Comer & Beber

Dans le Noir? – onde não comemos com os olhos

1 de maio de 2012

Ele fica em um dos bairros mais badalados de Paris. A região é repleta de restaurantes, cafés, bares e pubs charmosos, diversão para os turistas e até mesmo para os moradores. A rua onde está instalado é discreta, quase uma viela e com uma iluminação tão difusa quanto o próprio restaurante. E apesar da sua fachada ser larga e com algumas mesas na frente, se você passar distraído não vai vê-lo, pois o Dans le Noir reserva suas atrações lá dentro.

Dans le Noir

Quando entramos, a impressão que temos é que é um bar como outro qualquer. O simpático recepcionista nos atende, confere as reservas, como acontece em quase todos os restaurantes. Ele nos convida a tomar um aperitivo enquanto esperamos. Deve-se chegar com, no mínimo, quinze minutos de antecedência da hora reservada. Você pode tomar seu drinque ali encostado no balcão do bar ou descer as escadas à direita, ir para o lounge, sentar-se e esperar confortavelmente a sua vez. No calor, as mesas do lado de fora, na rua, servem bem como uma agradável espera, mas em pleno inverno, sentar-se ali é impensável.

Dans le Noir

Eis que chega a hora e o recepcionista nos chama. Ele pede que guardemos todas as nossas coisas em um armário com chaves, como aqueles de academia, e nos explica todo o procedimento para jantar naquele restaurante que não é como outro qualquer. E aí é que embarcamos para a aventura.

Dans le Noir

Na verdade, o Dans le Noir é uma experiência única. Criado em 14 de julho de 2004, dia do mais importante feriado francês, ele é o primeiro restaurante onde você come sem enxergar absolutamente nada. Não é exagero! Você não enxerga nada, nada mesmo.

Dans le Noir
O simpático barman, um dos poucos funcionários que não é deficiente visual

Segundo Eduard De Broglie, um dos fundadores do lugar, no Dans le Noir os visitantes podem comer e beber na escuridão total, o que lhes dá uma nova percepção de gosto e odor. “A proposta do restaurante é também reavaliar a percepção das pessoas em relação ao outro e também em relação a como é a vida de quem não pode ver”, diz De Broglie. Hoje, há filiais Dans le Noir em cidades como Londres, Nova York, Barcelona e outras. Só no de Paris, são cerca de 35 mil clientes por ano.

Dans le Noir
Cada garçon-guia tem sua foto estampada no restaurante

E como o salão do restaurante é todo escuro, para entrar lá precisamos da ajuda dos garçons, que são todos cegos. O Dans le Noir emprega dez garçons, entre homens e mulheres. Como é o caso de Sarah, que possui uma deficiência visual congênita. A simpática francesa trabalha no lugar praticamente desde o começo, há seis anos, e não esconde a sua satisfação em poder desmistificar um pouco o mundo em que vive: “Meu trabalho consiste em guiar as pessoas até suas mesas, servi-las e ajudá-las em tudo o que for possível. Também conversamos muito. Todo mundo que vem ao restaurante se sai super bem e se diverte bastante com a experiência. Adoro trabalhar aqui”, conta a garçonete.

Dans le Noir
A simpática Sarah

Além de apurar o olfato e o paladar, jantar no escuro pode também melhorar nossa audição. É que o Dans le Noir promove, ao longo do mês, diversas atrações musicais, como os Cabaraokês nas terças – onde um cantor ou cantora, cego, promove um show com clássicos da canção francesa. Jantar no escuro, na companhia das canções de Piaf, Aznavour, Dalida e companhia é realmente um momento inesquecível.

Dans le Noir
Sarah preparando um grupo para entrar na escuridão

Escutamos atentamente as explicações do recepcionista. Ele pergunta a cada um quais as restrições alimentares. Isso porque no Dans le Noir o menu também é uma surpresa. Nós falamos apenas o que não gostamos ou não podemos comer e saberemos que aqueles ingredientes o jantar não vai ter. Mas temos que adivinhar, conforme comemos, o que são a entrada, o prato e a sobremesa (a opção de menu que escolhemos).

Dans le Noir
O pessoal fica apreensivo e enche Sarah de perguntas

Enfim, nos arrumamos em fila diante da entrada do salão escuro e Sarah aparece diante de nós. Ela se apresenta, com toda a sua simpatia, termina de explicar o procedimento. Depois pede que cada um segure no ombro da pessoa à frente e que a primeira pessoa da fila se segure nela. Ela nos guia e, logo ao entrarmos, o medo vai embora e uma gostosa excitação toma conta do grupo. Sem problemas, sentamos à mesa, sem enxergar nada.

Dans le Noir
E, finalmente, nosso grupo entra. A entrada na área escura é feita em grupos.

E enquanto esperamos os pratos, conversamos com as pessoas ao redor, até com desconhecidos, que, na escuridão, não sabemos se estão na nossa mesa ou em outra. Enfim, é aí que começa uma das refeições mais gostosas que fiz na minha vida. O cardápio? Não vou falar, você terá que vir até o Dans le Noir se quiser descobrir.

Dans le Noir

Dans le Noir?
51 rue Quincampoix – 75004 Paris – tel : 01 42 77 98 04
Horários: Sábados – almoço 12h30/ Domingos – brunch 12h30
Jantar – todas as noites, dois serviços: 19h30 e 21h45 (sempre reservar antes)
Preços: de 43 a 85 euros (ver os horários e opções de cada um)
http://www.danslenoir.com/

Dans le Noir

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Renata Rocha Inforzato

Sou de São Paulo, e moro em Paris desde 2010. Sou jornalista, formada pela Cásper Líbero. Aqui na França, me formei em História da Arte e Arqueologia na Université Paris X. Trabalho em todas essas áreas e também faço tradução, mas meu projeto mais importante é o Direto de Paris. Amo viajar, escrever, conhecer pessoas e ouvir histórias. Ah, e também sou louca por livros e animais.

Comentários (10)

  • Juliana Pereira Responder    

    1 de maio de 2012 at 23:48

    Rê! Da próxima vez que eu for a Paris, te arrasto de volta a esse restaurante ! Adorei a matéria! Me deu vontade de conhecer essa maluquice!

  • Gislaine Responder    

    3 de maio de 2012 at 11:15

    Re, o David me contou sobre a aventura de vocês neste restaurante, mas no dia, esqueci de perguntar o endereço…e é bem localizado! Deixarei a experiência pra próxima vez que voltar…..

    • Renata Inforzato Responder    

      3 de maio de 2012 at 19:01

      É interessante, Gi, vc vai gostar! Pode ser uma boa pedida pra fechar um dia de passeios pelo Marais. Beijão!!!!

  • Milena F. Responder    

    6 de maio de 2012 at 19:52

    deve ser uma experiência mesmo única, mas eu ainda preciso de um pouco de mudanças pessoais para ir! Já não me sinto bem comendo à lus de velas, umagina no escuro absoluto!!!

    • Renata Inforzato Responder    

      6 de maio de 2012 at 22:32

      Pois é, Milena, no começo tb fiquei com medo, pq tem certas coisas que não como. Mas, como eles perguntam, depois fiquei sossegada… Quanto ao escuro, depois acostumei 😀

  • Livia Martins Responder    

    7 de janeiro de 2013 at 20:10

    Ja tinha ouvido falar desse restaurante mas não conhecia ninguem que tinha vivido realmente esta experiência. Fiquei super curiosa…coisas de Paris 🙂

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