Basse-Normandie

Cinco lugares da Segunda Guerra a visitar na Normandia

21 de junho de 2019

No último dia 6 de junho comemoramos 75 anos do desembarque aliado na Normandia durante a Segunda Guerra Mundial. É uma data chave na História Mundial e nunca é tarde para relembrá-la. Tive a oportunidade de conhecer alguns dos lugares-chaves da ofensiva aliada e mostro aqui para vocês.

Segunda Guerra
Caen

Como vocês sabem, a Segunda Guerra Mundial foi disputada entre as nações do Eixo (Alemanha, Itália e Japão) e os Aliados (formado principalmente pelo Reino Unido, Estados Unidos, União Soviética e a parte da França livre). Desde 1940, o Eixo, liderado pela Alemanha, vinha colecionando vitórias.

Mar de Port-en-Bessin-Huppain
Port-en-Bessin-Huppain

A França, por exemplo, estava praticamente dividida em duas, sendo Paris controlada pelos alemães. Eles também controlavam praticamente todos os portos importantes do país, como, por exemplo, Le Havre, Cherbourg, Lorient (na região da Bretanha), etc. Eles costumavam dizer: quem controla os portos, controla a guerra.

Catedral de Bayeux
A bela Catedral de Bayeux

Com a entrada dos Estados Unidos na Segunda Guerra, a França e o Reino Unido ganharam um aliado importante. A questão era: como penetrar no continente europeu fortemente vigiado pelos alemães?

Segunda Guerra
Port-en-Bessin-Huppain

O lugar mais viável seria o Norte da França, pela proximidade com a Inglaterra. A região Norte, hoje chamada de Hauts-de-France, estava em poder dos alemães (quem viu o filme Dunkirk viu isso). Foi aí, então, que os Aliados tiveram uma ideia de gênio: enganar o inimigo.

Segunda Guerra
Musée Mémorial de la Bataille de la Normandie

Eles fizeram os alemães acreditar que iriam invadir a França pela região Norte. Começaram a fazer movimentos nesse sentido, numa operação chamada Fortitude, para tapear as tropas do Reich. Enquanto isso, uma outra parte do exército Aliado se preparava para chegar por outra região: a Normandia, menos vigiada. A Alemanha não esperava por isso e demorou para reagir, dando tempo para que, aos poucos, a região fosse libertada e os ventos da Guerra começassem a mudar.

Château de Caen
Château de Caen

Mas, a operação, chamada de Overlord, não foi fácil, e hoje, visitando os lugares onde ela aconteceu, podemos ter uma ideia do que os soldados aliados enfrentaram. O Turismo de Memória na Normandia abrange uma infinidade de cidades, cemitérios, memoriais. Claro que só visitei alguns lugares e é sobre eles que vou escrever aqui na matéria.

Segunda Guerra
Omaha Beach

1) Caen
Uma das cidades mais importantes da Normandia e isso há séculos. Durante a Segunda Guerra, foi controlada pelos alemães, pois sua localização é super estratégica. Assim, logo após o Desembarque, os Aliados chegam ali e travam duros confrontos com o exército alemão, que estava determinado a não perder a cidade. Mesmo após ter sido liberada pelos canadenses, Caen sofre com os bombardeios e saques até depois de 20 de julho.

Segunda Guerra

Durante esse tempo de bombardeios, boa parte da população se refugia na Abbaye aux Hommes (Abadia para os Homens), construída na Idade Média e que havia se tornado um hospital, e nas Carrières de Fleury (uma pedreira subterrânea ali perto). Eles ficam ali por mais de um mês e, quando finalmente podem sair, encontram sua cidade 80% destruída. Por isso, Caen é considerada uma das cidades mártires da Normandia.

Abbaye-aux-Hommes
Abbaye aux Hommes

Para recordar este período e entender o que estava em jogo, uma atração importante é o Mémorial de Caen. Criado em 1988, ele aborda a história da Europa desde 1918 até a Guerra Fria. São mais de 4500 m2 de fotos, objetos, quadros explicativos, filmes, etc. Para completar a visita, alguns Jardins de Souvenirs (Jardins de Memória) e um bunker. Para saber mais sobre Caen, clique aqui.

Segunda Guerra

2) Bayeux
Foi uma das poucas cidades desta área que não foi destruída pelos bombardeios. Porém, foi muito importante do ponto de vista estratégico e abrigou muitos feridos da Guerra. Controlada pelo inimigo, a sua liberação aconteceu em 7 de junho de 1944 pelas tropas britânicas.

Segunda Guerra

Bayeux foi a cidade escolhida pelo general Charles De Gaulle, líder da Resistência Francesa, para seu primeiro discurso depois de voltar do exílio em Londres. Em junho de 1946, ele volta para um novo discurso, desta vez para anunciar a V República Francesa, da qual ele será o primeiro Presidente.

Bayeux

Em Bayeux, vários lugares guardam a memória da Segunda Guerra. A cidade abriga um cemitério, o Cimetière Militaire Britannique, onde estão enterrados os soldados do Reino Unido mortos nos combates da Normandia. Para saber mais sobre ele, veja esse site. Perto dali, há um jardim em homenagem aos repórteres de guerra, com os nomes de mais de dois mil jornalistas mortos em conflitos desde 1944.

Segunda Guerra

E um pouco mais adiante, o Musée Mémorial de la Bataille de Normandie. Como o nome diz, ele traça um panorama completo das operações militares na região a partir de junho de 1944. Podemos ver até os veículos e tanques usados nas batalhas e objetos pessoais dos soldados, em meio a muitos filmes e depoimentos. Se quiser saber mais sobre a cidade, veja o site do Office de Tourisme de Bayeux

Segunda Guerra

3) Arromanches-les-Bains
Esse foi um dos lugares mais interessantes que visitei na região. É uma cidadezinha na costa normanda. Para chegar nela, pegamos um ônibus em Bayeux. E como é que esse cantinho tranquilo foi tão importante durante a Segunda Guerra Mundial?

Segunda Guerra

Bom, para que o desembarque Aliado desse certo, era preciso pensar também no abastecimento das tropas em combustível, comida e outros itens necessários. O meio mais lógico seria por via marítima. Mas, se a Alemanha controlava os portos franceses, como fazer? Foi aí que Churchill e Lord Mountbatten tiveram uma excelente ideia. Eles pensaram mais ou menos assim: “Se não podemos tomar os portos, então, vamos fazer e trazer um até a Normandia”.

Arromanches-les-Bains

E assim foi feito: o Mulberry, vasto porto flutuante pré-fabricado, começou a ser construído na Inglaterra em 1943, no maior segredo. E o negócio é enorme: são 146 blocos gigantes em concreto armado, chamados Phenix, pesando cada um 7 mil toneladas. Sua função é servir de quebra-mar em 8 quilômetros de comprimento.

Segunda Guerra
Uma parte da maquete do Porto Artificial que está exposto no Musée du Débarquement

Há, ainda, mais 22 plataformas suportadas por estacas presas no fundo do mar, que servirão de cais para o desembarque de mercadorias. Para a circulação do material e tropas, imensas rotas sobre flutuadores ligadas à praia. Só uma delas tem 1200 metros. E, para proteger tudo, sessenta navios.

Arromanches-les-Bains
Restos do Porto Artificial (não só no primeiro plano, mas também ao fundo da foto)

Arromanches é liberada em 6 de junho. Três dias depois, esse conjunto todo chega, trazido por 200 rebocadores. A operação é um sucesso, o que permite que as tropas Aliadas, que avançam sobre a Normandia, tenham um abastecimento adequado. Em 100 dias, o porto artificial de Arromanches é mais ativo do que qualquer outro porto francês.

Segunda Guerra
Arromanches 360

Hoje, podemos ver vestígios desse porto, mesmo se o tempo estiver nublado. Aliás, quando visitei Arromanches, havia chuva forte, vento, frio e neblina. Foi exatamente em 6 de junho a minha visita. Fiquei imaginando como é que eles desembarcaram tudo, inclusive veículos, em um dia com condições climáticas parecidas com as da minha visita. Não é para qualquer um.

Segunda Guerra

Além de ver os restos do porto – e se aproximar mais se o tempo estiver bom – podemos visitar o Musée du Débarquement. Ele conta toda a história da construção do Porto Artificial, com belas maquetes, e da logística que se seguiu. Há também vários uniformes de militares, objetos pessoais e vários outros tipos de coisas.

Musée du Débarquement

Outra visita imperdível é o Arromanches 360, um cinema circular que mostra, em filmes da época, as ações dos 100 dias da Batalha da Normandia. Visitei também um pequeno museu cheio de objetos pessoais dos soldados, doados por eles mesmos ou por suas famílias: o Liberators Museum – Normandy 1944, fundado em 2012 por Floris Kok. E, para finalizar, aconselho uma volta pela vilarejo, que é bem charmoso.

Segunda Guerra
Liberators Museum

4) Port-en-Bessin-Huppain
Outra pequena e charmosa cidade costeira da Normandia que foi palco de importantes eventos durante a Segunda Guerra Mundial. Controlada pelos alemães, foi liberada na noite de 7 de junho de 1944 pelo 47o Royal Marine Commando, não sem antes ter testemunhado duros combates entre os inimigos.

Port-en-Bessin-Huppain

De posse do lugar, as tropas britânicas puderam estabelecer contato com outras tropas aliadas na região, formando uma faixa de 56 quilômetros de litoral liberados. Logo depois, o porto é transformado em terminal petroleiro para abastecer os Aliados. Ele funciona até outubro de 1944.

Segunda Guerra

Em Port-en-Bessin podemos visitar o Musée des Épaves. Fundado por um mergulhador, o acervo do museu é formado por objetos coletados em 25 anos de explorações submarinas na região. Há itens pessoais, fotos, equipamentos, cartas, etc. Mas, nem só de Segunda Guerra vive o museu: encontramos também o que foi recuperado de um cargueiro afundado durante a Primeira Guerra e de um navio do século XIX.

Musée des Épaves

5) Omaha Beach
É o lugar mais famoso da Segunda Guerra na Normandia. Na verdade, Omaha Beach é o nome de código que abrange três vilarejos: Vierville-sur-Mer, Colleville-sur-Mer e Saint-Laurent-sur-Mer. Foi em Omaha que chegaram os americanos em 6 de junho de 1944. É considerada a operação mais catastrófica do desembarque da Normandia. Estima-se em três mil o número de mortos, feridos e desaparecidos só neste dia.

Segunda Guerra
Cemitério Americano

Por isso, o lugar, hoje concessão perpétua dos Estados Unidos, abriga um cemitério americano com mais de 9 mil soldados mortos só na região da Normandia. O Cimetière Americain é composto pelo Visitor Centre, pelo Memorial que homenageia os militares mortos e o cemitério propriamente dito. A vista para o mar é linda.

Segunda Guerra

Outra visita para entender o desembarque é o Musée Big-Red-One-Assault. O fundador do lugar, Pierre-Louis Gosselin, começou a coleção aos 9 anos de idade. Ela reúne praticamente tudo sobre a Primeira Divisão de Infantaria americana, que desembarcou e liberou Colleville.

Segunda Guerra

Continuando a visita, vemos o Overlord Museum, com um acervo de mais de 10 mil peças e que retraça o desembarque em Omaha Beach. Há, ainda, o Musée-Mémorial d’Omaha Beach, onde estão expostos veículos militares, manequins em uniformes, armas e vários outros objetos. Este último em Saint-Laurent-sur-Mer. E, para finalizar a visita a Omaha, um passeio pelas praias, que fazem parte da lista das mais belas da região.

Omaha Beach

Esses foram os lugares relacionados à Segunda Guerra Mundial que visitei na Normandia. Claro que quero e vou aumentar essa lista. Em breve, também vou escrever com mais detalhes sobre cada um desses lugares. Mas, espero que tenham gostado dessa amostra.

Port-en-Bessin
Port-en-Bessin-Huppain

Para ir a Caen e/ou Bayeux – De Paris, da estação Saint-Lazare, pegar o trem. A viagem Paris/Caen dura mais ou menos 2 horas e a de Paris/Bayeux, entre 2 horas e 2h30. Se quiser ir de Caen para Bayeux, o trajeto é de cerca de 20 minutos. Mais informações no site da OUI.sncf .
Para ir a Arromanches, Port-en-Bessin e Omaha Beach, há ônibus a partir de Bayeux. São ônibus de rua normais, que você pode consultar os preços e horários no site da Bus Verts. Você também pode ir a esses lugares de excursão com os parceiros do blog.

Segunda Guerra
Mémorial de Caen

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Renata Rocha Inforzato

Sou de São Paulo, e moro em Paris desde 2010. Sou jornalista, formada pela Cásper Líbero. Aqui na França, me formei em História da Arte e Arqueologia na Université Paris X. Trabalho em todas essas áreas e também faço tradução, mas meu projeto mais importante é o Direto de Paris. Amo viajar, escrever, conhecer pessoas e ouvir histórias. Ah, e também sou louca por livros e animais.

Comentários (3)

  • Natalie Soares Responder    

    24 de junho de 2019 at 12:13

    Oi, Renata. Tudo bem? 🙂

    Seu post foi selecionado para o #linkódromo, do Viaje na Viagem.
    Dá uma olhada em http://www.viajenaviagem.com

    Até mais,
    Bóia – Natalie

  • Paula Responder    

    26 de junho de 2019 at 7:08

    Dessas ai eu só sabia um pouco da história de Caen, que interessante conhecer as outras. Como Caen não é tão longe, sempre vale a pena conhecer

  • Cynara Vianna Responder    

    27 de junho de 2019 at 23:02

    Que post maravilhoso, uma verdadeira aula de história. Esse é um roteiro que fiquei com vontade de fazer. Parabéns.

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