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Dijon

Dijon – Além da terra da mostarda

22 de outubro de 2020

Dijon é um dos lugares mais interessantes da França. Conhecida principalmente por causa da sua mostarda, é uma cidade que guarda tesouros históricos, artísticos e, é claro, gastronômicos.

Dijon

É a capital da região de Bourgogne-Franche-Comté, e tem um pouco mais de 160 mil habitantes (2017). Se contarmos a região metropolitana, o número para para. A importância da cidade se explica por sua história, que remonta antes dos tempos dos romanos.

Centro Histórico

No lugar onde hoje está Dijon havia um pequeno povoado chamado Divio que foi fundado pelo povo gaulês Lingons. Na época do Império Romano, era uma etapa na rota antiga que ligava a Itália à Europa do Norte e Oeste. Porém, quase não há indícios sobre a cidade naquela época, à parte alguns objetos, vestígios e ruínas encontrados. Sabemos que havia uma muralha, construída provavelmente no final do século III.

Porte Guillaume

Com certeza, Dijon foi ocupada pelos burgondes mais ou menos no ano de 480. Esse povo germânico é o responsável pelo nome da região: Bourgogne (Borgonha). O reino criado por eles vai de Dijon indo pelo leste passando por onde hoje é Genebra até quase a Provence.

ruas do centro histórico

Dijon propriamente dita só é mencionada no século VI por Grégoire de Tours, que descreve uma cidade dentro de uma região rica. Ou seja, na Alta Idade Média, Dijon já era próspera. Em 1016, ela se torna capital sob o reinado de Robert I.

Casas preservadas

Alguns anos depois, em 1032, começa a linhagem dos duques de Bourgogne, que vai ter poder em boa parte da Europa Ocidental. Assim, elevada como capital de um ducado, Dijon vai ganhar influência sobre outras cidades da região. Além de ter liberdade na sua administração e Justiça, a cidade ganha uma nova muralha, que é o setor histórico atual. É nesse período que aparecem os primeiros hospitais e escolas.

Dijon
Jardin Darcy

Em 1361, o duque de Bourgogne, Philippe de Rouvres, morre de peste com 17 anos e não deixa descendentes. Então, o rei da França, Jean II, conhecido como Jean le Bon, toma o ducado vago e o dá ao filho Philippe. Este havia salvado o pai da morte durante a batalha de Poitiers, contra os ingleses, na Guerra dos Cem Anos, e era conhecido como Le Hardi, que significa ousado ou corajoso.

Igreja Saint-Michel

E ele era realmente ousado, pois se casa com a pretendente do antigo duque, Marguerite de Flandre. Ela era dona das terras mais ricas da Europa: os Flandres, que se estendem onde hoje está o norte da França e a Bélgica. Começava a era de ouro do ducado: a da dinastia Valois (mesma dinastia dos reis da França, pois, como vimos, o duque era filho do rei francês).

Dijon

O duque de Bourgogne se torna, então, um dos nobres mais ricos da Europa. Ele e seus descendentes vão mexer com o destino do continente durante um século, principalmente durante a Guerra dos Cem Anos (que opõe a França contra a Inglaterra). O ducado da Bourgogne se torna um verdadeiro Estado e Dijon, como sua capital, não para de crescer.

Maisons Pan de Bois

É nessa época que a cidade começa a se especializar na produção de vinho e tecido. Construções grandiosas se espalham para atestar o poder dos duques e grandes artistas da época, séculos XIV e XV, são chamados para trabalhar em Dijon. A cidade se torna uma capital artística, uma das mais importantes do período.

Dijon

O filho de Philippe le Hardi, o primeiro duque Valois, era Jean sans Peur (Sem Medo). Como o nome deixa supor, ele era briguento e queria impor sua influência no reino da França. Ele chega mesmo a mandar matar o primo, Louis, Duque de Orléans e irmão do rei, o que provoca uma guerra civil no reino, conhecida como a Guerra entre os Armagnacs e os Bourguignons. Mais detalhes deste conflito estão no texto sobre a Tour Jean sans Peur (a residência que o duque de Bourgogne mantinha em Paris e que pode ser visitada).

Janelas enfeitadas

Quando Jean sans Peur é assassinado, em 1419, quem assume o ducado da Bourgogne é o filho Philippe, conhecido como Philippe le Bon (O Bom). Ele é o responsável por inúmeras melhorias em Dijon, como, por exemplo, a reforma que transforma a antiga residência dos duques em um verdadeiro palácio. A cidade mais parece capital de um reino e não de um ducado. O duque era tão poderoso que diziam que os banquetes que oferecia duravam uma semana. E que ele teve mais de 30 amantes e 17 filhos bastardos.

Dijon

Mas essa época de glória acaba quando o filho de Philippe le Bon, Charles, conhecido como Le Téméraire (O Temerário), assume o ducado. Assim como o avô, Jean sans Peur, Charles gostava de guerrear. Ele queria restabelecer o antigo reino dos Burgondes (o formado pelos bárbaros, que ia de Dijon até quase a Provence). Para isso, ele precisava vencer e dominar a França. Depois de muitos conflitos com o rei francês, Louis XI, e seus aliados, Charles é morto em Nancy em 5 de janeiro de 1477 pelas tropas de René, duque de Lorraine. Seu corpo foi encontrado na neve dias depois: os lobos haviam devorado a metade. Assim, é o fim do Ducado da Bourgogne.

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O rei Louis XI, com o apoio da elite da cidade, afasta a filha de Charles, Marie, de ocupar as terras do pai. Assim, em 1477, Dijon se torna parte do reino da França. A parte do ducado onde hoje fica a Bourgogne (Borgonha) vira francesa, mas outras terras que pertenciam ao duque não. Algumas camadas da população não concordam com o apoio dos nobres ao rei e promovem uma rebelião, que logo é sufocada e os líderes decapitados.

Dijon

Louis XI dá um Parlamento e certas liberdades a Dijon que recupera boa parte do seu poder. Para melhor administrar a região, Louis XI nomeia um intendente na cidade. Começa uma época de prosperidade para Dijon, que vai durar muito tempo.

arquitetura Borgonha

Mesmo a Revolução Francesa, no final do século XVIII, não altera muito a vida no local. No início, os viticultores e a população em geral se revoltaram com a alta dos preços e com os resultados do inverno rigoroso e tomam a Tour Saint-Nicolas, como se fosse a Bastilha local. Mas logo, tanto as camadas populares quanto a elite intelectual aderem às novas ideias. Embora alguns monumentos tenham sido destruídos, muitas igrejas são reconvertidas, o que faz com que escapem da destruição.

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Dijon será mais afetada pelas mudanças durante o século XIX. Em 1808, é aberto o Canal da Bourgogne, ligando Dijon a Saint-Jean-de-Losne. A universidade, fechada durante a Revolução, é restabelecida e ganha novos cursos.

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Em 1832, nasce em Dijon um dos seus mais ilustres filhos: Gustave Bonickhausen, mais conhecido como Gustave Eiffel. Mas o engenheiro só realizou uma obra para a cidade: uma ponte, que será destruída durante a Segunda Guerra Mundial. E depois de 1891 nunca mais pisou ali, magoado por não ser indicado por Dijon para ser senador.

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Já alguns anos depois, em 1851, o trem chega à cidade. Antes a viagem de Dijon a Paris demorava dias. Com a estrada de ferro, a contagem será em horas. O próprio Presidente da República e futuro Imperador, Louis-Napoléon Bonaparte, vem até Dijon inaugurar a obra.

Place

Porém, a Guerra de 1870 da França contra a Prússia vem perturbar a vida no lugar. Na ocasião, até Giuseppe Garibaldi vem lutar na cidade, na segunda batalha de Dijon, em janeiro de 1871. No entanto, ele é derrotado e os prussianos ocupam a cidade até outubro do mesmo ano.

Parc de l'Arquebuse

Após a guerra, Dijon também recebe muitos exilados da Alsácia e da Lorraine, regiões que foram para as mãos da Prússia. Com isso, a cidade fica mais perto da fronteira. Esses novos habitantes vão mudar a vida econômica do lugar tanto como consumidores quanto como comerciantes.

Dijon

Dijon também recebe muita mão-de-obra vinda do campo, acompanhando o desenvolvimento das indústrias. Inspirado nas modificações que o prefeito Haussmann fazia em Paris, um grande plano de urbanismo modifica a cidade, destruindo as muralhas e outras construções defensivas e criando bulevares. Também ocorre o desenvolvimento das fábricas, que empregam 10 mil assalariados no final do século XIX. Ao mesmo tempo, a atividade vitícola praticamente acaba.

Dijon

Já no século XX, o lugar não sofre muito as consequências diretas da Primeira Guerra. Mas, por estar perto da Alemanha, tem uma grande movimentação militar francesa. As indústrias de Dijon participam do esforço de guerra e a cidade constrói hospitais militares.

Hôtel Rolin
Hôtel Rolin – Sede dos arquivos do departamento da Côte-d’Or

Porém, durante a Segunda Guerra a cidade é ocupada de junho de 1940 a setembro de 1944. Metade da população foge e a cidade sofre bombardeios. É nessa época que aparece o Chanoine (cônego) Kir, um pároco do interior, que já havia ganhado a simpatia de muitos por seus discursos inflamados durante o período entre guerras. Por suas posições políticas anti-germânicas, em 1944 ele escapa por pouco de um atentado e se torna uma das principais figuras da Resistência contra os alemães na região.

Dijon

Em 1945, já com 69 anos, ele se torna deputado e prefeito de Dijon. Vai governar por 22 anos. Com certeza esse nome, Kir, lhe é familiar, não? É que a bebida Kir foi batizada assim por causa desse religioso. É que ele popularizou o costume de servir vinho branco com cassis nas recepções da prefeitura da cidade. Porém, dizem que essa tradição já ocorria desde 1904 com um prefeito anterior, chamado Henri Barabant.

Dijon

Dijon desde o final da guerra não parou de crescer. Hoje, é uma das principais cidades do turismo na França, atraindo visitantes não somente pela sua beleza, mas também por seus produtos típicos, como a mostarda, o cassis, o pain d’épices, etc. Além da sua tradição vitícola e de ser um dos pontos de partida para a Rota dos Vinhos da Borgonha. E tudo isso a pouco mais de 300 quilômetros de Paris.

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O que ver em Dijon?

Dijon tem muitas atrações. Vou listar abaixo os lugares que visitei durante as minhas estadias na cidade.

1) Palais des ducs et des États de Bourgogne – Era o palácio dos duques da Bourgogne. O primeiro castelo ali construído data da época dos duques da dinastia dos Capétiens (Capetos). Em 1365, o primeiro dos grandes duques da Dinastia Valois, Philippe le Hardi, começa a modernizar o castelo com a construção de uma torre. Mas é o neto dele, Philippe le Bon, que vai reconstruir o lugar.

Palais des ducs

Um dos destaques desta época são as cozinhas ducais, construídas em 1433, que ainda podemos visitar. Inteiramente cobertas por abóbadas, elas possuem seis chaminés onde se podia assar um boi inteiro em cada uma.

Cozinhas duques Bourgogne

No século XVII, a administração da Bourgogne precisa de edifícios administrativos e obtém autorização para construir no prolongamento do antigo palácio. As obras começam em 1681, sob a direção do arquiteto Daniel Gittard e seu colaborador Martin de Noinville. A partir de 1685, Jules Hardouin-Mansart assume os trabalhos. Um dos maiores arquitetos da História da França, ele era o criador, dentre outras obras, das praças Vendôme e Victoires.

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As partes antigas do castelo são, em grande parte, escondidas ou incorporadas nas novas construções. Os anos vão se passando e as obras continuam, agora sob a direção, respectivamente, de dois outros grandes arquitetos: Robert de Cotte e Jacques Gabriel. Por fim, Charles-Joseph Le Jolivet assume a obra entre 1782 e 1786. Porém, mal a construção do Palais des États é finalizada e a Revolução Francesa começa. O lugar é, então, confiscado pelo governo revolucionário, sendo recomprado pela cidade de Dijon em 1831.

Dijon

Hoje, o palácio abriga o Hôtel de Ville (prefeitura) de Dijon e o Musée des Beaux-Arts. Nele, estão os túmulos dos duques Philippe le Hardi e Jean sans Peur. Eles ficavam na Chartreuse de Champmol e foram transferidos ali em 1827.

Túmulo duques Bourgogne

Palais des ducs et des États de Bourgogne
Place de la Libération
21000 Dijon
Horários do Musée des Beaux-Arts: De 1º de outubro a 31 de maio – De quarta a segunda, das 9h30 às 18h. De 1º de junho a 30 e setembro, De quarta a segunda das 10h às 18h30. Fechado às terças, 1º de janeiro, 1º e 8 de maio, 14 de julho, 1º e 11 de novembro e 25 de dezembro.
Tarifas: Gratuito para a visita do acervo permanente do museu.

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2) Tour Phillipe-le-Bon – Também faz parte do palácio. Realizada entre 1450 e 1460, por Philippe le Bon, possui 46 metros de altura e simbolizava o poder dos duques da Bourgogne. Podemos subir nela, de onde temos uma vista maravilhosa de Dijon. Sua escada em caracol, com 316 degraus, já é uma obra de arte, pois é ricamente decorada com motivos que vão de cachos de uva a escargots.

Dijon

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Decoração da torre Philippe le Bon

Tour Philippe-le-Bon
Palais des Ducs de Bourgogne
21000 Dijon
Horários: Baixa estação – segundas, às 11h e 14h30. Terças, às 14h, 15h e 16h. Sábados, às 11h, 12h, 14h, 15h e 16h. Domingos, às 11h, 12h, 14h e 15h. Alta estaçao – segundas, às 11h e 14h15. Terças, quartas, quintas, sextas, sábados e domingos, às 10h30, 11h15, 12h, 13h45, 14h30, 15h15, 16h e 16h45.
Tarifas: 5 euros. Reduzida: 3 euros. Comprar os bilhetes no Office de Tourisme de Dijon.

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3) Place de la Libération – Antigamente, era chamada de Place Royale. No final do século XVII, na mesma época em que o Palais des États estava sendo reconstruído, é decidida a realização de uma praça para completar o conjunto arquitetônico. O projeto é de Jules Hardouin-Mansart, que já estava trabalhando no palácio. Com arcadas em semicírculo e uma balaustrada, a praça teria uma estátua equestre de Louis XIV no centro, como era de praxe em praças royales (reais).

Praça vista do alto

A escultura é encomendada em 1686 a Etienne le Hongre e fica pronta em 1690. Porém, ela é terminada longe de Dijon e era preciso pensar em como transportá-la. Assim, ela vai de barco até Auxerre, onde fica mais de 20 anos parada por falta de meios para trazê-la a Dijon. Ela chega, enfim, na capital da Bourgogne em 1720, é inaugurada em 1725. No entanto, é destruída em 1792 durante a Revolução, sendo seu bronze usado para fazer canhões.

Place de la Libération

Rebatizada várias vezes, foi no final da Segunda Guerra Mundial que ela ganha o nome atual. Por muito tempo foi usada como estacionamento, sendo restaurada em 2006 pelo arquiteto Jean-Michel Wilmotte. Hoje, banhada por muitas fontes, também obras de Wilmotte, a praça é um dos mais belos locais de Dijon e bem animada, cercada pelo Palais des États e por bares e restaurantes.

Fontaines place de la libération

4) Square des Ducs – Fica atrás do Palais des États e está no lugar do antigo jardim de Marguerite de Flandre, mulher de Philippe le Hardi. Ela mantinha um pequeno zoológico ali, com vacas, vários tipos de pássaros e até um avestruz. A configuration atual data de 1863. No meio do square está uma estátua de Philippe le Bon, obra de Henri Bouchard, de 1955.. Há, também, no jardim vários vestígios arqueológicos.

Square des Ducs

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5) Place François-Rude – Para mim, é a praça mais charmosa de Dijon. Cercada por casas preservadas, que se tornaram bares e restaurantes, tem em seu centro a estátua do O’Bareuzai. No dialeto da Bourgogne, O’Bareuzai quer dizer viticultor e também aquele que pisa as uvas para o vinho tinto, e que por isso fica com a parte baixa da perna (bas) manchada de rosa (rosé), ou seja, bas rosé, que na fonética francesa soa como Bareuzai. Mas a verdade é que ninguém tem certeza da origem do nome.

Place Rude

Já a estátua, obra de Jules Gérard, foi instalada ali depois da Segunda Guerra. Ela foi uma das obras salvas do apetite alemão de derreter as estátuas da cidade. O nome da praça, François Rude, é em homenagem a um dos escultores do Arco do Triunfo de Paris, que nasceu em Dijon.

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6) Rue de la Liberté – É a principal rua da cidade, cheia de vários tipos de comércio. Longa, com 800 metros de comprimento, ela vai descendo da Porte Guillaume até o Palais des États. O seu traçado data de 1724 e originalmente ela era chamada de rue des Princes de Condé. É no final da Segunda Guerra que ela ganha seu nome atual, rue de la Liberté. Em 2012, a rua é restaurada e passa a ser completamente reservada aos pedestres.

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7) Jardin Darcy – Ele data de 1880 e foi concebido pelo arquiteto Félix Vionnois. O lugar apresenta as características dos jardins da época: com terraços, balaústres, rampas, cascatas e belos canteiros coloridos. Era um meio de aproveitar um antigo reservatório de água subterrâneo que ficava no centro da cidade e fora construído por Henry Darcy em 1838.

Jardin Darcy

O jardim é marcado por algumas obras de arte, como uma réplica do Ours Blanc, de François Pompon, realizado pelo amigo Henri Martinet em 1937. O original dessa obra fez muito sucesso no Salão de Outono de 1922. E a réplica era uma homenagem a Pompon, nascido na região e que havia falecido pouco tempo antes.

Ours Blanc

Outra obra presente ali é o busto do homenageado do jardim, Henry Darcy, obra de François Jouffroy, que fica no monumento do reservatório. Darcy era um engenheiro hidráulico responsável pelo abastecimento em água corrente na cidade e também pela estrada de ferro.

Dijon

Darcy

Jardin Darcy
Place Darcy
21000 Dijon
Horários: das 7h30 ao pôr-do-sol.

Dijon

8) Porte Guillaume – Símbolo da entrada no centro histórico, é o arco do triunfo da cidade. A porta atual foi construída entre 1786 e 1788 no lugar de uma antiga porta medieval, que fazia parte da muralha de Dijon. Foi realizada para a glória do príncipe de Condé, governador da Bourgogne. Mas hoje ela tem o nome de Guillaume como uma homenagem a Guillaume de Volpiano, religioso italiano, responsável pela construção, administração e modernização de vários edifícios religiosos na Idade Média. Um dos relevos da porta mostra uma alegoria simbolizando a cidade de Dijon.

Porte Guillaume

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9) Parc de l’Arquebuse ou Jardin Botanique de l’Arquebuse – Pelo número de plantas, é um dos primeiros jardins botânicos do mundo, com cerca de 3500 espécies vegetais, na sua maioria plantas da região. Possui um arboretum com espécies notáveis, arrumado como em um parque romântico. Como atividade científica, além de uma grande biblioteca e de um herbário, a equipe do jardim edita um catálogo que é distribuído pelo mundo todo.

Parc Arquebuse

Na verdade, o jardim botânico em Dijon foi criado em 1771 por Bénigne Legouz de Gerland, mas ficava em outro lugar. Ele foi transferido para a localização atual em 1883. O Arquebuse também abriga o Musée d’Histoire Naturelle, que ocupa os pavilhões construídos no século XVII pelos cavaleiros de l’Arquebuse. No fundo do jardim, estão a Orangerie, que acolhe exposições temporárias, um viveiro, uma colméia e o planetário.

Musée

Parc de l’Arquebuse
14, rue Jehan de Marville
1, Avenue Albert-1er
21000 Dijon
Horários: aberto todos os dias, das 8h ao pôr-do-sol.
Muséum (Musée d’Histoire Naturelle): aberto às segundas, quartas e sextas, das 9h às 12h30 e das 14h às 18h. Sábados e domingos, das 14h às 18h.

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10) Chartreuse de Champmol et Le Puits de Moïse- Fundada em por Philippe le Hardi no final do século XIV para ser a nécropole dos duques de Bourgogne. Para a sua construção, o duque mandou vir grandes artistas da época, tais como Claus Sluter, Claus de Werve, Antoine Le Moiturier, Jean de Marville e Juan de la Huerta.

Puits de Moïse
Puits de Moïse

Todo o conjunto é desmantelado durante a Revolução Francesa. O que restou foram apenas a tourelle (torrezinha) do oratório ducal, o portal da igreja, concebido por Jean de Marville e decorado por Claus Sluter, e o chamado Puits des Prophètes ou Puits de Moïse, que ficava no claustro da abadia.

Dijon
A torrezinha (tourelle)

O Puits (em português poço), realizado em 1405, é uma das obras-primas da escultura medieval. O que vemos hoje são os vestígios de um antigo calvário que ficava no meio de um poço, no claustro do monastério. A obra representa o rei Davi, Moisés, os profetas Daniel, Isaías, Jeremias e Zacarias, além dos anjos.

Esculturas

Realizadas por Claus Sluter, artista holandês, as esculturas nos surpreendem pelo realismo nas expressões e nos detalhes. Dá para ver até as veias da cabeça de Moisés. É incrível! Já os anjos têm gestos infantis e charmosos. Hoje, o lugar onde ficava o monastério é ocupado por um hospital, mas, além da visita ao Puits de Moïse, vale a pena passear pelo parque do hospital e ver os outros vestígios da Chartreuse.

Dijon

Dijon

Chartreuse de Champmol et Puits de Moïse
Centre Hospitalier Spécialisé La Chartreuse 1, boulevard du Chanoine Kir
21000 Dijon
Horários: em março, terça, sábado e domingo, das 9h30 às12h30 e das 14h às 16h30.
De abril e setembro, todos os dias, das 10h às 12h30 e das 14h às 17h.
De outubro a fevereiro, terça, sábado e domingo, das 10h às 12h30 e das 14h às 16h30.
Tarifas: 3,50 euros/ Reduzida: 2,50 euros.

Dijon

11) As igrejas de Dijon – Para quem gosta de história e arquitetura religiosa, elas são uma atração à parte. Duas delas merecem destaque. Uma é a catedral Saint-Bénigne, que fica no lugar da igreja de um monastério do século VI, dedicado ao santo. O edifício atual começou em 1280 e terminou no começo do século XIV.

igreja
Catedral Saint-Bénigne

A segunda igreja de destaque é a Notre-Dame. Construída entre 1210 e 1240, ela surpreende já na fachada, por suas falsas gárgulas, que foram, inclusive, mencionadas por Henry Miller, no livro Trópico de Câncer, de 1934.

Igreja Notre-Dame
Igreja Notre-Dame

É nela que está Notre-Dame-du-Bon-Espoir, do século XI, a mais velha das estátuas talhadas em madeira da França. Os habitantes de Dijon atribuem a ela a liberação da cidade em 1513 e em 1944. A pequena coruja (chouette), localizada no canto de um contraforte externo da igreja, batiza a rua (rue de la Chouette) e se torna o símbolo de Dijon. Dizem que devemos acariciá-la com a mão esquerda e fazer um desejo, que ele será atendido.

Chouette

12) Os Museus de Dijon – Além do Musée des Beaux-Arts, um dos mais antigos da França, Dijon tem excelentes museus. Há um museu especialmente dedicado a Arqueologia, que fica em uma antiga abadia; há o de Arte Sacra, de História Natural e outros. Um dos que mais gostei foi o Musée de la Vie Bourguignone Perrin-de-Puycousin, que retrata a história da vida e costumes da região.

Dijon
Musée de la Vie Bourguignone

13) O Centro Histórico de Dijon – Além das atrações mencionadas acima, o centro histórico da cidade abriga mais de 3 mil construções de várias épocas, sendo um dos maiores conjuntos preservados da França. Tombado em 1966 e Patrimônio Mundial da UNESCO desde 2015, qualquer intervenção, tanto nos edifícios quanto nas ruas, deve ser bem calculada e autorizada.

Dijon

Alguns palacetes (em francês Hôtels Particuliers) são impressionantes. Como, por exemplo, o que foi construído por Henri Chambellan, uma espécie de prefeito da cidade em 1490. O edifício, situado na rue des Forges, é um belo exemplo do gótico flamboyant. Na mesma rua, a Maison Maillard impressiona com sua fachada do Renascimento. A Maison des Cariatides é bem interessante e bela. Situada na na rue Chaudronnerie, ela se destaca por suas atlantes e cariátides perto de cada janela dos andares. Ela foi construída para a família Pouffier, mercadores de sucesso na época do Renascimento.

Hotel Chambellan
Hôtel Henri Chambelan
Dijon
Maison des Cariatides

Há, também, a Maison Millière, na rue de la Chouette. Hoje, a casa abriga um restaurante, com pratos deliciosos, mas na época de sua construção, no século XV, quem morava ali era uma viúva. No telhado, um gato e uma coruja de bronze do século XX lembram a tradição medieval. A Maison foi um dos cenários do filme Cyrano de Bergerac, do diretor Jean-Paul Rappeneau, com Gérard Depardieu.

Dijon
Maison Millière (ao fundo)

gato

Ainda nesta rua, está o Hôtel de Vogüé, um dos mais bonitos da cidade. Ele foi construído em 1614 por Étienne Bouhier, conselheiro do Parlamento, e se destaca pelo mosaico verde, dourado e preto dos seus telhados envernizados. Aliás, esse tipo de telhado se tornou um dos símbolos da Bourgogne. O Hôtel de Vogüé foi outro cenário de Cyrano de Bergerac. Outro palacete com um belo telhado com telhas envernizadas e coloridas é o Hôtel Aubriot. Localizado na rue des Forges, que já mencionei aqui, ele foi construído em 1341 e é um dos mais antigos da cidade.

Hôtel Aubriot
Hôtel Aubriot

Outras duas construções dentre tantas que merecem destaque são: Maison aux trois visages, do século XV, na rue de la Liberté; e a Maison aux Trois Pignons, na Place des Halles-Champeaux. Isso sem contar as próprias ruas da cidade, com seus traçados históricos e charmosos. Alguns exemplos: a rue de la Verrerie, a rue des Forges e muitas outras por ali.

Maison aux Trois Pignons
Maison aux Trois Pignons

14) Grand-Théâtre – Construído no começo do século XIX, é de estilo neoclássico greco-romano: tem formato retangular, colunas coríntias, uma grande peristilo e um entablement bem trabalhado. A decoração do interior do teatro foi obra do decorador-chefe da ópera de Paris, Pierre Ciceri. Para ver as representações que acontecem ali, veja o site oficial.

Dijon

15) Halles de Dijon – é o mercado municipal da cidade. Sempre menciono nos meus textos que aqui na França não visitar os mercados municipais é um sacrilégio. Além de serem um templo de gostosuras, a arquitetura e o valor histórico, quando o mercado é coberto, valem a visita. E o de Dijon não é diferente. Construído entre 1873 e 1875, o edifício que abriga o mercado da cidade foi realizado de acordo com o projeto do engenheiro Louis-Clément Weinberger.

Halles

De inspiração clássica, tem uma sucessão de arcadas e os capitéis das colunas são decorados com temas ligados ao vinho. Já as outras partes do edifício, que é composto por quatro pavilhões, possuem decorações com os temas do comércio, da agricultura ou animalescos, como cabeças de javalis ou de bois, por exemplo. Em alguns dias da semana, o mercado também se estende pelas ruas ao redor.

Dijon

Halles de Dijon
Rue Odebert ou Rue Quentin ou Rue Bannelier
21000 Dijon
Horários: Terças, quintas, sextas e sábados de manhã, das 7h às 13h.

Frutas

16) La Coulée Verte – é um caminho de 2,2 quilômetros que segue o curso do rio Ouch. Ele vai do antigo hospital geral, futura Cité internationale de la gastronomie et du vin, até o lago Kir e pode ser percorrido a pé, de bicicleta, de patins. Eu, por exemplo, fiz este passeio com Segway e adorei. É um percurso bem bonito, com uma vegetação preservada e muitos animais, como pássaros, por exemplo. O trajeto é equipado com bancos para descansar, áreas para as crianças brincarem e um jardim educativo.

Dijon

Renata Rocha Inforzato

17) Visitas Guiadas – O Office de Tourisme de Dijon propõe o ano todo diversas visitas guiadas pela cidade. Fiz algumas delas, como Dijon Terre de Vins, que fala da tradição do vinho na cidade, com degustação no final; e também a visita sobre as especialidades locais, chamada Balade Gourmande, que contou com muitas visitas à lojas de especialidades locais e degustações. No site do escritório de turismo você vai encontrar a lista delas e em quais línguas são disponíveis.

Visita guiada vinho
Visita Dijon Terre de Vins

18) Parcours de la Chouette – Para quem quer visitar a cidade no seu tempo e ritmo, o Office de Tourisme disponibiliza também o parcours de la Chouette (percurso da Coruja). Presente em um dos contrafortes da igreja Notre-Dame, este simpático animal virou o símbolo da cidade. O Parcours compreende vários lugares e monumentos importantes de Dijon, que são assinalados com uma pequena coruja na calçada. Para acompanhar o percurso com explicações sobre a história e curiosidades dos lugares, um livrinho é vendido no Office de Tourisme por 3,50 euros.

Dijon

Ali você também pode comprar o Dijon City Pass, que possibilita a entrada em várias atrações da região e também acesso ilimitado aos transportes públicos. Você pode optar pelo passe de 24, 48 ou 72 horas. Também é vendido pela internet. E para ganhar tempo ou não se cansar ainda há a Navette City (miniônibus) gratuita que circula pelo centro da cidade a cada dez minutos, de segunda a sábado, das 8h às 19h.

Navette gratuite Dijon

O texto ficou enorme. é que Dijon tem tanta coisa para fazer e conhecer. E olhe que nem conheci tudo, acho que somente morando na cidade para realmente conhecer tudo ou quase. Mas, independentemente do tempo em que for ficar no lugar, espero que esta matéria possa ajudar você a planejar seu roteiro e a ver que Dijon é bem mais do que a capital da mostarda.

Dijon

Como ir a Dion: De Paris, da Gare de Lyon ou da Gare de Bercy, pegar o trem para Dijon. A viagem dura de 1h30 a 3 horas, dependendo do trajeto. Para saber horários, preços e reservar, consulte o site da OUI.sncf

Parc de l'Arquebuse
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Renata Rocha Inforzato

Sou de São Paulo, e moro em Paris desde 2010. Sou jornalista, formada pela Cásper Líbero. Aqui na França, me formei em História da Arte e Arqueologia na Université Paris X. Trabalho em todas essas áreas e também faço tradução, mas meu projeto mais importante é o Direto de Paris. Amo viajar, escrever, conhecer pessoas e ouvir histórias. Ah, e também sou louca por livros e animais.

Comentários (10)

  • Hebe C Responder    

    16 de novembro de 2020 at 23:57

    Eu sabia que Dijon era maravilhoso, mas depois de ler seu post tive a certeza. Não vejo a hora das fronteiras abrirem e podermos voltar a lugares lindos assim…..

  • Aline Responder    

    17 de novembro de 2020 at 13:50

    Caramba Renata que aula de história sobre Dijon que tive agora! Fiquei impressionada mesmo, eu achava que Dijon era só a terra da mostarda, mas vi que é muito mais que isso. Achei fofo o navette city e com certeza já salvei aqui pra pegar quando estiver no centro. Sonho em ir para esse lugar agora, obrigada pela inspiração!

  • ana Responder    

    18 de novembro de 2020 at 1:32

    Dijon parece ser muito interessante mesmo, não conhecia esse lugar. Na verdade nem sabia sobre a mostarda hahhaha

  • Marcela Responder    

    19 de novembro de 2020 at 10:49

    Ainda não tive a oportunidade de conhecer Dijon mas quero muito ir! Obrigada pelas dicas, fotos e histórias, vai me ajudar muito no meu planejamento e me deixou doidinha pra ir logo!

  • Fernanda Scafi Responder    

    19 de novembro de 2020 at 19:21

    Salvei o seu post aqui pq estou louca para voltar para a França, para conhecer mais do país além de Paris e pelas fotos, Dijon seria uma cidade perfeita para mim – AMO que europeus em geral super preservam sua História! E claro, faço questão de experimentar a mostarda! rs

    • Renata Rocha Inforzato Responder    

      19 de novembro de 2020 at 22:17

      Oi Fer, pelo pouco que te conheço, acho que vai adorar. Vou fazer um texto somente com as gostosuras para dar mais vontade ainda, rsrsrs

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