Giverny

Giverny – A maior obra-prima de Claude Monet

23 de Março de 2017

Monet foi um dos maiores pintores da História da Arte. E a casa onde ele morou, em Giverny, hoje é um dos lugares mais visitados da França. E para entender o motivo, basta olhar as fotos e as informações deste texto. E, com ele, preparar a sua visita ou seu retorno a este paraíso.

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Claude Monet ficou conhecido mundialmente por ser considerado o líder de um movimento que revolucionou a arte: o Impressionismo. A ideia era sair das regras rígidas da Académie des Beaux-Artes e fazer uma pintura mais livre, baseada na impressão provocada pelo instante. Monet e seus companheiros, excluídos das exposições oficiais, começaram a expor suas obras de maneira independente, a partir de 1874. Essas exposições ficaram conhecidas como Expositions Impressionnistes.

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Os artistas impressionistas demoraram a emplacar suas obras. E vários morreram quase sem reconhecimento, como Alfred Sisley. Monet também enfrentou dificuldades, morando de aluguel em vários lugares diferentes para poder economizar. Mas os tempos melhoram. O pioneirismo de Monet com o Impressionismo vai atrair muitas críticas, mas também pessoas interessadas em seus quadros. E duas delas de fundamental importância para seu sucesso: os negociantes de arte Paul Durand-Ruel e Georges Petit.

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Então, nos meados dos anos 1880, Claude Monet já estava com uma reputação consolidada. Os anos difíceis estavam ficando para trás. E ele ansiava por uma vida mais tranquila, em família. Assim, ao conhecer o vilarejo de Giverny, durante uma de suas saídas para pintar, sentiu vontade ficar ali. E foi o que fez.

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O artista se muda para o lugar em 29/04/1883. Por coincidência, um dia depois morria Edouard Manet, um dos seus grandes amigos e um dos maiores artistas do século XIX. A casa que encantara Monet era conhecida como Le Pressoir e ele a aluga, assinando o contrato alguns dias depois, em 3 de maio. A construção era grande o suficiente para abrigar sua família, composta por ele; sua segunda mulher, Alice Hoschedé; o seis filhos do primeiro casamento dela e os dois filhos de Monet com sua primeira mulher, Camille Monet, morta em 1879.

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Assim, Claude Monet teria a paz e inspiração necessárias para seu trabalho, sem estar longe de Paris, pois Giverny fica no começo da Normandia e perto da Île-d-France (região onde está a Cidade Luz). E quer lugar melhor para um pintor do que um vilarejo com os campos cobertos pelo verde, pela agricultura e por vinhedos, onde as casas mais parecem saídas de um livro de arte?

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Uma das primeiras providências de Monet é reformar a casa e transformar a área do pomar em um belo jardim, o Clos Normand. O artista já era apaixonado por jardinagem desde os tempos em que morava em Argenteuil. Ele vai adquirindo cada vez mais conhecimento do assunto, que aproveita para compor seu jardim. Ele usa as flores de cada estação, combinadas com plantas que ficam verdes o ano todo. Assim, o Clos Normand está sempre bonito, com a mesma diversidade de cores que os quadros de seu dono.

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A partir de 1890, com a situação financeira ainda melhor, Monet compra a casa, assim que ela é posta à venda. O amor do pintor por aquele lugar era tanto, que ele não perdeu tempo. O Clos Normand, o primeiro jardim, se estendia em inclinação suave até a estrada de ferro. Pois, em 1893, o artista resolve comprar também um terreno que vai além dos trilhos, para construir ali um segundo jardim.

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Apaixonado pelo Japão – ele colecionava estampas japonesas desde 1871 -, Monet faz um jardim inspirado no país. Chamado de Jardin d’Eau, ali ele planta chorões, bambus, rododendros, entre outras árvores e plantas. Para poder criar a lagoa, ele pede autorização para a prefeitura da região para poder desviar o curso da água do Rû, um braço do rio Epte, um afluente do Sena que passava pelo seu terreno. Depois constrói uma ponte de inspiração japonesa. O resultado é um jardim magnífico, que encanta seus visitantes.

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Em 1892, Monet havia se casado com Alice, nesta altura também viúva. Ela era a senhora do lugar, supervisionando a cozinha, dirigindo os jardineiros na ausência de Monet – que ainda viajava para pintar – e lidando com o gênio do mestre, que não era fácil.

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O casal era sempre visitado pelos amigos, que se encantavam pela casa e pelos jardins. Dentre as visitas, temos Auguste Renoir, Camille Pissarro, Auguste Rodin, Georges Clemenceau, este último um dos maiores políticos da época e um dos melhores amigos de Monet.

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Com os visitantes que também entendiam de jardinagem, como Gustave Caillebotte, Georges Truffaut e o escritor naturalista Octave Mirbeau, ele trocava dicas, plantas e flores. Também recebia flores diretamente do Japão, enviadas para o artista por seus amigos e colecionadores, Kojiro Matsukata e Madame Kuroki. Todos adoravam partilhar a mesa e os jardins de Monet, isso era considerado uma honra. Assim que a longa refeição terminava – ele adorava comer – o mestre levava seus convidados para conhecer os jardins.

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Assim, os anos passam em Giverny. Na casa, Monet constrói seus ateliês e continua a pintar. O paraíso que ele criou torna-se sua principal fonte de inspiração. Principalmente a lagoa com as Nymphéas, plantas aquáticas que ele plantou no Jardin d’Eau. O mais engraçado é que o artista não tinha a intenção de fazer destas plantas tema de suas obras, como ele mesmo diz: “Uma paisagem não te conquista em um dia. E aí, de repente, tive a revelação da magia da minha lagoa e peguei a paleta. Desde este tempo, não tive mais outro modelo”. Assim, as Nymphéas se tornaram o principal tema nos seus últimos anos de vida. Monet fez nada menos do que 300 obras para o ciclo das Nymphéas, contando não somente os painéis, mas também os quadros e desenhos.

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Em 1911, Alice morre. Em 1914 é a vez do filho do artista, Jean. Com as crianças já adultas e morando longe, ele vive com Blanche, enteada (pois era filha de Alice) e nora ao mesmo tempo, pois era viúva de Jean. Com aptidão artística, ela muitas vezes acompanhava o mestre quando ele saía para pintar. E também cuidava da casa. Era sua “filha” preferida.

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Em 5 de dezembro de 1926, Claude Monet morre aos 86 anos, de câncer, depois de ter passado metade da vida na casa de Giverny. Ele havia terminado havia pouco tempo o conjunto de painéis retratando as Nymphéas do Jardin d’Eau (que hoje, por doação e vontade dele, estão no Musée de l’Orangerie, em Paris). Ao seu lado, nos últimos momentos, a família e o fiel amigo Georges Clemenceau.

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Após a morte de Monet, Blanche continua a viver na casa, apesar de Michel, o filho caçula do artista, ter herdado a propriedade com tudo o que estava dentro. Ela, então cuida do lugar, conservando-o como era nos tempos de Monet e ajudada por um jardineiro chamado Lebret. Porém, Blanche morre em 1947 e logo em seguida Lebret. Apenas um ajudante de jardineiro é contratado para uma manutenção mínima.

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Por isso, não é de se estranhar que a casa e os jardins tenham sido abandonados. Michel, o herdeiro de Monet, não se interessava pela propriedade, preferindo fazer safári na África ou ficar na casa que havia comprado, localizada a quarenta quilômetros de Giverny. Até que, em 1966, ele morre em um acidente de automóvel. Segundo sua vontade, todos os bens de Monet, incluindo Giverny, são doados para a Académie des Beaux-Arts. O que não deixa de ser ironia: a instituição que o artista tanto criticava na época do Impressionismo agora era a herdeira de suas obras e bens.

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Quando passa para as mãos da instituição, o estado da casa e dos jardins é lamentável. O mato havia invadido os jardins, a ponte de estilo japonês estava podre. Nada ali lembrava a presença de Monet. Em um primeiro momento, a Académie, sem recursos, contratou Jacques Carlu, o arquiteto do Palais de Chaillot, para fazer uns primeiros reparos. Assim, ele refaz os telhados, protege a coleção de estampas japonesas – já deteriorada -, e leva o que restou dos quadros, que o mestre também colecionava, para o Musée Marmottan, do qual era diretor.

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Assim como nos tempos de Monet, há várias fotografias espalhadas pela casa

Em 1977, Carlu morre. A Academia, então, chama outro de seus membros, Gérald Van der Kemp, que havia comandado, com sucesso, a restauração do castelo e jardins de Versailles. O estado de Giverny era muito triste: a casa estava caindo aos pedaços, as boiseries (decoração de madeira da parede) e o solo estavam podres, móveis quebrados. Havia mato até no grande ateliê de Monet – onde hoje fica a loja. Os jardins, então, estavam irreconhecíveis.

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Gérald começou uma campanha de mecenato para recuperar de vez a propriedade, completando o orçamento dado pela Academia e pelo Conseil Général de l’Eure (o departamento onde ficava Giverny). Ele adaptou a fundação que construiu para a restauração de Versailles, que passou a se chamar Versailles Foundation Inc. Claude Monet-Giverny. Em todo o processo, ele contou com a participação de sua esposa, Florence. A maioria do dinheiro arrecadado veio dos Estados Unidos, onde Monet tinha muitos admiradores.

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Nos três anos seguintes, grandes trabalhos são realizados. A casa é restaurada, os móveis danificados são substituídos por outros da mesma época ou idênticos, as estampas japonesas são recuperadas. Na parte de fora, os jardins reencontram sua identidade – para isso, Gérald tinha feito cursos de Horticultura e Jardinagem: as árvores mortas são retiradas, os canteiros refeitos, a ponte japonesa reconstruída como a original, com as glicínias que Monet plantou.

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Para que os jardins ficassem exatamente como na época de Monet, tarefa que não era fácil, foram usadas fotografias feitas nos tempos do artista tiradas por Jean Marie Toulgouat, assim como documentos e projetos dos jardins. Até descrições dos amigos que visitavam o mestre em Giverny foram usadas. E o livro de cabeceira para os trabalhos era a obra de Jean Pierre Hoschedé, filho de Alice e adotado por Monet – dizem que era filho do artista –, cujo titulo é Claude Monet ce mal connu (Claude Monet, este desconhecido).

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Em 1º de junho de 1980, a casa e os jardins de Claude Monet são abertos ao público. No mesmo dia, a Fondation Claude Monet é criada, tendo como papel administrar o legado do artista. Hoje, é o segundo lugar mais visitado da Normandia, região da qual faz parte, perdendo apenas para o Mont Saint-Michel.

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Mas, mesmo após a morte de Gérald Van der Kemp (2001), os trabalhos em Giverny não pararam. Principalmente no interior da casa. Vários cômodos foram restaurados, como, por exemplo, o quarto de Blanche. Fora que os jardins são sempre cuidados e reparados, com várias plantas e flores substituídas regularmente, dentro do espírito de cores e luzes do mestre.

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A visita

Para os amantes de arte, de jardim e da beleza, visitar Giverny é emocionante. A casa está como se o pintor ainda morasse ali e nos esperasse para a refeição. A propriedade é a mais fiel possível dos tempos de Monet. Se havia alguma coisa que não pudesse ser restituída através de documentos ou lembranças, a linha adotada seria a de uma casa burguesa de artista do começo do século XX.

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A fachada da casa que dá para a rua é bem simples. Não dá para imaginar o tesouro que se esconde dentro da propriedade. Já a que esta voltada para o interior é mais bela e combina perfeitamente com o belo jardim que a cerca.

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Deste lado, o térreo era elevado em relação ao exterior. Então havia alguns degraus. Monet aumentou a largura deles e também construiu um longo terraço de madeira. As janelas e o próprio terraço foram pintados de verde por Monet. O que combina bem com a cor rosa da casa.

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Petit Salon Bleu (Pequena Sala Azul) – Era usada como salão de leitura e leva este nome por causa dos dois tons de azul, escolhidos por Monet, que predominam ali. Neste cômodo, já começamos a ver a preciosa coleção de estampas do artista. Ela está presente em outros cômodos também e vou dar mais detalhes sobre as obras mais abaixo.

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Epicerie (Dispensa) – Um cômodo bem pequeno, que se comunica com o Salon Bleu. Ali eram guardados alguns alimentos usados na casa, como os chás, especiarias, azeite de oliva, etc. Muitos destes itens eram trazidos de lugares como o Ceilão (hoje Sri Lanka), Ilha da Reunião, etc.

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Salon-Atelier (Sala-Ateliê) – Este foi o primeiro ateliê do artista. Ele trabalha ali até 1899, quando constrói um novo do lado de fora da casa. Quando isto acontece, o cômodo se torna uma sala de estar, onde se tomavam cafés e chás em meio a objetos da família, fotos e quadros do mestre.

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Era ali que ele pendurava algumas das suas obras, que representavam períodos importantes da sua vida. Era como um museu, somente aberto aos privilegiados que o visitavam. Em um cavalete, havia sempre o quadro mais recente para mostrar aos amigos e, talvez, aos compradores.

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Este cômodo foi restaurado em 2011, sob o comando de Hugues Gall e a direção científica de Sylvia Patin, que usou como base fotografias de 1915-1920. A disposição dos móveis e quadros é praticamente a mesma dos tempos do artista. Os quadros de Monet ali expostos são réplicas, encomendadas à Galerie Troubetzkoy, em Paris. Nas informações sobre cada obra, está escrito o museu atual onde podemos visitar a original. Cerca de 80% dos móveis já estava ali. O que faltou foi desenhado por Hubert Le Gall, como, por exemplo, o abajur em bronze igualzinho ao de 1920.

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Uma escada leva ao primeiro andar, onde estão os aposentos privados.

Chambre de Monet (Quarto de Monet) – É aqui que o pintor morre, em 5 de dezembro de 1926, aos 86 anos de idade. O quarto abriga, entre outros móveis, uma escrivaninha do século XVIII. Dali das grandes janelas, Monet tinha uma bela visão de seu jardim, o Clos Normand, e aspirava o perfume da sua roseira favorita, a Rosa Memaid. O artista dormia cedo, às 21 horas, e acordava com a aurora. Devia ser belo ver a propriedade ao nascer do Sol.

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Já pensou acordar com uma vista dessas?

Nesse cômodo ficavam os quadros que Monet apreciava. Obras de artistas que ele admirava, como Eugène Delacroix e Eugène Boudin; dos seus amigos impressionistas, como Renoir e Caillebotte; além de outros pintores mais novos, que ele encoraja, como Paul Signac. Aqui podemos ver bem quais eram os gostos artísticos do mestre. Há até um quadro de Paul Cézanne, Le Le Nègre Scipion, que hoje está no MASP.

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Em 2013, este quarto passou por uma restauração, visando torná-lo o mais fiel possível aos tempos de Monet. Os responsáveis foram os mesmos que reconstituíram o Salon-Atelier. Apesar de não haver fotos do cômodo na época do artista, foi possível saber a disposição das obras através de documentos. Então, foram encomendadas as réplicas, que é o que vemos hoje.

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Chambre et Cabinet de Toilette d’Alice (Quarto e banheiro de Alice) – O quarto de Alice dava para um pequeno cômodo de costura, de onde ela fazia muitas peças para a casa. Vários quadros que, nos tempos de Monet, estavam espalhados pela residência agora estão aqui. Como, por exemplo, dois retratos de Adolphe Pinck representando os pais de Claude Monet em 1839. É curioso as obras estarem ali, pois Alice não conheceu os sogros. Aqui, como em vários cômodos da casa, também estão as estampas japonesas.

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Chambre de Blanche Hoschedé Monet (Quarto de Blanche) – Enteada e nora (pois, além de filha de Alice, era também casada com Jean Monet), Blanche era a “filha” preferida do artista. Chamada de “anjo azul” por Georges Clemenceau, ela saía com o mestre para pintar e tinha talento. Cuidando da casa após a morte de Alice, ela ocupa um papel essencial na vida e obra de Monet.

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Não havia fotos e documentos para reconstituir o quarto de Blanche, mas havia algumas aquarelas pintadas por ela que retratavam o cômodo. Nas partes onde não se tinha nada para servir de base, deduziu-se que eram decoradas como os outros quartos. Ou seja, usando os móveis herdados pela familia Hoschedé, como, por exemplo, a cômoda com pés em forma de patas de leão. A chaminé, que havia sido destruída, foi reconstituída igual a do quarto de Alice. Na parede, entre outras obras, Meule, effet de neige, tela de Blanche Este cômodo foi aberto ao publico pela primeira vez em 2014, quando sua restauração terminou.

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Atrás do abajur, o quadro pintado por Blanche

Salle à Manger (Sala de Jantar) – Depois de descer uma escada, volta-se ao térreo e à esquerda esta a sala de jantar. Ela foi reconstituída nos mínimos detalhes. Era ali que o mestre tomava seu café-da-manhã com a família e, depois da morte de Alice e a partida dos outros filhos, com Blanche. As cores do cômodo, em dois tons de amarelo, foram escolhidas pelo próprio artista.

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Nas paredes, assim como em outros cômodos do térreo, a paixão de Monet: as estampas japonesas. O artista possuía uma coleção de 211, adquiridas desde 1871. Eram, principalmente, de artistas do século XVIII, como Katsushika Hokusai, Utagawa Hiroshige e Kitagawa Utamaro. Elas, assim como vários objetos do interior da casa, mostram a paixão de Monet pela Terra do Sol Nascente. Porém, as estampas que vemos aqui são réplicas. As originais, muito frágeis, estão bem guardadas. A restauração da Sala de Jantar aconteceu na primeira leva de trabalhos na casa, entre 1977 e 1980. Mas sempre são feitas manutenções para que ela continue sempre bonita.

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Cuisine (Cozinha) – Restaurada também de maneira idêntica aos tempos do artista, entre 1977 e 1980, parece que nada mudou desde que ele se foi. O imenso fogão, com vários fornos, nos dá uma ideia do que era cozinhar para tantas pessoas: só a família era composta por dez pessoas e ainda havia os empregados e convidados. Os utensílios, em cobre como nos tempos de Monet, oferecem um belo contraste com o azul do cômodo, cor presente também desde a época do mestre. Era uma cozinha super moderna para o final do século XIX e começo do XX.

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Os Jardins – falamos no plural porque, na verdade, a propriedade possui dois jardins: o Clos Normand e o Jardin d’Eau. Os dois foram desenhados e feitos por Monet, que chegou a contar com a ajuda de sete jardineiros.

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Clos Normand – É o jardim logo ao lado da casa e foi o primeiro feito pelo artista, logo que se mudou para a propriedade. Neste local, havia um pomar. Monet retirou as árvores que faziam sombra demais e plantou algumas espécies frutíferas ornamentais, como as cerejeiras e macieiras, dentre outras. Apaixonado por flores, ele encheu seu jardim de tulipas, rosas, peônias, margaridas, miosótis, só para citar algumas. Usava uma combinação de cores que, junto com a luz que era abundante, provocava o mesmo efeito de deslumbramento que seus quadros. Esta variedade de flores fazia com que o jardim ficasse florido de abril a outubro.

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Para a restauração do Clos Normand – assim como do Jardin d’Eau – Gérald Van der Kemp contou com a ajuda do jardineiro Gilbert Vahé. Estas áreas foram recuperadas também na primeira leva de trabalhos, entre 1977 e 1980. Procurou-se ser o mais fiel possível aos tempos de Monet. Além de documentos e fotos, foram usados como base os próprios quadros do artista onde ele retratava o jardim. Até um artigo de Georges Truffaut para a revista Jardinage, de 1928, foi usado. Nele, o amigo jardineiro e fornecedor de plantas de Monet, descreve os jardins nos tempos em que visitou o mestre. As plantas que saíram de circulação foram substituídas por outras semelhantes.

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Jardin d’Eau – Antes para chegar a este jardim era preciso atravessar a estrada de ferro. Agora, basta usar uma passagem subterrânea. Neste lugar, a paixão de Monet pelo Japão se traduz em forma de jardim. Aqui o artista colocou em prática todo o talento de jardineiro, aperfeiçoado nos livros de jardinagem, trocas com os amigos e exposições que ele visitava. O centro da composição é a lagoa, que reflete em suas águas toda a exuberância das plantas ao redor e o efeito desses reflexos muda de acordo com a luz de cada hora do dia. Ou seja, é o Impressionismo em forma de jardim.

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Para aumentar o ar nipônico do local, ele construiu uma ponte japonesa, cujo verde, da mesma cor que ele usou na casa, faz um belo contraste com a vegetação em torno. E, ainda por cima, a cobriu com glicínias, que, ao florescerem no verão, formam um quadro de tirar o fôlego. Na lagoa, ele colocou nymphéas, que são plantas aquáticas, brancas, amarelas e rosas, cujos reflexos na água fazem com que elas pareçam estar em um número três vezes maior. Em todo o Jardin d’Eau foram plantados chorões e bambus, estes últimos reforçando o ar japonês do local.

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Antes da restauração de 1977, este jardim estava acabado. As plantas podres e as margens da lagoa estavam cheias de buracos cavados por ratos. O estado da água era lamentável: turva e tomada por algas.

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Durante os trabalhos, as árvores e plantas ainda vivas foram podadas e suas raízes reforçadas. A lagoa foi recuperada e os buracos das margens foram fechados para evitar novos ratos. A ponte japonesa foi reconstruída idêntica à original. Assim, o Jardin d’Eau voltou com a beleza que tanto inspirou Monet. A estufa, onde ele conservava as flores e plantas para depois plantá-las nos jardins, também foi restaurada e tem a mesma finalidade da época do artista.

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No final da visita, ainda vemos um galinheiro, com umas galinhas diferentes, e o último ateliê do artista, construído em 1916, no exterior da casa. Ali, Monet inovou, usando uma iluminação zenital, ideal para terminar os seus grandes painéis das Nymphéas. Nesta época, ele já estava afetado pela catarata. Era um típico ateliê do começo do século XX e que hoje abriga a loja da Fundação Claude Monet.

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Fondation Claude Monet – maison et jardins
84 Rue Claude Monet
27620 Giverny
Horários: De 24 de março a 1º de novembro de 2017: todos os dias, das 9h30 às 18h.
Tarifas: 9,50 euros. Crianças com mais de 7 anos: 5,50 euros. Crianças até 7 anos não pagam.
Bilhete com o Musée Marmottan-Monet: 16,50 euros. Estudantes: 10 euros. Crianças de 7 a 12 anos: 8,50. Gratuito para menores de 7 anos.
Bilhete com o Musée de l’Orangerie: 18,50 euros. Data limite da venda de bilhetes combinados: 10 de outubro.

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Como ir para Giverny
Em Paris, na estação Saint-Lazare, pegar o trem para Vernon. O trajeto dura em torno de 50 minutos. Saiba mais sobre informações e horários dos trens no site da SNCF.
Ao lado da estação de Vernon, pegar o ônibus para Giverny. Ele custa 8 euros, ida e volta, e a viagem dura cerca de 10 minutos. Você vai descer na entrada do vilarejo, que é pequeno. Para saber os horários do ônibus, clique neste link
Para voltar, é só pegar o ônibus no mesmo lugar em que desceu.
Você também pode ir para Giverny com um dos parceiros do blog: a ParisCityVision ou com a França entre amigos

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Renata Rocha Inforzato

<p>Sou de São Paulo, e moro em Paris desde 2010. Sou jornalista, formada pela Cásper Líbero. Aqui na França, me formei em História da Arte e Arqueologia na Université Paris X. Trabalho em todas essas áreas e também faço tradução, mas meu projeto mais importante é o Direto de Paris. Amo viajar, escrever, conhecer pessoas e ouvir histórias. Ah, e também sou louca por livros e animais.</p>

Comentários (15)

  • Patrícia Responder    

    25 de Março de 2017 at 20:21

    Que post completo!!! Maravilhoso! As fotos estão lindas, obrigada por compartilhar! E as informações super úteis! Gosto muito do seu site, parabéns!

  • Michela Responder    

    26 de Março de 2017 at 2:10

    Já tinha ouvido falar dos jardins (claro!!) e já tinha vontade de visitá-lo (mas ainda não consegui ir a Paris fora do inverno), mas nossa, não sabia de toda essa história por trás da casa! Apaixonante, é a própria arte em forma de casa!! Post muito completo, parabéns!!

  • Oscar | www.viajoteca.com Responder    

    26 de Março de 2017 at 11:02

    Post Lindo Renata!!
    Adoraria conhecer Giverny pessoalmente um dia. O máximo que eu já fiz foi ir a uma exposição sobre Giverny e os Jardins de Monet no Jardim Botânico de Nova York. Estive em Paris quando morava na Alemanha e só durante final de semana e a única escapada que dei foi até Versailles. Preciso voltar urgentemente.. Até cogitei ir ao III EBBV, mas como não moro na Europa não posso participar. Se bem que gostaria de visitar esses jardins no final da primavera 🙁

    • Renata Rocha Inforzato Responder    

      15 de Abril de 2017 at 23:37

      Oi Oscar, obrigada. Lembro do seu sobre os jardins em Nova York, acho que até comentei. Espero que você venha logo e possa ir a Giverny. E tomar um café comigo. beijos

  • Juliana Moreti Responder    

    26 de Março de 2017 at 23:01

    Maravilhoso!
    Como não ver os quadros de Monet nestas fotos!
    Não precisa ser amante de arte para querer apreciar este local! Simplesmente encantador!

  • Dayana Responder    

    27 de Março de 2017 at 11:01

    Post lindo! Dúvida básica: quando fui no Giverny, estavam proibindo de tirar fotos internas da casa. Agora é permitido?

    • Renata Rocha Inforzato Responder    

      15 de Abril de 2017 at 23:35

      Sim, desde que eles substituíram as estampas pelas réplicas, acho que faz uns três anos. Obrigada pelo comentário, beijos

  • Marlene Marques Responder    

    27 de Março de 2017 at 22:56

    Que casa maravilhosa! Acredito que Monet tenha ido buscar muita inspiração e tranquilidade para criar ali. E aquele jardim de inspiração japonesa é simplesmente magnífico! 🙂

  • vânia hirata Responder    

    17 de Abril de 2017 at 20:47

    Post excelente, cheio de informações históricas e interessantes. Renata você sempre supera as expectativas!. Tive o privilégio de conhecer este lugar mágico, mas com este post deu mais vontade de retornar e apreciar cada cantinho que você descreveu!.

  • Direto de Paris - Jornalismo em Paris Responder    

    9 de junho de 2017 at 10:39

    […] Como ir a Giverny – De Paris, da estação Saint-Lazare, pegar o trem até Vernon. E ali mesmo na estação de Vernon, há ônibus saindo para Giverny. A viagem toda dura mais ou menos uma hora (50 minutos no trem e 8 minutos no ônibus). Para saber mais sobre a Casa e Jardins de Monet, e como ir até lá, veja o post sobre Giverny. […]

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