Atrações

Château de la Reine Blanche – o lugar que nunca foi um castelo e nem abrigou uma rainha

19 de junho de 2014

O Château de la Reine Blanche é a construção mais antiga do 13e arrondissement (distrito) de Paris. Se não fosse por sua torre, ela passaria quase despercebida em meio a tantos edifícios históricos que a cidade abriga. É mais um palacete, mas é uma visita super interessante, ainda mais que é com guia e gratuita. E também porque nenhuma reine Blanche morou ali.

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A história do château é difícil de ser contada, pois não há muitos dados. Ele foi construído no final do século XV ou começo do XVI pela família Gobelins, composta por tintureiros vindos da região de Flandres, que havia chegado há pouco no bairro. A proximidade com o rio Bièvre era ideal para sua atividade.

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A parte principal do conjunto, com torre e com duas escadarias em espiral, data entre 1500 e 1535. No começo do século XVII, a propriedade é vendida para Jean Lehoste, que faz a cour d’honneur (pátio interno entre o edifício principal e adjacentes) e as arcadas. Alguns anos depois, nova construção. O lugar se torna uma fábrica de óleos. E mais tarde, ainda no mesmo século, mais construções, que se tornam ateliês.

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No meio dessa história do lugar, difícil de restituir objetivamente, um ato preciso: o documento de venda, datado do século XVIII, – não só do château, mas também das construções vizinhas – para Antoine Moinery, que abre uma tinturaria. No decorrer dos séculos, todas essas construções vão ficando cada vez mais de uso industrial.

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Em 1906, é aberta a rua Gustave Geffroy, ali do lado. Em 1912, o leito do Bièvre é coberto e a rua Berbier de Mets é criada. Sem o rio, as indústrias que estavam ali vão pouco a pouco partindo e o castelo, assim como as construções vizinhas, vai ficando abandonado.

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Ele quase é demolido, se não fosse o fato de ser classificado como Monumento Histórico em 1980. Em 1999 começa a restauração e várias construções parasitas do século XIX são demolidas. Com a ajuda de documentos que mostram a disposição do château no século XVII, eles não só restauram os edifícios restantes como fazem novas construções, a fim de devolver ao lugar o esplendor dos velhos tempos.

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Até essa construção de madeira faz parte da reconstituição do château
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A estrutura do telhado e torres também faz parte da reconstituição do século XVII

Muitas obras do século XIX falaram do castelo, mas as histórias são falsas. Nenhuma rainha morou no “château”. O que acontece é que no final do século XIII, Marguerite de Provence, mulher de Louis IX (São Luis), construiu um palacete ali, no terreno vizinho. Dizem que sua filha, Blanche de France, teria morado no lugar antes de virar freira.

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Aqui nunca morou rainha nenhuma

E outros historiadores pensavam que foi nesse hôtel (palacete) que aconteceu o Bal des Ardents (Baile dos ardentes), que menciono nesse texto. O baile ficou provado que foi em outro lugar, no hôtel Saint-Pol. Mas fato é que, mesmo sem nenhum acontecimento especial, esse palacete da rainha foi demolido em 1404. Mas o nome “Reine Blanche” ficou atrelado ao bairro.

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Outra visão do château – e nenhuma rainha morou aqui

Enfim, a antiga residência da rainha Marguerite nunca foi o “nosso château” e sim a construção vizinha. Após a demolição da casa da soberana, outro edifício vai ser feito e também vai ser ocupado pela família Gobelins, mas aí já é outra história.

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Château de la Reine Blanche
4 rue Gustave Geffroy
75013 Paris
Metrô Les Gobelins – linha 7
Visitas guiadas gratuitas do pátio, galeria e torre
De 01 a 27 de julho, de terça a sábado, às 14h, 15h, 16h e 17h. Domingos, às 10h, 11h, 12h, 15h, 16h e 17h.
De 19 de agosto a 7 de setembro, de terça a sábado, às 14h, 15h, 16h e 17h. Domingos, às 10h, 11h, 12h, 15h, 16h e 17h.
Durante as Journées du Patrimoine, 20 e 21 de setembro, das 10h às 12h e das 14h às 17h.
Para participar, basta chegar um pouco antes e esperar em frente ao portão

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Renata Rocha Inforzato

Sou de São Paulo, e moro em Paris desde 2010. Sou jornalista, formada pela Cásper Líbero. Aqui na França, me formei em História da Arte e Arqueologia na Université Paris X. Trabalho em todas essas áreas e também faço tradução, mas meu projeto mais importante é o Direto de Paris. Amo viajar, escrever, conhecer pessoas e ouvir histórias. Ah, e também sou louca por livros e animais.

Comentários (7)

  • Anita Responder    

    20 de junho de 2014 at 12:26

    Curti! Mais um passeio bacana fora do circuito badalado.
    Abs

  • Marilda Teixeira Responder    

    20 de junho de 2014 at 17:01

    Adorei o post!!
    Esse local é pertinho do hotel em que costumo me hospedar. Passei por aí algumas vezes, mas não sabia da história (pensei que tivesse sido realmente residência de uma rainha).
    Em compensação, desta vez, consegui entrar na Manufatura Gobelins e ver as lindas tapeçarias. Pena que não pude tirar fotos…
    Bjs

    • Renata Inforzato Responder    

      20 de junho de 2014 at 22:18

      Oi Marilda. Me lembrei de você ao escrever esse texto. Em breve vou escrever sobre a manufatura também. Obrigadão pelo comentário e um beijão

  • Simone Responder    

    13 de janeiro de 2016 at 15:11

    Estive em Paris entre novembro a dezembro e fiquei hospedada há 5 min desse castelo lindo e não sabia (coloquei no maps). Fiquei na Rue Pascal. Adorei o bairro. Com certeza na minha próxima viagem irei visitar. Parabéns pelo blog. Excelente.

    • Renata Inforzato Responder    

      14 de janeiro de 2016 at 17:41

      Oi Simone, obrigadão! Boa escolha ficar nesse bairro. É um lugar muito gostoso. Um beijo

  • Direto de Paris - Jornalismo em Paris Responder    

    2 de setembro de 2017 at 21:26

    […] 4) Château de la Reine Blanche – É mais um monumento simples de Paris, com uma história curiosa. É uma dessas visitas rápidas, mas que valem a pena. Uma Paris pouco conhecida pelos turistas. Horários durante as Journées: 16 e 17 de setembro, das 13h30 às 17h30. Para saber mais, veja o post que escrevi sobre o castelo. […]

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