Igrejas

Saint-Etienne-du-Mont – A bela igreja do Quartier Latin

1 de junho de 2017

O Quartier Latin, principalmente na área perto do Panthéon, reúne alguns dos mais belos monumentos de Paris. Um deles é a igreja Saint-Étienne-du-Mont, que chama atenção quando passamos por ali. Agora chegou a vez de sabermos um pouco mais sobre ela.

Sainte Etienne

O lugar onde ela foi construída, a Montagne Sainte-Geneviève, é um dos mais antigos da cidade. Em 502, Clovis, o primeiro rei francês, construiu, no então Mont Leucoticius, uma igreja dedicada a Saint-Pierre e Saint-Paul (São Pedro e São Paulo), assim como uma abadia, da qual o templo iria fazer parte.

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Ele, sua esposa, Clotilde, e Geneviève passaram a frequentar o lugar e desejavam ser enterrados ali. Em 504, Geneviève morre e, graças à sua religiosidade e aos feitos que fez para salvar Paris dos hunos, é proclamada santa e padroeira da cidade. Assim, a abadia passa a ter seu nome: Sainte-Geneviève.

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Até 1220, os empregados e frequentadores da abadia assistiam à missa nesta igreja fundada por Clovis. Só que o número de pessoas aumenta e o lugar fica pequeno. Assim, o papa autoriza o bispo de Paris a construir uma nova igreja, ao lado daquela fundada por Clovis. O nome escolhido para o novo templo é Saint-Étienne, considerado o primeiro mártir cristão.

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Porém, no final do século XV esta nova igreja já era também muito pequena. Graças ao desenvolvimento do Quartier Latin, provocado principalmente pelas universidades, Saint-Étienne já era uma das maiores paróquias de Paris. Então, é decidido derrubar a construção existente e construir uma nova igreja no lugar.

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Os trabalhos começam em 1492 e duram nada menos do que 132 anos, até 1626. Essa demora é por causa do período turbulento pelo qual passava a França, especialmente com as Guerras de Religião. Nesta fase final de construção, a igreja foi financiada por Marguerite de Valois, a rainha Margot, primeira mulher do rei Henri IV, que coloca a primeira pedra da fachada em 1610.

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Na época da Revolução Francesa, a partir de 1789, a Saint-Étienne foi saqueada e sofreu mutilações. Também deixou de ser dedicada ao culto católico e se tornou templo da Piété Filliale (Piedade Filial). Somente em 1803 ela foi devolvida aos católicos. É desta época boa parte do mobiliário que encontramos hoje.

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Em 1802, a abadia e a sua igreja (aquela construída por Clovis, ao lado da Saint-Étienne) são demolidas e a pedra do túmulo de Sainte-Geneviève é transferida para a igreja Saint-Étienne. O túmulo da santa havia sido destruído durante a Revolução Francesa: seus ossos foram queimados na Place de Grève (onde hoje fica a praça do Hôtel de Ville) e as cinzas jogadas no Sena. Assim, só sobrava a pedra tumular sobre a qual o corpo da santa havia repousado.

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No século XIX, Saint-Étienne passou por duas grandes restaurações, para se recuperar dos danos sofridos pelo tempo e pela Revolução. A primeira efetuada por Étienne-Hippolyte Godde, que havia trabalhado no Père-Lachaise a partir de 1824. E a segunda a partir de 1853, por Victor Baltard, o mesmo que restaurou a Saint-Eustache. Em 1862, a igreja é classificada como Monumento Histórico.

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Desde então, a igreja Saint-Étienne-du-Mont – que tem este nome pelo fato dela estar situada na colina, que é a Montagne Sainte-Geneviève, – recebe muitos visitantes. Uma nova restauração é prevista, mas ainda não tem data para começar.

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A visita

Por ter demorado tanto para ser construída, a igreja Saint-Étienne-du-Mont reúne dois estilos: a delicadeza do Gótico e a majestade do Renascimento. Além disso, ela guarda em seu interior verdadeiras jóias artísticas, com um mobiliário que vai do começo até meados do século XIX e vitrais dos séculos XVI a XIX.

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A Saint-Étienne mede 68 metros de comprimento, 29 metros de largura e 25 metros de altura. Ela tem 21 capelas, dentre as quais verdadeiras obras-primas, como, por exemplo, a Chapelle Sainte-Geneviève, a Chapelle de la Vierge e outras. A seguir vai um guia para você poder aproveitar melhor sua visita.

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Fachada
A fachada principal é de estilo renascentista. Ela tem o formato piramidal e é imponente, baseada em um desenho de Claude Guérin (século XVI). Ela tem três níveis.

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No primeiro, quatro colunas compositas cercam o portal. No tímpano há uma lapidação de Saint Étienne, esculpida por Gabriel-Jules Thomas. Em nichos, vemos uma estátua do santo, obra de Joseph-Marius Ramus , e outra de Sainte-Geneviève, de autoria de Pierre Hébert. No frontão, um alto relevo de Auguste-Hyacinthe de Bay representando a Ressurreição de Cristo.

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O segundo nível tem a Rosácea, medieval, e um frontão curvilíneo que leva as armas da França e da abadia Sainte-Geneviève. Nos nichos, estátuas do Anjo Gabriel e da Virgem Maria, obra do escultor Joseph Félon.

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No último nível, o gablete, com uma rosácea elíptica. O campanário, do qual a base data do século XV, é flanqueado por uma pequena torre que abriga uma escada.

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Interior
Apesar dos diferentes estilos em sua construção e em seu mobiliário, o interior da Saint-Étienne apresenta unidade e harmonia. A igreja possui um dos mais valiosos conjuntos de vitrais originais, a maior parte deles realizada nos séculos XVI e XVII.

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A arquitetura é gótica flamboyant, principalmente pela presença de elementos como arcos quebrados, de ogivas, etc. No entanto, na decoração, há muitos elementos típicos do Renascimento, tais como colunas cilíndricas, arcadas de volta perfeita, presença de anjinhos, entre outras coisas.

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Logo na entrada, duas pias de água benta, em forma de mexilhões gigantes. Elas foram dadas pelo rei François I, no século XVI. Em cima da porta de entrada, o quadro Sainte Geneviève gardant les moutons (Santa Genoveva guiando ovelhas), obra de Léon Fleury, 1852. Em cima da outra porta, do outro lado, Saint Benoît dans les solitudes de Subiaco (São Bento na solidão de Subiaco), pintado em 1853, por Hippolyte Lanoüe.

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A nave data de 1586 e compreende dois níveis de arcadas, separadas por um parapeito com balaústres. As abóbadas de ogivas são decoradas por flores-de-lis, símbolos da França, e pelos brasões dos abades de Sainte-Geneviève. Os vitrais são do final do século XVI e são atribuídos a Nicolas Pinaigrier.

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O púlpito, onde se pregava, é monumental e foi realizado em 1651 por Germain Pillon. Ele é suportado por um Sansão ajoelhado sobre um leão e segurando a mandíbula de uma mula. Acima, estátuas de mulheres representam as virtudes. Baixos relevos, em forma de medalhões, representam os evangelistas, os doutores da Igreja e cenas da vida de Saint-Étienne. O conjunto foi esculpido por Claude l’Estocart e é uma das obras-primas do mobiliário religioso de Paris.

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Jubé

Até o século XVIII, separando a Nave do Coro Litúrgico, havia uma estrutura chamada Jubé. Era uma tribuna de onde se fazia as leituras sagradas e o sermão. Levava esse nome porque o celebrante começava a homilia pela saudação: “Jubé, Domine, Benedicere” (tradução literal: Conceda, Senhor, a bênção). O jubé também tinha a função de separar os religiosos dos leigos.

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Os jubés foram destruídos entre os séculos XVI e XVIII, após o Concílio de Trento (1545-1563) declarar que a Palavra de Deus deveria ser proclamada no púlpito. Assim o de Saint-Étienne-du-Mont , construído em 1530, é o único conservado de todas as igrejas de Paris.

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Atribuído a Antoine Beaucorps, este jubé impressiona pela ilusão de renda no trabalho da pedra e tem a forma de um arco do triunfo – simbologia do triunfo do Cristo sobre a morte. Assim como o restante da igreja, a arquitetura é gótica e a decoração renascentista. Destaque para duas Renomnées aladas – alegoria de origem pagã -, levemente vestidas, segurando ramos de oliveira e coroas. Uma delas, inclusive, mostra os seios.

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Para a nave, o jubé se abre através de um arco de nove metros. Já para o coro, a abertura é composta por três arcos. Duas elegantes escadas em caracol, que envolvem duas colunas, permitem chegar à plataforma e à tribuna.

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Nas portas laterais, construídas em 1600 por Pierre Ier Biard, há dois homens esculpidos, sentados em um frontão, parecendo adorar o crucifixo colocado em 1830 no centro do jubé. A cruz substitui um antigo Calvário em madeira, pintado por Biard e destruído na Revolução.

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Coro
O Coro da igreja de Saint-Étienne-du-Mont é de 1538, ainda em estilo gótico flamboyant. As colunas marcam o início da influência do Renascimento. Os vitrais que o iluminam são de 1541, obras de Guillaume Rondel, e as vidraças em cores vivas foram feitas por Jean Chastellain, Nicolas Beaurain (século XVI), Gsell e Laurent (século XIX). O altar principal é composto por três tipos de mármores diferentes.

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As capelas
Ao todo são 21 capelas, espalhadas nas naves laterais e deambulatório. Entre elas também há algumas obras significativas, das quais também vou falar. A ordem das capelas é, entrando pela porta principal, seguindo à direita até dar a volta no interior da igreja.

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Essas capelas mudaram de nome várias vezes. A maioria dos nomes atuais foi dada no século XIX. Porém algumas capelas tiveram vários nomes sucessivos mesmo nesta época. Por isso, podemos encontrar elementos de nomes anteriores em algumas delas. De todas, destaque para a Chapelle Sainte-Geneviève e Chapelle de la Vierge.

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A) Chapelle des Fonts Baptismaux – Ela leva esse nome porque é aqui que ficam as pias batismais. Os quadros desta capela foram colocados ali em 1853. São eles: Le Baptême du Christ e Saint Jean Baptiste prêchant au désert (São João Bastista Pregando no Deserto), obras de Théodore Caruelle d’Aligny, realizadas em 1848 e 1849, respectivamente. Também está ali uma estátua de São João Batista criança, de Joseph Marius Ramus, obra que foi apresentada na Exposição Universal de 1855.

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B) Chapelle de la Sainte-Famille – Ela leva esse nome por causa de uma obra com a Sagrada Família, de autoria anônima, que está à esquerda. Na parede da direita, uma composição do Renascimento : La Vierge à l’Enfant entre Saint Pierre et Sainte Lucie de Syracuse, de 1518, de Pier Ilario Mazzola. Uma estátua de Joana d’Arc, réplica da obra de André Besqueut, mostra a santa vestida com sua armadura. No vitral, Sainte Elisabeth de Hongrie, provavelmente um pedaço de um vitral de 1600 reempregado aqui. Isto é bem comum em vários vitrais das capelas da igreja.

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C) Chapelle de la Commémoration ou Commemorative – Placas de mármore levam os nomes de celebridades enterradas nesta igreja e nas igrejas desaparecidas do bairro. Elas foram colocadas ali por ordem de Augustin Faudet, pároco entre 1833 e 1852. Há também duas obras do século XVII : La Dormition de la Vierge, decorando o altar, e, na parede da direita, Martyre de Saint-Jean devant la Porte Latine (Martírio de São João diante da Porta Latina).

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D) Chapelle du Crucifix – O altar de falso mármore é decorado pela coroa de espinhos e pelos pregos. Como retábulo, um Cristo com Maria Madaleina, obra anônima do século XVII. Os lambris da capela também são decorados com temas da Paixão. Há um molde da Mise au Tombeau, de Jean Goujon, pintado de bronze. O original está no Louvre. Ao lado, a pintura Les neufs choeurs de l’esprit celeste (Os nove corais do espírito celeste), de Louis Licherie, de 1679.

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Louis Licherie – Les neufs choeurs de l’esprit celeste , 1679

E) Chapelle du Saint-Sepulcre – O nome desta capela é por causa do elemento principal da decoração: La Mise au Tombeau, um grupo de oito grandes esculturas em terracota, de 1539, obra de Gilles de Saulty, pintura, e Lorenzo Naldini, esculturas. Elas foram colocadas ali em 1825, quando foram compradas pelo pároco Philibert Bruyarre. Dois quadros: L’Adoration des bergers, 1748, de Jeson de Santerre, e um Calvário, de Georges Lallemant.

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F) Chapelle Saint-Bernard – A moldura do retábulo é marcada com as iniciais SB e abriga a obra Saint Bernard en oraison, de 1825, de François-Vincent Latil. À direita, o Le Jugement Dernier (Juízo Final), de 1605, que estava na abadia de Sainte-Geneviève e é atribuído à Martin Fréminet. Há também uma estátua de Santa Terezinha do Menino Jesus, padroeira da França junto com Joana d’Arc, esculpida por André-Julien Roché, em 1943.

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François-Vincent Latil – Saint Bernard en oraison, 1825,

G) Chapelle Saint-Charles Borromée – O nome foi adotado por causa das relíquias do santo, recebidas em 1809 pelo cardeal Caprara. No retábulo, a obra Saint Charles Borromée distribuant des aumônes, feita por Quentin Varin, de 1627. O outro quadro, Chute de la manne (Chuva de Maná), foi oferecido para a igreja em 1811 pelo cardeal Fesch. Ele foi pintado por volta de 1656, por Jean-Baptiste de Champaigne, sobrinho do famoso pintor Philippe de Champaigne. O vitral com a Educação da Virgem é obra de Guillaume Le Vieil e data do final do século XVII.

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Quentin Varin – Saint Charles Borromée distribuant des aumônes, 1627

Um curiosidade : nesta capela está o retrato de Frédéric Ozanam (1813-1853), esculpido por Alphonse Corio em 1914. Beatificado em 1997, ele fundou os Vicentinos aqui na igreja Saint-Étienne-du-Mont.

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H) Chapelle du Sacré-Coeur de Jésus – Esta capela foi construída no século XIX, no modelo das mais antigas daqui da Saint-Étienne. Ela ocupa o lugar do chevet da antiga igreja da abadia (aquela construída por Clovis). O altar monumental , de 1815, combina com o nome da capela, pois as grades de ferro, que fecham o espaço, são decoradas por espinhos e vinhas. Também vemos ali ex-votos da época entre as duas Guerras Mundiais. Uma estátua moderna do Sagrado Coração de Jesus e o vitral, que mostra a Santa Ceia e as aparições do Cristo, feito 1889 por Charles Champigneulle, completam a decoração.

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Nos pilares da capela, encontramos os epitáfios de Blaise Pascal e Jean Racine, levados em 1818 para a igreja e colocados ali em 1866. O de Blaise, à esquerda, escrito pelo cunhado, já esteve ali, pois o pensador foi enterrado na Saint-Étienne em 1662. Já o de Racine, à direita, redigido em 1699 por Nicolas Boileau, estava em uma igreja da região parisiense quando o caixão foi transferido para Saint-Étienne, em 1711.

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Logo em seguida, na entrada do escritório do padre, vemos uma estátua de Saint-Étienne e, em frente, uma de Santo Antônio, esta última esculpida em 1930 por Gabriel-Noël Rispal. Nas paredes duas obras que têm a função de ex-votos para Sainte Geneviève. A primeira, feita em 1696, por Nicolas de Largillière, foi realizada para comemorar o final da seca de 1694. A segunda, de Jean-François de Troy, foi realizada em 1726, como agradecimento pelo fim das inundações de Paris em 1725. As duas obras foram encomendadas pelos comerciantes da cidade.

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Jean-François de Troy – Ex-voto à Sainte-Geneviève, 1726

I) Chapelle Sainte-Geneviève – Foi construída em 1803, no lugar de duas capelas. É uma das mais bonitas da Saint-Étienne. A decoração que vemos hoje data de 1855 e o mobiliário foi concebido pelo arquiteto jesuíta Arthur Martin e é inspirado no século XIV. O dourado domina o conjunto da capela e as abóbadas são pintadas. A história de Sainte-Geneviève é contada em letras góticas.

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No altar, uma estátua da santa, realizada em 1823 por Achille Valois. A seus pés, são guardadas as relíquias de dois santos, Saint-Germain e Sainte Clotilde, cujas estátuas estão torres laterais do altar.

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No centro da capela, a pedra do túmulo de Sainte-Geneviève. A estrutura em cobre dourado que a envolve é obra de Placide Poussielgue-Rusand e foi colocada em 1861. Do outro lado da capela, um segundo relicário, decorado por medalhões, foi colocado ali em 1896 e abriga um osso que seria de Geneviève, poupado pela Revolução por estar em uma igreja do interior do país. Uma estela mostra as orações para a santa em 1914, durante a Primeira Guerra Mundial. Há também ex-votos privados que vão até 1860.

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A mãe agradece a cura do filho

Os vitrais perto do altar foram feitos em 1869, por Claude e Louis Steinheil. Eles ilustram a juventude de Sainte-Geneviève. O vitral seguinte continua a história da santa e foi realizado em 1877 pelos mesmos artistas. O da última janela mostra a procissão das relíquias, em 1600, diante da igreja e é obra de Edouard Didron, realizada em 1882. As duas janelas grandes acima da capela também abrigam vitrais que contam a trajetória de Sainte-Geneviève. A autoria deles é de Gaspard Gsell e foram concluídos em 1884.

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O vitral que mostra a procissão das relíquias da Santa. Vamos a igreja Saint-Étienne e, ao lado dela, a igreja da abadia (a que foi construída por Clovis)

J) Chapelle sans vocable – Uma capela sem altar. A iconografia retrata Saint Étienne, pois era o nome que ela tinha no século XIX. Assim, um nicho abriga a estátua do santo, feita em 1864 por Alexis-Hippolyte Fromanger. Nas paredes laterais, obras de Louis Jamnot, de 1866, mostram, respectivamente, a Condenação e a Lapidação de Saint Étienne.

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Louis Jamnot, La Condamnation de Saint Étienne, 1866

L) Chapelle de la Vierge – Esta é outra das mais belas capelas da igreja. A capela original foi construída em 1540 e ocupava o mesmo tamanho das outras. Em 1655 foi reconstruída, maior. Desta decoração de origem, resta somente o segmento da cúpula que cobre este espaço, esculpida com os emblemas de Maria. O resto foi mudado com as duas restaurações do século XIX. O altar de mármore é da época da primeira restauração, a realizada por Godde, a partir de 1823.

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A estátua da Virgem com o menino Jesus, do nicho central, é obra de Denis Foyatier, realizada em mármore em 1867. Nas paredes da capela, no revestimento de falso mármore, obras de Alexandre Caminade, de 1838, ilustram episódios da vida de Nossa Senhora.

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Os vitrais atuais das seis janelas perto da cúpula são composições comandadas do Baltard, em 1855, a partir de restos de vitrais dos séculos XVI e XVII. Já a janela acima da capela foi realizada por Joseph Félon, em 1869, e tem temas marianos. Na entrada da capela, inscrições mostram o lugar dos túmulos de Pascal e Racine. Nos dois lados, duas colunas do século XVI faziam parte da abadia. Elas são encimadas por anjos em bronze dourado, obra de Ramus.

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L) Chapelle Saint-Hilaire – O nome lembra uma das igrejas do bairro, destruída na Revolução. Mas também é chamada de Chapelle Saint-Joseph. O nicho abriga uma estátua de Saint-Hilaire de Poitiers, encomendada a Frédéric Bogino, em 1865. Há duas telas de Alphonse Le Hénaff, da mesma época : Saint Hilaire au concile de Séleucie (à direita) e Saint Hilaire conférant à Saint Martin l’ordre d’exorciste (Saint Hilaire dando a Saint Martin a ordem de exorcista), à esquerda. Já os dois vitrais, realizados em 1894, tratam da vida de Saint Joseph (São José), nome antigo da capela, obras de Carlo Pizzagalli.

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Vitral retratando a morte de São José

M) Chapelle Saint-Benoît – Outra capela em homenagem a uma igreja do bairro que foi destruída. Decorada na década de 1860, abriga uma estátua do santo, feita por Séraphin Denécheau, instalada em 1866 entre as janelas. Duas telas nas paredes, obras de Jules Rigo : Saint Benoît bénissant Totila roi des Goths (São Bento abençoando Totila rei dos Godos), no lado do altar, de 1863 ; e, em frente, La dernière communion de Saint Benoît (A última comunhão de São Bento), de 1865.

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Jules Rigo – Saint Benoît bénissant Totila roi des Goths, 1863

N) Chapelle Saint-Vincent-de-Paul – Nome dado por causa das relíquias de São Vincente, doadas em 1809 pelo cardeal Caprara. Acima do altar, um retrato do santo, realizado por Sébastien Bourdon. Na outra parede, Sainte Catherine de Sienne en méditation, do século XIX.

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O) Chapelle des Dix Mille Martyrs – Também chamada de Chapelle des Âmes du Purgatoire ou Chapelle Des Martyrs du Mont Ararat (Dos Mártis do Monte Ararat), por causa das pinturas murais descobertas ali, que datam dos anos 1540. Esse tipo de pintura é raro nas igrejas de Paris, o que acentua a sua importância. As pinturas contam a história dos dez mil mártires cristãos, que foram crucificados no Monte Ararat, na província da Armênia, por ordem do imperador romano Adriano. Esta lenda tornou-se muito popular na Idade Média.

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Em 1861, as pinturas são restauradas por Charles Maillot, que completa algumas cenas que faltam. A última restauração data de 1993. Os lambris da parede levam os nomes dos paroquianos mortos na Primeira Guerra Mundial. Os vitrais são os mais recentes da igreja : obras de Charles e Emmanuel Daumont Tournel, foram colocados na capela em 1930. Eles tratam da Ressurreição de Lázaro e do Cristo.

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P) Chapelle Saint-François d’Assise – Acima do altar, está a obra La Stigmatisation de Saint François d’Assise (A estigmatização de São Francisco de Assis), feita em 1809 por J. Maupin. Na parede da esquerda, está L’Adoration des Mages, pintura do século XVII, cuja autoria é desconhecida. Vários ex-votos dedicados a Santo Antônio. Isso porque a estátua dele ficava ali.

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J. Maupin – La Stigmatisation de Saint François d’Assise, 1809

Q) Chapelle Saint-Nicolas – O destaque desta capela é a estátua de Moisés, realizada por Antoine Dieu e que estava no Louvre antes de ser colocada ali, em 1806. À direita, La Crucifixion avec Sainte Marie Madeleine, Saint Louis et Saint Nicolas, do século XVIII, de artista desconhecido. No vitral, Nicolas reaparece, em uma obra feita no século XVI e que chegou na capela em 1855.

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R) Chapelle Saint-Louis – Durante o reinado de Louis XVIII, a decoração da capela foi dedicada a Saint Louis, que foi o rei Louis IX. Depois das restaurações da igreja, no século XIX, ela mudou. Em uma das paredes, encontramos Le Martyre de Sainte Catherine d’Alexandrie, quadro de Thomas Goussé, de meados do século XVIII. Há também um busto de bronze de Blaise Pascal, feito por Jean Frère, em 1899, inspirado na máscara mortuária do cientista.

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S) Chapelle de l’Ange Gardien – Ela conserva o confessional confeccionado no século XVIII. Assim como várias outras aqui da igreja, possui o altar em falso mármore. O quadro L’ange gardien guidant un enfant (Anjo da Guarda guiando uma criança) é uma réplica da obra de Francesco Maffei. Encontramos nesta capela um busto de Jean Racine que, assim como o de Pascal, também é realizado por Jean Frère, no bicentenário da morte do escritor.

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T) Chapelle Saint-Jean-l’Evangéliste – Logo vemos a obra Saint Jean écrivant son Evangile à Pathmos (São João escrevendo o Evangelho em Pathmos), que leva uma inscrição de 1693. Acima do confessionário, o quadro Sainte Marie-Madeleine renonçant aux vanités du monde (Santa Maria Madaleina renunciando às vaidades do mundo), obra de 1631, de Charles Thorin. Uma estátua de L’Espérance, de Sylvestre Joseph Brun, de 1824, completa a decoração. Vitral do Apocalipse, encomendado pelo comerciante de vinho Jean Le Juge, de 1614. Nos outros vitrais, retratos e símbolos de sua família e da família Boucher, que cuidavam da capela, e a Ressurreição de Cristo.

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U) Chapelle de l’Immaculée Conception – Um quadro representando o Cristo e a mulher adúltera é do século XVII e de autoria desconhecida. Mas o destaque desta capela é o grupo de esculturas La charité, feito em 1824 por Charles-René Laitié.

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Passando a capela, na extremidade da nave lateral norte, uma placa lembra um acidente ocorrido no dia da consagração : duas moças caem lá de cima, com algumas balaústres, e escapam quase ilesas, assim como os expectadores esmagados por elas. No alto, o quadro Déposition de la croix (Descida da Cruz), de 1827, pintado por Amélie Legrand de Saint-Aubin.

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Cloître des Charniers – Perto da Chapelle Sans Vocable (J), um corredor dá acesso ao antigo claustro, construído entre 1605 e 1609 e que cercava um cemitério, este último conhecido como charnier. Por isso, leva este nome, apesar de não ter ninguém enterrado na área do claustro. Ele compreendia três galerias com 24 vitrais, pintados na técnica do esmalte, e que relatavam as cenas do Antigo e Novo Testamentos, completadas por cenas profanas inspiradas na história de Paris.

Sainte Etienne

Hoje restam doze vitrais, dentre eles o famoso Pressoir Mystique. Trata-se de um vitral onde o Cristo é representado deitado sob uma prensa. O sangue é recolhido e deve salvar os homens do pecado. Esta iconografia é única nas igrejas da França, talvez até da Europa.

Sainte Etienne

Chapelle des Cathéchismes – O claustro se abre para esta capela, construída pelo arquiteto Victor Baltard, entre 1857 e 1859, durante a segunda grande restauração da igreja Saint-Étienne, no século XIX. É decorada por pinturas de Victor Biennoury, Louis-Charles Timbal e Félix-Henry Giacometti. Já as esculturas representando os santos são obra de Henri Chapu e de Jean Allaseur.

Sainte Etienne

Sainte Etienne

O órgão – Embora o órgão tenha sido restaurado e trocado algumas vezes, a caixa é de 1633 e foi executada por Jean Buron. É o mais antigo completamente conservado e um dos mais belos da cidade. No topo, o Cristo ressuscitado cercado por anjos músicos.

Sainte Etienne

Essa descrição detalhada da Saint-Étienne-du-Mont dá uma ideia da importância da construção aqui em Paris. E olhem que nem falei de tudo o que a gente pode encontrar lá. Várias obras desta igreja foram apresentadas nos salões da Académie de Beaux-Arts antes de virem para o templo. Assim, é um verdadeiro museu a céu aberto que podemos visitar sem pagar nada. A única pena é que muitas vezes algumas capelas ficam fechadas por falta de funcionários para vigiá-las. Espero que isso mude.

Sainte Etienne

Saint-Étienne-du-Mont
Place Sainte-Geneviève,
75005 Paris
Metrô : Cluny-La-Sorbonne – linha 10
Maubert-Mutualité – linha 10
Saint-Michel-Notre-Dame – linha 4, RER C e RER B.
RER Luxembourg – RER B (mais perto).
Horários : segundas, de 18h30 às 19h30. De terça a sexta, das 8h45 às 19h45 (quartas-feiras, fecha às 22 horas). Sábados, das 8h45 até as 12h e das 14h às 19h45. Domingos, das 8h45 às 12h15 e das 14h30 às 19h45. Para mais informações, consulte o site da igreja aqui

Sainte Etienne

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Renata Rocha Inforzato

Sou de São Paulo, e moro em Paris desde 2010. Sou jornalista, formada pela Cásper Líbero. Aqui na França, me formei em História da Arte e Arqueologia na Université Paris X. Trabalho em todas essas áreas e também faço tradução, mas meu projeto mais importante é o Direto de Paris. Amo viajar, escrever, conhecer pessoas e ouvir histórias. Ah, e também sou louca por livros e animais.

Comentários (26)

  • Malu Esper Responder    

    2 de junho de 2017 at 4:06

    Renata, muito interessante saber a história dessa Igreja que sempre visito quando vou a Paris. Que relato e fotos lindíssimas. Parabéns!

  • Deivson Responder    

    3 de junho de 2017 at 21:46

    Nossa, eu nunca ouvi falar desse lugar antes, mas já amei e já quero muito conhecer. Lugar rico em história <3

  • Michela Borges Nunes Responder    

    3 de junho de 2017 at 21:49

    Que igreja linda! Fui duas vezes a Paris, mas não a conheci, que pena! Mas adorei a dica e o post super completo, cheio de história. Com certeza, na próxima ida para lá, vou tentar ir.

  • Gisele Rocha Responder    

    4 de junho de 2017 at 0:16

    Vitrais lindíssimos! A igreja é realmente bela!

  • Carla Mota Responder    

    4 de junho de 2017 at 9:24

    Estive aqui este ano e adorei. A igreja é bonita mas todo o bairro é fantástico. Tem uma aura muito especial. Excelente sugestão de visita em Paris.

  • Escolho Viajar, blog Responder    

    4 de junho de 2017 at 15:31

    Que espaço maravilhoso! Seu relato está super completo e as fotografias são extremamente cativantes. Gostei muito de aprender com o seu conteúdo.

  • claudia Responder    

    4 de junho de 2017 at 17:28

    Renata, parabéns pelo post, me senti dentro da igreja vendo cada detalhe. Adoro conhecer a história dos lugares que visito!

    Clau

  • Ana Carolina Miranda Responder    

    4 de junho de 2017 at 23:20

    Nossa que post completo! Quando fui à Paris não conheci esta igreja mas acabei de colocar na lista de lugares para visitar em nossa próxima viagem.

  • Luciana Rodrigues Responder    

    5 de junho de 2017 at 6:19

    Nossa! Uma verdadeira aula! Para nós que não temos assim tantas igrejas góticas, mas, sim, tantas barrocas e renascentistas, é sempre fascinante ver esses tetos e vitrais, além das rosáceas. Obrigada por compartilhar tanta beleza e conteúdo.

  • Tina Wells Responder    

    5 de junho de 2017 at 7:59

    Não sou muito de visitar igrejas, mas muito interessante saber das histórias que muitas delas têm. Parabéns pelo post super completo!

  • Klecia Responder    

    6 de junho de 2017 at 14:11

    Faltam adjetivos para falar dessa igreja! Eu passaria horas perdidas ai, admirando arquitetura, arte, vitrais, tudo tao maravilhoso. E o post ficou super completo! Uma verdadeira aula!

  • ÉLIDE LOGATTO Responder    

    8 de junho de 2017 at 17:51

    Estive aí e não vi essa igreja. Ela é próxima de Notre Dame? Em que direção? Andei muito por lá, mas não me lembro de ter passado por ela. Fiquei muito triste, pois sou muito devota de Nossa Senhora da Medalha Milagrosa. Se Deus quiser voltarei à paris e quero ir até lá.. Obrigada pelas dicas.

  • MARIA AMELIA SILVA Responder    

    8 de junho de 2017 at 23:37

    Já estive duas vezes em Paris, mas não a conheço, está na minha agenda para a próxima viagem.

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