme subimos. Quase lá em cima, encontramos uma estátua de Hércules, chamada Hercule Farnese, que leva esse nome por ser inspirada em uma estátua antiga, da coleção Farnese, hoje em Nápoles. Na verdade, já era desejo de Nicolas Fouquet colocar uma estátua do herói ali no jardim, como metáfora de sua própria força e poder. Mas, por causa da prisão, ele não tem tempo de executar o projeto. Então, Alfred Sommier, em 1891, coloca ali uma estátua de Hércules em repouso.

Vaux-le-Vicomte

Vaux-le-Vicomte
Hercule Farnèse

Além dessas esculturas já citadas, há muitas outras para ver no parque. Ao todo, são 63 obras, que vão do século XVII ao XIX. Uma curiosidade: os quatro grupos de crianças, que estão no começo do jardim e seguram cestas com frutas, vêm de outro castelo: o de Maisons-Lafitte, perto de Paris.

Vaux-le-Vicomte

Restaurantes – Vaux-le-Vicomte abriga dois restaurantes. O primeiro é o Les Charmilles, mais caro, onde é preciso reservar antes. O outro é o Le Relais de l’Écureuil, com pratos e lanches mais em conta, que não precisa de reserva. Os horários estão no final do post.

Vaux-le-Vicomte
Les Charmilles
Vaux-le-Vicomte
Le Relais de l’Écureuil

Vaux-Le-Vicomte tem diversos eventos ao longo do ano. Tive a chance de poder ir ao mais famoso deles: La Soirée aux Chandelles. Ela acontece todos os sábados, de 6 de maio a 7 de outubro de 2017, ao cair da noite, quando o castelo e jardins são inteiramente iluminados por velas. Ao final da noite, há um show de fogos de artifício. O ambiente é mágico e nos sentimos um pouco na época de Nicolas Fouquet. Se puder participar, vale a pena. Para este evento, você deve chegar depois das 14h, com o bilhete certo para ele (veja os preços abaixo)

Vaux-le-Vicomte

Château de Vaux-le-Vicomte
77950 – Maincy
De 25 de março a 5 de novembro, aberto todos os dias, das 10h às 19h. Em dias das Soirées aux Chandelles (sábados) até meia-noite. Nesses dias, entre 18h e 19h, o castelo fica fechado para a colocação das velas, mas o parque fica aberto.
A partir de 25 de novembro até 7 de janeiro de 2018, finais de semana e férias escolares (zona C da França), das 11 às 19h00.
Tarifas: visita do castelo, parque e Musée des Équipages: 15,50 euros. Tarifa reduzida: 13,50 euros. Crianças de 6 a 17 anos: 10 euros. Visita aos sábados do castelo, parque, Musée des Équipages e Soirée aux Chandelles: 19,50 euros. Reduzida: 17,50 euros. Crianças de 6 a 17 anos: 16 euros. Crianças até 6 anos não pagam.
Preço especial para famílias (2 adultos e 2 crianças ou 1 adulto e 3 crianças): 47 euros (sem a Soirée aux Chandelles) ou 59 euros (com a Soirée). Há outras tarifas para outros eventos.
Para visitar só o parque: 9,50 euros. Com a Soirée aux Chandelles: 15 euros (adultos e menores de 18 anos).
Domo: 2 euros (não está incluído no bilhete de entrada do castelo).

Restaurante Les Charmilles – aberto somente aos sábados à noite, durante as Soirées aux Chandelles. Menus em torno de 49,50 euros. Somente com reservas, que podem ser feitas aqui

Restaurante Les Relais de l’Écureuil – Aberto nos mesmos dias que o castelo, das 10h às 18h. Até 22h30 nos sábados de Soirées aux Chandelles. Não precisa reservar.

Vaux-le-Vicomte

Como ir a Vaux-le-Vicomte: Em Paris, na Gare de l’Est, pegar a linha P em direção a Provins e descer na estação de Verneuil l’Etang. Essa parte da viagem dura cerca de 35 minutos e há trens de hora em hora.

Depois em frente à estação de Verneuil l’Etang, há uma navette (ônibus), chamada Châteaubus, que leva a Vaux-le-Vicomte em 20 minutos. Ela custa 10 euros (ida e volta). Crianças de 6 até 17 anos pagam 5 euros e abaixo de 6 anos é gratuito. O ticket só pode ser pago em dinheiro. Este ônibus funciona todos os dias, de 25 de março a 5 de novembro. Nos sábados das Soirées aux Chandelles, ele funciona até 23h05 (como não há trens a essa hora em Verneuil l’Etang, este último ônibus vai até a Gare de Lyon, em Paris, com tarifa a 25 euros, adultos, e 20 euros crianças de 6 a 17 anos). Para saber todos os horários, clique aqui. Esse ônibus também vai ao castelo de Blandy les Tours, que também é muito bonito.

Vaux-le-Vicomte

Se você quiser visitar o castelo com excursão ou passeios privados, a ParisCityVision e o França entre Amigos podem levar vocês. Eles são parceiros do blog e de confiança.

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Renata Rocha Inforzato

Sou de São Paulo, e moro em Paris desde 2010. Sou jornalista, formada pela Cásper Líbero. Aqui na França, me formei em História da Arte e Arqueologia na Université Paris X. Trabalho em todas essas áreas e também faço tradução, mas meu projeto mais importante é o Direto de Paris. Amo viajar, escrever, conhecer pessoas e ouvir histórias. Ah, e também sou louca por livros e animais.

Comentários (5)

  • Natalie Responder    

    5 de junho de 2016 at 21:31

    Oi, Renata. Tudo bem? 🙂

    Seu post foi selecionado para o #linkódromo, do Viaje na Viagem.
    Dá uma olhada em http://www.viajenaviagem.com

    Até mais,
    Bóia – Natalie

  • Direto de Paris - Jornalismo em Paris Responder    

    21 de junho de 2016 at 11:01

    […] que vale a pena conhecer. Como, por exemplo, os que acontecem no Château de Versailles ou no Vaux-le-Vicomte. E várias cidades, nas quais no inverno você só pode ir de carro ou com linhas de ônibus que […]

  • Jorge Fortunato Responder    

    2 de julho de 2017 at 21:38

    oi Renata
    Tudo bem?Como prometido, estou em Paris e hoje fui visitar Vaux le Vicomte. Saiba que vc e seu blog tiveram grande participação nessa visita.
    abraços
    Jorge Fortunato

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