Parques & Jardins

Petite Ceinture du 15eme – um parque insólito em Paris

7 de setembro de 2016

Em Paris, no 15eme arrondissement, há um parque bem diferente. Na verdade, é mais um percurso onde natureza e cidade se misturam no caminho de uma antiga linha de trem.

Paris

Tudo começa com uma antiga estrada de ferro construída entre 1852-1869, durante o Segundo Império. Ela se chamava Petite Ceinture e dava a volta em Paris.

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Com o avento do metrô, a linha começou a ser desativada. Ela transportou passageiros até 1934 e mercadorias até meados da década de 1970. Hoje, uma parte dela é aproveitada pela rede de transportes atual, como o RER C.

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Mas o que fazer com os trechos que foram abandonados? Essa é uma discussão que existe desde que a Petite Ceinture foi desativada. Associações foram criadas e algumas ideias estão começando a sair do papel, como a Petite Ceinture du 15eme.

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Esta parte da linha, que fica no 15eme arrondissement, atendia, entre outros, a fábrica Citroën, onde hoje é o parque André Citroën, e o abatedouro Vaugirard, hoje local do Parc Georges Brassens.

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Com o abandono da estrada, a vegetação cresceu e tomou conta do lugar. Então, com os anos, veio o projeto de aproveitar este trecho, transformando-o em área verde e espaço de lazer para os moradores do bairro.

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Inaugurada em 2013, a Petite Ceinture du 15eme é um percurso de 1,3 quilômetros, super gostoso de fazer. Ele vai do metrô Balard, linha 8, até a rue Oliver des Serres. Com o tempo, a prefeitura de Paris pretende unir esta área verde aos parques Anré Citroën e Georges Brassens, ali perto, mas ainda não há previsão de quando isso vai ser feito.

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A vegetação que cresceu no caminho foi valorizada, assim como o patrimônio ferroviário. Os declives, balastros (aquela mistura entre cascalho e areia onde os trilhos são colocados), as pontes e muros, tudo foi tomado pelos mais diferentes tipos de “mato”, mostrando a variedade da natureza de Paris.

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Há vegetação de bosque, borda de floresta e prados, cada uma delas com sua própria fauna. São 220 espécies de plantas e animais em todo o percurso. Só de pássaros são 21 espécies, muitas delas ameaçadas de extinção. Há também árvores raras na cidade, como o olmo, o carvalho ou o bordo. A conservação do parque é feita de acordo com o ritmo biológico, principalmente dos pássaros.

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Outra curiosidade da Petite Ceinture du 15eme é que os trilhos da linha foram conservados em praticamente todo o caminho. Podemos quase pensar que um trem vai passar ali a qualquer momento. É bonito ver o traçado da antiga estrada de ferro.

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Eu comecei a fazer o percurso da rue Olivier des Serres até Balard, mas claro que você pode fazer o sentido inverso. Para entrarmos no parque, na rue Olivier, temos que descer as escadas (mas tem elevador também) e vemos logo um túnel.

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Em seguida vemos uns chalés bem bonitinhos. Não consegui achar quando foram construídos. Eles dão um ar bucólico ao percurso. Logo depois, está a antiga estação Vaugirard Ceinture, construída em 1867.

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Aí o percurso vai subindo. Passamos, em uma altura considerável, ao lado de vários prédios típicos do 15eme, que abrigam residências, comércios, consultórios, etc. Percorremos pontes, acima de ruas como a rue Desnouettes, rue de Vaugirard, entre outras.

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Na altura da rue Lecourbe, vemos uma pequena bifurcação que mostra que a antiga estrada de ferro seguia dois caminhos diferentes.

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Marcas no chão em vários trechos do trajeto mostram onde estamos.

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Os bancos que encontramos pelo caminho também evocam as ferrovias, já que são feitos de madeira no mesmo formato das madeiras que compõem os trilhos. Igualmente em todo o percurso, há vários painéis que explicam a flora e fauna do parque.

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Há também muita arte de rua, com obras bem curiosas. Elas, junto com os prédios, acentuam a característica urbana do caminho. Ao mesmo tempo, o lado natureza é bem marcante. E o silêncio e tranquilidade que temos ali são absolutos: em pleno coração do 15eme, acima das ruas movimentadas do bairro, não escutamos nada. É como se não estivéssemos em plena Paris.

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E a presença dos moradores fazendo esportes, tirando fotos ou passeando com a família acentua o clima de paz da área.

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É um parque bem acessível, já todas as suas entradas possuem elevador, o que permite que pessoas com dificuldade de locomoção possam fazer o percurso. Se você não quiser fazer todo o trajeto, pode usar uma dessas entrada/saídas.

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Quase no final do meu passeio – como disse acima, fiz em direção a Balard -, a visão da arquitetura de um grande imóvel faz um belo contraste com o parque. Acho que isso resume a Petite Ceinture du 15eme: um percurso urbano em meio a natureza selvagem.

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Um passeio diferente por uma Paris menos conhecida que adorei fazer. E recomendo. Uma última curiosidade: para não perturbar os animais, o parque não possui luminárias. Por isso, ele fecha com o pôr-do-sol, que varia de acordo com a época do ano.

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Outras partes da antiga linha de ferro Petite Ceinture foram transformadas em áreas verdes, como, por exemplo, no 13eme, 16eme, etc. Ainda pretendo conhecer todas.

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Rue de Vaugirard vista a partir da Petite Ceinture

Petite Ceinture du 15eme
101 rue Olivier des Serres
Outras entradas: 397ter-399 rue de Vaugirard; em frente ao 82 rue Desnouettes; rue Leblanc
Metrô: Porte de Versailles – linha 12 (entrada rue Olivier e rue Vaugirard).
75015 – Paris
Balard – linha 8 (rue Leblanc)
Tramway – Desnouettes – T3a
Horários: De 1º de outubro ao final do horário de verão, durante a semana, das 9h às 18h30; sábados e domingos, das 9h30 às 18h30. Do final do horário de verão até final de fevereiro, durante a semana, das 9h às 16h45; sábados e domingos, das 9h30 às 16h45. De 1º de março ao horário de verão, durante a semana, das 9h às 18h; sábados e domingos, das 9h30 às 18h. Do horário de verão a 30 de abril e de 1º a 30 de setembro, durante a semana, das 9h às 19h30; sábados e domingos, das 9h30 às 19h30. De 1º de maio a 31 de agosto, durante a semana, das 9h às 20h30; sábados e domingos, das 9h30 às 20h30.

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Renata Rocha Inforzato

Sou de São Paulo, e moro em Paris desde 2010. Sou jornalista, formada pela Cásper Líbero. Aqui na França, me formei em História da Arte e Arqueologia na Université Paris X. Trabalho em todas essas áreas e também faço tradução, mas meu projeto mais importante é o Direto de Paris. Amo viajar, escrever, conhecer pessoas e ouvir histórias. Ah, e também sou louca por livros e animais.

Comentários (12)

  • Jackie Responder    

    25 de outubro de 2016 at 22:23

    Super legal esse parque, acho que mostra uma forma inteligente da cidade repensar sua estrutura e da sociedade se “apoderar” mesmo de todo o espaço. A parte dos chalés foi a que achei mais fofa, mas confesso que as construções modernas também me conquistaram.
    bjs,

  • Suzana Responder    

    25 de outubro de 2016 at 22:25

    Que interessante! Adoro essas suas dicas de moradora, conhecer esses espaços frequentados pelos parisienses. Sem contar vc escreve tão bem. As vezes passo horas aqui lendo e nem me dou conta. Uma delícia teu blog.
    Um grande abraço,

  • Rafaela Responder    

    25 de outubro de 2016 at 22:45

    Olá! Adorei o teu blog. Cheguei aqui procurando um passeio para o Monte St. Michel e caí aqui. Ultimamente está difícil encontrar dicas genuínas nos blogs de Paris. Parece até que as pessoas não moram na cidade. Não é o teu caso claro. Dicas super certeiras, inéditas. Parabéns! Nunca tinha ouvido falar do parque, mas anotei a dica.

  • Fernanda Souza Responder    

    25 de outubro de 2016 at 22:47

    Uau! Jamais diria que esse lugar é em Paris. Me lembrou o High Lane em Nova York.

  • Martinha Andersen Responder    

    26 de outubro de 2016 at 11:46

    Fui apenas uma vez aí, mas já faz um tempinho… e não fiz o trajeto todo. Era inverno, e estava com um vento enorme. =)

  • Bruna Responder    

    26 de outubro de 2016 at 11:48

    Que legal esse lugar!!!! Bem diferente da Paris que sempre vimos na tevê.

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