Parques & Jardins

Parc Montsouris – de monte dos camundongos a parque dos estudantes em Paris

2 de junho de 2014

Podemos dizer que ele é o parque dos estudantes em Paris, pois, por ficar ao lado da Cité Universitaire, é o ponto de encontro preferido para pausas antes, durante e depois das aulas. Ainda pouco frequentado por turistas, o Parc Montsouris é um paraíso de árvores e pássaros e que tem tudo para atrair também quem está de passagem pela Cidade Luz.

Montsouris

O parque fica situado no sul de Paris, mais precisamente no 14e arrondissement (distrito). É o segundo pulmão verde da cidade, com 16 hectares, apenas atrás do Parc des Buttes-Chaumont que, aliás, foi construído na mesma época. O nome Montsouris vem do fato de que no lugar havia muitos moinhos e os cereais, que ali eram transformados em farinha, atraíam muitos camundongos – souris em francês. E como é um terreno alto, então, Mont Souris virou Montsouris.

Montsouris

O subsolo desse terreno fazia parte das pedreiras de calcário de Montrouge. Quando os cemitérios de Paris foram destruídos, uma parte dessas delas acolheu os ossos: é o local onde hoje estão situadas as Catacumbas de Paris. Era necessário pensar o que fazer com a outra parte, pois era preciso cobrir as escavações de calcário abandonadas.

Montsouris

Anos se passaram. Chegamos a meados do século XIX, época de Napoleão III e do prefeito Georges-Eugène Haussmann. O imperador queria prover a cidade de espaços verdes, onde pessoas de todas as classes sociais poderiam se divertir. Esse objetivo era parte do grande projeto de remodelação de Paris, que ficou a cargo de Haussmann, a partir de 1852. No caso dos parques, a ideia era colocar um parque em cada ponto cardeal da cidade.

Montsouris

Assim sendo, no norte seria o Buttes-Chaumont; no leste, o Bois de Vincennes; no oeste, as Serres d’Auteuil; e no sul, o parc Montsouris.

Montsouris

A construção do parque começou em 1865, foi interrompida em 1870 por causa da guerra contra a Prússia e da Comuna de Paris, e terminou em 1878. O responsável pelo projeto foi Adolphe Alphard, também encarregado de outros parques e áreas verdes na cidade.

Montsouris

Assim como no Buttes-Chaumont, o traçado do Parc Montsouris é bastante irregular, até mesmo por causa da natureza do terreno. A terra, as flores e as árvores foram transportadas até ali, pois o solo é de má qualidade. A aparência escolhida foi a de um jardim inglês, na moda na época.

Montsouris

Havia, inclusive, no terreno estradas de ferro, uma foi devidamente mascarada com árvores e arbustos. A outra é onde hoje passa o RER B, que corta a área. Para compensar o desnível do parque, foram criadas escadarias, onde o corrimão é feito de concreto, mas imitando galhos, a textura mesmo parece madeira.

Montsouris

Montsouris

Uma cascata e um lago de um hectare também foram construídos. A queda d’água é bem menor do que no Buttes, mas é bonita também. Conta a história que, quando foram colocar a água, o lago esvaziou. E que, por conta disso, o engenheiro responsável por essa parte teria se matado.

Montsouris

Montsouris

Uma atração bem interessante do Parc Montsouris era o Bardo, a reprodução fiel e reduzida do palais du Bey de Tunis. Vestígio da Exposição Universal de 1867, foi comprado por 150 mil francos pela prefeitura de Paris e instalado no parque para acolher os serviços de meteorologia da cidade. Mas, durante a Segunda Guerra não foi restaurado e foi se degradando pouco a pouco. Os escritórios acabaram indo para as construções vizinhas, também dentro do Montsouris. Em 1991, é destruído por um incêndio provocado por mendigos, que estavam ali para se proteger do frio.

Montsouris
Fonte: Wikipedia. Foto de domínio público

Mas, mesmo sem o Bardo, o Parc Montsouris continua atraindo os visitantes pela sua beleza, seu relevo acidentado e, principalmente, pelas aves que ficam ali. Há patos, cisnes brancos e negros, gaivotas, pardais e várias outras espécies de pássaros. Eles adoram a ilha artificial colocada bem no centro do lago e muitos deles fazem ali seus ninhos.

Montsouris

O mais legal é que eles praticamente ficam ao lado de você. Um ponto negativo de tudo isso é que eles também são acostumados a ser alimentados pelos frequentadores do lugar, o que não é bom.

Montsouris

O parque também chama atenção por suas árvores. São mais de 1400 espalhadas por todo o terreno. Há cedros, ginkgo bilobas, sequóias, etc. A maioria foi escolhida ainda na época da criação do Montsouris e tem um imenso valor histórico.

Montsouris
Castanheira

Os canteiros de flores são muito bonitos, apesar de que nessa primavera, por causa da chuva, eles não estão bem floridos. Encontramos alissos (ou flor de mel), valerianas, malopes, papoulas e muito mais. Além de rosas, é claro.

Montsouris

No meio do parque, há um pequeno roseiral com espécies de rosas vindas do mundo todo. É um espaço que quase passa batido, pois são poucas roseiras. Mas vale, e muito, ser admirado.

Montsouris

E há ainda no Montsouris um jardim cuidado pelos alunos de duas escolas da região.

Montsouris

Como muitos parques e jardins parisienses, o Parc Montsouris possui várias obras de arte. Assim, entre os gramados e caminhos, estão espalhadas várias esculturas, feitas de bronze ou pedra. A mais antiga é a Naufragés, do escultor Antoine Etex (1859).

Montsouris
Naufragés – Antoine Etex (1859)

É gostoso andar pelo parque a procura dessas obras. O único defeito é que nem todas são identificadas.

Montsouris
Premier Frisson – René Baucour (1921)

Há uma relíquia histórica no lugar: um obelisco, de cerca de 5 metros de altura. Chamado de Mira du Sud é o marco sul do meridiano de Paris e faz par com outro monumento situado em Montmartre, que marca o norte. Esse do parque foi realizado em 1806 por Antoine Vaudoyer. No começo, a obra estava no Jardin de L’Observatoire, perto do Jardin du Luxembourg, mas, logo em seguida, foi levada para o Montsouris. O meridiano de Paris deixou de ser adotado como referência de longitude em 1884, quando Greenwich passou a ser o oficial.

Montsouris

As guaritas das entradas foram colocadas na época da criação do parque e são exemplos da arquitetura de jardins do século XIX. Assim como o coreto, que foi reativado há pouco tempo (2010) e recebe concertos de maio a setembro.

Montsouris

Montsouris

Para as crianças, não falta diversão. Além dos passeios de pônei, presentes em vários parques de Paris, há também o teatro de marionetes criado em 1982 (Guignol), um carrossel e playgrounds espalhados pela área. Além de quadras e até uma pequena montanha para brincar de carrinho.

Montsouris

Montsouris

Para comer, há quiosques de sorvete e doces espalhados pelo parque. Em frente ao lago, há um quiosque maior, com sanduíches e crepes. O menu com uma galette (nome que se dá ao crepe salgado), um crepe doce e bebida sai em torno de 11 euros. E são bons.

Montsouris

Um restaurante tradicional está situado perto do Coreto: é o Le Pavillon Montsouris. Criado em 1889 para a Exposição Universal de 1892, o lugar era frequentado por políticos e escritores famosos de várias épocas, como Ernest Hemingway. Em 2001, foi classificado como Monumento Histórico. O preço dos pratos faz jus à fama do lugar, ou seja, é um restaurante caro.

Montsouris

Desde 1872, o parque acolhe uma estação meteorológica. Antes ela ficava no extinto Bardo, mas, desde 1973, ocupa uma construção moderna, também no Montsouris. Ao lado do escritório da administração, há um pequeno mirante com uma vista muito bonita

Montsouris

Montsouris

Parc Montsouris
2 rue Gazan
75014 Paris
Outros acessos: Boulevard Jourdan, avenue Reille, rue de la Cité-Universitaire, rue Nansouty, rue Emile-Deutsch-de-la-Meurthe.
Metrô Glacière – linha 6.
RER B – Cité Universitaire
Tramway T3a – Estação Cité Universitaire
Horários: de 1º de maio a 31 de agosto, de segunda a sexta, das 8h às 21h30. Sábados e domingos, das 9h às 21h30.
De 1º a 30 de setembro, de segunda a sexta, das 8h às 20h30. Sábados e domingos, das 9h às 20h30.
De 1º a 25 de outubro, de segunda a sexta, das 8h às 19h30. Sábados e domingos, das 9h às 19h30.
De 30 de outubro a 29 de fevereiro, segunda a sexta, das 8h às 17h45. Sábados e domingos, das 9h às 17h45.
De 1º a 31 de março, segunda a sexta, das 8h às 19h. Sábados e domingos, das 9h às 19h00.
De 1º a 30 de abril, de segunda a sexta, das 8h às 20h30. Sábados e domingos, das 9h às 20h30.

Montsouris

Restaurante Pavillon Montsouris
Horários: das 12h às 14h30 e das 19h30 às 22h30. De outubro a abril é fechado nas noites de domingo

Montsouris

Théâtre Guignol
Vários horários e espetáculos durante a semana

Montsouris

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Renata Rocha Inforzato

Sou de São Paulo, e moro em Paris desde 2010. Sou jornalista, formada pela Cásper Líbero. Aqui na França, me formei em História da Arte e Arqueologia na Université Paris X. Trabalho em todas essas áreas e também faço tradução, mas meu projeto mais importante é o Direto de Paris. Amo viajar, escrever, conhecer pessoas e ouvir histórias. Ah, e também sou louca por livros e animais.

Comentários (8)

  • Carlos Firmino Responder    

    3 de junho de 2014 at 13:21

    Os meus parabéns pelo seu blog, fotos fantásticas e textos que nos guiam de maneira brilhante pelos locais e história de Paris/França.
    Descobri por acaso, pois estou a planear uma viagem a Paris, e tem sido muito útil.

    • Renata Inforzato Responder    

      4 de junho de 2014 at 12:19

      Oi Carlos, muito obrigada pelo comentário. Espero que sua viagem a Paris seja ótima. Um abraço

  • Elaine Braga Responder    

    11 de junho de 2014 at 11:26

    E a minha lista só aumenta! Obrigada por mais uma ótima matéria!

    • Renata Inforzato Responder    

      11 de junho de 2014 at 20:03

      Oi Elaine, obrigada vc! Se depender de mim, sua lista será enorme. Quero ver se escrevo mais vezes por semana. Vamos ver. Um beijão

  • Juliana Pereira Responder    

    23 de junho de 2015 at 23:31

    Oi, Rê! Eu estava observando a foto do Obelisco e notei que o nome do Rei foi milimetricamente suprimido do monumento! Deve ser mais uma das traquinagens da Revolução Francesa…..rs!
    Texto maravilhoso!! Parabéns mais uma vez pelo trabalho!! E a vontade de ir pra Paris só aumenta……
    Beijos paulistas!!

    • Renata Inforzato Responder    

      24 de junho de 2015 at 10:59

      Oi Ju, com certeza foi isso mesmo, a Revolução. Fizeram como no Egito, onde apagavam dos monumentos o nome dos faraós que caíam em desgraça. Obrigadão pelo comentário e por acompanhar esse trabalho. Você sabe que estou te esperando aqui, né? Saudades e um beijão

  • Cláudia Responder    

    6 de dezembro de 2016 at 18:23

    Olá, adorei seu artigo, há alguns anos fui lá pela primeira vez, amo aquele lugar. Você sabe se sob os bancos (alguns) ainda tem caixas de som que ficam narrando diálogos, era uma delícia,
    obrigada

    Cláudia
    p.s. pode me enviar por email.pfv

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