Atrações

Sainte-Geneviève – uma biblioteca entre as mais bonitas do mundo

9 de dezembro de 2016

Eu adoro as bibliotecas de Paris. Estou sempre trabalhando nelas, conheço várias. E uma das que mais gosto é a Sainte-Geneviève, que é linda! Por isso, na época das Journées du Patrimoine, foi uma das visitas que escolhi fazer, para ver os bastidores e poder fotografar tudo para vocês.

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Já expliquei aqui sobre as Journées du Patrimoine. Elas acontecem em um final de semana de setembro, este ano foi nos dias 17 e 18, e vários lugares da França, muitos deles normalmente fechados ao público, ficam abertos para visitas. É bem legal!

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Esse ano, escolhi visitar o Palais Brongniart e a Bibliothèque Sainte-Geneviève. Fazia tempo que queria escrever sobre a biblioteca, mas, como vou lá para pesquisar, acabava não tirando fotos. Então, aproveitei as Journées. E foi bem legal porque também visitei os bastidores, onde fica a Reserva.

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Não dá para falar da biblioteca sem falar da abadia Sainte-Geneviève, pois boa parte do acervo atual foi herança dessa abadia. A história começa lá no século VI, com o primeiro rei francês, Clovis. Encorajado por Sainte Geneviève, ele constrói uma basílica dedicada a São Pedro e São Paulo, onde é a atual rue Clovis.

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Desse edifício antigo, ainda podemos ver o campanário, conhecido como Tour Clovis, que hoje se situa dentro do . A santa Geneviève, que hoje é padroeira de Paris, foi enterrada na cripta dessa basílica.

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As terras em torno da construção são dadas a religiosos, que constroem uma abadia. Mas, no século IX, a invasão normanda em Paris causa vários estragos, inclusive na basílica e no convento. Eles são completamente reconstruídas no século XII, com a participação de Suger, o construtor da basílica de Saint-Denis.

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É então que os monges regulares de Saint-Augustin (Santo Agostinho) se instalam ali. Eles dispõem de uma biblioteca e de um scriptorium, que era o lugar onde eles copiavam as Escrituras. No século XIII, um catálogo, que não se sabe se era total ou parcial, conta que a biblioteca tem 226 volumes.

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No século XVI, o contexto complicado da França, envolvida nas Guerras de Religião, e a má administração da abadia fazem com que muitas obras se percam. Por exemplo, o manuscrito mais antigo do acervo desta época da biblioteca, do século XII, foi parar na biblioteca municipal de Soissons.

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Aos poucos, o acervo foi se recuperando e hoje possui manuscritos até do século VIII. No século XVII, Claude du Molinet começa a reunir objetos “exóticos” para um Cabinet de Curiosités (Gabinete de Curiosidades) instalado ao lado da sala de leitura. Nessa época, era moda que reis, nobres e religiosos colecionassem objetos de arte, antiguidades, objetos de culturas “exóticas” e coisas retiradas da natureza, e reunissem suas coleções em cômodos construídos especialmente para isso. Foi o caso aqui também da biblioteca da abadia.

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No século XVIII, é decidido que uma nova igreja Sainte-Geneviève vai substituir a basílica. O projeto é encomendado ao arquiteto Jacques-Germain Soufflot por Louis XV, para cumprir uma promessa. A primeira pedra é colocada em 1764, mas vem a Revolução e a construção só é terminada em 1790, e já não é mais uma igreja e sim o Panthéon.

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E pela Bibliothèque Sainte-Geneviève ser de religiosos, seria “normal” que o acervo fosse desfeito pelos revolucionários. Mas, felizmente, isso não acontece. Nessa época, o encarregado das coleções era o monge Alexandre-Gui Pingré. Ele era também astrônomo, explorador e escritor, enfim, um homem visionário. Ele apresenta um catálogo sem falhas para destacar a importância da biblioteca e seu carisma convence os revolucionários. Somente os objetos do Gabinete de Curiosidades são, em grande parte, divididos entre várias instituições e museus.

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Assim, a biblioteca continua no lugar e passa a coabitar com o Lycée Henri IV, que havia sido instalado onde ficava a abadia. A Sante-Geneviève fica nos andares superiores e o colégio nos inferiores.

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Até que, em 1838, é decidido que a Bibliothèque Sainte-Geneviève deveria sair dali e ter uma construção só dela. O arquiteto escolhido é Henri Labrouste. O projeto faz parte da reorganização da Montagne Sainte-Geneviève, que é o lugar onde ficam o Panthéon, a igreja Saint-Étienne-du-Mont, o Lycée Henri IV e a atual biblioteca, entre outras construções.

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Assim, o lugar escolhido é onde ficava o Collège de Montaigu, cuja demolição já havia sido decidida há algum tempo. Uma parte deste antigo colégio abriga provisoriamente o acervo da biblioteca e acolhe os leitores desde 1842, enquanto a outra parte é demolida para a construção da nova Bibliothèque Sainte-Geneviève. A primeira pedra do projeto é colocada em agosto de 1844.

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Labrouste pretende criar uma sede digna da importância das coleções da antiga abadia (e que havia sido aumentada com doações e aquisições mais recentes). E, para isso, ele inova completamente. O século XIX ficou caracterizado pelo uso do metal em suas construções, como podemos ver na própria Tour Eiffel, construída para a Exposição Universal de 1889.

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Pois Labrouste não só usou esse material na construção da biblioteca, como os deixou visíveis, unindo utilidade e decoração. E isso ainda na primeira metade do século XIX. Muitos consideram esta obra como o pontapé da modernidade na arquitetura francesa. E foi o primeiro edifício construído já com a função de ser uma biblioteca. Ela foi inaugurada em 1851.

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À esquerda da nova construção, ficaria a administração e outras dependências, mas desta parte só foi concluída a fachada. Então, Labrouste levou a parte administrativa para o outro lado da hoje chamada rue Valette.

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Apesar das novas instalações logo se tornaram insuficientes para o acervo da biblioteca, foi mais de um século depois que elas foram ampliadas. Em 1954, uma nova construção para abrigar mais magasins (depósitos) foi realizada, junto à escadaria de honra. A obra é de André Leconte, o mesmo responsável por uma segunda construção, em 1961, ligada ao conjunto por uma passarela (hoje com uma entrada independente na rue Valette).

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Esse novo prédio acolhe além de escritórios e depósitos, a Bibliothèque Nordique, uma das mais valiosas coleções da Bibliothèque Sainte-Geneviève. Ela começou a ser constituída em 1710, com a doação de 500 volumes sobre os países escandinavos e a Finlândia feita por Charles Maurice Le Tellier, bispo de Reims. Uma nova doação de 1500 obras seria feita por Alexandre Dezos de La Roquette, cônsul da França na Dinamarca e Noruega. Em 1885, Henri Lavoix, administrador da Bibliothèque Sainte-Geneviève, parte para a Escadinávia para enriquecer esse acervo “Nordique”. E várias personalidades desses países depois fizeram doações para enriquecer esta coleção. É o maior acervo especializado nos países do norte da Europa, com mais de 160 mil documentos, fora da Escandinávia.

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Todo o edifício da Bibliothèque Sainte-Geneviève passou por uma restauração entre 2007 e 2012, começando pela fachada principal. Algumas salas receberam novas funções, mas a preocupação e respeito com o projeto de Henri Labrouste foram presentes durante todo o processo. A construção já era classificada como Monumento Histórico desde 1992.

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A visita

Hoje, a Sainte-Geneviève é uma biblioteca inter-universitária, ou seja, é universitária (atribuída às Universidades Paris 1, 2, 3, 4 e 7) e pública ao mesmo tempo. Ela abriga cerca de dois milhões de documentos em várias disciplinas, embora a ênfase seja em Ciências Humanas.

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Qualquer pessoa, sendo maior de 18 anos ou tendo prestado vestibular (aqui chamado de Baccalauréat), pode frequentar a biblioteca. Ela recebe quase 400 mil pessoas por ano, cerca de 1500 a 2000 leitores por dia na época de maior movimento, que é de março a novembro.

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Foi a primeira biblioteca a ficar aberta até mais tarde, 22 horas. Isso porque desde o começo ela acolheu estudantes, que vinham estudar depois das aulas. E também foi um dos primeiros lugares iluminados e aquecidos a gás, para que os jovens pudessem ficar ali por horas, já que aquecimento e iluminação eram muito caros para eles.

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Hoje, a biblioteca tem 150 funcionários, que se dividem em três turnos: 50 por turno. São funcionários públicos.

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O acervo se reparte em três fundos: a Réserve (Reserva), com documentos e obras raras e preciosas; o Fonds Général (tradução literal: Fundos Gerais), para os documentos e obras publicados entre 1830 até hoje; e a Bibliothèque Nordique, que já expliquei ali em cima. Muitos dos documentos do acervo são digitais também, como periódicos online e e-books, por exemplo. Ela também é associada para o depósito legal de obras de várias editoras, ou seja, é encarregada de ficar com um exemplar de cada obra publicada em certas disciplinas.

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Como disse para vocês, fiz uma visita durante as Journées du Patrimoine, então, vi coisas que normalmente ficam fechadas ao público. É o que caso da visita aos depósitos (magasins) da biblioteca.

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A Fachada – Labrouste concebeu a fachada da construção como um anúncio do seu interior. O térreo é fechado e passa a ideia de potência. Ele é decorado por uma guirlanda continua e em movimento. No interior, é no térreo que fica a parte dos livros raros (Salle de Réserve).

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No primeiro andar, que no interior corresponde à sala de leitura, há 41 janelas e embaixo delas o que é, na minha opinião, a principal atração da fachada: um catálogo gravado com 810 nomes. São autores que vão de Moisés até Berzélius, sábio sueco morto em 1848, época da construção da biblioteca. Esses nomes correspondem aos livros presentes na sala de leitura.

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O vestíbulo – No projeto original, Labrouste queria colocar um jardim ao longo da fachada. Mas, por falta de espaço isso não foi possível. Então, a ideia de natureza foi colocada no vestíbulo, com as pinturas de Alexandre Desgoffe, que representam árvores e vegetações de várias partes do mundo. Outra interpretação é que o vestíbulo é a floresta da ignorância, que o leitor vai deixando ao subir as escadas rumo ao conhecimento (a sala de leitura). Essa ideia é acentuada pelo fato do vestíbulo ser bem mais escuro do que o andar de cima.

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No vestíbulo, há ainda vinte bustos de personagens que simbolizam as disciplinas do acervo da biblioteca. São obras de Carle Elshoecht, Louis-Parfait Merlieux e Nicolas Mallet. Nos dias das Journées du Patrimoine, havia exemplares de livros antigos (as capas são lindas) e uma maquete do navio Aurore, de 1768, dada à biblioteca pelo marquês de Courtanvaux.

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La Réserve (A Sala da Reserva) – Fica à direita, entrando no vestíbulo. É a parte dos documentos mais raros, muitos deles inclusive manuscritos e iluminuras. Em 1929, foi colocada ali uma pequena sala de leitura para a Bibliothèque Jacques Doucet, que é a parte do acervo da Sainte-Geneviève que conserva os manuscritos literários.

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Ela abriga uma coleção de retratos dos reis da França, de Louis IX (Saint-Louis) à Louis XIV, todos em pastel e reproduzindo os rostos dos soberanos com o máximo de realismo possível. Essas obras foram feitas ainda nos tempos da abadia, em 1682, durante o reinado de Louis XIV. Por isso, ele é o último rei representado.

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Da esquerda para a direita: Charles VIII, Louis XII e François I

Na sala há também bustos de grandes homens da cultura francesa, obras dos escultores Antoine Coysevox, Jean-Jacques Caffieri, etc. A Reserva abriga, também, obras sobre Bibliofilia e História do Livro. Na parte de livros raros, são seis mil manuscritos, 160 mil obras antigas e mais de 50 mil desenhos, estampas e fotografias. Há também obras de arte e objetos que eram expostos no Gabinete de Curiosidades da Abadia. Aliás, a maior parte do acervo desta sala vem de lá, assim como os da sala seguinte.

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O manuscrito mais antigo da Bibliothèque Sainte-Geneviève é um comentário de Cassidore sobre os salmos, do século VIII. No dia em que visitei a biblioteca, havia um funcionário especialista em manuscritos, que mostrava alguns: um exemplar da Divina Comédia de Dante, de 1481, um pergaminho do rei Charles V, de 1370, um exemplar da História Romana, de Tito Livio, de 1010 ou 1020, entre outros.

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Le Bureau du Conservateur (O escritório do conservador) – Em 1933, uma parte da sala da Reserva foi transformada para abrigar o gabinete do conservador. A sala guarda quadros dos antigos conservadores e diretores, além de móveis e objetos preciosos vindos da abadia. Achei linda a mesa em mármore pintado do século XVIII. Havia também um telescópio de 1750, entre outras coisas raras expostas ali. Como na sala precedente, bustos de personalidades da História Francesa. As boiseries e armários em carvalho são da época de Labrouste.

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Cabinet de Curiosités (Gabinete de Curiosidades) – O que havia na Abadia, como contei acima, foi, em grande parte, separada durante a Revolução. Mas a biblioteca ainda guarda objetos bem interessantes, praticamente aqueles vindos de culturas consideradas exóticas. Alguns deles ficam expostos em armários em um pequeno corredor entre o vestíbulo e a Reserva. Há também um quadro com o retrato do padre Molinet, que criou o gabinete ainda na época da Abadia.

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Escudo otomano, século XVI ou XVII

Escalier d’Honneur (Escadaria de Honra) – Ela é imponente e representa a metáfora de uma subida para a luz, para o saber. No meio dela, de cada lado, dois bustos. Um do cardeal de La Rochefoucauld, responsável pelo crescimento do acervo ainda no século XVII, obra de Raymond Barthélémy (1878). O outro, de Labrouste, o arquiteto da nova sede, busto realizado por Eugène Guillaume (1881). Há também placas com os nomes dos diretores e benfeitores da biblioteca.

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As pinturas são inspiradas na Itália. Destaque para a grande L’école d’Athènes (A Escola de Atenas), uma cópia de uma obra de Rafael, realizada pelos irmãos Paul e Raymond Balze. Uma curiosidade é que Labrouste foi contra esse afresco, pois não há espaço suficiente para que possa ser admirado. Lá no começo da escadaria, a data marcada no chão, 1850, está errada, pois a construção sofreu um ligeiro atraso e foi inaugurada em 1851.

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La Grande Salle de Lecture Labrouste (Grande Sala de Leitura) – É o cômodo mais lindo da biblioteca. Essa parte do projeto foi uma grande inovação de Henri Labrouste. A sala é divida em duas naves, o que parece ter sido inspirado no refeitório da antiga abadia Saint-Martin-des-Champs, hoje Musée des Arts et Métiers em Paris.

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A estrutura em fonte do teto é uma verdadeira inovação em arquitetura, principalmente em se tratando de uma biblioteca. Isto confere uma grande leveza à construção. As aberturas conferem muita luz à sala, até mesmo nos cantos mais escondidos. Entre os arcos, uma estrutura de vigas e uma malha de fios de ferro são suporte para o estuque.

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As pinturas são discretas, assim como os armários e estantes. Eles servem para valorizar os livros, que são a estrela principal de uma biblioteca. As mesas e cadeiras foram feitas a partir de desenhos de Labrouste. Embora em tenham mudado a disposição delas, para aumentar a capacidade de leitores, a sala não perdeu nada em beleza.

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Nas colunas, dois tipos de bustos de mulher: um representando o dia, com os olhos abertos, e o outro representa a noite, com olhos entreabertos. Uma pequena recepção se forma em torno da tapeçaria L’Etude surprise par la Nuit (O Estudo surpreendido pela Noite), feita em 1853 na famosa manufatura de Gobelins a partir de um desenho dos irmãos Balze.

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Le Jour (O Dia)
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La Nuit (A Noite)

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Outros destaques são: a mesa do bibliotecário, bem em frente à tapeçaria, tal e qual no século XIX. Na sala há também um sistema para trazer os livros dos depósitos, que ficam nos andares inferiores. E notamos a presença de um elevador, usado no filme Hugo Cabret.

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A visita dos depósitos – Esta foi uma exclusividade das Journées du Patrimoine. A biblioteca tem vários andares de depósitos, incluindo os subsolos. São 60 km de estantes em três construções, dá para imaginar? A primeira parte da visita foi nas salas à esquerda do vestíbulo. O caráter de depósito ali foi acentuado em 1931-1932, quando foi colocada uma estrutura metálica. A inspiração foi um outro projeto de Labrouste: o magasin des imprimés da Bibliothèque Nationale.

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A primeira parte do depósito é onde ficam as fichas e as obras que foram colocadas ali pelas editoras. Explico: ao publicar um livro, cada editora deve deixar um exemplar em uma biblioteca designada para isso. Aqui, no caso, a Sainte-Geneviève é uma das escolhidas para algumas disciplinas e as obras deixadas pelas editoras ficam nessa parte. Uma curiosidade: ela recebe também depósitos de livros digitais, mas isso, é claro, é feito pelo banco de dados online. E se uma obra é publicada nos dois formatos –e-book e papel – o depósito é feito com o livro digital. Nem todos os livros depositados ficam aqui. Por falta de espaço, uma parte deles fica perto de Marne La Vallée, na região parisiense.

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Subindo as escadas, entramos na parte onde ficam guardados os livros raros, a maioria do século XIX.

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Depois a visita prossegue nos subsolos. Não vou dizer com certeza qual foi o caminho que usamos até lá, porque foi um tal de entrar em corredor e desce escada que não estava no gibi. Chegamos a um depósito completamente em estrutura metálica – inclusive vemos os andares inferiores por essa estrutura – até o chão. Nessa parte ficam os periódicos e publicações super delicadas, que são colocados vários em uma mesma pasta. Como os andares de baixo faziam parte do mesmo depósito, não fomos até lá.

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A foto não mostra bem, mas dá para ver os andares de baixo

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A terceira parte da visita é um depósito também no subsolo, que abriga ainda livros raros e periódicos, principalmente publicações em grandes formatos. A guia, que era funcionária da biblioteca, nos mostrou mais a outra parte da “máquina elevador” – não sei que nome dar – que leva os livros para cima, para a sala de leitura. A pessoa que está no depósito pega o livro escolhido, coloca na “cesta” e o faz subir. Como são muitos andares de depósito, não dá para subir escadas a cada livro pedido. Fora que cada atendente tem 20 minutos para encontrar a obra e entregá-la ao leitor. Outra coisa que a guia contou é que como não tem janelas nos depósitos, os funcionários fazem turnos curtos ali.

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E a última parte do tour foi em um depósito mais moderno. Achei demais as estantes, que “correm” ao serem abertas e mais parecem um cofre. A moça que nos guiava explicou também que aquela parte já teve problemas com inundações, então, nas paredes vemos canos bem grossos para canalizar a água das chuvas. E esse tipo de estante móvel favorece a preservação dos livros em caso de goteiras, pois é só deslocá-los longe delas.

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Essa foi minha visita a uma das bibliotecas mais bonitas do mundo. Sempre gostei de ir ali trabalhar e saber como é a rotina e os bastidores dela foi bem legal. Se vier a Paris na época das Journées du Patrimoine, no terceiro final de semana de setembro, faça essa visita. Já no resto do ano, há as visitas normais à biblioteca, sem os depósitos, que podem ser feitas com guia (funcionários de lá) ou não.

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Bibliothèque Sainte-Geneviève
10, place du Panthéon
Acervo nordique: 6, rue Valette
75005 Paris
Metrô: Maubert-Mutualité – linha 10
Cluny-La-Sorbonne – linha 10
Luxembourg – RER B
Horários: de segunda a sábado, das 10h às 22h. Do começo ao final de julho e de 16 de agosto à primeira semana de setembro, das 13h às 19h. De final de julho até 15 de agosto, ela é fechada, assim como em feriados.
Os três fundos da biblioteca Fonds Général, Réserve e Bibliothèque Nordique têm horários diferentes uns dos outros. Para saber mais, veja o site da biblioteca.
Para usar a biblioteca, é preciso ter a carta do leitor, que é grátis. Há a carteirinha branca, de acesso normal, e a carteirinha rosa, para pesquisadores, professores, pessoas com mais de 60 anos, jornalistas, etc, que dá entrada prioritária e outras vantagens.
Horários para tirar a carteirinha – De segunda a sexta, de 10h às 18h50 (no verão, de 13h às 17h50). Sábados, das 10h às 17h50 (no verão, das 13h às 17h50).
Não precisa levar foto, eles tiram lá mesmo. É necessário um documento de identidade válido e, no caso da carta rosa, um documento que confirme ter direito a ela (carta profissional, por exemplo).

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Visitas – Elas podem ser livres ou guiadas por um funcionário da biblioteca.
Se for durante o horário da abertura, elas duram somente 10 minutos e podem ter cinco pessoas no máximo. Elas incluem o vestíbulo e a sala de leitura.
Fora dos horários de abertura – De segunda a sexta, entre 9h e 10h, de setembro a junho. Entre 9h e 12h, entre julho e agosto. Podem ser guiadas ou livres.
Para visitas guiadas – Pode em grupo de 5 a 25 pessoas. Um funcionário da biblioteca vai contar a história, a arquitetura, o funcionamento e as características do lugar.
Visitas livres – Podem ser individuais e em grupo. As salas visitadas são: o vestíbulo, gabinete de curiosidades, a escadaria e a grande sala de leitura. Folhetos ficam na entrada da biblioteca para ajudar na visita.
Nos dois tipos de visita, guiada ou livre, fora dos horários de abertura (a mais completa), é preciso fazer inscrição através do Département de la communication et de la valorisation
Email: bsgvalorisation@univ-paris3.fr . Telefone (+33) 01 44 41 97 71.
Todos os tipos de visita são gratuitos.

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Renata Rocha Inforzato

Sou de São Paulo, e moro em Paris desde 2010. Sou jornalista, formada pela Cásper Líbero. Aqui na França, me formei em História da Arte e Arqueologia na Université Paris X. Trabalho em todas essas áreas e também faço tradução, mas meu projeto mais importante é o Direto de Paris. Amo viajar, escrever, conhecer pessoas e ouvir histórias. Ah, e também sou louca por livros e animais.

Comentários (5)

  • Luciana Rodrigues Responder    

    10 de dezembro de 2016 at 20:58

    A estrutura é muito bonita, principalmente a sala com arcos e fios de ferro. Dá até gosto estudar em um ambiente assim.

  • Maria do Carmo Responder    

    13 de dezembro de 2016 at 19:48

    Adorei descobrir sua página, só assim, com experiencia de outro podemos acrescentar à nossa. Obrigada

  • Direto de Paris - Jornalismo em Paris Responder    

    2 de setembro de 2017 at 21:31

    […] 1) Bibliothèque Sainte-Geneviève – Visitei uma das bibliotecas mais bonitas do mundo, aprendi como ela funciona, vi documentos raros e ainda participei de uma visita guiada à reserva, onde ficam guardados os livros, inclusive os raros. Horários durante as Journées: dia 17, das 10h às 18h. Para saber mais, veja o post sobre a biblioteca. […]

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