Museus

Palais de Chaillot – o palácio que “envolve” a Torre Eiffel

19 de agosto de 2014

Ao clicar a Torre Eiffel em seu ângulo mais famoso, aquele da Praça do Trocadéro, muita gente – e eu me incluo nessa – admira o Palais de Chaillot, mas nem tem ideia do que ele representa. Pois, além de ser muito bonito e abrigar museus interessantes, o lugar já foi terreno de outro palácio, foi sede da ONU e é uma visita super interessante.

Palais de Chaillot

Na colina de Chaillot, havia um vilarejo de mesmo nome, mas não se sabe com exatidão os detalhes. Até que em 1583, a rainha Catherine de Médicis, que já era viúva e morava no Louvre, decide construir uma casa de campo. A construção tem a forma de um hipódromo, com jardins que descem até as margens do Sena.

Palais de Chaillot

Nos séculos seguintes, o lugar passa pelas mãos de vários proprietários. No século XVII, torna-se um castelo, mas quase não há dados sobre isso. Em 1651, os monges do Monastério da Visitação – Santa Maria compram e ampliam a propriedade. Mas ela é desapropriada, fechada e degradada com a chegada da Revolução Francesa.

Palais de Chaillot

No começo do século XIX, Napoleão I quer criar ali uma Cité Napoléonienne (Cidade Napoleônica), que deveria ser um lugar mais imponente que o Kremlim de Moscou. Mas a própria guerra na Rússia – e queda do imperador – não fizeram o projeto ir em frente.

Palais de Chaillot

Alguns anos mais tarde, Charles X quer construir um obelisco na colina para celebrar a vitória francesa e a tomada do forte espanhol de Trocadero, que aconteceu em 1823, no reino de seu irmão, Louis XVIII. Essa é outra ideia que não é realizada: apenas um forte cenográfico é colocado ali durante um espetáculo de 1827 para comemorar a vitória.

Palais de Chaillot

Em 1869, é construída ali uma praça, que, mais tarde, em 1877, recebe o nome de Place du Trocadéro. No ano seguinte, 1878, é decidida a construção de um palácio para abrigar uma sala de concerto e congresso durante a Exposição Universal daquele ano.

Palais de Chaillot

O arquiteto Gabriel Davioud realiza um projeto em estilo mourisco no topo da colina: uma espécie de construção redonda cercada por duas alas côncavas e dois minaretes. A decoração do lugar foi realizada com esculturas de seis figuras femininas, com características de diferentes continentes, e mais quatro esculturas de animais (hoje visíveis no Musée D’Orsay).

Palais de Chaillot
Palais du Trocadéro

O Palais du Trocadéro dura mais de 50 anos, acolhendo, inclusive, museus. Mas, deste a sua construção é alvo de críticas. Diziam que ele destruía o panorama da colina e, mais tarde, da Torre Eiffel.

Palais de Chaillot
A Torre vista da esplanada

Até que, em 1932, surgiu a ideia de construir outro palácio no local, também para a Exposição Universal de 1937. Foi realizada uma espécie de concurso entre os arquitetos. Os projetos que visavam demolir o Trocadéro foram rejeitados. Por razões de economia, foi decidido aproveitar parte da estrutura do antigo palais.

Palais de Chaillot
Uma das alas ampliadas por Carlu

O chefe do projeto vencedor, Jacques Carlu, amplia as alas do Palais du Trocadéro, mas mantém a curvatura. Ele constrói uma imensa esplanada sobre o teatro (hoje Théâtre National de Chaillot), para valorizar o panorama com a Torre Eiffel. O palácio parece envolvê-la.

Palais de Chaillot

Nos dois lados da esplanada, dois grandes pavilhões encimados por esculturas monumentais em bronze: de um lado, representando os Elementos e, do outro, os Conhecimentos Humanos (a arte e a indústria). Baias envidraçadas na fachada dão uma visão espetacular da Torre para quem está dentro do palácio. As alas ampliadas por Carlu partem destes pavilhões.

Palais de Chaillot
Em cima de um dos pavilhões, Os Conhecimentos Humanos

Várias outras esculturas envolvem os pavilhões, e dão para a esplanada. A pedra utilizada para revestir a construção foi a mesma usada por Davioud: um tipo de calcário da Bourgogne, que dá elegância e unidade ao conjunto. Nem parece que tem partes do antigo palácio ali no meio, na estrutura.

Palais de Chaillot

Os jardins, que já existiam desde 1878, foram decorados com tanques e fontes. É a Fontaine de Varsovie: uma série de tanques em cascata que cai em um tanque maior. Até hoje, 20 canhões jogam, nesse tanque, de tempos em tempos, 8240 m3 de água por hora. Dois jardins ingleses se situam nas duas extremidades do Palais, cortados por um riacho artificial. Várias esculturas decoram o jardim, além de uma parte da fachada do extinto Palais des Tuileries (que ficava onde hoje está o jardim de mesmo nome).

Palais de Chaillot

Mas o Palais de Chaillot, inaugurado em 1937, também não escapa das críticas. Antes mesmo da sua finalização, uma crítica de 1936 dizia que “ele levava um cadáver nas costas” (o antigo Palácio du Trocadéro).

Palais de Chaillot

Uma curiosidade: durante duas ocasiões, em 1948 e 1951, o Chaillot acolheu sessões da ONU. Na primeira ocasião, os museus, que ali já existiam, foram esvaziados em parte para acolher escritórios. O teatro foi adaptado para as assembléias gerais. Foi nesta ocasião que foi assinada a Declaração Universal dos Direitos do Homem. Já para 1951, foram realizadas algumas construções temporárias, mas que foram feitas de acordo com a estrutura do Chaillot, para não tirar a unidade arquitetônica. Mas todas as adaptações para a ONU foram provisórias.

Palais de Chaillot

Hoje, o Palais de Chaillot é sede de vários museus interessantes em seus dois pavilhões:

1) No primeiro Pavilhão, o da esquerda para quem olha em direção à Torre, hoje está instalada a Cité de L’Architecture et du Patrimoine. Na verdade, desde a época do Palais du Trocadéro ali já funcionava o Musée de la Sculpture Comparée. Ele foi inaugurado em 1882, com uma coleção de moldes, que foi enriquecida entre 1903 e 1927. Também havia o Musée Indochinois e ateliês de moldagens dos museus nacionais.

Palais de Chaillot
Cité de l’Architecture et du Patrimoine

Em 1937, com a construção do Palais de Chaillot, nasce o Musée des Monuments Français, que ocupa todo o espaço desse pavilhão. As coleções são enriquecidas com uma galeria de pinturas murais e de arquitetura moderna. Em 1997, um incêndio destrói boa parte do museu, que é reformado, modernizado e reaberto em 2007 como Cité de l’Architecture et du Patrimoine. Horários: segundas, quartas, sextas, sábados e domingos, das 11h às 19h. Quintas, até as 21h. Tarifa: 8 euros, coleção permanente. Gratuito primeiro domingo do mês. Veja mais informações aqui

Palais de Chaillot
A Torre vista de dentro da Cité de l’Architecture et du Patrimoine

2) No outro Pavilhão, à direita para quem olha para a Torre, havia o Musée de L’Ethonologie, o primeiro do gênero na França. Em 1937, é decidido que esta ala do Palais de Chaillot vai acolher o Musée de la Marine que, até então, ocupava uma parte do Louvre. A inauguração oficial do museu acontece em 1943. Horários: segundas, quartas, quintas e sextas,das 11h às 18h. Sábados e domingos, das 11h às 19h. Tarifa: 8,50 euros, a coleção permanente. Para saber mais, veja o site do museu

Palais de Chaillot

Já o Musée de L’Ethonologie é substituído em 1938 pelo Musée de L’Homme. Atualmente, após anos de reforma, ele foi reaberto com uma nova museografia. Horários: segundas, quintas, sextas, sábados e domingos, das 10h às 18h. Quartas, até as 21h. Tarifa: 10 euros, coleção permanente e exposição temporária. Gratuito primeiro domingo do mês. Mais informações aqui

Palais de Chaillot

O Théâtre de Chaillot – Com a construção do Palais du Trocadéro, em 1878, havia um teatro no corpo central da construção. Quando a Exposição Universal termina, os jardins do Trocadéro são doados à cidade de Paris e o teatro torna-se bem do Estado. Em 1920, é criado ali o Théâtre National Populaire. Mas é demolido em 1935. Com a construção em do Palais de Chaillot, em 1937, o teatro é reconstruído embaixo da esplanada e é aberto para o júri da Exposição Universal daquele ano. A inauguração se dá em 1939. Horários: aberto 1h30 antes dos espetáculos. Para saber mais, veja aqui a programação do teatro.

Palais de Chaillot
Essa parte embaixo da esplanada e entre os dois pavilhões é o teatro

Palais de Chaillot
Place du Trocadéro et du 11 Novembre
75016 Paris
Metro: Trocadéro – linhas 6 e 9

Palais de Chaillot

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Renata Rocha Inforzato

Sou de São Paulo, e moro em Paris desde 2010. Sou jornalista, formada pela Cásper Líbero. Aqui na França, me formei em História da Arte e Arqueologia na Université Paris X. Trabalho em todas essas áreas e também faço tradução, mas meu projeto mais importante é o Direto de Paris. Amo viajar, escrever, conhecer pessoas e ouvir histórias. Ah, e também sou louca por livros e animais.

Comentários (6)

  • Anita Responder    

    19 de agosto de 2014 at 23:18

    A gente vai pra ver a torre a não dá atenção a essa estrutura. Na ultima vez que estive aí, visitei o Musée de la Marine. Adorei. Não é grande, mas tem um acervo muito legal. Tem peças e barcos antigos, reprodução de uma cabine de navio, maquete de navios (inclusive do Normandie e Titanic) e aviões, instrumentos náuticos, armas, etc. Sugiro tanto para adultos quanto para crianças. E se não me engano o audio guide é grátis!
    Boa dica, Renata!

    • Renata Inforzato Responder    

      21 de agosto de 2014 at 12:58

      Oi Anita, em breve vou escrever sobre a Cité de L’Architecture e o Musée de la Marine, que estão abertos. É realmente uma visita muito interessante. Obrigadão pelo apoio e comentário. Um beijão

  • Cité de l’Architecture et du Patrimoine – o museu que fez da cópia uma obra de arte | Direto de Paris Responder    

    4 de setembro de 2014 at 23:01

    […] vou escrever sobre a Cité de l’Architecture et du Patrimoine, que é um dos museus que fica no Palais de Chaillot e do qual gostei muito. E quem gosta de arquitetura, de escultura e de pinturas murais vai […]

  • Gislaine Responder    

    1 de fevereiro de 2015 at 9:26

    Que interessante! Nunca tinha me atentado ao significado das esculturas douradas. De verdade, realmente ele é “usado” muitas vezes como pano de fundo para se fotografar a Torre Eiffel. Eu mesma, nunca dei a devida atenção. Numa proxima ida, vou me dedicar a ele, com certeza! Obrigada Renata, muito bom o seu texto!!!

    • Renata Inforzato Responder    

      2 de fevereiro de 2015 at 14:54

      Oi Gi, obrigadão pelo comentário. A Cité de l’Architecture, que fica em uma das alas, é super interessante, já escrevi sobre ela aqui no blog. Os outros museus que tem ali também e em breve vou escrever sobre eles. Um beijão

  • Direto de Paris - Jornalismo em Paris Responder    

    24 de março de 2017 at 0:48

    […] Monet. Em um primeiro momento, a Académie, sem recursos, contratou Jacques Carlu, o arquiteto do Palais de Chaillot, para fazer uns primeiros reparos. Assim, ele refaz os telhados, protege a coleção de estampas […]

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