Atrações

Como nasceu a Champs-Elysées?

5 de agosto de 2010

Uma das principais atrações da cidade mais visitada do mundo, a Champs-Elysées (ou Campos Elíseos, como muitos brasileiros preferem chamar) é sinônimo de luxo, compras e cultura. A arquitetura antiga de suas construções, as alamedas e jardins bem cuidados, os marcos históricos – como o Arco do Triunfo e o Obelisco – e suas lojas modernas, tornam a Champs um passeio único e que vale a pena.

Champs-Elysées
Champs-Elysées vista da Place de la Concorde

Não por acaso chamada pelos franceses como a avenida mais bela do mundo, é palco dos principais acontecimentos da vida francesa. Desde 1880, ela acolhe o desfile militar de 14 de julho. Em agosto de 1944, na Liberação de Paris do domínio nazista, a multidão ali se apressou para festejar o General de Gaulle. Em julho de 1998, foi na Champs-Elysées que uma maré humana se reuniu para celebrar a vitória da França na copa do mundo. Na época do Natal, ela fica toda enfeitada e uma enorme roda gigante é instalada na Praça da Concórdia. E em maio de 2010, por dois dias, ela literalmente virou um imenso campo, com plantações e animais, durante o Nature Capitale, um evento para promover a consciência ecológica dos parisienses e turistas. Assim, a famosa avenida simboliza tudo o que acontece em Paris.

 

A avenida durante o Nature Capitale/maio 2010

Uma jovem avenida

Em comparação com a história da capital, a trajetória da Champs-Elysées é bem recente. Até o início do século XVII, a avenida nada mais era do que um caminho sem graça e barrento. Até que em 1616, Maria de Médicis decide construir uma alameda margeada por árvores. É chamada, então, de Cours de la Reine. Em 1670, o rei Luis XIV encarrega Andre Le Nôtre, o arquiteto paisagista responsável pelo Jardim de Versalhes, de realizar uma avenida repleta de jardins paisagísticos. La Nôte já havia construído o Jardim das Tulherias (Jardin dês Tuileries) e deveria fazer o prolongamento até o atual Champs-Elysées Marcel Dassault. O nome da avenida é mudado várias vezes: inicialmente para Grand-Cours, para distinguir no nome anterior; em seguida para Grande Allée du Roule, depois L’avenue du Palais des Tuileries e, finalmente em 1709, para Champs-Elysées. Em 1724, é prolongada até os limites de hoje, no monte de Chaillot, onde atualmente está a Praça Charles de Gaulle Etoile.

Porém, mesmo com todo o investimento da realeza, a Champs-Elysées não é bem vista na época, pois é conhecida como lugar de vagabundos e prostitutas. Sua sorte começaria a mudar durante a Revolução Francesa. Foi pela avenida que Luiz XVI e Maria Antonieta desfilaram, em 25 de Junho de 1791, como prisioneiros, ao serem capturados após uma fuga para Varennes. Na mesma época, a Praça da Concórdia torna-se um lugar de execução “dos inimigos da Revolução”. Foi, então, que o Diretório, que governava a França no período, decide fazer da Champs um lugar mais valorizado. Cafés e restaurantes começam a serem abertos. Em 1828, a avenida torna-se propriedade de Paris e começam a ser construídas calçadas e fontes. Alguns anos mais tarde, em 1834, Luis Felipe I contrata o arquiteto Jacques Hittorff para reformar os jardins e a Praça da Concórdia. A avenida continua a ser melhorada e no reinado de Napoleão III (1852 – 1870) já é o lugar mais elegante de Paris.

Um pedaço do mundo em Paris

Durante o século XX, a Champs-Elysées continua sendo sinônimo de elegância e luxo. Contudo, na década de 1950, com a chegada do RER – um trem que liga Paris às cidades mais próximas -, franceses de todas as classes podem frequentar a avenida. Então, as marcas mais populares ali também se instalam.

Em 1994, uma grande reforma é iniciada pelo então prefeito Jacques Chirac. A Champs-Elysées passa a ser ainda mais valorizada, refletindo a mistura de povos – turistas e nativos – que ali frequentam.  As marcas mais luxuosas, como, por exemplo, Cartier e Swarovski, convivem com as mais populares e conhecidas do mundo inteiro, como Disney, Hugo Boss e Gap. A programação cultural é vasta: há vários cinemas – com realizações constantes de pré-estreias -, teatros, cabaré e exposições. E bares e restaurantes, dos mais luxuosos às redes internacionais de fast-food, estão sempre lotados.

Para os comerciantes, ter um ponto comercial na Champs-Elysées, apesar de caro, é garantia de publicidade e lucro. E para os que por ela passam, estar numa das avenidas mais charmosas do mundo é sentir-se privilegiado, mesmo que seja apenas de passagem.

Algumas atrações da Champs-Elysées

Praça da Concórdia (Place de la Concorde)

Foi projetada no século XVIII pelo arquiteto Jacques-Ange Gabriel. Durante a Revolução Francesa, foi chamada de Place de La Révolution. Com a instalação da guilhotina, tornou-se palco das execuções da família real francesa, dos revolucionários Danton e Robespierre e de mais de mais 1100 pessoas. Após esse episódio sangrento, ela passa a se chamar Praça da Concórdia (Place da la Concorde), em 1795. Em 1815, seu nome é mudado para Praça Luis XV, mas em 1830 volta a ser Praça da Concórdia. No mesmo ano, são instaladas as duas fontes enfeitadas com a proa de um navio, o emblema de Paris. Em 1844, a praça é o primeiro lugar da capital a receber iluminação elétrica. O obelisco é a sua principal atração. Para se chegar à Praça, o acesso é pelo metrô Concorde, linhas 1, 8 e 12.

Uma fontes da praça

O Obelisco de Luxor

Presente do Egito aos franceses, o artefato de 3200 anos foi trazido para Paris em 1836, por Luis Felipe I. O Rei estava à procura de um monumento que não despertasse o fanatismo nem dos revolucionários, nem dos monarquistas.

O Obelisco trazido do Templo de Luxor, no Egito, para Paris
Detalhes do Obelisco

Os Jardins das Champs-Elysées

Em 1814-1815, as tropas russas e prussianas, ao invadirem Paris, acamparam no jardim, que foi quase destruído. Em 1834, uma grande reforma, empreendida pelo arquiteto Jacques Hittorff, o criador da Gare du Nord, deu nova vida ao lugar. Foram instaladas, então, fontes, pavilhões e candelabros de gás. O jardim ainda passou por outras duas reformas: em 1859, quando foram colocados os jardins ao estilo inglês, e em 1883, quando Charles Garnier, o mesmo arquiteto que criou a Ópera de Paris, reformou uma pequena sala de espetáculos situada no jardim, dando origem ao Teatro Marigny. Com a construção do Grand e Petit Palais, para a Exposição Mundial de 1900, os Jardins das Champs-Elysées tiveram sua área reduzida. Metrô Champs-Elysées Clémenceau, linha 1.

Dentro do jardim: nem parece que há uma avenida tão perto!

Praça Charles de Gaule-Etoile

Em 1854, Napoleão III encarrega o arquiteto Jacques Hittorff de construir uma praça de acordo com as ideias de Haussmann. O então prefeito de Paris, que estava reformando as ruas da cidade, desejava um espaço aberto, formado pelos lados de uma estrela. Chamada de Etoile até 1969, com a morte do General de Gaulle passa a se chamar Praça Charles de Gaulle – Etoile.

Praça Charles de Gaulle
A Praça e o seu símbolo mais famoso

Arco do Triunfo

Em 1806, Napoleão I decide construir um monumento para celebrar suas vitórias: o Arco do Triunfo. O projeto começa, então, a ser realizado pelo arquiteto Chalgrin. O monumento é decorado com esculturas destacando as batalhas napoleônicas e mitológicas.

Por ocasião do segundo casamento de Napoleão, desta vez com a imperatriz Maria Luísa, o Arco do Triunfo ainda não estava pronto. A solução foi construir uma réplica em tamanho natural para que o imperador pudesse fazer a entrada triunfal com sua nova esposa. Nos anos seguintes, a obra foi abandonada e só concluída em 1836, pelo rei Luis Felipe I.

Detalhes do Arco. Nas laterais estão gravados nomes de 660 personalidades que lutaram na Revolução Francesa e no Primeiro Império (Napoleão I)

O Arco do Triunfo é um lugar de memória patriótica francesa, principalmente desde o desfile de 14 de julho de 1919 – o primeiro depois da Primeira Guerra – e o enterro do soldado desconhecido, em 1921.

Túmulo do Soldado Desconhecido

Na visita, é possível subir até o topo do Arco através de uma escada situada dentro da loja de souvenis. Lá em cima, a vista de Paris é magnífica: pode-se ver a Torre, o Arco de La Dèfense e até a Igreja de Sacré-Coeur. Além disso, o monumento abriga exposições interativas: em uma delas, há imagens de todos os arcos do triunfo construídos na França e em várias partes do mundo.

Horários: de abril a setembro, das 10 às 23 horas. De outubro a março das 10 às 22h30 (última entrada 30 minutos antes de fechar).

Fechado em: 1 de janeiro, 1 de maio, 8 de maio, 14 de julho, 11 de novembro e 25 de dezembro.

Metrô: Charles de Gaulle Etoile, linhas 1,2 e 6.

RER: Charles de Gaulle Etoile

Ônibus: consultar www.ratp.fr

Gratuito primeiro domingo do mês

Mais informações: http://arc-de-triomphe.monuments-nationaux.fr/en/

* Reserve hotel para Paris e outras cidades do mundo com o Booking
* Compre seu seguro de viagem com a Real ou com a Mondial
* Para fazer passeios e excursões, contate a ParisCityVision
* Para transfer e passeios privados, contate a França entre Amigos
* Compre ingressos fura-fila para várias atrações de Paris e outras cidades com a Ticketbar
* Alugue um carro com a Rentalcars
* Saiba mais sobre Cursos de idiomas no exterior

Renata Inforzato

Comentários (5)

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

O Direto de Paris usa cookies para funcionar melhor. Mais informações

The cookie settings on this website are set to "allow cookies" to give you the best browsing experience possible. If you continue to use this website without changing your cookie settings or you click "Accept" below then you are consenting to this.

Close