Atrações, Parques & Jardins

O Palais-Royal e seu belo jardim

19 de maio de 2019

O Palais-Royal é um dos monumentos mais emblemáticos de Paris. Lugar de poder praticamente desde a sua construção, é também um local bem apreciado pelos parisienses e turistas, que adoram passear no seu jardim.

Palais-Royal

Em 1624, Armand Jean du Plessis, o Cardeal de Richelieu, compra o Hôtel de Rambouillet, um palacete composto por várias construções, além de pátios, jardins e dependências. Ele fica na rua Saint-Honoré, perto da porta de mesmo nome (que hoje não existe mais). Entre 1628 e 1635, o religioso encomenda vários trabalhos que fazem do palacete um verdadeiro palácio. O arquiteto escolhido é Jacques Lemercier e a construção passa a ser conhecida como Palais Cardinal (Palácio Cardeal).

Palais-Royal

É nessa época, 1628, que ele manda construir a oeste a primeira ala formada, no térreo, por grandes arcadas. Em 1634, é a vez de uma segunda ala, mais a leste. Esta última é parte da atual Aile de Valois, um dos raros resquícios desta época. Um muro pórtico com sete arcadas, fechado por portões, liga a extremidade das alas e fecha o pátio, separando-o do jardim.

Palais-Royal

O palácio continua a ser ampliado. No ano anterior, 1633, o cardeal compra alguns terrenos vizinhos para instalar as dependências, principalmente as construções ligadas à cozinha. Na mesma época, ele vende a extremidade do jardim ao empreendedor Barbier. Este último divide a área comprada em 45 lotes, sendo cada um formado por um quadrado com 14 metros de cada lado. Ele se compromete construir casas no local, em um prazo de quatro anos.

Palais-Royal

Nos anos seguintes, os trabalhos continuam, até 1642. No primeiro andar da construção central ficam os apartamentos do cardeal. Os trabalhadores do seu palácio e os serviços ligados à sua função – ele era o mais importante ministro do rei Louis XIII – ocupavam o térreo, o segundo andar e os sótãos. Toda a propriedade tem a forma de um H, com ante-pátio e pátio principal, o que é, então, um formato único na História da Arquitetura e todos os trabalhos posteriores vão respeitar.

Palais-Royal

O arquiteto Lemercier usa a ala direita do anti-pátio para a construção de uma grande sala de espetáculos, que é inaugurada em 14 de janeiro de 1641, com a presença de Louis XIII e de toda a Corte. O então Palais Cardinal, faz sucesso no reino, principalmente pela sua decoração interior. Ao lado do palácio, na atual rue de Richelieu, o cardeal constrói um palacete para abrigar sua biblioteca, o Hôtel de Brion, que mais tarde doa a seu sobrinho-neto.

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Em 6 de junho de 1643, Richelieu dá o palácio a Louis XIII, mas guarda o direito de viver nele até a morte. Quando ele morre, em 6 de dezembro de 1642, seu testamento confirma a doação. Louis XIII morre alguns meses depois, em 14 de maio. Então, a rainha regente, Anne d’Autriche, passa a viver no palácio com seus dois filhos, Louis XIV e Philippe de France. Durante sua estadia, a soberana aumenta o Palais, confiando também os trabalhos a Lemercier. É nessa época, em 1648, que uma praça de 45 metros é construída em frente ao Palácio. A família real fica ali até 1652, quando a Fronde, uma revolta que reúne várias camadas da sociedade, a obriga a voltar para o Louvre.

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Então, o palácio é ocupado por Henriette-Marie, filha do rei Henri IV (pai de Louis XIII) e viúva do rei inglês Charles I. Em 1661, ela se muda dali. É que sua filha, Henriette-Anne, casa-se com Philippe de France, irmão de Louis XIV, e passa a morar no Palais com o marido. Este último havia adquirido o título de Duque d’Orléans, com a morte do tio, Gaston d’Orléans. Nesta época, alguns cômodos da construção são restaurados. Em 1671, Phlippe se casa com Charlotte-Élisabeth de Bavière, conhecida como princesa Palatina. E continua vivendo ali.

Palais-Royal

Até então, o Palais pertencia a Louis XIV. O testamento de Richelieu havia estipulado que somente o rei poderia usufruir da propriedade. Acontece que, em 1692, Louis XIV queria casar sua filha, Mademoiselle de Blois, com o filho de Philippe, que era duque de Chartres. Porém, a moça era filha do soberano com uma das suas favoritas (termo bonitinho para amantes), Madame de Montespan. E a mãe do rapaz, a Princesa Palatina, não via com bons olhos o casamento. Então, para convencer o irmão e a cunhada a permitir o enlace, o rei cede o Palais para Philippe.

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O irmão do soberano fica também com o Hôtel de Brion, que abrigava a Académie Royale de Peinture et de Sculpture desde 1661. Quando esta vai para o Louvre, o duque d’Orléans transforma os cômodos que ela ocupava em apartamentos. E para isso chama Jules-Hardouin Mansart, um dos mais famosos arquitetos da História da França.

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Em 1701, Philippe morre e seu filho, o duque de Chartres, herda suas propriedades e o título de Duque d’Orléans. Começa uma grande campanha de embelezamento do Palais. Os mais famosos artistas da época são chamados para decorar os cômodos. Entre 1708 e 1723, o arquiteto Gilles Marie Oppenord enfeita os apartamentos.

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Quando Louis XIV morre, em 1715, é o duque d’Orléans que se torna o regente. O novo rei, Louis XV, tinha só cinco anos. Assim, o Palais se torna o coração da vida política e artística do reino. Toda a Corte vinha admirar a coleção de arte do duque.

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Em 1723, Louis d’Orléans, filho do regente, herda o palácio. Pouco tempo depois, ele começa a restauração do jardim e para isso contrata Claude Desgots, sobrinho do famoso paisagista do rei, Andre Le Nôtre. Porém, Louis não deixa sua marca no Palais, pois, em 1641, se retira para um monastério, deixando a propriedade para o filho, Louis-Philippe d’Orléans.

Palais-Royal

O novo proprietário regulariza e uniformiza a aparência do Palais, de acordo com o gosto clássico e de simetria da época. Em 1750, ele decide reconstruir as dependências, que ficam na rue des Bons-Enfants, contratando o arquiteto Jean Sylvain Cartaud. Pierre Contant d’Ivry o substitui e termina os trabalhos. Ele também realiza outras obras no palácio, como, por exemplo, a construção de uma capela.

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Em 1763, a Ópera (sala de espetáculos do Palais) pega fogo. A galeria leste do anti-pátio, a escadaria de honra e o telhado da construção principal são destruídos. Nos trabalhos de reconstrução, as fachadas para a praça são regularizadas.

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No final de 1780, Louis-Philippe se muda do palácio e o deixa para seu filho, Louis-Philippe Joseph d’Orléans, que mais tarde seria conhecido como Philippe Égalité. Nessa época, o Palais está como novo e bem transformado. Para viver no local, Philippe deve observar algumas regras. Ele não deve fazer trabalhos no lugar sem ter o dinheiro necessário. E não deve privar o povo do acesso aos pátios e aos jardins.

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Porém, sua maneira de vida luxuosa, acima dos seus meios, faz com que o novo proprietário peça ao rei Louis XVI autorização para vender uma parte do terreno situada na periferia do jardim. Ele espera obter um grande lucro vendendo a área em lotes para comerciantes.

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Assim, sob o comando do arquiteto Victor Louis, acontece o segundo loteamento dos jardins do Palais. Com a nova situação, o pátio de honra é alargado e algumas partes do palácio destruídas. O construtor Jacques Berthault ganha a concorrência pelos terrenos e o contrato é assinado em 1781. Na mesma época, um novo incêndio destrói completamente a Ópera.

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No loteamento, 44 casas são construídas rapidamente e inauguradas em 1785. Mas muita gente já morava ali dois anos antes. Para dissimular as residências, foi construída uma longa fachada com 180 arcadas no térreo, decorada por pilastras que atingem vários andares.

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Somente com a morte do pai, em 1785, o novo duque d’Orléans pode começar a reconstruir a Ópera. Assim, com um projeto de Victor Louis, a reconstrução começa em 1786 em um lugar determinado, onde hoje está a Comédie Française. A nova sala, inaugurada em maio de 1790, pode acolher até duas mil pessoas. Desde 1784, havia também outra sala de espetáculos no Palais, construída pelo mesmo arquiteto. É o Théâtre des Variétés que, no entanto, queima em 1799.

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Desde o começo da Revolução Francesa, em 1789, o Palais-Royal se afirma com um espaço de difusão das novas ideias. Já durante o Império e nos anos seguintes, o comércio e a prostituição tomam conta das galerias do lugar. Tudo é pensado para satisfazer o homem e fazê-lo gastar ali. E o resultado colhido é um sucesso. A área do palácio, com seu jardim e galerias, se torna o centro animado de Paris.

Palais-Royal

Já o Palais-Royal propriamente dito havia mudado de mãos. Com a Revolução, ele foi desapropriado e se tornou bem nacional. E seu antigo proprietário, Louis-Philippe-Joseph d’Orléans, que nessa altura já era chamado de Philippe Égalité, havia sido guilhotinado em novembro de 1793.

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Em 1795, pensam em demolir o Palais-Royal, mas somente sua venda é decidida. Mas, felizmente, apenas os móveis é que são vendidos. Em 9 de novembro de 1799, acontece o Golpe de Estado que inicia o Consulado (o país passa a ser governado por cônsules, onde Napoleão é um deles). O Palais é designado para acolher o Tribunat, uma das assembleias criadas para discutir as leis da nova Constituição. Claude Etienne Beaumont é o arquiteto escolhido para arrumar alguns cômodos para abrigar os legisladores. Em 1801, ele constrói um anfiteatro com uma centena de lugares para os membros da assembleia e galerias para o público. Porém, o Tribunat é dissolvido anos depois, em 1807.

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Já na época do Império, vários usos são discutidos para o palácio. Pensam em implantar ali a Bolsa. De fato, ela funciona no local enquanto as obras do Palais Brongniart são lançadas. Mas, durante todo o reinado de Napoleão, o Palais-Royal tem um papel secundário. O Imperador não era muito apegado a ele.

Palais-Royal

Na Restauração, Louis XVIII determina que todas as propriedades da família d’Orléans sejam restituídas a Louis-Philippe, duque d’Orléans (filho de Philippe Égalité). O duque, que havia voltado do exílio em 1814, passa a dividir o Palais com a irmã Adelaïde. Ela vive ali até a morte, em 1842.

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Louis-Philippe passa, então, a tentar reaver os bens da família que haviam sido vendidos nos anos anteriores. Ele compra até as casas vizinhas na esquina da rue Saint-Honoré e rue de Richelieu, que manda demolir para a construção de dependências para o Palais-Royal e o Théâtre Français. Ele confia o projeto de restauração ao arquiteto Fontaine – o mesmo da Chapelle Expiatoire – e os trabalhos vão de 1817 a 1831.

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Ele tem o cuidado de manter a simetria do palácio, respeitando as construções anteriores. Dois pavilhões simétricos são construídos: as alas de Valois, em 1827, e a de Montpensier, em 1830.

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Em 1830, após uma Revolução no mês de julho (Révolution de Juillet), Louis-Philippe se torna rei dos franceses. No ano seguinte, ele pensa em uma obra para ligar o Palais-Royal ao Louvre e ao Palais de Tuileries (este último destruído em 1871). Mas, como os custos são muito altos, ele abandona a ideia e vai morar no Palais de Tuileries. Mas, sua família, incluindo o filho, o duque de Montpensier, continua a morar no Palais-Royal.

Palais-Royal

Apesar de ser um lugar movimentado, os jardins e galerias do Palais Royal haviam adquirido uma má-reputação. Então, em 1836, Louis-Philippe expulsa os prostíbulos e casas de jogos dali através de um decreto moralizador.

Palais-Royal

Nas insurreições de 1848, o Palais-Royal é saqueado e a ala esquerda do pátio de entrada é incendiada. Durante a II República, ele volta a ser propriedade do Estado e muda de nome, passando a se chamar Palais-National. O então presidente, Louis-Napoléon Bonaparte, usa o lugar em 1850 e 1852 para abrigar um salão anual de arte. O palácio também abriga o Comptoir National d’Escompte, recém-criado.

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Quando o Segundo Império chega, o Palais volta a ser Royal (da realeza), pois torna-se propriedade de Louis-Napoléon Bonaparte, o imperador Napoleão III. Ele aproveita o local para abrigar sua família. Assim, o rei Jerôme de Westphalie – único irmão vivo de Napoleão I – e o filho, Napoléon Joseph Charles Paul, conhecido como príncipe Napoleão, vão viver ali. Em 1858, o lugar abriga também o Ministério da Argélia e das Colônias, do qual o príncipe é titular efêmero. Os interiores são remodelados por Prosper Chabrol.

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Com o final do Segundo Império, em 1870, o Palais volta a ser novamente propriedade do Estado. Com o incêndio de várias construções na cidade provocado pela Comuna de Paris – uma revolta popular -, o palácio passa a acolher várias instituições que precisavam urgentemente de uma sede. Os trabalhos são dados a Wilbrod Chabrol, filho de Prosper. Nessa época, o Palais abriga o Conseil d’État, a Cour des Comptes, a Cour de Cassation e a École de Beaux-Arts. Cada organismo numa parte diferente do palácio.

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Esse projeto de abrigar instituições continua nas décadas seguintes e mesmo no começo do século XX. É na V República que o Palais-Royal abriga as instituições atuais. O Conseil d’État havia se instalado ali definitivamente em 1875. Em 1958, é criado o Conseil Constitutionnel, que ocupa a ala Montpensier. No ano seguinte, o Ministère des Affaires Culturelles é criado e se instala na ala des Valois. Em 1974, ele passa a se chamar Ministère de la Culture.

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Ainda no século XX, aos poucos, o jardim é dedicado à escultura pública, com algumas obras mais polêmicas do que outras. As galerias que o cercam não recuperaram a animação de antes, mas abrigam lojas e restaurantes interessantes.

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Assim, atraindo visitantes ao seu jardim e abrigando o Conseil d’État, o Conseil Constitutionnel e o Ministère de la Culture, e sempre bem cuidado e restaurado, o Palais-Royal voltou a ser um lugar central na vida parisiense.

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A visita

Quando chegamos na Place du Palais-Royal, vemos o palácio em forma de U. Ele foi regularizado pelo arquiteto Pierre-Louis Moreau e se apresenta em três níveis: o térreo com janelas retangulares, encimadas por óculos (aberturas na fachada); o primeiro andar com janelas também retangulares e um nível de sótão, iluminado por lucarnas.

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A construção central deste U tem um avant-corps (parte do edifício mais para a frente) com um andar a mais, decorado por pilastras que suportam um frontão arqueado, onde duas vitórias hoje emolduram um relógio (no lugar dele estavam esculpidas as armas da família de Orléans). Já as duas alas laterais desse U são ligadas por um pórtico com nove arcadas, onde os três arcos centrais dão acesso ao pátio do Conseil d’État. Encimando cada ala, um frontão triangular. O da esquerda, mostra a Justiça e a Força; e o da direita, a Prudência e a Liberalidade, obras de Auguste Pajou.

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Já a fachada da Rue de Valois não apresenta decoração, a não ser o Pavilhão de entrada. Ele corresponde aos trabalhos feitos entre 1752 e 1754 por Contant d’Ivry. É composto por duas portas, que emolduram um arco, que se repete no primeiro andar. Há uma sacada onde as grades possuem o símbolo de Louis-Philippe d’Orléans.

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Além da construção central, o Palais-Royal é composto por duas alas: de Valois e de Montpensier. Elas são terminadas por dois pavihões simétricos, desenhados pelo arquiteto Fontaine, que formam no térreo passagens cobertas. Os peristilos (recintos cercados por colunas) dessas duas alas, mais os dois pórticos da Galerie d’Orléans (que foi demolida em 1830) dão uma grande unidade para a Cour d’Honneur (Pátio do edifício principal).

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Cour d’Honneur

A sua fachada é composta por um arrière-corps (parte do edifício recuada) central e dois avant-corps, um de cada lado. O da esquerda (para quem está de frente para o edifício) foi construído por Fontaine sob as fundações que haviam sido começadas pelo arquiteto Victor Louis. No terceiro nível, há uma balaustrada separada por grandes estátuas. As obras representam Marte, a Prudência, a Liberalidade e Apolo e foram realizadas por Pajou, em 1769.

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O da esquerda apresenta a mesma disposição arquitetônica do primeiro, porém as estátuas são: da Navegação,da Agricultura, do Comércio e da Ciência. Elas são obras de Antoine Gérard e foram realizadas entre 1825 e 1826.

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A Agricultura e a Navegação, de Antoine Gérard

É na Cour d’Honneur que estão duas obras de arte contemporâneas, encomendadas em 1985. A primeira é a instalação de Daniel Buren, chamada Photo-Souvernir: les Deux Plateaux. No chão, é traçada uma malha. No centro de cada uma é instalado um cilindro em preto e branco, que pode ser da altura do solo ou mais alto. Assim, ao longo da Cour d’Honneur há vários cilindros, de diferentes alturas. Na época, a instalação criou polêmica ao misturar uma obra contemporânea em um edifício histórico. Hoje é a alegria dos turistas.

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A segunda obra é Fontaine au Palais-Royal, de Pol Bury. Trata-se de duas composições com dezessete esferas cada, dispostas em uma espécie de prato de onde cai a água. A sua superfície espelhada rende belas fotos da arquitetura ao redor.

Palais-Royal

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As instituições do Palais-Royal

Como vimos, o palácio abriga o Conseil d’État, o Conseil Constitutionnel e o Ministère de la Culture. Cada uma dessas instituições ocupa uma infinidade de cômodos de cada ala e isso é tema do próximo texto, sobre o interior do Palais-Royal.

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O Jardim do Palais-Royal

A Cour d’Honneur substitui o pequeno jardim do Palais-Cardinal. Já o jardim que vemos hoje corresponde ao que Richelieu plantou, que era o grande, decorado por um tanque e por um espelho d’água desde 1633. E, passando os canteiros bem trabalhados, havia um bosque.

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Em 1674, o famoso paisagista André Le Nôtre dá um novo visual ao jardim, com desenhos mais complexos. Seu sobrinho, Claude Desgots, em 1730, realiza mais alguns trabalhos. Quando acontece a construção das galerias, o jardim fica limitado a 226 metros de comprimento por nove de largura. Por ter sido palco de discussões políticas antes e durante a Revolução Francesa, o jardim passa a ser conhecido como Jardin de la Révolution.

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No reino de Charles X, no começo do século XIX, o arquiteto Fontaine modifica a forma do jardim pela última vez. Criado em 1817, o tanque de 25 metros é agora ladeado no eixo longitudinal por dois canteiros estabelecidos em 1824. Em 1909, é instalada a obra Victor Hugo en exile, de Auguste Rodin. Hoje ela está no Musée Rodin. E em 1931, é a vez de Monument au Génie Latin, de Jean-Marie-Joseph Magrou (atualmente, está na cidade de Béziers).

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Em 1992, o paisagista John Mark Rudkin faz “uma restauração” no lugar. Ele concebe os dois gramados, rodeados por canteiros de flores, que são trocadas todos os anos, arrumadas em degradé. Para fechar, portões cobertos por plantas, como as madressilvas e a hera. Como estátuas, o jardim tem Le Charmeur de Serpent (Martial Adolphe Thabard, 1875) e Le Pâtre et la Chèvre (Paul Lemoyne, 1830).

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Martial Adolphe Thabard, Le Charmeur de Serpent, 1875
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Paul Lemoyne, Le Pâtre et la Chèvre, 1830

Uma curiosidade: em 1786, Sieur Rosseau, um relojoeiro ali mesmo das galerias, coloca um pequeno canhão na parte norte do jardim. Através de uma lente que atraía os raios do sol sobre uma meche, o canhão soava todos os dias ao meio-dia. Entre 1891 e 1911, a França vivia a “Hora do Palais-Royal”, controlada pelo canhão (de acordo com uma lei de 15 de março de 1891).

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Isso porque, na época, a hora era controlada pelo sol, através de relógios solares ou meridianos. E um dos meridianos de Paris passava bem ali nos jardins do Palais-Royal. Então, o canhão servia para regular os relógios, por isso ele retumbava ao meio-dia. Com a implantação do sistema de Greenwich, em 1911, o canhão parou de funcionar. Em 1998, o objeto é roubado. Quatro anos depois, é recuperado e colocado de volta no seu lugar no jardim. Hoje, ele retumba todas as quartas-feiras ao meio-dia.

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Galeries du Palais-Royal

Elas foram criadas no século XVIII e são consideradas como as ancestrais das galerias cobertas parisienses. Na época que antecede a Revolução, têm papel central na agitação que reina na cidade. Já no final do século XVIII e começo do XIX, se tornam redutos de jogos e prostituição. Até que o decreto moralizador de Louis-Philippe d’Orléans coloca fim a essas atividades. Desde então, e até hoje, as galerias não atraem mais tantos visitantes, embora tenham várias lojas interessantes.

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Comédie Française

Hoje ela é uma atração independente, mas sua história está intimamente ligada ao Palais-Royal. Em 1799, o Théâtre Français de la République, que havia sido construído por Victor Louis na rue de Richelieu é cedido para a Société des Comediens-Français. Assim, a Comédie Française, como a conhecemos atualmente, abre as portas em 30 de março de 1799.

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Este é o primeiro artigo sobre o Palais-Royal. O lugar é tão grande, que não dá para escrever tudo em um texto e este já está enorme. Na próxima matéria sobre o assunto, vamos ver o interior do palácio. Até lá.

Palais-Royal

Domaine national du Palais-Royal
8, rue Montpensier
75001 Paris
Metrô Palais-Royal-Musée-du-Louvre, linhas 1 e 7.
Horários: de 1 de outubro a 31 de março – aberto todos os dias, das 8h às 20h30. De 1 de abril a 30 de setembro – aberto todos os dias, das 8h às 22h30.
Gratuito.
Para saber mais, veja o site oficial do palácio

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Renata Rocha Inforzato

Sou de São Paulo, e moro em Paris desde 2010. Sou jornalista, formada pela Cásper Líbero. Aqui na França, me formei em História da Arte e Arqueologia na Université Paris X. Trabalho em todas essas áreas e também faço tradução, mas meu projeto mais importante é o Direto de Paris. Amo viajar, escrever, conhecer pessoas e ouvir histórias. Ah, e também sou louca por livros e animais.

Comentários (2)

  • Ruthia Responder    

    21 de maio de 2019 at 12:12

    O Palais Royal é lindo. Eu também adoro passear nos seus jardins. Não sabia que o cardeal tinha oferecido à família real (o normal seria o contrário

  • Marcela Responder    

    23 de maio de 2019 at 9:51

    Passei 3 dias em Paris e adorei a cidade, mas cada vez que leio seu blog sinto que preciso voltar e conhecer mais. O Palais Royal com certeza entra no roteiro! Obrigada pelas dicas

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